Na época das touradas…em São Paulo !

circotourosPara alguns, arte, para outros, barbárie. Não é de hoje que se discute como se referir às touradas e, em meio a essa controvérsia, durante o século 19 e começo do 20 os paulistanos se divertiam com esse tipo de evento, também conhecido como tauromaquia.

Em 15 de dezembro de 1877, por exemplo, o jornal A Província de S. Paulo publicou um anúncio que convidava a população para “um grande circo de touros, um extraordinário espetáculo”, com a participação de toureiros espanhóis e portugueses e de “magníficos bois de raça”, entre eles “o invencível e heroico boi amarelo de Jacareí”. A tourada seria realizada em 1º de janeiro de 1878, no Largo dos Curros (curro é o nome do local em que ficavam os animais antes dos espetáculos), onde atualmente está a Praça da República, na região central da capital paulista.

A propaganda também informava que haveria animais à disposição de toureiros amadores. Apesar do sucesso desse tipo de evento, em 1906 o vereador Manoel Correa Dias, vice-presidente da Câmara Municipal de São Paulo (CMSP), apresentou uma emenda ao Orçamento do ano seguinte tornando ilegais os circos de touros. A Câmara aprovou o projeto, que se tornou a lei 956/1906, e o prefeito Antônio da Silva Prado sancionou. Segundo a legislação, ficaram “proibidos os espetáculos de tauromaquia e suprimido o respectivo imposto”.

COLISEU DA VILA MARIANA

Seis anos após a proibição, o empresário Manoel Antonio Dias entrou na CMSP com um requerimento que solicitava a revogação do parágrafo da lei que havia proibido as touradas. Pedia, também, permissão para construir o Coliseu Paulista, onde ocorreria o espetáculo Feira de Sevilha. O Coliseu seria erguido na Rua Bernardino de Campos, na Vila Mariana, na época perímetro rural da cidade.

De acordo com a planta anexada à petição, a arena seria construída em concreto e madeira (peroba e pinho do Paraná), com capacidade para receber até 5 mil pessoas nas galerias e camarotes. Como justificativa para a volta das touradas, Dias alegou que nos espetáculos seriam utilizadas garrochas (pequenos espetos) especiais, que não machucavam os animais. O empresário garantia “um divertimento agradável ao público pelo fato de não ferir nem molestar o animal”. Para comprovar o que afirmava, anexou à petição um modelo do espeto indolor e uma cópia do Diário Oficial da União com a patente da invenção de “uma garrocha não penetrante para divertimentos tauromáquinos”. O objeto era uma invenção do português Luiz Coelho Telles, empresário das corridas de touro.

Segundo a descrição da patente, deveria ser usado da mesma maneira que se usavam as garrochas, “mas com a vantagem de não ferir nem molestar, por qualquer outro modo, o animal”. Segundo a explicação, a garrocha era uma haste de madeira (similar à das farpas) e em sua extremidade havia uma pinça que se fechava automaticamente pela ação de uma mola quando esbarrava contra um objeto. A extremidade era arredondada para não ferir o animal.

Com isso, haveria a garantia de que as corridas de touros deixariam de ser um divertimento bárbaro e condenável, sem deixar de ser um espetáculo similar ao modelo tradicional, com farpas. A Câmara Municipal encaminhou o pedido de Manoel Antonio Dias à Prefeitura, que por sua vez enviou à Inspetoria de Polícia Administrativa. De acordo com o parecer do órgão, “o aparelho apresentado preenche os fins a que se destina: de proteção aos animais, evitando que sejam feridos ou que sofram dor violenta”.

Os técnicos da Inspetoria também negaram que as touradas provocassem cansaço excessivo nos animais, “pois é certo que o touro depois de cansado não se presta mais a ser lidado”. Entretanto, um funcionário da Diretoria Geral da Prefeitura alegou que a lei  956 teve o objetivo de pôr fim ao “espetáculo bárbaro de fazer sofrer os animais, não só farpeando-os, como produzindo quedas e extenuando-os com excessivas corridas, muitas vezes, debaixo de um sol ardente”. O funcionário ainda lembrou que, “mesmo removido o ato degradante da farpeação, persistem outros motivos que ditaram a citada lei”.

