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Chernobyl: sarcófagos, fauna e turistas…

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Já se vão mais de 32 anos desde a explosão do reator 4 da Usina de Chernobyl, na Ucrania. Os cenários fantasmagóricos continuam na região e muitos trabalhos e pesquisas foram e tem sido realizados para verificar os impactos do desastre nestes anos e o que se reserva para o futuro.

Claro que numa primeira ação foi necessário correr contra o tempo para estancar a sangria radioativa e neste particular investiu-se em sarcófagos gigantes de contenção.

Um gigantesco sarcófago:

O quarto maior reator da usina nuclear ucraniana de Chernobil, causador da maior catástrofe atômica da história em 1986, deixou de ser uma ameaça pelos próximos cem anos, já que em 2016 recebeu um sarcófago novo, gigantesco e confiável. Apesar disto espera-se que a monitoração continue, principalmente próximo ao vencimento deste prazo.

Numa incrível façanha de engenharia, a gigantesca estrutura que foi financiada pelo Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento, o reator foi inteiramente coberto.

A estrutura em forma de arco, com 110 metros de largura, 150 de altura e 256 de comprimento com um peso de mais de 30.000 toneladas, foi erguida a 180 metros do reator danificado, que era protegida por um primeiro sarcófago de concreto, instalado imediatamente após o acidente nuclear em 1986.

Este novo sarcófago, construído pelo consórcio francês Novarka custou aproximadamente 1,5 milhão de euros e foi instalado sobre o reator através de um exclusivo e engenhoso sistema ferroviário.

O novo sarcófago possui guindastes movidos a controle remoto, que, ajudarão a remover o teto do antigo, que, segundo a monitoração, está em mau estado e corre o risco de desabar.

Essa é a maior estrutura móvel já construída pela humanidade”, disse o então Presidente da Ucrânia, Petró Poroshenko, na cerimônia para comemorar a instalação do novo sarcófago.

O chefe de Estado destacou que “uma coalizão de 28 países ofereceu suporte à Ucrânia no projeto, fornecendo pouco mais de 1,4 milhão de euros para a construção”. Exclamava Poroshenko na ocasião “todo o mundo pode ver o que a Ucrânia e o mundo puderam fazer quando unidos, e como podemos defender o mundo da ameaça nuclear.” “Tivemos que construir o novo sarcófago em condições de guerra, enquanto nos defendíamos da Rússia.”, destacava o chefe de Estado.


Só para relembrar, o pior acidente nuclear da história, Chernobyl, ocorreu a 120 quilômetros de Kiev, liberando 50 milhões de curies de radiação por vastas áreas do país, da Bielorrússia e da Rússia. Uma “zona de exclusão”, criada ao redor da central danificada, foi evacuada por mais de 135.000 pessoas após o acidente, das cidades de Pripyat, (50.000 habitantes), Chernobyl, (12.000) e de várias outras localidades nas proximidades da usina.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, esta radiação afetou mais de 5 milhões de pessoas, principalmente na Rússia, Ucrânia e Bielorrússia. Mais de 600.000 pessoas participaram do trabalho de lidar com a catástrofe e suas consequências. Em apenas 206 dias, um total de 90.000 homens construíram, em meio a condições adversas, perigosas, um cubo com 400.000 metros cúbicos de concreto e 7.000 toneladas de estrutura metálica do reator danificado, que agora está coberto por este novo sarcófago.

Fauna e Flora:

Quem tem analisado a flora e fauna das regiões afetadas tem sido o biologista Timothy Mousseau que tem estudando os efeitos duradouros da radiação sobre a flora e fauna de Chernobyl.
Em 2014 numa apresentação in-loco o som de clique do detector de radiação de Timothy Mousseau aumentava lentamente enquanto caminhava pela floresta situada a algumas milhas a oeste da usina nuclear.

Quando ele parou para examinar uma teia de aranha em um galho de árvore, o visor do dispositivo mostrou 25 microsieverts por hora, que Dr. Mousseau afirmara ser típico esta medição, para aquela área não muito longe do Novoshepelychi, uma das centenas de aldeias que foram abandonados depois de precipitações radioativas provenientes da explosão do reator 1986 e que tornou a região inabitável.

Os níveis de radioatividade aqui estão muito abaixo daqueles que ainda são encontrados em partes do sarcófago que cobre o reator destruído, antes do novo arco (2º sarcófago) cobrí-lo.

