Dodo, a extinção do pombo gigante…

O gracioso pássaro contemplando a chegada de seus predadores

Dodo (ou Dodô) foi uma espécie de ave que foi extinta durante o século 17. Originalmente ele foi confundido com um parente próximo de várias outras aves, entre elas o albatroz, o abutre e o avestruz. Posteriormente, cientistas determinaram que o pássaro na realidade pertencia à mesma família dos pombos. Esse pássaro simpático e gorducho tinha seu hábitat, nas ilhas Maurício, a 1 900 quilômetros da costa africana, a leste de Madagascar no oceano Índico. Pouco maior que um peru e pesando entre 10 e 20 kg, o dodô era como um pombo gigante da família Raphidae. Seu nome cientifico foi dado como “Raphus cucullatus. Ele tinha asas curtas e frágeis, e por isso não conseguia voar, e era uma ave muito mansa e inofensiva, até porque não tinha nenhum predador na ilha.

Os machos eram maiores que as fêmeas. Era uma espécie única que só podia ser encontrada nas ilhas Maurício. Nenhuma fotografia ou esqueleto completo foi encontrado desta ave, no entanto, os pesquisadores acreditam que ela foi coberta com penas de cor cinza a marrom. Acredita-se que sua cabeça tenha sido careca e que tinha uma plumagem extra em torno de sua cauda. Sua característica mais notada, o que facilitava seu reconhecimento era pelo seu longo bico com uma ponta grande e bulbosa. O Dodô foi descoberto no ano de 1598 por navegadores holandeses.

Poucos fatos científicos são conhecidos sobre o pássaro que foi visto pela última vez em 1662.

Por sorte centenas de anos depois de seu desaparecimento, cientistas estão reunindo pistas sobre a vida do dodó. Um estudo de amostras de ossos mostrou que os filhotes nasciam e 8 meses depois atingiam o tamanho adulto revelando uma plumagem cinza e fofa registrada em relatos históricos de marinheiros que tiveram contato no ele.

Ossadas foram a base do trabalho da pesquisadora Angst

Delphine Angst, da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, teve acesso a alguns dos ossos do dodô, que ainda existem em museus e coleções, incluindo espécimes que foram recentemente doados a um museu na França. Sua equipe analisou fatias de osso de 22 dodos sob o microscópio para descobrir mais sobre o crescimento e o padrão de reprodução dessas aves.

“Antes do nosso estudo, sabíamos muito pouco sobre essas aves”. “Usando a histologia óssea pela primeira vez, conseguimos descrever que esse pássaro estava realmente se reproduzindo em uma determinada época do ano e estava mudando logo depois disso”, afirmara Angst.

A reconstrução do Dodo pela equipe da Dra.Delphine Angst

Os cientistas puderam concluir a partir dos padrões de crescimento ósseo que os filhotes, além de atingir o tamanho adulto rapidamente sua eclosão dos ovos ocorria em agosto, pois isso lhes dava uma vantagem de sobrevivência quando os ciclones atingissem a ilha entre novembro e março, levando a uma escassez de alimentos. No entanto, as aves provavelmente levavam anos para atingir a maturidade sexual, possivelmente porque aves adultas não possuíam predadores naturais. Além disso os ossos de aves adultas revelaram sinais de perda mineral, o que sugere que eles perdiam penas velhas e danificadas após o período de reprodução.

Os marinheiros antigos deram relatos conflitantes sobre o dodô, descrevendo-os como tendo “escurecimento” ou “plumas enroladas de uma cor acinzentada”.

“O dodô era um pássaro marrom-acinzentado e, durante a muda, tinha uma plumagem preta e felpuda”, concluiu o Dra. Angst, portanto o que descobrimos usando nossos métodos científicos se encaixa perfeitamente com o que os marinheiros relataram no passado.”

A extinção

A vida boa do bicho durou só até os europeus aportarem em Maurício. Primeiro foram os portugueses, em 1507. Mas a ação mais cruel foi a dos holandeses, que colonizaram o lugar a partir de 1598. Com a pouca alimentação nos navios, os marinheiros desembarcavam famintos e logo elegeram o dócil e saboroso dodô como seu prato preferido. As aves foram mortas aos milhares, até mesmo a pauladas.