Sua conclusão é que a proibição deveria ser mantida porque o “instrumento apresentado pelo requerente vem apenas atenuar o sofrimento dos animais”. Após os pareceres, a Prefeitura manteve a proibição. “Nenhuma razão econômica ou financeira aconselha a revogação do dispositivo legal citado”, justificou o prefeito Washington Luís, futuro presidente da República, em um despacho de 8 de maio de 1919.

SEGUNDA TENTATIVA em 1921

Os pró-touradas voltaram a agir. O empresário Francisco Peyres tentou derrubar a proibição e conseguir licença para erguer um circo-anfiteatro provisório, onde seria realizada “uma temporada de diversões de touradas”, um “simulacro das célebres touradas de Madri”, já que seriam usadas garrochas que não machucavam os animais. No requerimento, Peyres afirmou que em Portugal e na França, por Lei Constitucional, as touradas também eram proibidas, mas, segundo ele, todos os anos havia meses destinados à “Temporada de Touros”, com resultados benéficos ao país pelas transações comerciais em geral. (Acervo da Câmara Municipal de São Paulo)

 (Acervo da Câmara Municipal de São Paulo)

De acordo com o empresário, as licenças eram concedidas nesses países porque consideravam as touradas um verdadeiro espetáculo esportivo, em que o artista (“pois a lida de touro é uma arte”), para entrar na arena, precisava ser dotado de calma, presença de espírito, coragem, sangue frio, agilidade e habilidade, “com o fim de demonstrar a superioridade do ser humano que, com sua inteligência, consegue vencer a força física do irracional”. Peyres ainda alegou que a arena de touros seria de grande utilidade para o País, especialmente para os criadores de todas as espécies de gado, que poderiam exibir nesse espaço seus valiosos exemplares e mostrariam o esforço dos criadores para intensificar a perfeição das raças de gado, “a que se dedicam com tanto afã”.

A Comissão de Justiça e Polícia da Câmara Municipal analisou o pedido e, em 10 de maio de 1921, decidiu pelo seu arquivamento e justificou que os “espetáculos tauromáquicos” não eram permitidos na cidade.

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Hoje as touradas continuam proibidas em São Paulo. A Lei Orgânica do Município, aprovada em 1990, determina que “ficam proibidos os eventos, espetáculos, atos públicos ou privados, que envolvam maus tratos e crueldade de animais”. A lei 11.359/1993, proposta pelo vereador Paulo Kobayashi, deixa claro quais eventos estão vetados: rodeios, touradas e similares. O decreto 37.584/1998, que regulamentou a lei, esclarece que são considerados “maus tratos ou crueldades o uso de equipamento, aparelho, método ou produto que possa provocar ferimento, cerceamento ou prejuízo das funções vitais do animal por qualquer lapso de tempo, bem como a falta de água ou de alimentação e alojamentos adequados”.

O documento inclui entre os equipamentos proibidos todos os tipos de sedém (cinta usada nos rodeios), peiteiras (parte do arreio), esporas pontiagudas cortantes, sinos, cacos de vidro, aparelhos que provocam choque elétrico, luvas com aderência, lanças, bandeirilhas de touradas, pó-de-mico e outros.

No Brasil, as touradas foram proibidas pelo presidente Getúlio Vargas em 1934. O decreto vetou a realização de “lutas entre animais da mesma espécie ou de espécie diferente, touradas e simulacros de touradas”. Já a Constituição de 1988 proíbe as práticas que submetam os animais a crueldade. Atualmente, em Portugal, no México e em outros países latino-americanos as touradas ainda fazem sucesso. Entretanto, até na Espanha, onde é considerado um símbolo nacional, o evento vem perdendo apoio popular nos últimos anos. Uma pesquisa realizada em 2015 revela que apenas 19% dos espanhóis entre 16 e 65 anos apoiam a tauromaquia. Em 2013, os favoráveis eram 30%. Na Catalunha, comunidade autônoma espanhola, as touradas estão proibidas desde 2012.

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Acima o então Largo dos Curros onde ocorriam as touradas em São Paulo (Acervo Instituto Moreira Salles) e abaixo a atual Praça da República um dos pulmões verdes do centro da Capital (Imagem de Femartins).


