Eclipses são ocorrências rotineiras, fazendo com que populações inteiras sejam influenciadas por eles. Mas as pessoas não são as únicas que são afetadas pelo evento astronômico, pois boa parte de plantas e animais apresentam hábitos há muito documentado, de reagir estranhamente ao show celestial.

Os relatos de animais ficando malucos durante o fenômeno não é recente. Durante o eclipse de 3 de junho de 1239, o monge italiano Ristoro d’Arezzo escreveu que quando o Sol sumiu “os animais e as aves ficaram aterrorizados, e até as mais selvagens criaturas podiam ser facilmente capturadas”.

Existem muitos relatos de eclipses solares que incluem contos de animais que se comportam estranhamente, existindo ainda uma série de evidências cômicas de como os animais e plantas respondem ao fenômeno, quando a lua bloqueia completamente o Sol, afirmaria Elise Ricard, porta-voz de um projeto sobre eclipses chamado Life Responds, na Academia de Ciências da Califórnia, em São Francisco, EUA.

Certamente um dos primeiros registros tem origem no eclipse total que ocorreu em 1544, quando observadores do evento perceberam que alguns pássaros pararam de cantar, ou mesmo caíram do céu num outro eclipse de 1560. No século 20, houve um grande número de registros de cientistas relatando uma variedade de criaturas que reagiram aos eclipses.

Em Portugal, durante o eclipse de 1569, o astrônomo Christoph Clavius também notou estranho comportamento das aves: “Quando as estrelas apareceram no céu, os pássaros caíram ao chão com medo das sombras”, relatou.

A Sociedade de História Natural de Boston reuniu observações durante um eclipse de 1932 que cruzou partes das regiões do Maine, New Hampshire e Vermont (nos EUA), marcando o que eles acreditavam ser “o primeiro estudo abrangente e cientificamente conduzido do comportamento da vida animal durante um eclipse total. Entre algumas dessas observações, grilos cantando freneticamente, sapos coaxando, galinhas voltando aos seus poleiros, enfim muitos comportamentos atípicos enquanto ocorria o eclipse.

Durante um eclipse solar, naqueles poucos minutos onde o sol está completamente coberto, os níveis de luminosidade em locais da Terra diminuem tanto mostrando uma condição noturna temporária. Se o fenômeno acontecer no meio do dia, os animais diurnos se vêm confrontados com duas informações: O súbito anoitecer diz a eles que está na hora de se retirar, já seus relógios biológicos os mandam continuar com seus afazeres, pois nada mudou. É fato que, observando o comportamento dos animais se eles obedecem a uma das duas situações ou tentam por ambas, gerando confusão e inquietudes.

É certo que pássaros apresentam comportamento diferenciado, se aglomerando e silenciado estranhamente. Alguns pássaros já foram avistados voando de volta para seus ninhos, rotina que só é feita ao final do dia, ao mesmo tempo em que corujas e sapos e outros animais noturnos, começaram a cantar e coaxar como que se fosse o início da noite.

Até os peixes reagem durante a situação, por exemplo os de água doce começam a realizar suas atividades noturnas, enquanto os de água salgada se dividem em dois grupos, os que vivem perto dos corais, que voltam aos seus ninhos, e os que vivem em mar aberto que ficam extremamente nervosos e perdidos, nadando aleatoriamente em grandes cardumes. É comprovado pela ciência que em peixes, o relógio lunar influencia a reprodução e envolve o eixo hipotálamo-hipófise-gonadal. Já nos pássaros, as variações diárias na melatonina e na corticosterona desaparecem durante os dias de lua cheia.

Répteis e insetos também adotam comportamento noturno, durante os poucos momentos da escuridão do eclipse. Como mencionado e observado durante eclipses solares, pássaros e alguns insetos adotam um silêncio assustador. Aqueles que geralmente dormem à noite começam a se preparar para tal, enquanto animais de hábitos noturnos começam a acordar e se mover.

No eclipse de 21 de agosto deste ano pode se observar quando ainda era o começo de tarde e a escuridão começou, imediatamente as aves pararam de voar e animais de hábitos noturnos como caranguejos e tartarugas deixaram a água para irem à superfície.

A própria Nasa reconhece que existe mudança no comportamento de animais. “Foi relatado durante muitos eclipses que diversos animais diferentes são surpreendidos e mudam seu comportamento pensando que o crepúsculo chegou”, reconhece a agência. Até os animais domésticos ou em criadouros, zoológicos, etc podem apresentar reações. Cães podem uivar, se esconder sob a cama ou se recolher em seu lugar de dormir…

Aqui estão alguns dos exemplos mais estranhos:

No eclipse de 21 de agosto nos Estados Unidos, aproveitando-se da tecnologia (smartphones), houve grande empenho pela Academia de Ciências da Califórnia, em incentivar registros de comportamentos de animais com o uso de um aplicativo da própria Academia, chamado iNaturalist.

Em NY onde a Lua cobriu 72% do Sol, foi suficiente para registrar comportamentos diferenciados dos animais que habitam o refúgio de vida selvagem Jamaica Bay, mostrados pela FOX (veja abaixo). Outros tantos relatos e registros foram obtidos, o que deve melhorar os estudos a respeito dos efeitos dos eclipses, que vêm sendo relatados há muito tempo.


Bibliografia/Fontes:

  • Grossman, Lisa – What do plants and animals do during an eclipse?, ScienceNews – August 2017
  • Vergano Dan – 7 Animals That Freak Out During Eclipses, BuzzFeed/Flipboard – August 2017
  • Sciences, California Academy of – Solar Eclipse 2017: Life Responds, August 2017
  • Harrington, Rebecca – Animals reacted strangely during the solar eclipse, Business Insider – August 2017
  • Zimecki, M – The lunar cycle: effects on human and animal behavior and physiology, NCBI – 2006