A pesquisa do Dra. Angst também pode ser conclusiva na extinção do dodó há cerca de 350 anos, menos de 100 anos depois que os humanos chegaram à ilha.

A caça foi um fator no fim do dodô, mas macacos, veados, porcos, cães, gatos e ratos libertados na ilha de navios provavelmente selariam seu destino. Além da caça. Sabe-se que os dodôs depositavam seus ovos em ninhos no chão, o que significava que estavam vulneráveis ​​ao ataque de mamíferos selvagens.

Angst disse que o dodô é considerado “um grande ícone da extinção induzida por animais e humanos”, embora os fatos completos sejam desconhecidos.

“É difícil saber qual foi o impacto real dos seres humanos se não conhecemos a ecologia deste pássaro e a ecologia das ilhas Maurício no momento”, explicou ele.

“Portanto, esse é um importante passo para entender a ecologia dessas aves e o ecossistema global das Ilhas Maurício e dizer: ‘Ok, quando o humano chegou, o que exatamente eles fizeram de errado e por que essas aves foram extintas tão rapidamente'”.

Julian Hume, do Museu de História Natural de Londres, co-pesquisador do estudo, disse que ainda existem muitos mistérios em torno do dodô.

“Nosso trabalho está mostrando as estações do ano e o que realmente estava afetando o crescimento dessas aves por causa do clima nas Ilhas Maurício”, disse ele.

“A estação do ciclone, quando muitas vezes a ilha é devastada por tempestades, todas as frutas e folhas são arrancadas das árvores, sempre é um período bastante difícil para a fauna, répteis e pássaros nas Ilhas Maurício”. O dodo, relacionado ao pombo, evoluiu nas Ilhas Mauríco e amostras de ossos são raras, dificultando o rastreamento do processo evolutivo. Embora muitos espécimes do dodô tenham acabado em museus europeus, a maioria foi perdida ou destruída na era vitoriana.

Grande parte das ilustrações do pássaro Dodo, são provenientes dos diários de bordo da Companhia Holandesa das Índias Orientais. Tinha como objetivo instruir os viajantes da ilha. Não são contudo,relatos muito confiáveis. Uma das ilustrações mais conhecidas do Dodô é de Cornelis Saftleven e data de 1638, que parece ter sido uma das últimas feitas a partir de um modelo vivo. A variedade de cores, formas, tamanhos e pesos que as aves apresentam nos desenhos abriu discussão a respeito da possibilidade de existir mais de uma espécie com a atribuição do nome Dodô. Contudo, essa especulação foi descartada, atribuindo-se essas discrepâncias a variedade de artistas bem como ao fato de que muitos desenhos foram feitos a partir de animais empalhados ou como cópia de ilustrações anteriores.

O pássaro Dodo presente numa das animações de “A era do Gelo”
Hoje o simpático pássaro, é mostrado em museus, tem inúmeras ilustrações, pinturas, ossadas esparsas, simulações e até é retratado em filmes e games. Foi o que sobrou, para sempre relembrarmos de um exemplo clássica de extinção provocada pela presença humana.

Dodo também está presente nos games em várias plataformas: Os mais conhecidos são Flying Dodo, e Dodo Gogo


Bibliografia/Fontes:

  • Dr Delphine Angst BSc, MA, PhD, University of Bristol, University of Cape Town (UCT)

Updated: 02/03/2020 — 10:59 pm

5 Comments

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  1. Caro Amaral, muito interessante ambos os artigos!
    Obrigado por dividi-los conosco,
    Abraços,
    Alan

    1. Allan,
      Obrigado pelo comentário e considerações !
      Abração, Amaral

  2. Caro Amaral, muito interessante ambos os artigos.
    Muito obrigado por dividi-los conosco,
    Abraços,
    Alan

  3. Amaral,

    tudo bem por ai?

    Excelentes matérias muito interessantes…abs
    PGouvea

  4. Muito bom Amaral. Gostei dos dois artigos.
    Abração
    Pimenta

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