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O esquecido que não fez história…

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Nos tempos da guerra fria no século passado, dentre tantos embates entre os Estados Unidos e a União Soviética, a corrida espacial era uma das mais emblemáticas disputas.

No fim da epopéia da conquista da Lua, que deu aos Estados Unidos a primazia da conquista espacial, após perder para os Soviéticos o início da era de envio de sondas e pessoas ao espaço, os soviéticos se viram perdendo uma nova etapa de viagens espaciais para o Onibus Espacial (Space Shuttle) que no final dos anos 70 e anos 80, movimentaram a indústria aeroespacial dos Estados Unidos.

A filosofia por trás destes projetos era a reutilização de naves, mas os soviéticos correndo em desvantagem na situação, alegavam que os Estados Unidos usariam seus Ônibus espaciais para transportar armas nucleares. Neste clima lançaram seu próprio projeto, o Buran.

stage01Buran, foi o nome dado a uma série de onze veículos reutilizáveis projetados e construídos pela União Soviética, como parte de um programa espacial denominado Buran-Energia (“Energia” era o nome dado aos propulsores do Ônibus espacial russo).

Apesar do ceticismo em relação a concepção do veículo reutilizável pela indústria aeroespacial, o governo soviético autorizou a construção de um ônibus espacial em 1976, e o primeiro desta série foi denominado ônibus espacial 1.01, VKK (Vosdushno Kosmicheski Korabl). Com isto foi dado então uma resposta ao projeto do Space Shuttle, da NASA, que concebeu os veículos espaciais reutilizáveis.

Com o furor e arrogância militar os soviéticos estariam se igualando aos Estados Unidos, para o transporte de material militar e nuclear permitindo assim ataques imprevisíveis ao inimigo, diziam os envolvidos no assunto

Mas a construção do ônibus soviético só começou em 1980, e apenas em julho de 1983 foi realizado o primeiro teste em um voo sub orbital.

Nos anos seguintes foram realizados cinco voos com um modelo em escala do Buran e só em 1984 foram feitos os primeiros testes aerodinâmicos, sendo o ultimo em abril de 1988, totalizando 24 voos de testes.

Neste vídeo de 16 minutos a história do Buran
Enquanto isto o ônibus espacial (Columbia) dos EUA, cujos testes se iniciaram em 1975, já realizava missões com vários objetivos.

O Buran só foi ao espaço duas vezes, em voo sub orbital de julho de 1983, e em 15 de novembro de 1988. Ele foi impulsionado pelo poderoso foguete Energia, partindo do Cosmodromo de Baikonur, no Cazaquistão. O voo foi curto e totalmente automático e sem astronauta, guiado por controle remoto e pelo sistema de computadores, a apenas a 256 Km da superfície, dado a pouca capacidade de memória dos computadores do Buran. Por conta desta pouca capacidade e das limitações do software, obrigaram os engenheiros a realizar apenas duas voltas em torno da Terra.

Apesar deste primeiro voo não ter sido tripulado, o desempenho da nave causou otimismo no programa espacial soviético, pois das 38 mil placas protetores de calor que protegiam o Buran, somente 5 se desprenderam do veículo, contrastando com o desempenho da nave dos EUA, nos primeiros lançamentos.

Um filme produzido por Timm Humphreys, ilustrando o lançamento e órbita do Buran
Enquanto os ônibus espaciais dos EUA, eram praticamente sucessores das naves do projeto Apollo, o Buran era sem dúvida uma construção apoiada em muita espionagem, muito comum na época, dada as semelhanças entre as naves soviéticas com as do EUA.

Por consumir elevados recursos, o financiamento para o projeto espacial foi cortado oficialmente em 1993 pelo então presidente Boris Yeltsin, mas o envolvimento para a construção dos ônibus espaciais russos, já tinha sido paralisado bem antes dessa data.

Neste ano existia um planejamento de um segundo voo com a duração de 15 a 20 dias, mas como o projeto foi cancelado também pela própria dissolução da União Soviética, isto nunca ocorreu. Vários cientistas tentaram ainda reviver o Programa espacial do Buran, especialmente após o desastre do Columbia, mas sem sucesso.

Na ocasião outros veículos estavam em construção, como OK-1K2 Ptichka que fora programado para ser concluído em 1990, e o OK-2K1 Baikal programado para ser concluído em 1992. Além deles existiram ainda em forma bem incompleta os modelos Shuttle 2.02 e Shuttle 2.03.

O programa VKK foi oficialmente encerrado em 1995, e o primeiro Buran versão 1.01 foi mantido no hangar MIK 112 do Cosmódromo de Baikonur até Maio de 2002 quando o hangar devido ao sucateamento e ao abandono desmoronou sobre o Buran, destruindo-o.

