Entre a cruz e a espada…

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clauber-sousaO feriado de Corpus Christi de 1808, teve uma comemoração um pouco diferente das outras vezes. Nos tempos coloniais, os hábitos eram bem diferentes do atuais. O Corpus Christi daqueles tempos era o dia santo mais comemorado pela sociedade, envolvendo tanto civis como militares. Como a Igreja es­tava ligada ao Estado, eram os governantes das Capitanias do Brasil que coordenavam as festividades, tendo eles o duplo papel de governado­res e capitães-generais, pois governavam e comandavam as forças de segurança ao mesmo tempo.

O ponto alto dos festejos eram as procissões e verdadeiros desfiles militares. Por onde elas passavam, todos os moradores eram obrigados a caiar suas ca­sas, os muros, a enfeitar janelas e a ornar o chão com flores e fo­lhas. Tudo era festa. Só que numa dessas grandes paradas, naquele ano, os católicos que saíram às ruas de São Paulo viram a come­moração se transformar em pe­sadelo. Um pesadelo que atingiu cruelmente principalmente os mais humildes.

O príncipe regente D. João, futuro D. João VI, acabara de chegar no Brasil. Ti­nha fugido de Portugal depois que seu país fora invadido pe­las tropas do imperador Napoleão Bonaparte, da França. Em represália, o futuro rei de Por­tugal ordenou que a Guiana Francesa fosse anexada ao mapa brasileiro. Em seguida, resolveu invadir a Província Cisplatina, ou Banda Oriental, como era conhecido o Uru­guai, então parte integrante do Vice-Reinado do Prata. Pior para os paulistas, pois D. João decidiu que a maior parte da tropa que combate­ria os uruguaios seria recru­tada em São Paulo.

O governador e capitão-general de São Paulo, Antô­nio José de Franca e Horta, foi incumbido da missão quando viajou a Capital Federal na época (Rio) para cumpri­mentar a família real fujona. Ele resolveu, então, fazer o re­crutamento compulsório nas comemorações do Corpus Christi, que atraíam morado­res de toda a Capitania. Para garantir um fluxo ainda mai­or de fiéis, Franca e Horta re­solveu organizar a mais des­lumbrante festa de que se ti­nha notícia em São Paulo.

abertura

Foi um sucesso. Terminada a procissão, as autoridades con­vidaram a população para dar sequência aos festejos na praça do Palácio do Governo, no Pá­tio do Colégio. O povo caiu na armadilha. De repente, surgiram tropas de infantaria fechando os becos que conduziam à praça, bloqueando todas as saídas, e postando-se também nas portas das casas, para que ninguém tentasse pedir refúgio aos seus moradores.

Franca e Horta, que governou São Paulo de 1802 a 1811, contemplava da ja­nela do palácio o desespero da massa que, de um momento para o outro, se viu entre a “cruz e a espa­da”, literalmente.

Todos os homens recru­tados à força de baionetas foram levados para o pátio do quartel, ali próximo, no parque D. Pedro II. Lá, passaram a noite toda, suportando o frio que já começava a se manifes­tar naquela época do ano.

No dia seguinte, houve uma inspeção de todos os sequestrados e só foram excluídos do recrutamento os idosos e deficientes fí­sicos. Os demais foram imediatamente alistados na Legião de São Paulo, receberam uniformes e começaram a ser treinados no manejo das armas para seguir rumo ao Sul. Em outras localidades da Capitania, autoridades instruí­das por Franca e Horta aplica­ram golpes semelhantes na fes­ta do Corpus Christi, usando de todos os meios para recrutar o máximo de indivíduos para en­frentar os platinos. Tudo com a complacência da igreja, então uma das “donas” da festa religiosa.

Não se es­queceram nem de recrutar todo tipo de vagabundo, para elevar o contingente. Na­queles tempos, aliás, não era um bom negócio ser vadio, pois este não tinha o direito de ir e vir, como é assegurado hoje pela Constituição. As au­toridades policiais vivi­am de olho neles e quan­do havia faltas na tropa botavam-lhes uma farda e os mandavam para a li­nha de frente.

