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Os esquecidos do Pop: 1910 Fruitgum Co.

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Aqueles que viveram os anos 60 e 70, se lembrarão de um estilo musical derivado do pop, destinado a pré-adolescentes e adolescentes que foi denominado pelos especialistas musicais de “bubblegum”. O estilo se caracteriza por um som animado e cativante, um fenômeno de singles (ou canções soltas) em vez daqueles álbuns complexos de meses de produção.

Por assim ser o estilo era geralmente produzido num processo de linha de “montagem” bem comercial impulsionado por produtores musicais dentro de estúdios, muitas vezes utilizando cantores e grupos desconhecidos. Teve fase popular entre 1967 e 1972 e depois um remake entre 1974 e 1977 quando então o punk rock emergiu dos porões, como se falava.

Os cinco membros originais do grupo 1910:Fruitgum Co. em 1966; No topo da esquerda são Floyd e Steve. Na parte inferior estão Pat, Frank e Mark.

Como muitos artistas eram fabricados no estúdio usando músicos de sessão, um grande número de músicas de bubblegum foram feitas por “one-hit wonders” ou seja, artistas que só conseguem um único grande hit ou sucesso em suas carreiras.

Os artistas mais conhecidos da era de ouro do bubblegum pop, estão The Ohio Express e The Archies, cuja canção “Sugar Sugar” é a mais bem sucedida canção de bubblegum lançada em 1969, o cantor Tommy Roe (Dizzy), The Monkeys, The Equals, Steam, Manfred Man, The Sweet, The Partridge Family entre outros.

“The 1910:Fruitgum Co, é uma das de maior sucesso neste subgênero da pop music. Foi um grupo dos Estados Unidos mais empolgantes do estilo bubblegum pop.

Seu primeiro sucesso lançado em 1968 foi um estouro de vendas e se tornou a canção símbolo do grupo, “Simon Says”. Rapidamente chegou aos primeiros lugares na parada musical no Reino Unido. A seguir vieram outros sucessos como “1, 2, 3 Red Light”, “Indian Giver”, “May I Take A Giant Step”, “Special Delivery”, “The Train”, “Reflections From The Looking Glass” e a melosa “When We Get Married”.

Simon Says, empolgante e dançante, um clássico do bubblegum pop
Faziam grandes turnês em companhia dos Beach Boys, Lou Christie, Sly & Family Stone, Tommy Roe, Mark Lindsey (vocalista do Paul Revere & The Raiders), The Vogues, Ron Dante do The Archies, Gary Us Bonds, Jim Yester do The Association, Melanie, Commander Cody e de outros grandes nomes da época..

A banda começou como Jeckell e The Hydes em Nova Jersey em 1966. Os membros originais eram Frank Jeckell, Mark Gutkowski, Floyd Marcus, Pat Karwan e Steve Mortkowitz – todos da cidade de Linden, Nova Jersey.
Durante 1967, eles foram contratados pela Buddah Records, onde lançaram cinco LPs com seu próprio nome e uma variedade de singles, além de aparecer no LP The Kasenetz-Katz Singing Orchestral Circus, que caracterizou-se como uma habitual banda de estúdio da Buddah.

O grupo original se separou em 1970. O nome continuou com uma banda dirigida por Jolly Joyce da Filadélfia. Mark Gutkowski, o principal vocalista, foi visto pelas ultimas vezes durante 1977 na Europa com o The Ohio Express, The Hollies e a The Music Explosion.

Como qualquer banda daqueles anos dourados, a mudança de seus integrantes também foi constante, mas no início deste século, os membros originais Frank Jeckell e Floyd Marcus juntaram-se novamente, com alguns músicos e começaram a viajar pela estrada de novo. Realizaram um concerto em 17 de novembro de 2007 na Caravan of Stars XIV, em Henderson, Tennessee. Também apareceram no espetáculo Dickey Lee, Jimmy Gilmer, Carol Conners (de The Teddy Bears), Bo Donaldson e Heywoods, Jim Yester (The Assossiation), Jerry Yester (The Lovin ‘Spoonful) e Eddie Brigati (The Young Rascals).

Seu primeiro sucesso, “Simon Says”, foi escrito por Elliot Chiprut. Durante o processo de gravação, a banda mudou o ritmo e modelou a música se tornando um sucesso, entrando na lista da Billboard Hot 100 dos EUA.

