Allen Klein, dos Stones ao fim dos Beatles…

Já se vão seis décadas mas o assunto da separação do Beatles ainda repercute de alguma maneira, seja quando nos deparamos com suas canções, filmes, eventos de flashback, etc.

Há farto material sobre o assunto, mas é necessário retornar aquela segunda metade dos anos 60 do século passado para entender como as situações ocorreram para culminar no final da banda.

De modo geral, só quem viveu aqueles anos relembrará de alguns detalhes do período tão conturbado no mundo e certamente nas artes.

Pouco anos depois já na década de setenta, jornais ingleses e dos EUA, já revelavam fatos de que o fim dos Beatles já começava amadurecer lá nos anos de 1966, 1967.

Conflitos por liderança da banda (John X Paul), sobre turnês (John, George e Ringo não suportavam mais realizá-las, a passo que Paul queria fazê-las), divergências musicais (Album Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, por exemplo), morte de seu empresário “faz tudo”, Brian Epstein, “o sucesso rápido subindo a cabeça”, conflito gerando provável substituição de George por Eric Clapton, Os vôos de Harrison India e Ravi Shankar, jogo de poder, presença de Yoko Ono, etc., enfim era um caldeirão prestes a explodir

Aliás a imprensa imediatista e tablóides na época precisavam escolher um bode expiatório e elegeram como causa do conflito separatista a presença imposta de Yoko Ono dentro do ambiente de gravações, ensaios e até de composição de canções por John Lennon.

Mas o tempo fez a revelação de identificar o grande estopim, a causa maior que tem até um nome: Allen Klein, o empresário famoso no mundo do rock na época.

E por incrível que possa parecer, o assunto começa do outro lado da rua musical, numa outra banda: Os Rolling Stones.

Antes porém um breve relato sobre o empresário polêmico e como entrou e tumultuou os Stones:

Allen Klein foi um empresário, promotor, produtor de discos e financista que se notabilizou  nos anos 60 e 70 na área do entretenimento musical, Foi um empresário audaz e agressivo nos negócios, e se tornou o mais bem sucedido e conhecido empresário musical do mundo por ter, como contratados, figuras expressivas do mundo do rock.

Tinha um espírito de empreendedor brilhante e persuasivo porém sem medidas, sem limites, que lhe valeu processos de quase todos seus contratados, de quem fez aquisições e assumiu o controle de seus trabalhos após conseguir para eles contratos extremamente vantajosos com suas gravadoras, além de ter sido investigado, julgado, condenado e cumprido pena por crime de informação privilegiada e fraude em investimentos financeiros.

Um homem duro e persistente, Klein era também era conhecido por descobrir royalties perdidos para artistas musicais e se apoderar deles e já o tinha feito com Sam Cooke, do qual administrou  antes de sua morte. Mas o homem também era conhecido por sua ética questionável e esteve constantemente sob investigação por autoridades financeiras dos EUA.

No Brasil este empresário certamente receberia estampas populares, como “experto”, “enrolão”, “picareta” tal eram suas tramóias em que muitos caiam.

Como Allen Klein entrou nos Rolling Stones:

Para entender como isto aconteceu será necessário conhecer ou relembrar quem foi Andrew Oldham para os Rolling Stones:

Andrew Loog Oldham foi um produtor musical, gerente de talentos, empresário e autor musical, também dos EUA. Ele foi o que “fez” os Rolling Stones serem como são, tal como Brian Epstein “fez” os Beatles e também era conhecido por seu estilo extravagante.

Além de ter dado a “cara” anti-Beatles aos Rolling Stones, ele tem um extenso currículo de produtor musical e empresário de entreterimento, envolvendo muitos nomes da musica, além dos Stones ao longo de décadas. Veja aqui

Mas lá no final da primeira metade dos anos 60 quando os Stones explodiam nas paradas mundiais e se tornavam os grandes rivais dos Beatles, Andrew Loog Oldham, o empresário da banda desde o início da carreira, se afogava em drogas e ficava incapacitado de continuar gerindo os negócios do grupo.

Andrew Loog Oldham, o administrador gênio e problemático (segundo, da esquerda para a direita) com os Rolling Stones em Londres, 1964

Infelizmente, atolado em depressão Oldham piorava enquanto controlava os Stones, que o viram se automedicar com quantidades horríveis de bebida e drogas. A procura por ajuda profissional o levou a um médico abusivo que usou terapia de eletrochoque excessivo para “curá-lo”, o que só o deixou com o cérebro confuso mesmo quando sóbrio. Os Rolling Stones estavam cansados de suas fraquezas nessa época e começaram a se voltar contra ele. O ano em que Brian Epstein dos Beatles morreu de overdose de drogas (1967), também foi o ano em que os Stones e Oldham se separaram.