Mas os níveis nesta clareira que ele analisa (veja no vídeo), onde acácias e pinheiros escoceses são intercaladas com alguma vegetação ocasional, tem medições mais elevados do que o normal. Em 10 dias aqui uma pessoa estaria exposta a tanta radiação de fundo como habitante típico dos Estados Unidos receberia de todas as fontes em um ano. Isso faz com que seja de zona proibida, exceto para incursões curtas, pois é um bom lugar para estudar os efeitos a longo prazo das radiações sobre os organismos, afirmara.

“Esse nível de exposição crônica está acima do que a maioria das espécies vai tolerar sem mostrar alguns sinais, quer em termos de quanto tempo eles vivem ou do número de tumores que têm, ou mutações genéticas e catarata”, dissera Mousseau. “É um ambiente de laboratório perfeito para nós.”

Dr. Mousseau, um biólogo da Universidade da Carolina do Sul, tem vindo a área contaminada em torno de Chernobyl, conhecida como a zona de exclusão, desde 1999. A lista de criaturas que estudou é longa: várias aves, vários insetos, incluindo zangões, borboletas e cigarras; aranhas e morcegos e ratos, ratazanas e outros roedores pequenos. Ele também realizou uma pesquisa semelhante em Fukushima, no Japão, depois que ocorreram vazamentos por lá também.

Em dezenas de documentos ao longo dos anos Dr. Mousseau, seu colaborador de longa data, Anders Pape Moller, do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França, e colegas relataram evidências do pedágio de radiação: maior frequência de tumores e anomalias físicas como bicos deformadas entre aves comparadas com as zonas de não contaminação, por exemplo, e um declínio nas populações de insetos e aranhas com o aumento da intensidade da radiação.

Mas em suas descobertas mais recentes, mostrou algo novo. Algumas espécies de aves, relatadas na revista Ecologia Funcional, parecem ter se adaptado ao ambiente radioativo através da produção de níveis mais altos de antioxidantes protetores, com danos menores correspondentemente. Para estas aves, o Dr. Mousseau, acredita que a exposição crônica à radiação parece ser uma espécie de “Unnatural Selection” a conduzir uma mudança evolutiva.

A radiação ionizante, como o produzido por césio, estrôncio e outros isótopos radioactivos, afeta o tecido vivo de várias maneiras, entre as quais, quebra de cadeias de DNA. Uma dose alta o suficiente, muito milhares de vezes superiores aos níveis da floresta, claramente causaram doença ou morte. Isso é o que aconteceu com várias dezenas de técnicos e bombeiros na usina de Chernobyl, quando o reator explodiu em 26 de abril de 1986. Eles foram expostos a doses letais, em muitos casos, em apenas alguns minutos, e os seus órgãos e tecidos foram tão danificados que eles morreram dentro de algumas semanas.

Alguns pesquisadores contudo, têm desafiado os estudos de Dr. Mousseau e seus colaboradores, argumentando que é difícil demonstrar que os níveis de radiação na zona de exclusão, que abrange cerca de 1.000 milhas quadradas, tiveram muito efeito perceptível. Houve também relatos de populações abundantes de alguns animais na zona, o que sugere que a falta de atividade humana tem levado para a estas áreas tornarem-se um refúgio para a fauna.

Dr. Mousseau descarta contudo, a ideia de que a zona seja algum tipo de Éden pós-apocalíptico. Mas deu uma pausa em suas recentes argumentações, porque concluiu que por algumas adaptações tem permitido que criaturas prosperem na zona.

As descobertas também sugerem que em alguns casos os níveis de radiação pode ter tido um efeito inverso, ou seja, pássaros em áreas com maior exposição à radiação podem apresentar uma maior adaptação, e, portanto, menos danos genéticos, do que aqueles em áreas com níveis de radiação mais baixas.

Mas tendo como base todos os estudos do Dr. Mousseau e seus colegas, a zona de exclusão de Chernobyl tornou-se um laboratório do mundo real. “A natureza é um ambiente muito mais estressante do que o laboratório”, afirmara. Anomalias e outros efeitos da radiação são vistos em níveis de radiação muito menor do que em estudos baseados em laboratório, dissera. Os níveis de radiação na zona de exclusão também variam consideravelmente de lugar para lugar, porque os padrões climáticos durante o acidente e suas conseqüências afetaram a intensidade da precipitação e outras manifestações climáticas.

