O “doce” som das bagpipes.

Desfile da Royal Scots Dragoon Guards

Longe de ser um instrumento musical exótico, as bagpipes são rotineiramente usadas nas várias categorias e estilos de música, e sempre dão uma sonoridade peculiar que sensibiliza, tanto quem toca como quem escuta suas notas.

Usada em música popular, clássica, bandas escolares, bandas militares, grupos folclóricos de várias nações e até em sons experimentais e trilhas sonoras de filmes, a imagem da gaita-de-fole, assim como a do gaiteiro, é difundida como símbolo nacional da Escócia desde a Idade Média, quando os generais ingleses classificaram o artefato como instrumento de guerra, devido ao fato de o exército escocês usá-lo sempre durante a marcha e até mesmo em pleno combate.

Embora muito conhecida em vários países da Europa, sua origem se encontra bem distante da Escócia. De acordo com estudos, seu surgimento se deu em torno de 2.500 a.C. no Egito. Algumas descrições de espécies de instrumentos egípcios nos levam a flautas duplas, de canos delgados dotados de palhetas feitas de uma espécie de cana que cresce até hoje no Cairo, a arundo donax.

A gaita-de-fole atual difere em muitos aspectos dos instrumentos da Antigüidade e da Idade Média que a originaram, porém, sua forma e seu princípio de funcionamento permanecem semelhantes.
Para muitas pessoas, a gaita-de-fole estaria associada a povos descendentes dos celtas, os quais teriam criado e desenvolvido o instrumento. Muitas influências modernas contribuíram para essa crença, como o movimento New Age e a não observância de outros modelos além da gaita das Highlands. Mas isto é um mito, o conhecido “mito Celta

O fato é que as gaitas-de-fole se desenvolveram independentemente dos povos celtas, sem qualquer relação com eles. Ocorreu pelas diversas correntes migratórias ao longo dos séculos por diferentes povos. Esse mito hoje é explorado principalmente por indústrias culturais de massas, em especial à fonográfica e à cinematográfica.

Tanto na Grécia antiga, como em Roma, há a presença do instrumento em geral, tocados por ninfas nas representações encontradas em vasos e mosaicos produzidos por estas civilizações.
Mas quando ouvimos ou falamos em gaita de foles o que vem automaticamente em nosso pensamento é a famosa gaita escocesa ou comumente conhecida “Great Highland Bagpipes”. Afinal também não há como não se encantar ao ouvirmos “Flower of Scotland”, “Scotland the Brave”, “Amazing Grace”, The Braveheart theme”

Apesar disto as gaitas de fole vão muito mais além das Highland Bagpipes. Existem muitas outras como a smallpipe escocesa, Shuttle pipes, gaitas com ponteiros cônicos, cilíndricos, que são tocadas e fazem parte de culturas e folclores de países como na França, Tunísia, Macedônia, Itália, Bulgária, Polônia, Espanha, Portugal, Croácia, Turquia, no Brasil (Gaita galega ou gaita minhota vinda das heranças portuguesas e espanholas).

Ilustrações de Bagpipes da India, Tunísia e de outros países Árabes


Ilustrações de várias Bagpipes de países Europeus


[Veja a galeria de Bagpipes pelo mundo]


Contar a história das bagpipes, e tentar resumir séculos de evoluções e variações torna o espaço do blog e desta postagem algo difícil, portanto focar a Escócia e o modelo “Great Highland Bagpipes” nos dá um objetivo mais dinâmico.

No mundo inteiro há bandas marciais, bandas escolares, bandas militares, grupos folclóricos que usam os modelos escoceses e outros de natureza local. Muito provavelmente, há uma escola próxima com um banda de Fanfarra, que usa o instrumento, há algum desfile cívico/militar onde se pode apreciar este som, ou há algum filme cujo tema tem o uso de uma gaita de fole, enfim não faltará eventos que tragam este som para dentro de sí.

População nas ruas de Edinburgh durante a realização do Festival

Um dos festivais mais tradicionais do mundo, se não o maior, é o “Edinburgh Military Tattoo Festival, que ocorre anualmente nesta localidade da Escócia, onde além das bandas militares locais, há a participação de bandas e grupos folclóricos, notadamente que utilizem algum “pipe” em seu show.

Bandas de várias partes do mundo tem participado, dos Estados Unidos, da Irlanda, França, da própria Inglaterra, do Brasil, de países árabes e asiáticos, enfim, é um evento sem precedentes para aqueles que gostam do som e do folclore associado a ele.



Além de festivais e desfiles que ocorrem por toda a parte do mundo, há performances em eventos comemorativos, eventos fúnebres, eventos militares e civis de natureza geral, com esta apresentação espetacular na catedral Dunblane:



Dentre tantas canções executadas sob a marcação das gaitas de fole, uma das mais tocadas é “Amazing Grace” conforme pode se ver nesta apresentação do Edinburgh Military Tattoo:



Exemplo notável no cinema, em Coração Valente, também pode-se admirar, além das belas paisagens da Escócia, musicas com as Bagpipes, notadamente seu tema principal “The Braveheart sountrack”.

Na música popular há vários exemplos, onde destacamos “Mull Of Kintyre” numa edição de 1977 com Paul McCartney:



Vale a pena apreciar este som em todas as manifestações que possam existir, pois ele provoca sentimentos, e como sempre está associado a performances bem elaboradas, irradia uma beleza contagiante por onde passa.

Veja mais nos links abaixo relacionados:
Videos:

Sites interessantes:


bagpipes

 

Updated: 25/06/2017 — 2:44 pm

9 Comments

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  7. Amaral,
    Parabéns! Muito bem feita e completa a sua pesquisa sobre as gaitas de fole, cujo som também me emociona sempre que o ouço.
    E como você é novo no grupo, talvez ainda não tenha visto esta pesquisa que fiz no início do ano passado sobre algo que me intrigava quando morava nos EUA, ou seja, a razão de praticamente todas as bandas da Polícia e do Corpo de Bombeiros lá e no Canadá serem bandas de gaitas de fole.
    Abs,Ney

  8. Caro Amaral,
    Também adoro. O seu blog continua muito bom. Creio que há um erro na grafia de sua querida música de casamento Amazing Grace. Está escrito Amazing Race no título e no texto.
    Paz, Pimenta

  9. É um som diferente e mais agradável, más eu como sou um grande fan do som do violão, gostei mais da combinação com o som do violão na múisica do Paul

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