Discretamente e sem surpresa, Allan Klein entrou em cena e acabou por desempenhar um papel crítico na história dos Rolling Stones, cuja gestão ele assumiu em julho de 1965, um fato consumado pelo próprio Andrew Oldham, que o contratou como seu próprio gerente financeiro, e da emergente dupla principal da banda, Mick Jagger e Keith Richards.

Bill Wyman, o baixista na época e o falecido Brian Jones (guitarrista) foram contra o acordo, mas suas preocupações foram postas de lado. Era uma decisão de Jagger e Richards que se arrependeriam mais tarde, pois isso lhes custaria o controle de todas as suas primeiras gravações. Insatisfeito, Brian Jones, na primavera de 1965 estava pensando em deixar a banda. Por esses desentendimentos, Brian nunca mais foi o mesmo, com consequências terríveis para a música dos Stones, pois Brian era um dos melhores alicerces musicais do grupo, que no fim acabou mesmo saindo da banda e veio a falecer em 1969.

Jagger e Klein na ocasião do “encantamento”

Mick Jagger que é formado em Economia, teria ficado impressionado naquele momento com o talento de Klein para o negócio e pelo resultado conseguido por ele com outros artistas. Acabou por contrata-lo para administrar a banda, saindo Andrew Oldham de cena nos negócios dos Stones.

Entretanto, com o tempo, Jagger começou a duvidar da probidade de Klein e em 1968 o demitiu, levando os Stones a criar seu próprio selo e gerirem seu próprio trabalho a partir de 1970, já que tinha o economista Mick Jagger para fazê-lo.

Mas para isto, teve que por fim do contrato da banda com a gravadora  Decca Records, e ai entrou o lado nocivo de Klein pois fez que tanto a gravadora quanto ele ficassem com os direitos totais sobre todas as obras produzidas pelos Stones até ali. Até o longa metragem especial para o natal chamado “Rolling Stones Rock and Roll Circus” com John Lennon, The Who e outros nomes famosos teria sido impedido por Klein de lançamento em disco e sua exibição do especial na TV posteriormente, pelas armadilhas contratuais encontradas

Klein observando Mick Jagger e Keith Richards, provavelmente saindo de uma corte ou delegacia londrina

Também os direitos de vendagem de músicas como Satisfaction (I Can’t Get No) e Simpathy for the Devil, até hoje não pertencem a seus autores, Mick Jagger e Keith Richards, mas a Allen Klein, que as comprou do produtor do grupo nesta época, Phil Spector, que lança regularmente coletâneas com os principais clássicos, através de sua empresa ABKCO.

Tanto o áudio, em CD, quanto o DVD do “Rolling Stones Rock and Roll Circus” só foram lançados em 1996, após muita discussão e convencimento de Mick Jagger e Keith Richards, ou seja 28 anos depois de realizado.

E Allen Klein chega nos Beatles:

Durante anos, mesmo antes dos Stones, o contador de Nova York Allen Klein estava procurando uma maneira de trabalhar com os Beatles. Como uma obsessão, ele queria os Beatles.

Certa vez, ele se ofereceu para ajudar o ainda vivo Brian Epstein a ganhar fortunas maiores, mas Epstein nem mesmo concordou em apertar a mão de Klein sinal de que tinha alguma tramóia na sugestão.

Depois de ler o comentário de Lennon sobre a possibilidade de os Beatles estarem falidos, Klein atraiu Peter Brown, um diretor da Apple, a arranjar um encontro formal com Lennon.

Mick Jagger, que aprendera a duras penas não confiar em Klein, tentou impedir os Beatles de aceitá-lo, escrevendo “Não cheguem perto dele” em uma nota para McCartney. Mas era tarde demais. Toda a desavença veio no pior momento para a banda, quando as coisas estavam acontecendo muito rápido.

