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Santos e Imigração na Belle Époque….

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Este é o tema e título do terceiro livro de Marília Dalva Klaumann Cánovas, abordando mais uma vez os cenários dos imigrantes espanhóis em São Paulo.

A cerimônia de lançamento ocorreu no último sábado (03/03/2018) na Livraria da Vila no Shopping Pátio Higienópolis, onde este blogueiro, convidado, pode trocar algumas palavras e conquistar mais uma obra para seu acervo,  obra esta, fruto de grande pesquisa e conhecimento sobre imigrantes em São Paulo.

Esta obra se dedica a mais uma etapa dos espanhóis em nossa terra, que já teve edições anteriores: Hambre de Tierra – Imigrantes espanhóis na cafeicultura paulista (1880-1930), Imigrantes Espanhóis na Paulicéia, Trabalho e sociabilidade urbana (1890-1922) e agora com Santos e Imigração da Belle Époque – Os Espanhóis no cotidiano urbano, práticas associativas e militância política (1880-1922).

Três obras que detalham a vida, o cotidiano e a própria história dos imigrantes espanhóis em São Paulo na virada do século 19 para o século 20

Marília Cánovas , Mestre e doutora em História Social pela USP, pós-doutora  em História Econômica pelo Cedhal – Centro de Estudos de Demografia Histórica da América Latina, da FFLCH-USP, entre outras qualificações reúne em suas obras extensa pesquisa sobre a vivencia de imigrantes espanhóis no final do século 19 e início do século 20.

Como considera, a presença dos imigrantes espanhóis em São Paulo é um fenômeno numericamente importante, suplantado apenas pelos portugueses e italianos mas que não tem a mesma visibilidade que outros contingentes populacionais que para cá vieram.

Por isto o trabalhado de Marília Cánovas com suas obras se propõe a elucidar e dar a respectiva visibilidade  de importância, tal como ocorre em outros grupos que para cá vieram para compor a grandeza que São Paulo se tornou. Ela acredita que a inexistência, a fragmentação e a dispersão das fontes e da documentação são alguns dos fatores responsáveis pela ausência de trabalhos sobre o espanhol, especialmente no período considerado, de fins do século XIX e início do XX.

Este blogueiro esteve no lançamento a convite da escritora e historiadora, Marília Cánovas

Prefaciando, Juan Andrés Blanco, da Universidad de Salamanca, “Santos e Imigração na Belle Époque” é uma publicação imprescindível para conhecer a multiplicidade de papéis desempenhados pelos imigrantes espanhóis em Santos num período crucial da cidade mostrando no período considerado um expressivo crescimento econômico com um significativo aumento da população, graças em parte a imigrantes estrangeiros.

A obra analisa de forma perspicaz a presença espanhola em Santos como um fato social global, caracterizado por múltiplos desdobramentos. O imigrante espanhol, majoritariamente “jornalero” desempenhou um diversa, complexa e muitas vezes precária e informal atividade laboral. Mas não faltam exemplos aqueles que, baseados no comércio promissor, melhoraram sua situação, o que os leva a abraçar novos valores e estilos de vida e sociabilidade.

Nesta esplêndida obra, que não diferente das anteriores o leitor pode comprovar a qualidade e solidez do trabalho de Marilia Cánovas como historiadora e pesquisadora numa temática tão diversa e complexa.

Vale a leitura de quase suas 500 páginas ….

Veja também no Jornal da USP


A metrópole e a ciência…

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© PIXABAY.COM

Um estudo publicado em agosto no Journal of Informetrics identificou um deslocamento do volume da produção científica de países desenvolvidos para nações emergentes, ao analisar artigos produzidos em 2.194 cidades do mundo nas últimas três décadas. De acordo com o trabalho, a mudança mostra que países como China, Índia, Irã e Brasil passaram a ocupar posições de destaque na ciência global em termos quantitativos.

No período de 1986 a 1995 predominavam municípios dos Estados Unidos e da Europa entre as 15 metrópoles cujos pesquisadores mais publicaram papers no mundo. Já entre 2006 e 2015, o grupo das cidades com maior produção científica ficou mais diversificado: Beijing, Seul, Teerã e São Paulo também passaram a figurar no topo desse ranking. “Tudo leva a crer que não é um fenômeno temporário, mas uma tendência consistente”, afirma o autor da pesquisa, György Csomós, professor do Departamento de Engenharia da Universidade de Debrecen, na Hungria. “O impacto da pesquisa nesses novos centros ainda é inferior ao de cidades nos Estados Unidos e na Europa, mas o nosso estudo não avaliou citações”, pondera.

O estudo selecionou localidades onde foram produzidos pelo menos mil artigos indexados na base de dados Scopus, da Elsevier, entre 1986 e 2015. György Csomós observou que Tóquio, no Japão, foi a cidade mais produtiva de 1986 a 2005, com 366.405 artigos publicados. A partir de 2006, a capital chinesa assumiu a liderança – em quase uma década, pesquisadores de Beijing publicaram 664.414 artigos (veja quadro abaixo). “A crescente importância de Beijing tem sido objeto de estudos nos últimos anos. O caso chinês é acompanhado por outras metrópoles emergentes”, explica o pesquisador húngaro. Para ele, isso é um sinal de que a produção de ciência está se espalhando para novos polos.

Um outro estudo, esse publicado em julho por pesquisadores da França e da Alemanha na revista Scientometrics, analisou a partir de publicações indexadas na base Web of Science o número absoluto de citações recebidas segundo as cidades onde os autores de papers trabalhavam. Dos 30 municípios com maior número de citações em 2007, apenas Beijing, Xangai e Seul são de países emergentes. Os demais estão nos Estados Unidos, Japão, Austrália, Canadá e em países da Europa. Não há nenhuma cidade latino-americana entre as 30 maiores.