Em outros estudos o local do desastre nuclear, tem se tornado um improvável local de desova para lobos e outros animais selvagens. De acordo com um estudo recente no European Journal of Wildlife Research (relatado por Livescience), alguns dos lobos cinzentos nascidos em Chernobyl estão se aventurando fora da zona de exclusão, talvez carregando partículas de mutações genéticas com eles.

A população de lobos cinzentos é grande nas áreas afetadas.

Enquanto alguns estudos descobriram que a fauna local na zona sofria de efeitos nocivos, outros descobriram que a zona do desastre se transformou em uma reserva natural improvável, que permitiu que os lobos cinzentos florescessem. De acordo com o autor do estudo, Michael Byrne, um ecologista da vida selvagem da Universidade do Missouri em Columbia, a densidade populacional de lobos cinzentos em torno de Chernobyl é até sete vezes maior do que nas reservas vizinhas. E agora, alguns lobos começaram a se aventurar fora da zona do desastre. Pesquisadores rastrearam um lobo jovem que viajou cerca de 186 milhas fora da zona de exclusão ao longo de 21 dias.

A jornada deste lobo é prova de que Chernobyl pode ser mais útil do que apenas um “buraco negro ecológico”. De fato, “a zona de exclusão de Chernobyl pode realmente agir como uma fonte de vida selvagem para ajudar outras populações da região. E essas descobertas podem não se aplicar apenas aos lobos – é razoável supor que coisas semelhantes estão acontecendo com outros animais também ”, disse Byrne à Livescience. Quando saber se os lobos podem estar transportando mutações radioativas com eles? “Não temos evidências para sustentar que isso está acontecendo”, disse Byrne. “É uma área interessante de pesquisas futuras.”

Mas não só lobos voltaram a zona de exclusão. Varias outras espécies também estão vivendo lá. Veja:

Com relação a flora ainda se descobriu que a alta radioatividade em torno da usina, matou os fungos do local. Cientistas descobriram que árvores e folhas que morrem por lá ficam intactas sem se decompor. O material orgânico das regiões contaminadas tem índice de decomposição 40% inferior. Por isto, a hipótese é que as radiações tenham afetado as populações de fungos, micróbios e insetos que se alimentam de matéria orgânica morta. Há árvores que estão mortas há 15 anos, mas ainda não começaram a apodrecer.

O comportamento da fauna e da flora se tornaram um imenso laboratório real para aprendizado dos efeitos da catástrofe.

Turistas e Energia Solar:

Os cenários criados pela catástrofe, deixaram grandes lições e incrível é que a reboque de tudo isso, criou um destino turístico. Depois de três décadas da tragédia, milhares de viajantes estão visitando anualmente a cidade de Pripyat, cidade fantasma onde viviam, junto com suas famílias, cientistas e operários que trabalhavam em Chernobyl.

Após a explosão de um dos reatores da usina, que deu início a propagação de material radioativo por toda a região, os quase 50 mil habitantes de Pripyat, que fica a três quilômetros do local do acidente, foram evacuados. Deixaram para trás prédios residenciais, um hotel, escolas, restaurantes, um hospital e centros esportivos que hoje, com seu aspecto fantasmagórico, atraem curiosos do mundo inteiro. No centro de tudo isso, um triste parque de diversões ainda exibe uma roda-gigante projetada para fazer a alegria das crianças locais, que hoje trás profundas reflexões sobre o que aconteceu com a crianças que alí se divertiam.

Os visitantes chegam a bordo de tours guiados vindos principalmente da cidade ucraniana de Kiev, a 150 quilômetros de distância. Os passeios exploram Pripyat, através do ingresso nas antigas salas de aula, ginásios esportivos e apartamentos da cidade. Em muitos dos lugares, ainda é possível ver sinais de um local que foi abandonado às pressas, com objetos pessoais jogados pelo chão e até máscaras respiratórias espalhadas no interior dos prédios do local.

Os ambientes certamente se deterioraram desde a evacuação e encontram-se completamente abandonados como em um antigo ginásio esportivo onde uma tabela de basquete aparece sobre uma parede cinza e descascada. Não muito longe, uma piscina vazia é iluminada através de janelas enferrujadas e quebradas. Em algumas casas, é possível ver objetos pessoais de seus antigos moradores, como quadros e bonecas. E, em uma antiga maternidade, surgem camas enferrujadas em uma visão que inspira tristeza.