A banda marcou seu período e seu estilo animado e meloso, pois “Simon Says” vendeu três milhões e meio. “1, 2, 3, Red Light” e “Indian Giver” venderam cada um mais de um milhão de cópias. Todos os três foram premiados com discos de ouro e particularmente Simon Says é algumas vezes relembrada em academias, treinos de dança e programas infantis.

Ainda existente a atual configuração da banda ainda realiza shows e mantêm um site com sua história e realizações.

Tal como o The Archies, a 1910:Fruitgum Co. marcou sua época e estilo naqueles anos 60/70.

1- 2- 3 Red Light, outro grande sucesso que embalava os bailes da época.
Site Oficial

Discografia


 

Tardígrado, o imortal…

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Quase isto. Este ser de anatomia complexa surpreende pelos exageros biológicos. São animais microscópicos segmentados, relacionados com os artrópodes. São também popularmente conhecidos como ursos-d’água ou leitões do musgo.

Sua história científica começa em 1773 quando foram descritos pela primeira vez. Em 1776 recebeu o nome de Tardígrado pelo italiano Lazzaro Spallanzani. Eles são na maioria fitófagos, embora existem alguns predadores, como o Milnesium tardigradum.

Eles são muito resistentes, pois podem sobreviver a temperaturas variando desde pouco mais do que o zero absoluto (-273,15 °C) até os 150 °C, e a pressões de 6 mil atmosferas e sob radiação de 5000 Gy (de raios-gama) e 6200 Gy, que é de aproximadamente 1000 vezes mais que um ser humano pode suportar.

Esses microscópicos seres são na verdade invertebrados, possuindo oito patas, onde cada uma possui de quatro a oito pequenas garras e seu corpo situa-se entre 0,05 a 1,25 mm. Seu habitat é entre os musgos e liquens, podendo ser fortemente pigmentados, de cores variadas do laranja avermelhado ao verde oliva.

Eles são considerados os animais mais resistentes do planeta por possuírem características singulares e de adaptação a ambientes muito inóspitos. De aparência nada amigável é um ser inofensivo para os humanos. No seu portfolio científico, os pesquisadores determinaram que este ser, possui o maior número de genes estranhos que quaisquer outros animais que já foram mapeadas até agora. É como se fosse um ser de DNA alienígena.

Sabe-se que a maioria dos animais contêm 1% de DNA estranho, mas a análise científica do Tardígrado, tem demonstrado que cerca de 6000 dos seus genes ou seja, 17% se originou diretamente de outras espécies. “Os animais que podem sobreviver a extremos (calor e frio) podem ser particularmente propensos a adquirir genes estranhos. Esses genes de bactérias resistem mais as adversidades do que o próprio animal”, disse o pesquisador Thomas Boothby. Com isso uma série de questões  surgem como e de onde vêm seus genes. Pesquisadores acreditam que é muito provável que o Tardígrado “emprestou” alguns dos genomas de bactérias, plantas e fungos.

Esta criatura misteriosa pode na verdade secar seu corpo, que é composto por somente por 3% de água, e pode voltar ao seu peso normal posteriormente, um mecanismo de sobrevivência que não são encontradas em nenhum outro animal.

Em 2007, vários exemplares de duas espécies de tardígrados foram enviados ao espaço por cientistas até a órbita terrestre baixa na missão FOTON-M3 e foram expostos por 10 dias ao vácuo do espaço, onde é impossível respirar, mas também a níveis de radiação capazes de incinerar um ser humano. De volta ao planeta Terra, um terço deles ainda estava vivo, mostrando-se assim os únicos animais nativos do planeta de que se tem conhecimento que são capazes de sobreviver às condições do espaço extraterrestre sem a ajuda de equipamentos. Após serem reidratados na Terra, mais de 68% sobreviveram e muitos destes produziram embriões saudáveis, além de alguns sobreviveram à exposição plena à radiação solar. Em maio de 2011, estudos sobre os tardígrados foram incluídos na missão do ônibus espacial Endeavour, em seu último voo ao espaço.

