Algo está acontecendo com a mancha vermelha de Jupiter…

Se Saturno ostenta seus belos anéis, se a Terra mostra-se toda azul como destaque maior, Jupiter tem em sua tempestade vermelha que se traduz numa mancha enorme sua “marca registrada” dentro de nosso sistema solar.

Ocorre que astrônomos amadores e a NASA tem detetado mudanças intrigantes em seu comportamento.

Aqui em nosso planeta, as tempestades nascem e depois desaparecem. No caso de Jupiter, embora tenha permanecido por centenas de anos , o famoso vórtice vermelho de Júpiter pode estar se aproximando do fim de sua vida, por mais estranho que possa parecer.

A Grande Mancha Vermelha, abreviada em GRS está ficando menor . O sistema já foi muito alongado, ao que o cientista da NASA Glenn Orton brincou certa vez: “poderia ter sido melhor referido como a Grande Salsicha Vermelha”. Orton acrescentou que o GRS está encolhendo a uma taxa bastante consistente. 

Recentemente, astrônomos amadores viram novas formações, em “lâminas” e “flocos”, saindo da Grande Mancha Vermelha. Alguns relatos chamaram isso de descascamento, enquanto especialistas não descreveriam essa atividade dessa maneira, mas que é muito fascinante de se assistir.

 Das Filipinas, o astrônomo amador Christopher Go observou uma extensão avermelhada no lado esquerdo desta tempestade girando no sentido anti-horário ao fotografar Júpiter em 17 de maio último. 

Ao sul, na Austrália, o astrônomo amador Anthony Wesley capturou uma dessas formas peculiares saindo do local dois dias depois, no domingo, 19 de maio e novamente na quarta-feira, 22 de maio.

 Enquanto lutam contra as condições climáticas terrestres para ficar de olho nas mudanças do local, a missão Juno da NASA a estuda perto da órbita. A sonda chegou a Júpiter em julho de 2016 e atualmente está mais próxima ao centro de Júpiter. As imagens capturadas em 17 e 18 pela Juno, também mostram algumas dessas formações escamosas.

Os flocos vermelhos duraram mais de uma semana. Isso está de acordo com um relatório enviado por John Rogers da Associação Astronômica Britânica, uma rede de astrônomos amadores, de 15 de maio.

Cientistas da missão Juno estão se preparando para estudar outros aspectos da Grande Mancha Vermelha quando a sonda sobrevoar novamente neste mês julho de 2019. .

Mas a missão notou essas formações de lâminas no passado. Orton disse que as “observações detetaram ‘flocos’ ou ‘lâminas’ de alta altitude destacando-se ao lado oeste da GRS”, acrescentando que este era um fenômeno raro até 2017.

“Alguns observadores insinuaram que essas “lâminas” foram induzidas pela chegada de vórtices em um jato ao sul da GRS, movendo-se de leste para oeste, entrando em uma área escura que é caracterizada por nuvens mais profundas, conhecidas como ‘Red Spot Hollow’. “, disse Orton. “Fiquem ligados, pois a região escura ao redor da GRS está crescendo e vamos ver o que acontece a seguir.”, afirma.

Você pode assistir a uma animação das mudanças GRS de Júpiter feitas por Shinji Mizumoto para a Associação de Observadores Lunares e Planetários no Japão aqui .

Sabe-se que a Grande Mancha Vermelha (GRS), descoberta em 1655, é uma grande tempestade que parece estar finalmente chegando ao fim de sua vida. O pessoal da NASA teve uma visão sem precedentes do enorme sistema de tempestades da mancha vermelha, quando a sonda Juno passou por ela a primeira vez. Neste momento estimou-se que seu tamanho era três vezes o diâmetro da Terra e sua temperatura em torno de 1500 graus Celsius no centro da GRS.

Dentro desta tempestade icônica estão os sistemas de furacões rodando gases a 425 milhas por hora, o que pode levar até seis dias para completar uma revolução devido ao seu vasto tamanho.

Isto  produz ondas de energia que vibram na direção em que estão girando, fazendo com que a atmosfera aqueça tremendamente.

Embora não esteja claro o que manteve a tempestade durante a maior parte de quatro séculos, os cientistas acreditam que ela está essencialmente se fortalecendo graças à energia gerada pelo calor.

Hoje os especialistas dizem que o tamanho está encolhendo mais rapidamente do que décadas passadas e agora tem 1,3 vezes o tamanho da Terra.

Embora não esteja ainda claro, que essas lâminas e flocos observados recentemente podem significar algo sobre a longevidade da Grande Mancha Vermelha, é certo que ela poderá desaparecer em 20 anos. 

Glenn Orton, da NASA numa entrevista em 2018 à imprensa especializada disse que o GRS “em uma década ou duas se tornará o GRC (C) e talvez algum tempo depois um GRM “Great Red Memory” 

Fato é que fóruns de observação planetária estão agitados com os acontecimentos interessantes na gigante do gás. Agora, a Grande Mancha Vermelha (GRS) está gerando atenção, graças a uma interação incomum com um vizinho chamado Cinturão Equatorial do Sul (SEB).

Nos últimos anos, o GRS ostenta uma rica cor laranja avermelhada, ainda mais distinta pela “cavidade” esbranquiçada que frequentemente a rodeia. Agora, um redemoinho escuro aumenta a diferença: o SEB parece estar puxando material da tempestade, criando uma ponte entre os dois eventos. Grandes laminas ou filamentos  de material da GRS, alguns deles com mais de 10.000 quilômetros, estão se afastando do famoso local aproximadamente uma vez por semana e se dissipando no turbilhão.

John Rogers, da Associação Astronômica Britânica, observa em seus relatórios recentes sobre Jupiter que:  “Tem havido muito interesse no surgimento de ‘flocos’ vermelhos ou metanos brilhantes que se destacam do extremo oeste da GRS – um fenômeno que como mencionado tem sido capturado por astrônomos amadores e pelo pessoal da NASA com a sonda Juno.

 

Teremos uma grande e rápida mudança naquilo que destaca Jupiter no sistema planetário…


Bibliografia/Fontes:

  • Phillips, Dr.Tony – Is the great red spot unraveling, SPACE WEATHER- May 2019
  • Walker, Sean – Jupiter´s Great Red  Spot Unfurls, SKY & TELESCOPE -May 2019
  • Martin, Sean – Jupiter Disaster….warn NASA, EXPRESS Science,UK – June 2019
  • Martin, Sean – Jupiter´s Great Red Spot will die within 20 years, EXPRESS Science,UK – Feb 2018
  • Salazar, Elin Doris – Amateur Astronomers see blades on Jupiter GRS, SPACE science & astronomy – May 2019