Mas um dos locais mais visitados e fotografados, é o parque de diversões, onde além de sua roda-gigante, o lugar exibe um pista com carrinhos de bate-bate completamente aos pedaços, enferrujados. Apesar do cenário pós-apocalíptico e perigoso alguns dos passeios chegam bem perto do reator 4, causador da explosão, cuja área destruída se encontra hoje envolta por estruturas conhecidas como “sarcófagos”.

É claro que visitar um lugar devastado como este desperta inúmeras emoções, embora tanto em Chernobyl como em Pripyat possam ser considerados passeios bem educativos, apesar de tristes quando se projeta como a vida deveria ser feliz por lá.

A visita a Pripyat só são realizadas por agências autorizadas para conduzir o passeio. A visita, porém, não pode ser caracterizadas como livre de riscos, pois estudos desenvolvidos na época da tragédia avaliaram que Chernobyl e arredores estarão contaminados e por tanto condenáveis, por níveis de radiação perigosos para seres humanos pelos próximos 24 mil anos, motivo pelo qual a usina e a cidade de Pripyat estão dentro de uma crítica zona de exclusão cujos acessos são controladas por forças de segurança da Ucrânia.

Claro que com esta situação, os próprios guias turísticos carregam, durante as visitas, contadores Geiger, instrumentos que medem níveis de radiação e mostram se os locais visitados em Pripyat estão mais seguros para serem explorados.

Toda esta criticidade e perigo, parece não amedrontar legiões de turistas. Uma organização governamental que tem controle sobre a zona de exclusão, estima que mais de 16 mil turistas de 84 países estiveram em Chernobyl e arredores só em 2015. O turismo macabro continua a atrair muitos viajantes.

Se você leitor quiser visitar o local basta acessar o TourKiev

Não só de turistas, mas um projeto ucraniano-alemão, o Solar Chernobyl está sendo preparado para ser erguido como uma “fazenda Solar” bem ao lado dos reatores de Chernobyl. Planejado para entrar em operação em 2018, a instalação de deverá ter um megawatt em 3.800 painéis fotovoltaicos, capaz de alimentar até 2.000 residências. Outros 99 megawatts estão sendo planejados para um desenvolvimento futuro, e o projeto, que até agora tem um custo de um milhão de euros para ser construído, deverá se pagar dentro dos próximos sete anos.

A Ucrânia possui atualmente 12 usinas nucleares ativas, mas não é um país estranho para a energia solar. A fazenda Solar Chernobyl não é a primeira fazenda solar do país, e sim a quarta instalação desse tipo construída em território ucraniano, que tem se esforçado para desmantelar suas usinas nucleares. E para a própria central nuclear de Chernobyl, o arrendamento das áreas próximas e os projetos significam outro desenvolvimento bem-vindo, os investimento e fundos financeiros, que também ajudam a lidar com o espólio do desastre nuclear. Veja abaixo algumas cenas atuais de Chernobyl e Pripyat:


 

Veja também:

 

Bibliografia/Fontes:

  • Fountain, Henry – At Chernobyl, Hints of Nature´s Adaptation – NYT, 2014
  • Yah, Laura – Chernobyl is Turning Into a Wildlife Preserve for Wolves – LiveScience, 2018
  • Mousseau, Timithy A. e outros – Highly reduced mass loss rates and increased litter layer in radioactively contaminated areas – Oecologia, 2014
  • EFE – Chernobil deixa de ser um perigo pelo próximo século, Dez/2016

 

Nessie novamente no noticiário…

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O lendário monstro do lago Ness ou monstro de Loch Ness, carinhosamente conhecido por Nessie, que supostamente viveu ou vive nas Highlands escocesas acaba de ganhar notoriedade de novo.

Já se sabe ser improvável que o Monstro do Lago Ness exista, mas isso não impede os caçadores dedicados de continuar sua busca.

Um novo grupo está embarcando em uma nova missão para encontrar o animal lendário usando uma das mais recentes técnicas da ciência, a coleta de DNA ambiental.

Quando um peixe, ou um mamífero, ou um estranho monstro desconhecido nada através de um grande corpo de água, deixa vestígios de cabelo ou escamas, e esses fragmentos de detritos orgânicos contêm o DNA do animal que por lá navegou. Os pesquisadores podem coletar amostras de água, sequenciar o DNA que encontrem nelas e determinar quais espécies vivem nessas águas.