A curiosidade científica era tanto que ainda em 2011, eles estavam entre os organismos que seriam enviados pela Sociedade Planetária na missão russa Fobos-Grunt, como parte do projeto LIFE (Living Interplanetary Flight Experiment) para a lua marciana Phobos, mas, seu lançamento foi mal-sucedido.

Os Tardígrados possuem um recurso de sobrevivência que consiste em dormência completa, encolhendo-se e desidratando-se, desligando todos os seus sistemas e processos biológicos, podem sobreviver por muitos anos quando encontram condições ambientais que não dão suporte à maior parte da vida animal, permanecendo em estado criptobiótico. É neste estado que conseguem suportar condições ambientais extremas e posteriormente “voltam à vida”, ao se reidratarem novamente.

Com uma anatomia complexa, esses animais são recobertos de quitina e não possuem sistema circulatório e nem aparelho respiratório, e suas trocas gasosas são realizadas de forma aleatória em qualquer parte do corpo. A grande maioria se alimenta sugando o conteúdo celular de bactérias ou de algas. Sua boca tubular tem dois estiletes, que são usados para perfurar as células de plantas, algas ou pequenos invertebrados dos quais os tardígrados se alimentam, liberando os fluidos corporais ou conteúdo celular. A boca abre em uma faringe muscular e tri-radial. Os estiletes se perdem quando o animal troca de pele, e um novo par é secretado de glândulas que ficam em cada lado da boca. A faringe consiste de um esôfago curto, que se conecta a um intestino que ocupa a maior parte do comprimento do corpo. Algumas espécies só defecam quando trocam de pele, deixando as fezes para trás com a carapaça abandonada

Eles são um dos poucos grupos de espécies capazes de suspender seu metabolismo de maneira reversível e entrar em um estado de criptobiose. Várias espécies sobrevivem regularmente em um estado desidratado por quase 10 anos.

Eles são encontrados em todo o planeta, desde o fundo oceânico ao alto do Himalaia. Das mais de 1000 espécies conhecidas, cerca de 300 foram descritas no Ártico e na Antártica além de 115 espécies na Groenlândia.

Cientistas descobriram até o momento cerca de 1000 espécies dessas criaturas microscópicas, que se sabe são conhecidas por sua capacidade de sobreviver em condições extremas.



Ao final de dezembro de 2015, um grupo de cientistas do Instituto Nacional de Pesquisa Polar, no Japão, publicaram uma pesquisa em que mostra a capacidade de regeneração dos tardígrados e mostram como uma espécime voltou à vida após passar 30 anos congelado. O recorde de que se tinha registro de um tardígrado em criptobiose era de nove anos. Para o estudo, os cientistas do Instituto Nacional de Pesquisa Polar recolheram alguns espécimes da Estação Showa na Antártica em novembro de 1983 e os deixaram guardados em uma temperatura de 20ºC negativos. Demorou cerca de duas semanas para um dos tardígrados voltar a se mexer e se alimentar normalmente, o que prova a resistência deste animal.

Em recente estudo publicado na revista científica PLOS Biology, os pesquisadores decodificaram o DNA de duas espécies de tardígrados e descobriram os genes que permitem a esses seres se regenerarem após a dessecação. Nesse estudo, cientistas descobriram que a chave para a sobrevivência dessas criaturas está na genética, pois em condições de seca, alguns genes dos tardígrados são estimulados para produzir proteínas que substituem a falta de água em suas células. Uma vez que a água está disponível novamente, as células são recarregadas, dissolvendo as proteínas.

Entender essa capacidade característica de sobrevivência dos tardígrados pode trazer benefícios para os seres humanos, como permitir que vacinas vivas sejam distribuídas em todo o mundo e armazenadas sem refrigeração. Em outra pesquisa descobriu que eles sobreviveriam a quase todos os desastres cósmicos que poderiam atingir o planeta e é bem provável que ele passou por todas as extinções da Terra, e continuou a carregar o DNA “eternamente”.



Bibliografia/Fontes:

  • Goldstein Lab
  • Tsujimoto,Megumu & Imura,Satoshi & Kanda,Hiroshi – Recovery and reproduction of an Antarctic tardigrade retrieved from a moss sample frozen for over 30 years, Cryobiology #72, Tokyo – Frebruary 2016
  • Brennand,Emma – Tardigrades: Water bears in space, BBC Nature – May 2011

 

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