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Metrô, muito mais que transporte….

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O Metrô de São Paulo, tido como o mais congestionado do mundo (são 4,5 milhões/dia), que atingiu este triste recorde por conta da migração de outros modais de transporte e por não estarem prontas ainda as obras de expansão, tem sido lembrado quase diariamente por conta de seus problemas e por conta de uma imprensa premeditada a condená-lo continuamente por razões políticas, todos sabem.

Contudo o Metropolitano de São Paulo, apresenta um outro vigor altamente positivo, além do vasto canteiro de obras pela cidade de mais quatro linhas sendo construídas simultaneamente: Um investimento em cultura ofertado para toda a população.

Um dos projetos mais expressivos é o “Arte no Metrô”, que tem seu inicio praticamente quando a Estação Sé foi inaugurada em 17 de Fevereiro de 1978. Aproveitar os espaços de concreto cinza e frios, oferecendo arte, exposições e outros eventos, foi tão bem aceito que continuou nestes anos todos a crescer e encantar a população que transita por suas instalações.

Compõe o cenário de São Paulo, que é referencia e Centro Cultural, mundialmente reconhecida, onde a artes ocupam papel de destaque, já que a cidade recebeu como título, que as artes são própria metrópole a céu aberto.

A idéia de transformar as estações e espaços do sistema em galerias de arte subterrâneas e aproximar o cidadão com essas manifestações culturais, vinha sendo desenvolvida desde a fundação da Companhia, em 1968, quando a Companhia ainda era municipal.

Começou com esculturas de Alfredo Ceschiatti e Marcelo Nitsche, e murais, como os de Renina Katz, Cláudio Tozzi e Mário Gruber. Eles estão entre os primeiros artistas plásticos especializados em arte pública e esse pioneirismo despertou o interesse de outros pintores e escultores.

Disto nasceu então o projeto “Arte no Metrô”, formalizado em 1988, que passou a estabelecer critérios e organizar o acervo de obras de arte contemporânea do Metrô de São Paulo.

O sucesso desta iniciativa exigiu que a Cia. do Metrô instituísse em 1990, uma Comissão Consultiva de Arte, integrada por representantes da Pinacoteca do Estado, do MASP, do MAM, do IAB – Instituto dos Arquitetos do Brasil, da ABPA, Associação Paulista de Belas Artes e por representantes das áreas de Marketing e Arquitetura do Metrô paulistano.

Tinha a comissão como função básica assegurar um processo de seleção criterioso e consistente para a escolha de projetos de arte contemporânea, bem como sua adequação para ser instalada nos espaços públicos do Metrô de São Paulo.

Com o aperfeiçoamento do projeto deu aos usuários e à população em geral o contato com obras que geralmente só são encontradas em museus e galerias especializadas.

 

Obras da artista Marli Takeda realizadas com a intervenção e a participação do público na estação do metrô Clínicas.
É visível que a iniciativa fortaleceu a comunicação, revigorou o relacionamento e transmitiu mensagens educativas, uma vez que a plasticidade das artes estimulou o respeito e a noção de conservação dos espaços coletivos, e ofereceu a população gratuitamente um dos maiores acervos de arte plástica.

Artistas renomados, como Aldemir Martins, Tomie Othake, Antonio Peticov, Denise Milan, entre outros, compõem um acervo de 91 obras de arte em 37 estações, composta por painéis, murais, pinturas sobre tela, instalações e esculturas.

Uma pequena amostra do acervo

Tamanho acervo, exigiu a elaboração de um catálogo, como qualquer grande museu, que concluído em agosto de 2012, teve sua edição denominada “Arte no Metrô”, que mostra toda essa história, com o detalhamento de cada obra de arte e sua localização.

[Veja o livro digital aqui] ou [faça o download aqui](*Ver Nota)

Apesar da pressa de parte dos frequentadores, para aqueles que apreciam é uma rara oportunidade de contato com as mais variadas demonstrações artísticas, cumprindo assim o mais nobre papel de um museu.

É uma constatação do quanto o Metrô preocupa-se em intensificar os canais de relacionamento e aproximação não só com seus usuários mas com toda a população, além dos milhões de visitantes que vêm à cidade de São Paulo anualmente. Certamente isto não está nas páginas malditas da imprensa alienada que só se preocupa em desgraças e fatos altamente peçonhentos que dão audiência.

[Consulte as obras por linha/estação do Metrô]

Mas os espaços do Metrô ainda são compartilhados, com shows, exposições itinerantes, shows natalinos, publicidades, e até bibliotecas como as que integram o projeto “Ler é Saber” do Instituto Brasil Leitor (IBL). É uma parceria da Cia. do Metrô com o IBL – entidade que administra as bibliotecas e facilita o acesso aos livros oferendo acervos completos em empréstimo gratuito.