Em 1969, a APPLE Inc., empresa fundada pelos Beatles para cuidar de seus negócios, estava completamente desestruturada e economicamente em via de falência depois da morte de Brian Epstein, o cérebro por trás do grupo, que cuidava dos contratos e da contabilidade da banda, tal com Andrew Loog Oldham nos Stones. Numa entrevista neste ano, John Lennon declarou que se a Apple continuasse perdendo dinheiro, ele e os Beatles estariam falidos no verão. Provavelmente era um exagero, mas a Apple estava realmente saindo do controle e nem Harrison nem McCartney queriam que Lennon divulgasse a notícia. As despesas da Apple dispararam e McCartney, como diretor da gravadora, foi o único que se interessou diariamente pelo negócio.

McCartney tentou limitar as despesas da empresa, mas encontrou resistência dos outros Beatles. Em essência, eles não tinham uma concepção real de finanças, gastavam o que queriam e a Apple pagava a conta. McCartney se lembra de ter dito a Lennon que ele gastava muito dinheiro em particular. “Eu disse: ‘Olha, John. Eu estou certo.’ E ele disse: ‘Você seria, não é? Você está sempre certo, não é? ‘E o conflito e crise de vaidades se estendia.

Em 28 de janeiro de 1969, dois dias antes da apresentação no telhado da Apple, finalmente Klein conheceu Lennon e Yoko em um hotel e encantou os dois. Percebendo a situação, Klein com sua boa conversa impressionou o músico por seus conhecimentos, dos meandros do negócio e por seu jeito simples, popular no linguajar e sem a afetação do pai de Linda Eastman, namorada de McCartney e certamente futuro sogro, outro pretendente ao cargo de empresário dos Beatles, atitudes estas que o tornaram simpático ao beatle.

O encontro de Lennon e Yoko com Allen Klein em 1969

Lennon então convenceu George Harrison e Ringo Starr a apoiarem a escolha de Klein, mesmo contra a vontade de Paul McCartney, que nunca colocou sua assinatura no contrato entre a banda e o empresário.

O constrangimento de Paul no ato de assinatura do contrato que ele recusou assinar

Este desacordo sobre o escolhido para ser o novo empresário dos Beatles, aliado há uma década de ressentimentos internos, desconfianças mútuas e inseguranças emocionais e de poder entre eles, foi o fator chave para o fim do grupo um ano depois.

Com a péssima situação financeira da Apple, Klein propôs ao grupo trabalhar sob percentagem de lucros e em pouco tempo começou a mostrar seu estilo empresarial, de administração e gerenciamento: renegociou os rendimentos do grupo com a EMI, gravadora detentora da maior parte do catálogo musical dos Beatles, conseguindo para eles a mais alta percentagem em venda de discos da ocasião; por outro lado, seu estilo abrasivo de negociação e administração causou a maior demissão em massa entre os profissionais que viviam em volta do grupo, na Apple e fora dela.

Klein conhecia bem a música deles e, mais importante, sabia como ficar do lado bom de Lennon. Essencialmente, ele os tocou. Naquela noite, John e Yoko foram convencidos e Lennon e Klein assinaram uma carta de acordo. No dia seguinte, Lennon informou a EMI e aos Beatles. “Eu não dou a mínima para quem os outros querem”, disse Lennon aos rapazes. “Mas, estou tendo Allen Klein para mim.”

Foi isso que provocou o incêndio que matou os Beatles. McCartney ainda tentou fazer com que Lee e John Eastman representassem os interesses do grupo, marcando uma reunião com todos. Mas Klein transformou isso em uma briga. Finalmente, o clã Eastman explodiu, chamando Klein de “um rato”. Ele e McCartney deixaram a reunião.

Tentando com a lupa ler os detalhes armadilhas do contrato ???

Quanto pior Klein se comportava e quanto mais os Eastman questionavam seu personagem, mais Lennon e Yoko o defendiam como o salvador dos Beatles e, eventualmente, Harrison e Ringo concordavam. “Porque éramos todos de Liverpool”, explicou Harrison mais tarde nos anos 90, “favorecíamos as pessoas simples”. Lee Eastman era mais um tipo de pessoa com consciência de classe. Como John estava indo com Klein, seria muito mais fácil se fôssemos com ele também. ”

Em poucos meses, os Beatles perderam a chance de confiscar a firma de administração de Brian Epstein, a NEMS (o que lhes custou uma fortuna). Pior ainda, Lennon e McCartney perderam os direitos de sua editora musical, Northern Songs. Naquele mesmo ano, McCartney se casou com Linda Eastman em 22 de março de 1969, apenas dois dias depois do casamento de Lennon e Yoko em 20 de março.