Nos diferentes pontos da Capitania, onde já não havia mais vadios para serem re­crutados, foram utilizados trabalhadores da lavoura, in­dústria e outras atividades produtivas. O resultado foi a escassez de mão-de-obra para a produção, com a consequente queda nas ati­vidades econômicas. Mui­tos povoados da Capitania, depois Província de São Paulo, entraram num pro­cesso de estagnação.

 

Sonho antigo

Anexar o Uruguai ao Brasil era um so­nho antigo dos portugueses, mas foi D. João que decidiu levar esse projeto à frente, a qualquer pre­ço. Três anos depois do recruta­mento forçado no dia de Corpus Christi, a Legião de São Paulo foi ao Sul para ajudar os espanhóis, que tentavam a todo custo conter a independência do Uruguai. Nessa ocasião, a ação dos pau­listas se limitou a travar algumas escaramuças com os uruguaios.

Em 1816, Portugal invadiu novamente a Banda Oriental, desta vez para defender unica­mente seus interesses. A Le­gião de São Paulo se destacou nas batalhas de Yapeju, Ibirocaí, Carumbé e Arapeí-CataIhão. Um de seus grandes no­mes foi o major Diogo Arouche de Morais Lara, que acabaria morrendo em São Nicolau, nas Missões, em 1819, ao tentar to­mar a praça ocupada pelos ho­mens de José Artigas, o herói da independência do Uruguai.

dpedroOs uruguaios foram esmaga­dos na batalha de Taquarembó, em 22 de janeiro de 1820, e seu terri­tório acabou sendo anexado ao Brasil, passando a se denominar Província Cisplatina. A Legião de São Paulo lutou em todas as bata­lhas daquela guerra, fornecendo contingentes superiores aos de outras províncias, inclusive ao do Rio Grande do Sul, cujo territó­rio vivia sendo invadido pelas tropas de Artigas. Nesses con­frontos, muitos paulistas recru­tados na marra por Franca e Hor­ta e outros voltaram mutilados.

Entre 1825 e 1828, quando os uruguaios travaram a guerra de sua independência, mais sol­dados de São Paulo foram con­vocados para lutar contra as tro­pas do general Artigas. A cam­panha militar, entretanto, não era vista com bons olhos pela popu­lação brasileira, o que contribuiu para a renúncia de D. Pedro I, o fundador do Império, em 7 de abril de 1831. Três anos antes, em 1828, o Uruguai havia con­quistado a independência.

 

Lutas Seculares

Portugal e Espanha dispu­taram a posse de terras na Amé­rica do Sul, incluindo o Uru­guai, desde o início do século 16. Em 1494, os dois países fir­maram o Tratado de TordesiIhas, que estabeleceu uma li­nha imaginária, a 370 léguas a oeste do arquipélago de Cabo Verde, como suas fronteiras de ocupação no Novo Mundo e tudo o que estivesse a Oeste seria espanhol; tudo o que es­tivesse a Leste, português. De­pois do descobrimento do Bra­sil, contudo, os lusitanos per­ceberam que tinham feito um péssimo negócio, pois o me­ridiano de Tordesilhas corta­va o Brasil pela metade, de Belém a Laguna (SC). Deci­diram, então, ignorar o acor­do com os espanhóis.

As lutas começaram com os bandeirantes, desde Santa Catarina até o Uruguai, e mais para o interior do continente. Como o Uruguai parece um prolongamento natural do Brasil e aquela região havia sido explorada inicialmente por navegantes portugueses, a coroa lusitana se apressou em implantar um posto avançado à margem esquerda do rio da Prata, fundando Colônia do Sacramento, uma iniciativa de D. Manuel Lobo, em 1680.