Bilbiografia/Fontes:

  • Texto: reprodução sob permissão de Rodrigo Garcia, Consultor Técnico Legislativo/Jornalista  – Câmara Municipal de São Paulo.
  • Imagens: pela ordem de cima para baixo: Arquivo/Estadão Conteúdo, Acervo da Câmara de São Paulo, Gute Garbelotto-CMSP, Acervo Instituto Moreira Salles e FeMartins.

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O silo do fim do mundo…

MK6_TITAN_IIEm Janeiro de 1962 foi criado dentro da força aérea dos Estados Unidos o “390th Strategic Missile Wing“, que entraria em operação em Março de 1963 com a instalação de um míssil Titan 2 modelo LGM-25C, um avanço em relação aos Titan 1 na grande e vasta rede de mísseis balístiscos internacionais (ICBM).

Esta unidade estratégica era anexa ao também “390th Bombardment Group” uma unidade de bombardeiros criada em Janeiro de 1943, que teve atuação marcante na segunda guerra mundial e em outras operações. Tanto a unidade de bombardeiros como a unidade de mísseis estavam estacionadas na base da força aérea em Davis–Monthan, próximo a Tucson no Arizona.

Esta base de mísseis ganhou do Comando Estratégico da Força aérea várias honrarias como a melhor base de Titans 2 até ser desativada em 1984 como ICBM.

Na realidade histórica a Força Aérea anunciou a seleção da Davis-Monthan em Abril de 1960 para instalar o primeiro Titan 2 (modelo LGM-25C)

Pessoas que trabalharam nestas instalações são certamente as que podem revelar como era estar sob tensão quase sempre, pois de suas mãos após o comando central iniciaria-se uma devastação sem precedentes da civilização ou de parte dela.

Nos anos 70 e 80, as tripulações viviam em constante prontidão nos silos de mísseis nucleares enterradas no deserto do Arizona.

Titan_II_Missile_SitesMapa de silos de Titan II no entorno de Tucson, AZ

Por exemplo Yvonne Morris tinha três minutos para começar a trabalhar no início de seu turno. Era o tempo que tinha para telefonar através de seu código secreto de acesso no portão e após a liberação descer um lance de escada. Se isto não acontecesse dentro deste tempo ela seria presa, tal era o rigor entre tantos para se trabalhar num local que tinha o poder de destruir o mundo.

Morris foi um dos primeiros comandantes da equipe feminina de um silo de mísseis nucleares com Titan 2. Ela era responsável por três outros membros da tripulação e de uma arma nuclear de nove megatons.

Dizia ela “mesmo que a nossa missão principal era a paz através da dissuasão, impedindo a Terceira Guerra Mundial, nós tínhamos que estar prontos para lançar e responder a qualquer retaliação”

“Isso não quer dizer”, acrescenta ela, que as coisas não poderiam mudar num piscar de olhos, mas, para ser eficaz em seu trabalho, você tem que deixar a possibilidade do Armagedom se sentar na parte de trás do seu cérebro.” A função ali era não mostrar indecisão ou omissão.

O local do silo que fica a cerca de meia milha a partir da estrada principal ao sul que vai para o México, é um cenário meio apocalíptico pois fica num monte abaixo cercado pelo castigado deserto. As pistas empoeiradas são pontilhadas com cactos e há sinais de aviso do perigo de cascavéis. Na superfície há pouco a ver por trás da cerca de arame farpado, exceto algumas estruturas baixas de metal, as portas de lançamento, antenas e uma escadaria que desaparece no chão.

“Um míssil Titan 2 é muito parecido com um iceberg”, diz Morris. “Apenas cerca de 10% é visível na superfície, o resto é subterrâneo.”

ilustracaodosiloUma ilustração de como era o silo do fim do mundo em Davis-Monthan

A rotina de entrada é descer o primeiro lance de escadas, telefonar para o centro de controle.”Eles liberaram uma fechadura eletrônica na porta para se passar para a área de aprisionamento – na verdade, apenas mais um lance de escada com uma porta na parte superior e na parte inferior onde se telefona novamente com o código de entrada do dia.”

“Eles monitoram câmeras de segurança para se certificar de que sou a única pessoa lá, que ninguém está lá comigo segurando uma arma na minha cabeça, por exemplo”, afirma Morris.