No mesmo dia do casamento de McCartney, Harrison e sua esposa, Pattie Boyd, foram presos por porte de maconha. Então, em 9 de maio, durante uma sessão de gravação, Klein esperou do lado de fora enquanto Lennon, Harrison e Ringo, a seu pedido, exigiam que McCartney assinasse um contrato de gestão de três anos com Klein no local. Mas McCartney não quis, dizendo que a taxa de 20% de Klein era muito alta. Mas, na verdade, ele simplesmente não conseguia imaginar Klein como o empresário dos Beatles.

Eles ficaram furiosos, mas McCartney se manteve firme. No centro da rivalidade estava a batalha entre Lennon e McCartney, dois homens que deveriam prevalecer e não podiam perder. McCartney acabou sucumbindo, mas quando chegou a hora de os Beatles assinarem o contrato com Klein, McCartney se recusou a assinar.

Klein com seus métodos agressivos produziram resultado, recuperando as finanças da empresa e dos integrantes do grupo. Entretanto, apesar do sucesso de Klein, McCartney continuou desconfiando dele, afinal tinha sido alertado por Mick Jagger tempos atrás e viria a processar os três companheiros em 1971, após o fim da banda, pelo que ele considerou a causa de um “divórcio’ entre eles, e os Beatles como uma unidade empresarial terminou.

Nessa época, McCartney perdeu sua paixão pela Apple. Mais ainda, ele passou a odiar o lugar e parou de ir lá. Quando McCartney tentou falar com Klein, o gerente muitas vezes recusava a ligação. “Diga a ele para ligar de volta na segunda-feira”, Klein diria à recepcionista. Apesar deste ambiente, os Beatles ainda fizeram um último álbum.

O que McCartney fez foi realmente realizar a única manobra brilhante já realizada durante o jogo final dos Beatles. Ao não assinar o acordo, McCartney mais tarde conseguiu convencer o tribunal de que não era mais obrigado por contrato a ficar com os Beatles e nunca esteve vinculado a Klein.

Em setembro de 1969, durante uma reunião na Apple com Klein, os Beatles e Ono, McCartney fez um último esforço para persuadir seus companheiros de banda a fazer outra turnê e voltar aos palcos. “Vamos voltar à estaca zero e lembrar o que somos”, disse ele aos rapazes. A resposta de Lennon: “Acho que você é um idiota. Eu não ia te contar, mas estou me separando do grupo. Isso é bom. Parece um divórcio. ”

Os que estavam na sala não sabiam se deviam ficar chocados ou tomar isso como mais um episódio da ousadia de Lennon. Ninguém, nem mesmo Yoko, sabia que isso aconteceria naquele dia. “Nosso queixo caiu,” admitiu McCartney. Pela primeira vez, ele e Klein concordaram em algo. Eles convenceram Lennon a adiar qualquer anúncio por pelo menos alguns meses.

Embora Klein e McCartney acreditassem que Lennon reconsideraria, Yoko sabia melhor. Mas diga-se que ela estava tão infeliz quanto qualquer outra pessoa.

“Saímos de carro”, ela revelou mais tarde, “e ele se virou para mim e disse: ‘É isso aí com os Beatles. De agora em diante, é só você, ok? ‘”Quanto a McCartney, ele ficou arrasado. A banda e a vida da qual ele fazia parte desde os 15 anos de repente foram cortados dele.

Antes que Lennon dissesse ao mundo: “O sonho acabou”, McCartney já dera a notícia. Lennon considerou a declaração de seu parceiro inaceitável. Do jeito que ele viu, “Eu comecei a banda, eu acabei. É simples assim ”, disse ele.  Mas o fim dos Beatles entrou em uma fase estranha que duraria mais tempo

McCartney queria sair da Apple completamente, mas Harrison não permitiria. McCartney escreveu cartas a Lennon, implorando para deixar a organização, mas Lennon disparou de volta respostas evasivas de uma linha. McCartney ameaçou processá-lo, Klein riu dele e, em 31 de dezembro de 1970, McCartney processou para dissolver os Beatles. Os outros três membros se unificaram: Não havia necessidade de encerrar o grupo. Eles sentiram que ainda podiam fazer música juntos sem McCartney.

Mas o juiz acabou ficando do lado de McCartney, e o divórcio que Lennon disse que queria poderia ser resolvido. Em 1973, o contrato restante dos Beatles com Klein terminou e eles decidiram não renová-lo. Eles estavam cansados dele. Harrison, Lennon e Ringo acabaram também processando Klein e, em um caso separado, relacionado à Apple, Klein foi condenado a dois meses em uma prisão nos Estados Unidos por fraude.