Os espanhóis baseados em Buenos Aires não tarda­ram a reagir, fundando Mon­tevidéu, em 1726. Em conse­quência de conflitos e trata­dos diversos entre os dois países, Colônia do Sacra­mento passou das mãos dos portugueses para as dos es­panhóis, e vice-versa, até que a região dos Sete Povos das Missões, hoje território gaúcho, foi entregue aos portugueses, em 1750, em troca do enclave luso no Uruguai. Os índios das Mis­sões, catequizados pelos jesuítas, se recusaram a sair e então exércitos dos dois países se uniram para massacrá-los. Depois, en­tretanto, os espanhóis reto­maram as Missões.

As disputas prossegui­ram até as guerras napoleônicas, no final do século 18 e início do seguinte, quando as colônias espa­nholas da região do Prata vislumbraram a chance de se tornar independentes. Em 1810, quando Napoleão Bonaparte prendeu o rei da Espanha, Carlos IV, pai de Carlota Joaquina, o Vice-Reinado do Prata declarou sua independência, dando início a uma série de con­flitos que só terminaria quase 20 anos depois.

O pequeno Paraguai foi o primeiro a se tornar indepen­dente, em 1811. Em 1816, foi a vez da Argentina. No Uru­guai, o processo foi mais de­morado. Seu condutor foi o general José Artigas. Hábil militar e político, ele teve de combater espanhóis, portu­gueses, brasileiros e até os argentinos, que, apesar de terem ajudado os uruguaios, sonhavam em anexar seu ter­ritório. Os conflitos só che­garam ao final em 1828, quando o Uruguai conquis­tou sua independência. Além de terem surrado todos seus adversários, os uru­guaios contaram ainda com o apoio da Inglaterra, que ti­nha grandes interesses na re­gião e defendia a criação de um Estado-tampão entre Brasil e Argentina.

Embora o título do post seja uma frase popular muito usada, de origem na Idade Média quando ocorreu o período da Inquisição, ou “Santa Inquisição”, que tratava-se um tribunal religioso comandado pela igreja católica, que prendia, julgava e geralmente executava os hereges, e os não cristãos, fanatismo que percorreu quase toda a Europa e o oriente médio, “convertendo” por bem ou por mal os não cristãos, e queimando os “bruxos”, a frase teria seu significado de quem não se convertesse à cruz, tinha que encarar o fio da espada. Aceitar a cruz, significava a conversão e a outra opção seria a espada.

Esta expressão chegou até os nossos dias e é utilizada quando uma pessoa está diante de um dilema, de uma situação muito difícil onde é “necessário uma decisão”, mas os paulistas daquele período colonial já eram cristãos e assim eram aceitos mas tiveram que encarar sem escolha nenhuma as espadas governamentais para serem recrutados para a guerra. Vale portando o mesmo dito popular: “Entre a cruz e a espada”….compulsoriamente ambos…


Bibliografia/Fontes:

  • Schwarcz, Lilia Moritz – As barbas do Imperador, Companhia da Letras – 1998 – São Paulo.
  • Wegner, Felipe Henrique – A Mobilização Militar Catarinense na Guerra do Paraguai, UFSC – 2010 – Florianópolis
  • Alves, Odair Rodrigues – Entre a cruz e a espada, JÁ Diário Popular #30 – 1997 – São Paulo
  • Ilustração inicial: Clauber Sousa

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Kecksburg, um refinado Roswell ?

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Um grande evento aconteceu em 09 de dezembro de 1965 onde uma enorme e brilhante “bola de fogo” foi vista por milhares de pessoas em seis estados ao norte do EUA e em Ontário no Canadá.

O chamado Incidente Kecksburg (uma cidade da Pensilvânia), foi um objeto não identificado que, supostamente, riscou os céus dos dois países e largou restos de metal quente sobre Michigan e no norte de Ohio. A bola de fogo provocou incêndios e explosões sônicas na área metropolitana de Pittsburgh

Certamente de imediato alguns especularam que se tratava de um OVNI, no entanto, como de praxe o governo dos Estados Unidos declarou oficialmente ser apenas um meteoro.