Usando esse método, um grupo de cientistas do Reino Unido, da Dinamarca, dos EUA, da Austrália e da França vão vasculhar o lago de Loch Ness, coletando amostras de DNA de tudo que puderem encontrar. Se eles encontrarem algo que não reconheçam, ou que se pareça com um antigo plesiossauro que vive milhões de anos após a suposta extinção da espécie, seria um bom sinal de que talvez Nessie não seja um mito afinal.

 
A História

O dito monstro é descrito como uma espécie de serpente ou réptil marinho, semelhante ao plesiossauro, um sauropterígeo pré-histórico.

O primeiro encontro testemunhado por várias pessoas aparece numa obra literária, onde um missionário irlandês que viveu entre 521 e 597 D.C e que se mudou para Escócia descreve como salvou antigos habitantes que nadavam no Rio Ness das garras do monstro em 565 DC.

Enquanto navegava e com o enorme poder se dua voz, ele repelia o monstro. Como relato literário, a credibilidade do fato seria uma fantasia ou não ?.

Mas o primeiro relato autenticado de avistamento oficial do monstro do Lago Ness, data de 1880 e foi debaixo d’água, testemunhado por um mergulhador profissional chamado Duncan MacDonald. Foi-lhe pedido que fosse ao Fort Augustus, perto do Canal Caledonian, procurar o local certo onde havia afundado um navio de carga, por questões necessárias a sua seguradora.

Duncan foi contratado por ela, para localizar o navio. Ao descer às profundezas escuras do lago, Duncan chegou onde se situava o navio afundado, iniciou as suas tarefas, mas enquanto examinava a quilha para ver os estragos e trabalhava debaixo do barco, viu de repente que também ali estava uma enorme e estranha criatura, deitada sobre uma grande rocha próxima ao barco.

O assustado Duncan fez um sinal brusco para ser içado e foi recolhido de imediato e ao chegar ao seu barco de apoio de sua equipe, seus colegas o acharam muito pálido e “branco” como cal. Duncan foi retirado da água tremendo, mas após acalmar-se, disse que enquanto analisava o navio, a certa altura viu um animal muito parecido com um réptil gigante marinho ou como um sapo enorme, que o surpreendeu e quis então voltar logo à superfície com muito medo. Mesmo sendo um mergulhador profissional, Duncan nunca mais mergulhou no famoso Lago Ness.

No século XX, há registro de um outro relato em 1923 e revela como Alfred Cruickshank avistou uma criatura com cerca de 3 metros de comprimento e dorso arqueado, mas o registo visual que iniciou a popularidade de Nessie data de 2 de Maio de 1933 e foi relatado pelo jornal local chamado “Inverness Courier”, numa reportagem muito sensacionalista. Na matéria relata-se que um casal viu um monstro aterrorizante entrando e saindo da água, como alguns golfinhos fazem. A notícia gerou sensação e um circo local a ofereceu 20.000 libras pela captura da criatura. Claro que com esta oferta uma onda de registos visuais ocorreram.

 

A farsa

Dentro desta neura para achar o monstro, em 19 de Abril de 1934 resultou na mais famosa fotografia do monstro, tirada pelo cirurgião R.K. Wilson. A fotografia circulou pela imprensa mundial como prova absoluta da existência real do monstro, por anos.

Mas décadas depois, em 1994, Marmaduke Wetherell confessou ter falsificado a fotografia quando era repórter free lancer do Daily Mail na busca por um furo jornalístico. Wetherell afirmou também que decidiu usar o nome do Dr. Wilson como autor para conferir mais credibilidade ao embuste.

Quando “R.K.Wilson” emigrou para a Austrália, ele escreveu uma carta ao Daily Mail para revelar que a sua foto era mesmo um embuste feito com uma prancha de brincar com um pescoço de plástico montado em cima para fazer uma foto do seu suposto “monstro real”.



Várias equipes de pesquisa já vasculharam o lago, como esta, que comprovou a farsa do médico R.K.Wilson. Aqui investigaram ainda todas as características e dificuldades encontradas na busca de evidencias de alguma criatura estranha.(Se necessário ativar legenda e tradução-veja como)


 

Novos avistamentos

Em 25 de maio de 2007, Gordon Holmes, um técnico de laboratório de 55 anos de idade, filmou um vídeo que ele diz ser de uma “criatura preta, com cerca de 45 pés de comprimento, movendo-se rapidamente na água”. O vídeo foi estudado por biólogos e sem dúvida tratava-se realmente de uma filmagem real de um animal não identificado, no qual as características físicas são mesmo parecidas com as de um plesiossauro, mas, ainda assim não é considerado uma prova de sua existência.

