Chernobyl: sarcófagos, fauna e turistas…

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Já se vão mais de 32 anos desde a explosão do reator 4 da Usina de Chernobyl, na Ucrania. Os cenários fantasmagóricos continuam na região e muitos trabalhos e pesquisas foram e tem sido realizados para verificar os impactos do desastre nestes anos e o que se reserva para o futuro.

Claro que numa primeira ação foi necessário correr contra o tempo para estancar a sangria radioativa e neste particular investiu-se em sarcófagos gigantes de contenção.

Um gigantesco sarcófago:

O quarto maior reator da usina nuclear ucraniana de Chernobil, causador da maior catástrofe atômica da história em 1986, deixou de ser uma ameaça pelos próximos cem anos, já que em 2016 recebeu um sarcófago novo, gigantesco e confiável. Apesar disto espera-se que a monitoração continue, principalmente próximo ao vencimento deste prazo.

Numa incrível façanha de engenharia, a gigantesca estrutura que foi financiada pelo Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento, o reator foi inteiramente coberto.

A estrutura em forma de arco, com 110 metros de largura, 150 de altura e 256 de comprimento com um peso de mais de 30.000 toneladas, foi erguida a 180 metros do reator danificado, que era protegida por um primeiro sarcófago de concreto, instalado imediatamente após o acidente nuclear em 1986.

Este novo sarcófago, construído pelo consórcio francês Novarka custou aproximadamente 1,5 milhão de euros e foi instalado sobre o reator através de um exclusivo e engenhoso sistema ferroviário.

O novo sarcófago possui guindastes movidos a controle remoto, que, ajudarão a remover o teto do antigo, que, segundo a monitoração, está em mau estado e corre o risco de desabar.

Essa é a maior estrutura móvel já construída pela humanidade”, disse o então Presidente da Ucrânia, Petró Poroshenko, na cerimônia para comemorar a instalação do novo sarcófago.

O chefe de Estado destacou que “uma coalizão de 28 países ofereceu suporte à Ucrânia no projeto, fornecendo pouco mais de 1,4 milhão de euros para a construção”. Exclamava Poroshenko na ocasião “todo o mundo pode ver o que a Ucrânia e o mundo puderam fazer quando unidos, e como podemos defender o mundo da ameaça nuclear.” “Tivemos que construir o novo sarcófago em condições de guerra, enquanto nos defendíamos da Rússia.”, destacava o chefe de Estado.


Só para relembrar, o pior acidente nuclear da história, Chernobyl, ocorreu a 120 quilômetros de Kiev, liberando 50 milhões de curies de radiação por vastas áreas do país, da Bielorrússia e da Rússia. Uma “zona de exclusão”, criada ao redor da central danificada, foi evacuada por mais de 135.000 pessoas após o acidente, das cidades de Pripyat, (50.000 habitantes), Chernobyl, (12.000) e de várias outras localidades nas proximidades da usina.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, esta radiação afetou mais de 5 milhões de pessoas, principalmente na Rússia, Ucrânia e Bielorrússia. Mais de 600.000 pessoas participaram do trabalho de lidar com a catástrofe e suas consequências. Em apenas 206 dias, um total de 90.000 homens construíram, em meio a condições adversas, perigosas, um cubo com 400.000 metros cúbicos de concreto e 7.000 toneladas de estrutura metálica do reator danificado, que agora está coberto por este novo sarcófago.

Fauna e Flora:

Quem tem analisado a flora e fauna das regiões afetadas tem sido o biologista Timothy Mousseau que tem estudando os efeitos duradouros da radiação sobre a flora e fauna de Chernobyl.
Em 2014 numa apresentação in-loco o som de clique do detector de radiação de Timothy Mousseau aumentava lentamente enquanto caminhava pela floresta situada a algumas milhas a oeste da usina nuclear.

Quando ele parou para examinar uma teia de aranha em um galho de árvore, o visor do dispositivo mostrou 25 microsieverts por hora, que Dr. Mousseau afirmara ser típico esta medição, para aquela área não muito longe do Novoshepelychi, uma das centenas de aldeias que foram abandonados depois de precipitações radioativas provenientes da explosão do reator 1986 e que tornou a região inabitável.