As cenas da ocorrência eram idênticas as representada no filme “Guerra dos Mundos” de 1953, obra clássica de H.G.Wells.

Uma ilustração do objeto que caíu em Kecksburg em 1965, baseada nos depoimentos das testemunhas

Uma ilustração do objeto que caíu em Kecksburg em 1965, baseada nos depoimentos das testemunhas


É claro que a primeira explicação dada pelas autoridades, não convenceram ninguém e então outras explicações surgiram como sendo um teste de avião, um teste de míssil errante, ou detritos de um satélite, uma nave alienígena e até os restos da Kosmos 96, uma sonda espacial soviética que se destinava a Venus, falhou e nunca mais saiu da atmosfera da Terra.

Mas apareceram testemunhas tal como aconteceu em Roswell, no Novo México anos antes. Eram testemunhas oculares, naquela pequena Kecksburg, que fica a uns 30 quilômetros ao sudeste de Pittsburgh, que avistaram algo caindo na floresta. Algumas pessoas relataram a descoberta de um objeto em forma de uma bolota, do tamanho de um VW. Outras afirmam que o objeto teria caracteres que se assemelham com hieróglifos egípcios e sua forma era de um sino. Um menino disse ter visto o objeto já em terra e sua mãe viu uma nuvem de fumaça azul emanados das imensas árvores e alertou as autoridades a respeito.

Outros relatos informaram sentirem grande vibração quando o objeto chocou-se com o solo. Muitos outros relatos incluindo os membros do departamento de bombeiros e voluntários locais relataram as mesmas histórias.

O destaque que todos observaram era de fato uma escrita na borda da “bolota” assemelhada a hieróglifos egípcios. Ainda relataram uma intensa presença militar, principalmente o Exército dos Estados Unidos, que isolaram a área e obrigaram todos os civis a abandonar o local, removendo o objeto e demais “pistas” da ocorrência. Pouco tempo depois em declarações à imprensa e a comunidade local, os militares alegaram que procuraram na floresta e não encontraram absolutamente nada.


O documentário do The History Channel, que investigou e entrevistou  pessoas que presenciaram o incidente em 1965


Um periódico “Tribune-Review” que tinha um repórter nas proximidades do local publicou um artigo na manhã seguinte, “objeto voador não identificado cai perto de Kecksburg. O artigo continua, “O objeto pousou e a área foi isolada imediatamente na ordem do Exército dos EUA e pelas forças policiais, alegando a necessidade de uma ” inspeção rigorosa” do que quer que tenha caído; A polícia ordenou o isolamento da área e retirou todos para esperar a chegada prevista de dois engenheiros do Exército, possivelmente, cientistas civis, informava o Tribune.

No entanto na edição posterior do jornal afirmou que nada tinha sido encontrado pelas autoridades quando vasculharam a área depois.

A presença de militares, removendo as evidencias da ocorrência, fizeram do incidente mais um despertar que algo mereceria a tarja de "top secret" privando a verdade dos fatos e gerando toda uma série de especulações que perduram ate hoje.

A presença de militares, removendo as evidencias da ocorrência, fizeram do incidente mais um despertar que algo mereceria a tarja de “top secret” privando a verdade dos fatos e gerando toda uma série de especulações que perduram ate hoje.

Depois de quase três décadas mais precisamente em 1990 o The History Channel, produziu um documentário denominado “O OVNI de Kecksburg”, tendo como base o material que Robert R. Young investigou sobre o assunto através de um artigo “Old-solved mysteries: The Kecksburg incident”, publicado na “The Skeptical Inquirer Magazine” (#3, vol. 15, páginas 281-285).

De modo resumido o documentário explora o acontecimento de 09 de Dezembro de 1965 nos arredores da vila de Kecksburg, na Pensilvânia, no qual os habitantes afirmaram ter visto um objeto de metal, com um estranho hieroglífico inscrito num lado, que ficou meio enterrado no chão. Para eles, o fato de tanto a polícia local como a Guarda Nacional e o Exército terem comparecido no local do impacto, levando o objeto para ser estudado, confirma que aconteceu alguma coisa excepcional. Outros habitantes que não presenciaram ou sentido o fato, claro zombaram da situação e afirmaram apenas se tratar de suposições fantasiosas.