Biblioteca da Estação Paraiso

Biblioteca da Estação Paraiso

Já existiram 4 bibliotecas, sendo que a primeira foi inaugurada em 1º de setembro de 2004, na Estação Paraíso (entroncamento das linhas 1-Azul e 2-Verde). Em 2005, foi a vez da unidade da Estação Tatuapé (Linha 3-Vermelha). Em 2008 a da Estação Santa Cecília (Linha 3-Vermelha), e ainda uma na Estação Brás da CPTM, que foi entregue em 2009. Atualmente, apenas biblioteca da Estação Paraíso está funcionamento.

O acervo contempla os mais variados estilos: literatura brasileira, autoajuda, best-seller, infanto-juvenil, filosofia, religião, ciências sociais, linguística, artes e história, entre muitos outros. O horário de funcionamento contudo não obedece o mesmo horário operacional do Metrô. A biblioteca funciona de segunda à sexta-feira, das 11h às 20h.

Para reativar as demais bibliotecas, o IBL está em negociação com novos patrocinadores.

Além disto, mas fora das estações, e sim em sua sede na rua Augusta, 1626, o Metrô dispõe de uma biblioteca, (Biblioteca Neli Siqueira) que, além de especializada em transportes, está voltada também para outras áreas do conhecimento tais como:

Engenharia, Arquitetura/Urbanismo, Direito, Administração, Economia, Informática, Administração, Direito, Engenharia, Geologia, e Informática e muitos outros assuntos, sob a forma de livros, folhetos, normas técnicas, relatórios, revistas, jornais, teses, manuais técnicos, anuários, etc. Dentro desse acervo, destaca-se também a Memória Técnica, que contém a produção bibliográfica tecnológica do Metrô, como monografias, relatórios, manuais, anuários estatísticos, informativos mensais do desempenho operacional, trabalhos e artigos apresentados em eventos e revistas especializadas, etc.

Além de atender à comunidade metroviária, recebe pesquisadores de todo o país e do exterior, que vem buscar no acervo a grande variedade de publicações de tecnologia metroviária. Atende à consultas e pesquisas, utilizando o acervo da Biblioteca, a Internet, acervos de outras Bibliotecas, Centros de Documentação, Universidades, etc.

Possui ainda uma coleção atualizada de normas técnicas nacionais (ABNT) e estrangeiras em formato impresso e digital.

Para completar ainda tem um acervo voltado ao lazer, compreendendo livros de romance, contos, poesia, crônicas, ficção, não ficção, autoajuda, biografia, infanto-juvenil, filosofia e psicologia. A maior parte desse acervo é constituída por doações feitas por usuários externos e também pelos próprios empregados do Metrô.

Além de tudo isto, o Metrô de São Paulo tem uma parceria e talvez inédita, de ter a história de sua intervenção na cidade documentada em desenhos e aquarelas, produzidos pela renomada artista plástica Diana Dorothèa Danon, formada pela Escola Superior de Belas Artes, que encantou-se com as obras do Metrô no início dos anos 70 e passou a acompanhá-las e retratá-las com precisão e talento.

São 40 anos de uma relação pautada pela admiração e respeito, bem como pela valorização da arte. Veja:

Como se vê, o Metrô além de suas atividades básicas, oferece esta grandiosidade cultural para todos, gratuitamente. Venha visitar, vale pena…


Veja também:


*Nota: Click com o botão direito do mouse e escolha “Salvar destino como”

Agradecimentos à Companhia do Metropolitano de São Paulo

O Observatório da Avenida…

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Lá no início do século passado, a Av. Paulista além do glamour dos casarões e da nobreza possuía um Observatório Astronômico e uma estação meteorológica, acreditem.

Conhecido como Observatório de São Paulo era o principal observatório da cidade e foi construído por José Nunes Belfort de Mattos e inaugurado em 30 de abril de 1912, com a denominação de Observatório Astronômico e Meteorológico, e pela numeração da época situava-se no número 69 da avenida ao lado do Belvedere Trianon.

O Observatório da Avenida, casa do Dr. José Nunes Belfort de Mattos, ao lado do Boulevard Trianon (MASP) na Av.Paulista

O Observatório da Avenida, casa do Dr. José Nunes Belfort de Mattos, ao lado do Boulevard Trianon (MASP) na Av.Paulista

Os fundos do Observatório tendo em primeiro plano os equipamentos da Estação Meteorológica

Os fundos do Observatório tendo em primeiro plano os equipamentos da Estação Meteorológica

O Observatório, além de sede do Serviço Meteorológico e Astronômico do Estado de São Paulo, executava serviços como medição da hora oficial do Estado e estudos de Física Solar, Magnetismo Terrestre e de Sismologia, sendo que para estes últimos estavam destinados dois pêndulos Wichert de fabricação alemã.