Os níveis de radioatividade aqui estão muito abaixo daqueles que ainda são encontrados em partes do sarcófago que cobre o reator destruído, antes do novo arco (2º sarcófago) cobrí-lo.

Mas os níveis nesta clareira que ele analisa (veja no vídeo), onde acácias e pinheiros escoceses são intercaladas com alguma vegetação ocasional, tem medições mais elevados do que o normal. Em 10 dias aqui uma pessoa estaria exposta a tanta radiação de fundo como habitante típico dos Estados Unidos receberia de todas as fontes em um ano. Isso faz com que seja de zona proibida, exceto para incursões curtas, pois é um bom lugar para estudar os efeitos a longo prazo das radiações sobre os organismos, afirmara.

“Esse nível de exposição crônica está acima do que a maioria das espécies vai tolerar sem mostrar alguns sinais, quer em termos de quanto tempo eles vivem ou do número de tumores que têm, ou mutações genéticas e catarata”, dissera Mousseau. “É um ambiente de laboratório perfeito para nós.”

Dr. Mousseau, um biólogo da Universidade da Carolina do Sul, tem vindo a área contaminada em torno de Chernobyl, conhecida como a zona de exclusão, desde 1999. A lista de criaturas que estudou é longa: várias aves, vários insetos, incluindo zangões, borboletas e cigarras; aranhas e morcegos e ratos, ratazanas e outros roedores pequenos. Ele também realizou uma pesquisa semelhante em Fukushima, no Japão, depois que ocorreram vazamentos por lá também.

Em dezenas de documentos ao longo dos anos Dr. Mousseau, seu colaborador de longa data, Anders Pape Moller, do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França, e colegas relataram evidências do pedágio de radiação: maior frequência de tumores e anomalias físicas como bicos deformadas entre aves comparadas com as zonas de não contaminação, por exemplo, e um declínio nas populações de insetos e aranhas com o aumento da intensidade da radiação.

Mas em suas descobertas mais recentes, mostrou algo novo. Algumas espécies de aves, relatadas na revista Ecologia Funcional, parecem ter se adaptado ao ambiente radioativo através da produção de níveis mais altos de antioxidantes protetores, com danos menores correspondentemente. Para estas aves, o Dr. Mousseau, acredita que a exposição crônica à radiação parece ser uma espécie de “Unnatural Selection” a conduzir uma mudança evolutiva.

A radiação ionizante, como o produzido por césio, estrôncio e outros isótopos radioactivos, afeta o tecido vivo de várias maneiras, entre as quais, quebra de cadeias de DNA. Uma dose alta o suficiente, muito milhares de vezes superiores aos níveis da floresta, claramente causaram doença ou morte. Isso é o que aconteceu com várias dezenas de técnicos e bombeiros na usina de Chernobyl, quando o reator explodiu em 26 de abril de 1986. Eles foram expostos a doses letais, em muitos casos, em apenas alguns minutos, e os seus órgãos e tecidos foram tão danificados que eles morreram dentro de algumas semanas.

Alguns pesquisadores contudo, têm desafiado os estudos de Dr. Mousseau e seus colaboradores, argumentando que é difícil demonstrar que os níveis de radiação na zona de exclusão, que abrange cerca de 1.000 milhas quadradas, tiveram muito efeito perceptível. Houve também relatos de populações abundantes de alguns animais na zona, o que sugere que a falta de atividade humana tem levado para a estas áreas tornarem-se um refúgio para a fauna.

Dr. Mousseau descarta contudo, a ideia de que a zona seja algum tipo de Éden pós-apocalíptico. Mas deu uma pausa em suas recentes argumentações, porque concluiu que por algumas adaptações tem permitido que criaturas prosperem na zona.

As descobertas também sugerem que em alguns casos os níveis de radiação pode ter tido um efeito inverso, ou seja, pássaros em áreas com maior exposição à radiação podem apresentar uma maior adaptação, e, portanto, menos danos genéticos, do que aqueles em áreas com níveis de radiação mais baixas.

Mas tendo como base todos os estudos do Dr. Mousseau e seus colegas, a zona de exclusão de Chernobyl tornou-se um laboratório do mundo real. “A natureza é um ambiente muito mais estressante do que o laboratório”, afirmara. Anomalias e outros efeitos da radiação são vistos em níveis de radiação muito menor do que em estudos baseados em laboratório, dissera. Os níveis de radiação na zona de exclusão também variam consideravelmente de lugar para lugar, porque os padrões climáticos durante o acidente e suas conseqüências afetaram a intensidade da precipitação e outras manifestações climáticas.