O documentário realça também, que até hoje no entanto, após toda a documentação apresentada pelo governo ter sido analisada, as únicas provas que parecem existir prendem-se com o fato do objeto que caiu nada tem a ver com qualquer sonda russa. Contudo, para os Ufólogos e para os moradores de Kecksburg, ainda restam muitas perguntas sem respostas.

Um objeto metálico grande em forma de sino foi dito pelo programa Unsolved Mysteries da NBC considerando tudo que se coletou de informações do incidente de Kecksburg. Depois que a história foi ao ar, o show doou o modelo para a cidade, e ele foi instalado em cima de um pedestal na sede do Corpo de Bombeiros local. Ele está exposto com os aparatos de iluminação para manter a lembrança do caso, outrora escondido em algum canto dos Estados Unidos.

O sino com seus hierógrifos. Segundo as testemunhas era do tamanho de um VW sedan (Fusca). A construção da réplica foi feita pelos investigadores da NBC e doada para o vilarejo de Kecksburg

O sino com seus hierógrifos. Segundo as testemunhas era do tamanho de um VW sedan (Fusca). A construção da réplica foi feita pelos investigadores da NBC e doada para o vilarejo de Kecksburg

Estes documentários não foram as únicas ocasiões que o assunto esteve em evidencia. Outras publicações, mídia e até a NASA foram envolvidos para falar algo sobre o acontecimento:

Sky and Telescope Magazine

Foi uma das publicações cientificas que se manifestaram sobre a bola de fogo.

A edição de fevereiro de 1966 relatou que uma bola de fogo foi vista sobre a área de Detroit-Windsor as 16:44h a leste. A Administração Federal de Aviação recebeu 23 relatórios de pilotos de aeronaves no mesmo horário. Um sismógrafo situado a 25 milhas ao sudoeste de Detroit tinha gravado as ondas de choque criadas pela bola de fogo já quando ela atravessava a atmosfera. O artigo Sky & Telescope concluiu que “o caminho da bola de fogo se estendeu de noroeste a sudeste” e terminou “em direção aproximada da parte ocidental do lago Erie.”

JRASC-Journal of the Royal Astronomical Society do Canadá

Um artigo de 1967 feito por dois astrônomos do Jornal da JRASC também fez um registro sismológico para identificar o momento da passagem sobre a área de Detroit as 16:43h.

Embora os dados da JRASC tivessem conflitos com o da Sky and Telescope, a devida correção dos erros de medição e observação, levariam a uma trajetória em linha reta para a área de Kecksburg e um ângulo muito mais raso de descida do que relatado no artigo JRASC.  As correções foram possíveis graças ao uso de fotos que registraram a “cauda” da bola de fogo tornando-se progressivamente mais fina, sugerindo movimento em direção da Pensilvânia.

John Murphy da WHJB

Diretor e repórter da estação de rádio WHJB local, John Murphy, chegou ao local do evento antes das autoridades, em resposta a chamadas para a estação de vários cidadãos alarmados. Ele fez fotografias e realizou várias entrevistas com as testemunhas. Sua ex-mulher Bonnie Milslagle disse mais tarde que quase um rolo do filme foram confiscados pelos militares. O gerente da WHJB Mabel Mazza descreveu que em uma das imagens estava muito escuro com várias árvores caídas e ao redor de tudo e em uma outra havia uma “coisa” no formato de cone, algo que nunca havia visto.

Nas semanas seguintes escreveu um documentário sobre o incidente para a rádio, mas antes que pudesse colocar no ar, Murphy recebeu uma visita inesperada na estação de dois homens de terno preto que se identificaram como funcionários do governo. Eles pediram para falar com ele em algum lugar a portas fechadas.