Posteriormente John admitiu em uma entrevista que Paul estava certo sobre Klein

A dissolução dos Beatles foi assinada em 29 de dezembro de 1974, dois dias antes do processo completar 4 anos de tramitação, e formalizada em 9 de janeiro de 1975. Foi para essa ação, inclusive, que John Lennon assinou a papelada enquanto visitava os parques Walt Disney World na Flórida, Estados Unidos, durante férias com a família.

No fim das contas, Allen Klein realmente era um fanfarrão. Foi descoberto que ele ludibriou os Rolling Stones no que diz respeito aos direitos do material da banda da década de 60 e, ao que tudo indica, planejava fazer o mesmo com os Beatles.

Fica como resultado de tudo a saga de um empresário que embora competente, trazia métodos desagregadores entre as pessoas envolvidas outrora num relacionamento produtivo, agressivo em clausulas contratuais, de finalidade dúbia e deixando um histórico polêmico nas duas maiores bandas de rock que já existiram.

Até seus parceiros defensores no início de seu trabalho nas duas bandas manifestavam suas impressões contra Klein nas diversas fases de convívio: Ele, não foi tratado com gentileza pela posteridade. John Lennon criticou sua higiene – “você deixa seu cheiro de gato de rua” , Bill Wyman o ex-baixista dos Rolling Stones se referia a ele como “Allen Crime” e, bem, até mesmo Klein se referia a si mesmo como “o maior bastardo do vale”.

Se por um lado os Rolling Stones, também com seus conflitos internos tiveram a sorte de não serem somatizadas as artimanhas nocivas de Klein, e acabado, pois Mick assumiu as rédias do negócio por ser um economista, os Beatles não resistiram, e as ações de Klein juntadas aos conflitos internos do grupo, produziram seu melancólico fim. Mas este sonho pode ter acabado, mas a obra ficou para a história.

Klein diagnosticado com diabetes aos 40 anos, sofreu vários ataques cardíacos ao longo dos anos, de gravidade variável. Em 2004, mesmo ano em que a ABKCO recebeu o prêmio Grammy por um documentário de Sam Cooke, Legend, Klein caiu e quebrou ossos do pé, exigindo cirurgia. Foi posteriormente diagnosticado com doença de Alzheimer.

Morreu em 4 de julho de 2009 na cidade de Nova York. A causa de sua morte foi insuficiência respiratória. Yoko Ono e Sean Ono Lennon compareceram ao funeral de Klein. Andrew Loog Oldham, comentou em um serviço memorial subsequente que Klein havia ampliado muito o sucesso dos Rolling Stones.

Em junho de 2015, o jornalista americano Fred Goodman publicou uma biografia de Klein: Allen Klein: o homem que salvou os Beatles, fez os Stones e transformou o rock & roll. Pois é, é isso mesmo que o jornalista interpretou.

Allen Klein com os seus protagonistas dentro do ambiente dos Rolling Stones e dos Beatles

Updated: 05/10/2020 — 1:53 pm

2 Comments

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  1. Elizabeth Schmitz (Via WhatsApp)

    Que história!!!!!!!! Adorei!
    Em 73 fui para Londres, primeira cidade, para uma temporada de 1 ano e meio na Europa e mais quatro línguas além de português.
    Beatlemaníaca roxa, fui ao British Council buscar o meu endereço em Londres. ABBEY ROAD. Não dormi mais até chegar lá… imagine.
    Hoje já não se lembram mais do nome do estúdio dos Beatles. Era a Apple Records, que ficava em frente à casa onde eu morei.
    Às vezes eu penso que foi um sonho. Carregava a esperança que eles se reconciliassem.
    E andei muito, muito sobre a faixa de pedestres da Abbey Road.
    A dona da casa me contava sobre eles e sobre os Rolling Stones, que também gravavam lá! Naqueles dias, todo o bairro, St. John’s Wood, e não somente a Abbey Road, era interditado pela polícia.
    Eu sonhava acordada com aquelas histórias, olhando da janela da casa lá para fora, para o estúdio, só imaginando…
    Essa sua história é para se guardar! Adorei. Nunca vi tão completa.

  2. Muito bom Amaral.
    Hoje lembrei de você quando me dava carona no final do expediente e ouvíamos o Zuza de Mello que se foi.
    Um abração em todos.
    Aí está quente ou ameno?
    Pimenta

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