Em outros estudos o local do desastre nuclear, tem se tornado um improvável local de desova para lobos e outros animais selvagens. De acordo com um estudo recente no European Journal of Wildlife Research (relatado por Livescience), alguns dos lobos cinzentos nascidos em Chernobyl estão se aventurando fora da zona de exclusão, talvez carregando partículas de mutações genéticas com eles.

A população de lobos cinzentos é grande nas áreas afetadas.

Enquanto alguns estudos descobriram que a fauna local na zona sofria de efeitos nocivos, outros descobriram que a zona do desastre se transformou em uma reserva natural improvável, que permitiu que os lobos cinzentos florescessem. De acordo com o autor do estudo, Michael Byrne, um ecologista da vida selvagem da Universidade do Missouri em Columbia, a densidade populacional de lobos cinzentos em torno de Chernobyl é até sete vezes maior do que nas reservas vizinhas. E agora, alguns lobos começaram a se aventurar fora da zona do desastre. Pesquisadores rastrearam um lobo jovem que viajou cerca de 186 milhas fora da zona de exclusão ao longo de 21 dias.

A jornada deste lobo é prova de que Chernobyl pode ser mais útil do que apenas um “buraco negro ecológico”. De fato, “a zona de exclusão de Chernobyl pode realmente agir como uma fonte de vida selvagem para ajudar outras populações da região. E essas descobertas podem não se aplicar apenas aos lobos – é razoável supor que coisas semelhantes estão acontecendo com outros animais também ”, disse Byrne à Livescience. Quando saber se os lobos podem estar transportando mutações radioativas com eles? “Não temos evidências para sustentar que isso está acontecendo”, disse Byrne. “É uma área interessante de pesquisas futuras.”

Com relação a flora ainda se descobriu que a alta radioatividade em torno da usina, matou os fungos do local. Cientistas descobriram que árvores e folhas que morrem por lá ficam intactas sem se decompor. O material orgânico das regiões contaminadas tem índice de decomposição 40% inferior. Por isto, a hipótese é que as radiações tenham afetado as populações de fungos, micróbios e insetos que se alimentam de matéria orgânica morta. Há árvores que estão mortas há 15 anos, mas ainda não começaram a apodrecer.

O comportamento da fauna e da flora se tornaram um imenso laboratório real para aprendizado dos efeitos da catástrofe.

Turistas e Energia Solar:

Os cenários criados pela catástrofe, deixaram grandes lições e incrível é que a reboque de tudo isso, criou um destino turístico. Depois de três décadas da tragédia, milhares de viajantes estão visitando anualmente a cidade de Pripyat, cidade fantasma onde viviam, junto com suas famílias, cientistas e operários que trabalhavam em Chernobyl.

Após a explosão de um dos reatores da usina, que deu início a propagação de material radioativo por toda a região, os quase 50 mil habitantes de Pripyat, que fica a três quilômetros do local do acidente, foram evacuados. Deixaram para trás prédios residenciais, um hotel, escolas, restaurantes, um hospital e centros esportivos que hoje, com seu aspecto fantasmagórico, atraem curiosos do mundo inteiro. No centro de tudo isso, um triste parque de diversões ainda exibe uma roda-gigante projetada para fazer a alegria das crianças locais, que hoje trás profundas reflexões sobre o que aconteceu com a crianças que alí se divertiam.

Os visitantes chegam a bordo de tours guiados vindos principalmente da cidade ucraniana de Kiev, a 150 quilômetros de distância. Os passeios exploram Pripyat, através do ingresso nas antigas salas de aula, ginásios esportivos e apartamentos da cidade. Em muitos dos lugares, ainda é possível ver sinais de um local que foi abandonado às pressas, com objetos pessoais jogados pelo chão e até máscaras respiratórias espalhadas no interior dos prédios do local.

Os ambientes certamente se deterioraram desde a evacuação e encontram-se completamente abandonados como em um antigo ginásio esportivo onde uma tabela de basquete aparece sobre uma parede cinza e descascada. Não muito longe, uma piscina vazia é iluminada através de janelas enferrujadas e quebradas. Em algumas casas, é possível ver objetos pessoais de seus antigos moradores, como quadros e bonecas. E, em uma antiga maternidade, surgem camas enferrujadas em uma visão que inspira tristeza.