A rigidez do silo propriamente dita começa a 10 metros de profundidade por trás de uma porta de aço sólido e de uma porta de segurança concreto. Pendurado em duas dobradiças gigantes, esta porta de 2,7 toneladas e 30 cm de espessura é tão bem projetada que depois de liberada pode-se empurrá-la com um dedo.

O andar inteiro é montado sobre amortecedores gigantes e as luminárias penduradas em molas para amortecer os efeitos de um ataque.

“Todo o local é projetado para suportar os efeitos de um ataque nuclear nas proximidades”, diz Morris. “Mas nós não fomos concebidos para um ataque direto no silo”, comenta.

Os túneis/acessos são forrados com vigas de metal, penduradas com vários trilhos de cabos, e se assemelha o interior de um navio de guerra ou submarino. Estes acessos levam para o centro de controle de lançamento – uma sala circular com racks de equipamentos, terminais de computador antigos, mostradores e switches. No meio, um console de controle com uma fileira de luzes e com uma cadeira aparafusada no chão bem frente a ela.

Na parte de trás da sala há um cofre vermelho: “senha para a guerra”. Ele contém os cartões de autenticador, com os códigos necessários para validar ordens de lançamento do presidente dos Estados Unidos. O cofre é garantido por dois cadeados de combinação pertencentes aos oficiais de plantão. A tripulação quando sai deve trocar seus cadeados com a nova tripulação. Apenas os indivíduos conhecem as combinações de quatro dígitos.

Não se deve dar a uma única pessoa seu acesso à sala de controle, para não dar a esta única pessoa a oportunidade para lançar o míssil, comenta Yvonne Morris

“É um número PIN que você tem que ser capaz de se lembrar sob estresse extremo”, diz Morris. “Quantas vezes você já esteve na fila do supermercado e não se lembrou seu PIN? Temos de ser capazes de lembrar este código em uma situação de guerra. “

O andar de cima sala de controle tem uma área de descanso com beliches, cozinha e banheiro. Este é o único lugar no complexo, onde os membros da tripulação são autorizados a viver por conta própria. Em outros lugares eles sempre tem que estar à vista de um outro membro da tripulação.

Em todo o turno normal, o dever primário da tripulação era verificar e manter todo o equipamento no silo e o próprio míssil. Os dois estágios do Titan 2 possuem uma altura de sete andares com as inscrições “US Air Force” pintada em seu lado. A caixa preta na parte superior inclui a ogiva, ou o veículo de reentrada. Hoje, ela é vazia, mas Morris se lembra quando, como tenente na tripulação, ela o viu pela primeira vez. “O comandante sempre que tinha a oportunidade levava um novo membro da tripulação para efetuar uma inspeção em seu primeiro alerta, para que pudessem ficar cara a cara com o míssil apocalíptico”

Todas estas e mais outras rotinas faziam com que o Titan 2 pudesse ser lançado em 58 segundos. A lógica de MAD (Destruição Mútua Assegurada) dependia de se ser capaz de responder a uma ameaça do inimigo. “Nós tínhamos mísseis suficientes para destruir um ao outro várias vezes e tinha-se a capacidade de detectar um primeiro ataque e retaliar antes que a primeira ogiva nos atingisse”, afirma Morris.

“Os mísseis iriam passar uns aos outros no ar como navios na noite, explodir em ambos os países, de modo a não ter sobreviventes suficientes para comemorar a vitória.” É fácil entender que isto é uma coisa de loucos.


Yvonne Morris e outros funcionários mostrando como era a rotina do silo


Se o pior acontecesse, o mais alto da tripulação acionaria uma buzina em torno do silo. Ao ouvirem isto, todos executariam os procedimentos necessários no centro de controle para entender uma mensagem codificada transmitida do comando estratégico em Nebraska. Poderia haver muitas razões para que o alarme soasse, uma mudança de alvo, um aumento nos procedimentos de segurança (DEFCON) ou o comando do Presidente para lançar o míssil.

A mensagem era transmitida como uma série de letras e números, que o comandante e seu vice checavam num livro de código. Se os códigos indicassem lançamento, eles autenticariam com seus cartões de lançamento no famoso cofre mencionado protegido pelos dois cadeados de combinação.