Outros dois protótipos do Buran foram restaurados do Cosmódromo de Baikonur, o protótipo OK-GLI está no Museu do Automóvel e da Tecnologia de Sinsheim, na Alemanha, e o segundo protótipo OK-TVA foi restaurado e forma um pequeno museu sobre o programa espacial soviético, sendo uma das principais atrações do Gorky Park, em Moscou. Em 2008 um terceiro protótipo do Buran, o Buran 2.01, que estava na fábrica de Tushino, em Moscou, foi também adquirido pelo museu de Sinsheim, onde será preservado e fará parte do acervo.

Buran sendo transportado pelo maior avião do mundo, o Antonov 225

Buran sendo transportado pelo maior avião do mundo, o Antonov 225

Existem discussão entre os russos para um novo programa de veículos espaciais, com inicio de testes previstos para 2015, contudo como os próprios EUA abandonaram a construção de ônibus espaciais, é bem provável que não haja motivação para os russos reviverem projetos semelhantes ao do Buran.

Diferenças entre os Shuttles USA-URSS

Diferenças entre os Shuttles USA-URSS

Nesta etapa da guerra espacial a então URSS, e a atual Russia perderam de goleada, pois os ônibus espaciais Columbia, Challenger, Discovery, Atlantis, Endeavour, realizaram em 30 anos de voos, mais de 130 missões de ciência e tecnologia de ponta, totalizaram 1046 dias de órbita, lançaram 61 satélites, fizeram 9 missões para a estação espacial russa Mir, 17 missões espaciais a estação espacial internacional, realizaram quase 17.000 órbitas, transportaram 703 passageiros, fizeram manutenção do Telescópio Espacial Hubble, entre tantas outras realizações, até quando o programa foi encerrado em 2011, que teve também duas naves protótipos, uma chamada Enterprise, e a Pathfinder.

Plataforma de lançamento do Buran, totalmente abandonada e sucateada

Plataforma de lançamento do Buran, totalmente abandonada e sucateada

Com isso, o Buran, faz parte do esquecido programa espacial soviético/russo, e se comparado a seu progenitor inspirador americano, não fez história, a não ser consumir muitos recursos.


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Uma viagem a bordo dos SRBs…

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Os ônibus espaciais, já foram aposentados depois de prestar relevantes serviços,  e desde então a NASA tem fornecido muito material entre vídeos, imagens, textos dos mais variados, sobre esta fase da exploração espacial, de usar equipamentos reutilizáveis.

Os dois SRBs presos ao tanque central (laranja) antes do lançamento

Os dois SRBs presos ao tanque central (laranja) antes do lançamento

Um destes materiais revela uma verdadeira epopeia filmada dos foguetes de combustíveis sólidos, conhecidos como SRBs (Solid Rocket Booster), que daria se possível, a qualquer um desses aventureiros muita adrenalina, caso pudessem ter como bagagem um ser humano…

Estes SRBs eram o par de foguetes usado pelo Ônibus espacial de NASA durante os primeiros dois minutos de voo, dando ao Shuttle 83% de seu empuxo. Eles ficavam situados em cada lateral do tanque de propulsor externo de cor laranja. Normalmente eles eram resgatados no oceano Atlântico, recuperados e reutilizados várias vezes em novas missões.

O dois SRBs eram responsáveis pelo empuxo inicial do ônibus especial para leva-lo até uma altitude de cerca de  46 km. Setenta-cinco segundos depois de que ocorria a separação dos  SRBs, eles ainda atingiam uma altitude de aproximadamente  67 km, quando então iniciavam sua queda para o oceano, para serem resgatados.

Cada um dos SRBs tinha um peso de aproximadamente 590.000 Kg no lançamento, e após a queima de seu combustível e perda de algum material na queda,  atingiam aproximadamente 91.000 kg cada um,  que tocavam as aguas do oceano “suavemente” sustentado por paraquedas especiais.

 

O momento da separação, aproximadamente a 46 Km de altitude

O momento da separação, aproximadamente a 46 Km de altitude

Faça então uma viagem, sendo expectador das câmeras, colocadas em cada SRB, com uma perspectiva única, desde o lançamento até a orbita prevista, sua separação do tanque central e suas quedas livres até o oceano.

 


O Resgate:

O impacto nas águas sustentado por paraquedas

O impacto nas águas sustentado por paraquedas

Uma complexidade de cálculos e procedimentos, precisavam o local aproximado da queda dos SRBs, a tal ponto que embarcações já eram posicionadas dentro da área de queda. O impacto na água acontecia aproximadamente 279 segundos depois de separação e de atingirem uma velocidade nominal de 23 m/s. A área de impacto era de aproximadamente 240 km na costa oriental de Flórida. Além dos paraquedas, um sistema garante a entrada de ar, no local do combustível já utilizado fazendo com que os SRBs flutuassem mantendo apenas 9 m fora da água que ajudavam sua localização para resgate.

Veja a movimentação pelo mar para resgate de cada SRB após seu impacto com as aguas do Atlântico:


© by NASA – National Aeronautics and Space Administration

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