O vídeo está “entre as mais brilhantes aparições do monstro já feitas”. A BBC da Escócia transmitiu o vídeo em 29 de maio de 2007. Ocupando ainda espaço na mídia, o jornal escocês “The Scotsman” noticiou que o famoso “monstro do lago Ness” não foi avistado em 2013, pela primeira vez em 88 anos. “Nessie” não surgiu à superfície do lago, durante todo o ano de 2013, tal como aconteceu em 1925.

Durante décadas, várias expedições foram realizadas, com os melhores equipamentos, documentados por pesquisadores renomados, e o tal monstro nunca foi encontrado, apesar de outras revelações sobre o lago em sí que é cercado de características intrigantes, como a de águas muito escuras, sua profundidade atípica, elementos marinhos em seu fundo, enguias, e uma densidade comprometedora para as comunicações entre outros mistérios.

Nesta nova investida é talvez improvável que a descoberta do monstro de Loch Ness aconteça e que quase certamente ele não existe. Ainda assim, mesmo que a equipe de pesquisa não encontre vestígios de monstros, eles ainda aprenderão muito sobre o que realmente vive lá, ou até que tenham vivido em outras épocas. 

Os pesquisadores esperam que seu novo estudo ajude os cientistas a entender mais sobre o ecossistema do lago e a ameaça representada por espécies invasoras, que poderiam ser facilmente confundidas e comparadas com avistamentos do passado recente..

E, talvez, ao longo do caminho, eles realmente podem descobrir evidências de Nessie. Afinal, tudo é possível, certo?

O famoso monstro está incorporado a cultura popular na Escócia. Em 2016, um drone marinho de alta tecnologia que procurava nas profundezas do lago escocês por Nessie, encontrou uma réplica do monstro com quase nove metros de comprimento. Esta réplica havia sido usada em um filme de 1970, “The Private Life of Sherlock Holmes”, e tinha-se afundado e perdido quando foram removidas as suas boias.

Enquanto isto a região explora turisticamente o fato, arrecadando milhões no sustento da lenda ou da polêmica do Lago Ness, existindo até um centro de exposições a respeito num belo castelo escocês.(http://www.lochness.com/)

Estabelecido em 1980, o “Loch Ness Centre &”Exhibition tem sido um local preferido de visitantes de todo o mundo, tendo avaliação de 5 estrelas pela autoridade de turismo da Escócia, com o naturalista Adrian Shine, como líder de pesquisa por mais de 40 anos sobre Loch Ness. O Centro de exposição tem 7 áreas temáticas que contam a história de Loch Ness, seus mistérios e tudo sobre Loch Ness que se possa imaginar ou que tenha ocorrido nestes anos todos.

Até o Google tem seu Google Maps voltado exclusivamente para todos procurarem Nessie e ajuda a busca pelo ‘monstro’ com imagens do Lago Ness. Com isso, Internautas do mundo inteiro podem explorar o habitat de um dos “monstros” mais famosos do mundo, a criatura do Lago Ness. Veja:



(Se necessário ativar legenda e tradução-veja como)


Real ou imaginário, o monstro de Loch Ness faz parte do imaginário popular e da cultura da Escócia e do resto do mundo ocidental. É frequente o seu “uso” pelas indústrias de televisão, cinema e videogames. É ainda, um dos motores da indústria de turismo, atraindo ao Loch Ness inúmeros curiosos em busca da oportunidade de tirarem uma fotografia, registrarem um vídeo e certamente buscar da fama pelo fato.

Esta nova investida de pesquisadores de vários países, com novos parâmetros tecnológicos, vai no mínimo alimentar ainda mais esta polêmica, independente de seus resultados. Que Nessie apareça….

O lendário monstro também tem um site official, que tem uma webcam num dos pontos do lago para observação permanente, Veja aqui:


Biblioteca/Fontes:

  • Imagens – Getty Images MR1805,Pinterest,acervo pessoal
  • Videos – History Channel UK, Google Maps/Street View
  • Thompson, Avery – A New Hunt for the DNA of the Loch Ness Monster, Reuters – May 23, 2018
  • Wiki – Loch Ness

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