Entre os 60 municípios brasileiros que foram avaliados por Csomós, São Paulo é o único que aparece entre os 100 com maior produção científica no mundo. A capital paulista ocupa a 19ª posição nesse ranking, com 190.171 artigos publicados entre 1986 e 2015, ficando à frente, por exemplo, de Berlim, na Alemanha; Montreal, no Canadá; e Kyoto, no Japão. “O destaque de São Paulo no estudo pode ser explicado por concentrar boa parte da ciência feita no Brasil”, opina Renato Garcia, professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ele lembra que a cidade abriga dois campi da Universidade de São Paulo (USP), um da Estadual Paulista (Unesp) e um da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), além de instituições privadas que desenvolvem pesquisas como a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e a Fundação Getulio Vargas (FGV). Apenas a USP, que tem seu principal campus na capital paulista, é responsável por 22% da produção científica brasileira, de acordo com dados da Web of Science. Em um levantamento apresentado em 2015 por Méric Gertler, atual reitor da Universidade de Toronto, no Canadá, a Região Metropolitana de São Paulo aparecia em 4º lugar em uma lista de aglomerados urbanos com maior produção científica (ver Pesquisa FAPESP nº 237).

O estudo de Csomós também faz um recorte das disciplinas mais produtivas. No caso de São Paulo, o campo em que há o maior número de artigos publicados é a medicina. “A capital paulista conta com duas das melhores faculdades de medicina do país, USP e Unifesp, em que há um ambiente favorável à pesquisa”, diz Renato Garcia. Csomós também avaliou colaborações internacionais. Dos 60 municípios brasileiros, 57 têm como parceiros mais frequentes pesquisadores dos Estados Unidos – as exceções são Ouro Preto, onde predominam colaborações com a Austrália; Feira de Santana, com o Reino Unido; e Itajaí, com Itália.

Na primeira década analisada no estudo, de 1986 a 1995, cerca de 28% da produção científica brasileira vinha de São Paulo. Esse índice subiu para 35% entre 2006 e 2015. Em 2011, o relatório “Conhecimento, redes e nações: A colaboração científica no século XXI”, da Royal Society, em Londres, já citava a capital paulista como uma das cidades promissoras na ciência e alertava que China, Brasil e Índia emergiam entre as potências científicas. “Um fator que pode explicar o crescimento da produção científica paulistana é que os pesquisadores estão publicando mais artigos em revistas de língua inglesa, fazendo com que a cidade apareça mais na base Scopus”, sugere Csomós.

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Entre 1996 e 2005, Tóquio, no Japão, foi a cidade que mais produziu papers no mundo

Periódicos indexados
O avanço da capital paulista e de cidades de países em desenvolvimento coincide com a inclusão de um grande número de periódicos de países emergentes em bases de dados internacionais, como a Scopus e a Web of Science, observa Jacqueline Leta, professora do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Essas revistas, na maioria de acesso aberto, canalizaram a divulgação de uma parcela expressiva da produção científica dessas nações. “Pesquisadores em início de carreira pressionados a publicar artigos recorreram a esses periódicos e ajudaram a impulsionar o desempenho de países como Brasil e China”, salienta.

Jacqueline chama a atenção para a originalidade do trabalho de Csomós. “O olhar para as cidades, e não para o país como um todo, oferece uma nova perspectiva aos estudos que analisam aspectos quantitativos da produção do conhecimento”, comenta. O pesquisador húngaro explica que, ao examinar a produção total de um país ou de um continente, perde-se a dimensão da diversidade acadêmica no âmbito regional. “As cidades diferem umas das outras, ainda que estejam no mesmo país. E graças à sua natureza variada, a produção científica também é peculiar em cada cidade”, acrescenta.

Essa diversidade aparece de maneira clara nos dados sobre colaborações. O principal parceiro das cidades que ficam na parte ocidental da Suíça, como Genebra, Lausanne e Neuchâtel, é a França. Já as cidades que estão mais ao norte do país, como Zurique, Basileia e Berna, colaboram mais com a Alemanha. Nas localizadas perto da fronteira italiana, como Bellinzona e Lugano, a colaboração mais intensa é com a Itália. “Isso não aparece quando se avalia a colaboração internacional da Suíça como um todo”, diz Csomós.

O gigantismo das metrópoles de países emergentes é um dos fatores que ajudam a explicar a sua ascensão na produção científica global. Essas cidades, observa o pesquisador, geralmente têm tamanhos e populações muito maiores do que as encontradas em países desenvolvidos. Boston, nos Estados Unidos, é um dos principais polos de ciência e tecnologia do mundo, mas tem 673 mil habitantes e uma área de 232 quilômetros quadrados (km²). É uma escala incomparável com a de Beijing, com 21,7 milhões de habitantes e área de 16 mil km². “Nesse caso, deveríamos comparar Beijing com a Grande Boston”, sugere Csomós, referindo-se à área metropolitana com 8,2 milhões de pessoas e 25 mil km² de território.

Para Renato Garcia, o trabalho do pesquisador da Hungria ajuda a identificar as localidades que têm mais aptidão para o que se convencionou chamar
de efeito de transbordamento de conhecimento, quando empresas e outros setores da sociedade têm acesso ao conhecimento científico e tecnológico produzido em instituições de pesquisa e universidades. “Cidades com alta produção científica provavelmente conseguem transferir mais conhecimento para a sociedade”, observa Garcia. No entanto, ele ressalva que saber apenas o número de artigos publicados em cada local não é suficiente para medir o potencial de transbordamento: “Estudos sobre o impacto da pesquisa no setor privado e a colaboração entre universidades e empresas nas metrópoles também são necessários”.


Bibliografia/Fontes:

Artigos científicos:


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