A reunião durou cerca de 30 minutos. Uma funcionária da WHJB, Linda Foschia, informou que os homens confiscaram algumas das fitas de áudio de Murphy.

A partir daquela noite também ninguém sabe o que aconteceu com as fotografias restantes. Uma semana depois da visita, Murphy agitado, foi ao ar com uma versão censurada do documentário, informando que a divulgação de trechos o colocaria em apuros com a polícia e com o exército.

A nova versão não revelava nada, e não mencionava o famoso objeto. A esposa de Mazza, e o próprio Murphy, lembram que o documentário que foi ao ar era totalmente diferente do que Murphy tinha originalmente escrito, claro por imposição da censura militar.

Após esta exibição, Murphy tornou-se estranhamente desanimado e parou completamente toda a investigação sobre o caso e se recusou a falar sobre isso novamente com qualquer um, sem nunca dar as razões do porquê, mas era claro para os outros a razão do silêncio. Curiosamente em fevereiro de 1969, Murphy foi envolvido num acidente, foi atingido e morto por um carro não identificado que o atingiu e fugiu em seguida. O misterioso acidente ocorreu perto de Ventura, Califórnia, enquanto Murphy estava de férias.

A NASA e a Kosmos96

Houve alguma especulação feita por James Oberg da NASA que o objeto do Incidente de Kecksburg poderia ter sido a queda de restos da sonda soviética Kosmos 96.

Ela tinha também o formato de um sino semelhante ao observado pelos moradores de Kecksburg embora a sonda fosse bem menor do que o objeto que caiu.

No entanto, depois de mais de duas décadas, em um relatório de 1991, a US Space Command concluiu que Kosmos 96 caiu no Canadá as 03:18 do dia 09 de dezembro de 1965, portanto 13 horas antes de uma bola de fogo cair em Kecksburg.

Além disso, numa entrevista em 2003, o cientista chefe de detritos orbitais Nicholas L. Johnson da NASA (Johnson Space Center) afirmou:

“Posso dizer-lhe categoricamente, que não há nenhuma maneira de afirmar que quaisquer detritos da Kosmos 96 tenha caído na Pensilvânia em torno das 16:45h, Isto é uma conclusão absoluta considerando os rigorosos dados de mecânica orbital”.

2003: O Sci Fi Channel reinvestiga o caso

Em 2003, o Sci Fi Channel patrocinou um estudo científico da área e dos registros relacionados pela CFI (Coalition for Freedom of Information). A descoberta mais significativa da equipe científica foi uma linha de árvores danificadas, quebrados no topo que leva ao local onde algumas testemunhas oculares viram o objeto injetado ao solo junto com vários galhos e arvores danificadas. Além disso, a datação de várias amostras de árvores danificadas tem como resultado 1965. Esta evidência física de danos na mata revela também que houve sim a retirada de um objeto do local, além do próprio dano caudado pela queda. Perturbações no solo também foram encontradas no local do alegado pouso. Outra testemunha relatou ouvir gritos horríveis e falas altas dos membros das forças armadas presente no local.

Neste mesmo ano houve uma pressão para a NASA liberar documentos pertinentes sobre o assunto. Porém cerca de 40 páginas apenas foram divulgadas em 1 de novembro de 2003, mas sem revelar nada conclusivo. No entanto, existem documentos do Projeto Blue Book da Força Aérea, indicando que uma equipe de três homens foi enviada a partir de uma instalação da Força Aérea perto de Pittsburgh para investigar o acidente, porém artigos de jornais da época relataram que esta investida documentada no Projeto Blue Book informava que nada tinha sido encontrado.

Em 2005 a NASA diz que UFO é satélite russo

Em dezembro de 2005, pouco antes do 40º aniversário do acidente Kecksburg, a NASA divulgou uma declaração no sentido de que eles tinham reexaminado fragmentos metálicos do objeto e agora a hipótise de ser a Kosmos era um fato verdadeiro. O porta-voz ainda afirmava que os registros relacionados tinham sido extraviados. De acordo com uma matéria da Associated Press:

“O objeto parecia ser um satélite russo que reentrou na atmosfera e se separou. Os especialistas da NASA estudaram os fragmentos dos objetos, mas não encontrou registros deles que estavam perdidos na década de 1990.