Mas um dos locais mais visitados e fotografados, é o parque de diversões, onde além de sua roda-gigante, o lugar exibe um pista com carrinhos de bate-bate completamente aos pedaços, enferrujados. Apesar do cenário pós-apocalíptico e perigoso alguns dos passeios chegam bem perto do reator 4, causador da explosão, cuja área destruída se encontra hoje envolta por estruturas conhecidas como “sarcófagos”.

É claro que visitar um lugar devastado como este desperta inúmeras emoções, embora tanto em Chernobyl como em Pripyat possam ser considerados passeios bem educativos, apesar de tristes quando se projeta como a vida deveria ser feliz por lá.

A visita a Pripyat só são realizadas por agências autorizadas para conduzir o passeio. A visita, porém, não pode ser caracterizadas como livre de riscos, pois estudos desenvolvidos na época da tragédia avaliaram que Chernobyl e arredores estarão contaminados e por tanto condenáveis, por níveis de radiação perigosos para seres humanos pelos próximos 24 mil anos, motivo pelo qual a usina e a cidade de Pripyat estão dentro de uma crítica zona de exclusão cujos acessos são controladas por forças de segurança da Ucrânia.

Claro que com esta situação, os próprios guias turísticos carregam, durante as visitas, contadores Geiger, instrumentos que medem níveis de radiação e mostram se os locais visitados em Pripyat estão mais seguros para serem explorados.

Toda esta criticidade e perigo, parece não amedrontar legiões de turistas. Uma organização governamental que tem controle sobre a zona de exclusão, estima que mais de 16 mil turistas de 84 países estiveram em Chernobyl e arredores só em 2015. O turismo macabro continua a atrair muitos viajantes.

Se você leitor quiser visitar o local basta acessar o TourKiev

Não só de turistas, mas um projeto ucraniano-alemão, o Solar Chernobyl está sendo preparado para ser erguido como uma “fazenda Solar” bem ao lado dos reatores de Chernobyl. Planejado para entrar em operação em 2018, a instalação de deverá ter um megawatt em 3.800 painéis fotovoltaicos, capaz de alimentar até 2.000 residências. Outros 99 megawatts estão sendo planejados para um desenvolvimento futuro, e o projeto, que até agora tem um custo de um milhão de euros para ser construído, deverá se pagar dentro dos próximos sete anos.

A Ucrânia possui atualmente 12 usinas nucleares ativas, mas não é um país estranho para a energia solar. A fazenda Solar Chernobyl não é a primeira fazenda solar do país, e sim a quarta instalação desse tipo construída em território ucraniano, que tem se esforçado para desmantelar suas usinas nucleares. E para a própria central nuclear de Chernobyl, o arrendamento das áreas próximas e os projetos significam outro desenvolvimento bem-vindo, os investimento e fundos financeiros, que também ajudam a lidar com o espólio do desastre nuclear. Veja abaixo algumas cenas atuais de Chernobyl e Pripyat:


 

Veja também:

 

Bibliografia/Fontes:

  • Fountain, Henry – At Chernobyl, Hints of Nature´s Adaptation – NYT, 2014
  • Yah, Laura – Chernobyl is Turning Into a Wildlife Preserve for Wolves – LiveScience, 2018
  • Mousseau, Timithy A. e outros – Highly reduced mass loss rates and increased litter layer in radioactively contaminated areas – Oecologia, 2014
  • EFE – Chernobil deixa de ser um perigo pelo próximo século, Dez/2016

 

Torre de Pisa, em São Paulo…

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E não é que nos porões da história mais uma revelação se apresenta ! Depois da descoberta de arcos de triunfo, na Av. São João e Estação da Luz, de um “farol” no Jaguaré eis que aparece uma torre de Pisa bem no centro de São Paulo.

Novamente a ocorrência do fato é no Jardim da Luz bem na região central de São Paulo. Numa era em que o Parque do Ibirapuera sequer estava nos sonhos, o parque mais badalado de São Paulo era o Jardim da Luz. Localizado no coração da cidade, ele foi por muitos anos o ponto de encontro favorito da alta sociedade paulistana.