Em 1928, com o crescimento da cidade, a avenida Paulista já se tornara um local não apropriado para o Observatório, pois o imenso movimento prejudicava tanto as observações atmosféricas quanto as medições sismológicas.

Foto do início do século passado mostrando o Observatório ao lado do Boulevard Trianon, ainda sem os tuneis da avenida 9 de julho.

Foto do início do século passado mostrando o Observatório ao lado do Belvedere Trianon, ainda sem os tuneis da avenida 9 de julho.

Por conta disto ele foi transferido para o Parque do Estado, no bairro da Água Funda localização considerada mais apropriada dentre as cogitadas, já que ainda hoje possui mais de 900.000 m² de Mata Atlântica, e onde nasce o histórico riacho do Ipiranga.

Assim, em 24 de abril de 1941 ocorreu a reinauguração do Observatório, em novo endereço, que passou a ser também a sede do Instituto Astronômico e Geofísico (IAG) da Universidade de São Paulo. Após a transferência do instituto para a Cidade Universitária, o local passou a abrigar o Parque de Ciência e Tecnologia da USP (CienTec), onde por conta do apelo turístico, há visitas e palestras para escolas e visitantes.

O Observatório da Avenida Paulista funcionou por entre 1912 até 1928, onde além das próprias atividades astronômicas e Meteorológicas era também a residência de Belfort Mattos, seu proprietário.

Entre 1916 e 1957, o Belvedere Trianon mostrando ao fundo o Observatório.Neste local será construido o MASP.

Entre 1916 e 1957, o Belvedere Trianon existiu, tendo ao lado do Observatório (ao fundo) até 1928. Neste local foi construido o MASP.

Ele faleceu em 1928 não deixando descendentes, e com isso a propriedade foi absorvida pelo Estado e o prédio demolido em seguida dando espaço à rua Itupeva (atual Rua Professor Otávio Mendes, ao lado do MASP), quando integrou o projeto de ajardinamento do Belvedere Trianon com o sistema viário do Túnel 9 de Julho.

Com isso os equipamentos do Observatório foram transferidos para o novo Observatório Paulista que ficava na zona sul de São Paulo (atual IAG-USP), no mencionado Parque do Estado.

O Cometa de Halley em sua passagem de 1910, foi um dos eventos inspiradores para a concretização do Observatório oficial da cidade, que passou a divulgar posteriormente informes científicos ao público sobre aquele fenômeno astronômico. O Dr. Belfort de Matos realizava suas observações astronômicas antes de tornar oficial o Observatório de São Paulo, além de ser o responsável pela a organização de um sistema de hora certa para a cidade, que já  se tornava uma necessidade para São Paulo devido ser uma cidade de muito dinamismo.

Documentos históricos relatam o ano de 1910 na escolha do local Observatório de SP, no chamado alto da Av.Paulista ao lado de um “espigão” a 815m de altitude, denominado Terraço da Bela Vista, conhecido como Belvedere Trianon, hoje ocupado pelo MASP.

O Dr. Belfort de Matos e o Observatório ainda presenciariam neve na capital paulista no início do século passado, algo impensável nos tempos atuais pelo menos por enquanto.

Uma frente fria, em junho de 1918, fez com que a temperatura caísse para 12°C negativos no planalto, e na Avenida Paulista, além do congelamento da água exposta ao relento e em depósitos de pequena profundidade, teve queda de neve em pequena quantidade.

Outras cidades do estado tiveram o abastecimento interrompido porque a água congelou nos encanamentos.

Se ainda existisse o Observatório de São Paulo, conhecido como Observatório da Avenida, estaria exatamente ao lado do MASP.

Se ainda existisse o Observatório de São Paulo, conhecido como Observatório da Avenida, estaria exatamente ao lado do MASP.

Sobre esta rua, que desce aos túneis da Av. 9 de julho, existiu um Observatório Astronômico

Sobre esta rua, que desce aos túneis da Av. 9 de julho, existiu um Observatório Astronômico


Dados/Imagens:

  • IAG-Instituto Astronômico e Geofísico da Universidade de São Paulo
  • Arquivo Histórico de São Paulo
  • Wiki-Observatório de São Paulo
  • Google Street View

Sugestões para ver:


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