Desenho da Casa Bola feito por Neco Stickel

Nestas experiências e consolidações arquitetônicas que São Paulo coleciona, misturando estilos e tendências de várias épocas e locais, pode-se encontrar de tudo, desde construções sóbrias até bizarras, bastando para vê-las um passeio por seus bairros.

Há todo tipo de destaque, alguns que se tornaram ícones, e outros que se tornaram famosos por quebrar o skyline da retitude ou a camada perfeitamente geométrica que margeiam ruas e avenidas. Uma dessas construções está localizada no Itaim Bibi, a “casa bola” do arquiteto Eduardo Longo.

Lá pelo final da década de 1970, quando começou a montar a estrutura esférica em cima da casa onde vivia, despertou muitas curiosidades e boatos por aqueles que circulavam pelo local. Como ele próprio dizia: “achavam que eu era médico e estava construindo uma antena para me comunicar com minha mulher morta”.

Num cenário interno que lembra obras de Stanley Kubrick (2001-Uma odisseia no espaço) passadas quatro décadas ele continua a enfatizar do porquê, das vantagens, das características do imóvel e o que pretendia com um projeto tão audacioso, que continua a causar espanto e admiração.

Em todas as oportunidades que pode ele reforça que, no fundo, tem a ver com uma ideia original: “A função dessa casa, a princípio, era funcionar como uma experiência arquitetônica, que mais tarde pudesse se popularizar e ser vendida em escala”, explica o arquiteto. O formato esférico, de acordo com ele, reúne o máximo de racionalidade e de leveza.

Este paulistano tem uma trajetória destacada pela busca de soluções inovadoras na arquitetura por mais de cinco décadas que retratam a ousadia em romper com o convencional na produção de projetos residenciais.

Como sempre afirma, “Meu sonho era fazer prédios em que cada apartamento seria uma esfera, feita na fábrica e plugada numa estrutura. Teríamos grandes edifícios, altos e longos e o grande diferencial seria o espaço vazio entre as unidades. Cada apartamento (bola) seria absolutamente independente da outra unidade, a ponto de você poder tirar um e colocar outro”.





Hoje sua residência bola, foi engolida pela alta verticalização da cidade e para vê-la é preciso “garimpar” as edificações do bairro e encontrá-la na rua Peruíbe/Rua Amauri) bem próximo à Avenida Faria Lima.

Possui oito metros de diâmetro e totalizam 100 metros quadrados, e o renomado arquiteto projetou tudo que existe dentro da casa: vasos sanitários, pias, fogão, geladeira cujo motor fica na lavanderia e serve também para ajudar a secar as roupas.

A residência foi originalmente projetada para ser uma maquete de um experimento e não moradia, mas ele resolveu mudar para lá no início dos anos 80 e como ele sempre diz: “Acabou sendo uma coisa interessante, que me forçou mais ainda ao conceito de menor consumo, de ordem de não ter coisas, de não colecionar”.

A idéia de escala industrial, contudo, não foi à frente, que segundo diz não chegou momento ainda, mas as experiências prosseguem, já que o formato circular do projeto se mostrou muito eficaz e econômico e diminuiu o uso de materiais conseguindo-se aproveitar melhor o espaço. Se no início a distribuição dos três ambientes foi um problema, uma solução criativa encontrada foi o uso de portas e janelas similares à de um submarino, o que permitiu ainda mais otimizar o espaço.

O arquiteto morou por anos com sua esposa e filhos em sua casa bola, que já foi retratada até pela imprensa internacional e eternizada como um dos casos mais emblemáticos e admirados da arquitetura brasileira. Ele ainda é o autor de outra casa bola na cidade localizada na Rua Gália no bairro do Morumbi.

É certamente mais um notório destaque nesta diversidade arquitetônica de São Paulo.


A outra casa bola, no Morumbi


Veja mais:

Site Oficial do arquiteto
Na Folha de São Paulo
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