Por décadas, visitantes ali só podiam entrar de chapéu e paletó. Alinhados, os homens não abriam mão da bengala e do cebolão, o famoso relógio pendurado no colete. Isto tudo combinava com os vestidos elegantes usados pelas senhoras. Por esta razão esse cartão postal paulistano era um dos pontos mais disputados pelos lambe-lambes no começo do século passado.


O Mirante da Luz quando de sua inauguração ainda em posição normal

E é neste local que, idealizado pelo presidente da então Província de São Paulo, João Teodoro, o Mirante da Luz foi construído e inaugurado em 1874. Era uma curiosa construção de aparência neoclássica erguida por Antônio Bernardo Quartim. Em seu mandato, que foi de 1872 a 1875, o jardim foi alvo de muitas melhorias e entre elas estava o mirante de 20 metros erguido para ser um observatório e batizado jocosamente de “Canudo de João Teodoro”.

O edifício, à época era o mais alto da cidade e de fato ganharia um observatório meteorológico em 1886 e cumpria por assim ser a função de mirante. Mas a construção feita de tijolos trazidos da Inglaterra, por um erro de engenharia acabou não suportando o próprio peso e começou a pender para o lado, como a famosa Torre de Pisa. Aliás foi nesse momento que a população não deu perdão a duvidosa construção e agregou a ela o famoso apelido de “Canudo de João Teodoro”.

Em 1900, já abandonado e servindo apenas de encontros furtivos de casais (prostituição) acabou sendo demolido na gestão do então prefeito Antônio Prado.

A Torre de Pisa paulistana, também conhecido como o Canudo de João Teodoro.

No Livro “Luz: notícias e reflexões. Histórias dos bairros de São Paulo” de Clovis de Athayde Jorge (DPH – Departamento do Patrimônio Histórico, 1988, p.56) há a descrição da curiosa construção:

“torre circular de tijolos, à maneira de mirante e observatório, ao preço de seis contos de réis. A obra elevou-se, com cerca de vinte metros de altura, fronteira à Estação da Luz e ganhou o apelido de ‘canudo do dr. João Teodoro’. Era uma peça arquitetônica edificada à imitação de farol marítimo, com escadas circulares internas, unindo os cinco andares, e desvões escuros que casais aproveitavam para atitudes menos escusas. Foi fechada em 1890 e, com a lei n. 496, de 14 de novembro de 1900, demolida, reutilizando-se o material para murar parte inicial da rua dos Imigrantes, atual José Paulino, em paralelo com a linha ferroviária.”

Mapa ilustrativo do Jardim da Luz, com o famoso Mirante. A direita a Av. da Luz se transformará no futuro na Av. Tiradentes e a esquerda, onde tem a ilustração do trem, será construída a estação da Luz que conhecemos nos dias atuais.

João Teodoro Xavier de Matos é considerado por vários historiadores como o primeiro urbanista da cidade de São Paulo por importantes obras implementadas em sua gestão. Seu nome é homenageado em rua da capital, rua, que aliás, foi aberta por ele.

As fundações da torre, descobertas durante reformas/restauro em 1999/2000.

Mas o jardim da Luz permaneceu esquecido por quase 100 anos e só em 1999, durante obras, as ruínas da torre foram desenterradas. Hoje, quem visita o Parque tem o sítio arqueológico exposto para comprovar a existência do famoso canudo de João Teodoro, ou simplesmente a Torre de Pisa paulistana. Aliás no mesmo parque por conta de obras manutenção e restauro, foi descoberto túneis subterrâneos que compõe um aquário nas profundidades, mas isto já outra história para se abordar no futuro.


Bibliografia/Fontes:

  • OTHAKE, Ricardo; DIAS, Carlos. Jardim da Luz: um museu a céu aberto. Senac, São Paulo – 2011
  • Jorge, Clovis de Athayde: Luz: notícias e reflexões. Histórias dos bairros de São Paulo” DPH – De partamento do Patrimônio Histórico, São Paulo – 1988
  • Minoda , Thais Klarge: O jardim da Luz como cenário e paisagem nos cartões postais (1870 -1940), FFLCH-USP, São Paulo
  • Textos de arquivos da Assembléia Legislativa de São Paulo
  • Wiki Jardim da Luz
  • Acervo pessoal

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