Um código para desbloquear o míssil tinha que ser marcado em seis chaves de orelhas de 16 números cada sobre os racks de equipamentos. O míssil só seria lançado por duas chaves separadas (também mantidos no cofre), viradas simultaneamente por cinco segundos pelo comandante e seu vice. Localizados em consoles separados, não havia nenhuma maneira de ser operado por uma única pessoa .

Teria sido impossível começar a Terceira Guerra Mundial por acidente.

“Uma vez que a sequência de lançamento era iniciada, o comandante seguia um conjunto de luzes em seu console”, explica Morris. “Desde a permissão do lançamento a porta do silo já se coloca aberta e o míssil parte”. “Estou com 99,999% de certeza que eu teria feito isso se necessário” afirma Yvonne Morris

É assim que era. Dentro de sua sala de controle, a tripulação sequer ouviria o lançamento.

“Toda a minha família vive no sul da Virgínia, a cerca de 100 milhas ao sul de Washington DC, por isso, no tempo que eu recebo a ordem de lançamento, eles já estariam mortos ou a caminho disto muito brevemente”

“A vida como eu conheço é assim até quando chegar a ordem de lançamento e cada coisa horrível que você pensou sobre o Armagedom está prestes a acontecer e neste momento uma parte de mim está muito motivada pelo desejo de vingança.”

Quando no momento do lançamento, a tripulação por si só teria a probabilidade de sobreviver por mais alguns minutos. O silo não foi projetado para um ataque direto e preciso, ou seja, uma vez que a então União Soviética soubesse exatamente onde o silo estava, um míssil estaria certamente a caminho.

“O tempo de vôo entre a União Soviética e os EUA era de 30 minutos”, diz Morris. “Dependendo de  quando recebemos a nossa ordem de lançamento, era o que determinava quanto tempo teríamos de vida ainda.”

Hoje, o silo é exatamente como ele foi deixado em 1984. O Missile Museum Titan organiza passeios monitorados através do complexo e você pode ficar no topo do silo e olhar para baixo através do duto de aproximadamente sete andares.


Uma visita monitorada no silo de Davis-Monthan


Para aqueles de nós que cresceram durante a Guerra Fria, com a ameaça de um conflito nuclear que pairava sobre nós, o silo continua a ser um memorial para mostrar a capacidade humana de levar a civilização a um fim. Tão relevante hoje como sempre.

O Missile Museum Titan não defende uma posição sobre armas nucleares, mas fornece informações de uma estrutura que existiu para que as pessoas façam seu próprio julgamento”, diz Morris. Este único míssil está exposto apenas como um papel importante de jogo de poder e continua a ser a demonstração mais clara, mais acessível da tecnologia e da devastação que pode causar com seus 9 megatons.

Outros que viveram neste ambiente como Mike Pierce, Sam Morgan(63) tem suas histórias contadas e melhor reveladas hoje após 4 décadas de vivência num clima constante de pressão pelo fim do mundo.

“Para mim, eu ainda me sinto como o jovem que trabalhava com um míssil nuclear”, disse Pierce.

“Parece que eu nunca realmente deixei Titan II.”

O Titan II continuou como uma arma nuclear ativa até 1987 e para cada homem e mulher que conviveram com ele, os silos do Titan eram sua própria casa.

Apesar dos perigos, todos os membros que trabalharam com o Titan II disseram a mesma coisa quando perguntado se eles fariam novamente: “Num piscar de olhos.”

Hoje apesar de vários tratados de desarmamentos feitos nestas últimas décadas, não há garantias que não possamos enfrentar os megatons do amargedom e certamente algumas milhares de pessoas estão vivendo com outras tecnologias, mas impedidas de revelar suas atribuições, oportunidade que esses relatos acima nos revelam, de como sempre estivemos na proximidade de uma catástrofe sem precedentes.


Bibliografia/Fontes:

  • Stumpf, David K – Titan II A History of a Cold War Missile Program – The University of Arkansas – Fayetteville 2000
  • Lamcaster Max – Titan II “family” reunites at missile silo near Tucson – The Star – Tucson, AZ (04/26/2015)
  • Hollingham, Richard & Hinkle, Chris (Images) – The hidden base that could have ended the world, BBCFuture – London (01/08/2016)
  • The National Atomic Museum Titan II
  • 390smw Memorial Association

Titan2

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