Como regra, a NASA não rastreia OVNIs (?!?!?!). O que poderíamos fazer e o que fizemos como especialistas a respeito do objeto da década de 1960, foi para dar uma olhada em tudo e dar a nossa opinião de especialistas, encaixotando [o caso]. Infelizmente, os documentos comprovativos foram perdidos”. David Steitz

Com isto, esta alegação contradiz o que o jornalista Leslie Kean em 2003 obteve durante entrevista a Nicholas L. Johnson, cientista-chefe da NASA para detritos orbitais, que como parte do novo inquérito aberto pelo Sci Fi Channel reavaliando órbitas de todos os satélites e outros registros conhecidos do período em 1965. Johnson disse que a mecânica orbital tornou absolutamente impossível qualquer parte da sonda Venus Kosmos 96 ter sito contabilizada como sendo a bola de fogo ou qualquer objeto do incidente Kecksburg. Também afirmou Johnson não haver outros satélites feitos pelo homem que tenham reentrados na atmosfera naquele dia.

De fato a perda de documentos e outras manifestações do pessoal da NASA envolvidos no caso mostraram sempre conflitos e desacertos, com o claro objetivo de “cozinhar” informações e não se expor de forma conclusiva a respeito do assunto, que até então sempre se soube esteve na mão de militares (Força Aérea). A NASA viria ainda a se manifestar a este respeito mas sempre pisando “em ovos” e ….quebrando todos eles…

Em 2008-Nazi UFO Conspiracy um documentário do Discovery Channel

Neste ano o documentário tentou estabelecer ligações entre o objeto Kecksburg com o suposto UFO nazista chamado Die Glocke ( “The Bell”, também conhecido como “The Bell nazista”), feito por Joseph P . Farrell.

Em fevereiro de 2009, programa UFO Hunters do The History Channel

UFO Hunters, reviu incidente de Kecksburg, tentando estabelecer uma conexão com caso semelhante que aconteceu em Needles, Califórnia. Eles entrevistaram testemunhas, utilizado equipamento científico não disponível em 2003 (inquérito do Sci-Fi Channel), mas não encontraram mais informações do que anteriormente tinha sido descoberto. O tema principal do programa foi de uma grande presença militar e encobrimento.

Outras investigações foram conduzidas pelo programa Ancient Aliens do mesmo History Channel em 2011 que propõe que a embarcação encontrada foi mesmo a Die Glocke. O programa investigava evidências e especulações de que a oficial da SS nazista Hans Kammler pode ter usado Die Glocke como um meio de escapar Forças Aliadas durante os últimos dias antes do Dia D através de viagem no tempo, e acabou com pouso forçado em Kecksburg anos depois do fim da guerra e integrando-se na América do pós-guerra. Fantasioso, mas frente a tantas investigações que se estabeleceu ficou também este registro.


É evidente que ufólogos estariam no caso, já que objetos caindo do céu e militares escondendo evidências é tempero para especulações, teorias de conspiração e outras simulações, que a comunidade ufológica prefere tratar apenas como mais um incidente de UFO, o UFO de Kecksburg.


Mas isto é o incidente de Kecksburg, algo grandioso que aconteceu que está se perdendo com o tempo devido a morte de seus protagonistas e documentos e imagens que não se sabe onde estão, o que faz deste acontecimento algo mais refinado do que Roswell já que os detalhes do objeto que foram capturados serviu para fazer o modelo exposto no vilarejo de Kecksburg.

Por conta do que os moradores presenciaram e relataram na época e com as sucessivas negações das autoridades é que certamente continua sendo um “Unsolved Mystery” muito bem relatado pela NBC na época.


kecksburg

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