Uma caravela na avenida…

2

Os mais nostálgicos se lembrarão. Nas décadas de 70 a 90, uma estranha construção se apresentava numa das mais movimentadas avenidas de São Paulo.

A caravela da Avenida 23 de Maio, nos anos 70 (Foto: Domício Pinheiro)

Considerada uma das paulistices a Caravela, parecida um galeão espanhol, bem ao estilo das embarcações do século XVII, permaneceu estacionada na Av. 23 de Maio com a Rua Joinville, na Vila Mariana por 25 anos. A bizarra construção, amada por uns e odiada por outros, confrontava com a dinâmica do local, cercada por residências e prédios residenciais, o Obelisco do Ibirapuera e o moderno edifício sede da IBM Brasil, além claro da congestionada avenida que ligava o norte ao sul da cidade.

A curiosa embarcação fora construída em 1970, no número 3001 da avenida, bem próximo ao viaduto Tutóia.

Em seus conferidos 4500 metros quadrados, surgiu restaurante temático, justificado pelo nome, que era “A Caravela”. Por assim ser os pratos principais eram frutos do mar. Usando o poder gastronômico da cidade de São Paulo, fez muito sucesso por 14 anos. Recebia clientes de toda a cidade, turistas, muitos dos quais que circulavam pelo edifício sede da IBM. Se seus frequentadores adoravam o local, a opinião de quem circulava externamente achava que a caravela era muito surreal ou uma aberração urbana naquela região nobre da cidade.

Mas em 1984, o local como restaurante foi abandonado e aproveitando onda musical (dancing music) dos anos 80 que se tornaram febre em toda a cidade, a caravela se tornou uma danceteria.

Com uma reforma de quase 500 mil dólares, o lugar ficou mais sofisticado: Teve a parte central da embarcação fechada e quando inaugurada em setembro de 84, tinha um lago artificial onde podia-se andar de barco, um bosque de pinheiros, salão de jogos em seus subterrâneos, uma pizzaria, um restaurante para aproximadamente 200 pessoas e duas vitrines, com um professor de ioga e uma mulher vestida de sereia.

Passou a se chamar “Latitude 3001”, já que o número era seu endereço na famosa avenida. Não eram incomuns, também, apresentações com atores caracterizados que simulavam duelos e ataques de piratas em todos os ambientes da casa.

Muitos conhecidos tocaram no Latitude, entre eles a não menos surreal cantora alemã Nina Hagen. A casa representava bem o som dançante dos anos 80, com muito Synthpop, Pop, New Wave, House e Pop Rock. Nomes nacionais também circularam por lá, como a Banda Metrô, Capital Inicial, Barão Vermelho, etc.

A danceteria, contudo sobreviveu por quatro anos até 1989, já que a onda do Dancing Music com a febre das danceterias que abriram freneticamente em grande quantidade, sumiram na mesma velocidade.

No final de década de 80, uma nova onda musical dominava o Brasil, a lambada e então aconteceu uma última tentativa para usar o espaço da caravela como espaço de entretenimento para esta nova onda. Com um novo nome “Lamba Reggae”, tentou-se aproveitar o novo momento.

Mas se as danceterias duraram 4 anos, a onda lambada durou apenas alguns meses, e a Caravela ficou decadente, virando uma casa de material de construção e depois um lava-rápido até seus últimos dias. Em 1995 foi totalmente demolida e em seu terreno foi construído um luxuoso hotel, cujos hóspedes mais ilustres foram os jogadores da seleção brasileira que abriram a Copa 2014.

No local da Avenida após a demolição da Caravela, surgiu um grande hotel (à direita)

O “afundamento” da Caravela colocou fim a uma das mais estranhas histórias de edificações da cidade de São Paulo.


 

O 16º Ato: um inimigo se revela…

1

No último dia 15 de novembro, milhares foram as ruas nas capitais do país, desta vez numa única bandeira, a do intervencionismo, motivados pelas mazelas política e administrativa do Brasil.

General Mourão, homenageado na Avenida Paulista.

Avenidas, ruas e praças interditadas como em manifestações anteriores, para permitir os protestos e quase numa ação de imploração solicitar a intervenção militar no país prevista pelo artigo 142 de nossa constituição.

Não faltam motivos para isto, pois as notícias dos últimos anos têm nos levado a angustias e frustrações, marcadas por corrupção, impunidades, instituições degradadas jogando o país num rumo caótico. Os cartazes, placas e faixas dos manifestantes presentes e ainda as canções e refrões usadas em outras manifestações retrataram todas estas angustias e frustrações com a razão de ser.

Manifestantes intervencionistas, representando grande parte da população brasileira, sempre estiveram presentes nas outras 15 grandes manifestações que ocorreram a partir de 2014, mas nesta do dia 15/11 o número de participantes foi recorde trazendo uma grande revelação, a mídia omissa.

Manifestações que não da esquerda que se apoderou do país nas últimas três décadas, sempre foram marginalizadas pela mídia, mas nesta do dia 15 último nenhuma linha impressa ou falada foi publicada, mostrando claramente o lado em que ela se encontra, revelando parcialidade e manipulação dos fatos pela omissão em não noticiar. Como diz o título, revelou-se com um inimigo dos fatos que ocorreram em sintonia e por grandes motivações.

Tal omissão, ocorreu em todas as mídias, impressa, rádio-TV, portais da web. Mas nas redes o assunto correu solto, não só mostrando as manifestações mas também as severas críticas em não mostrá-las pelos canais tradicionais de informação.

Um outro fato lamentável ocorrido, foi em São Paulo, na Avenida Paulista, local dos protestos, cujas estações de metrô foram fechadas durante o ato numa atitude deplorável de quem tivesse este poder, prejudicando o acesso à avenida. Mas não impediu que grande quantidade de pessoas chegassem na manifestação, mas em horários mais espaçados.

Certamente com estas dificuldades provocativas, nenhuma estatística de presentes foi realizada como em atos anteriores, limitando-se os organizadores a superestimar o tamanho do protesto. Falavam em 1 milhão na Avenida, mas não atingiu isto. Foi contudo, a maior manifestação a favor de uma intervenção militar desde 1964.

Seja como for, mais um recado foi dado pela população que deve evoluir nas próximas concentrações, pois não se aguenta mais tantas mazelas afundando o país. A mídia tradicional se omitiu mas as redes sociais cumpriram um grande papel informativo, incluindo vídeos, fotos, ações de blogs (como esta que fazemos aqui), aliás como aconteceu em situações anteriores.


Momentos da manifestação em várias praças do Brasil documentados pelas redes sociais, blogs, conforme relação abaixo.


Fontes, Redes sociais e canais:

Canal Universo, Eu quero intervenção, Lava Jato, eu apoio, Edson Borges, Alfredo Junior, Gracinha Felix, Lalado Silva, Marta Serrat, Michael Werneck, Rigo Vegano, Acervo pessoal.


Relembre todos os atos cívicos:


Go to Top