Embora já existissem algumas no final do século passado, as pontes estaiadas proliferaram no Brasil e no mundo, neste inicio de século 21.

No Brasil duas situações ocorridas em São Paulo, acabaram junto com alguns exemplos internacionais, sendo inspiração de soluções por todo o Brasil, o que acabou nos tornando também referência nessas soluções urbanas, e nos colocou internacionalmente em destaque.

A primeira ocorrência inspiradora veio do Sistema de Metrô de São Paulo, quando inaugurou em 2002 a estação Santo Amaro , onde sobre estais se construiu a estação sobre o Rio Pinheiros. Com o estilo de cabos denominado “harpa”, tornou–se uma obra interessante, pois sendo construído sobre o rio não exigiu desapropriações, muito comum neste tipo de intervenção urbana.

Esta ponte com a estação de Metrô Santo Amaro, está sobre o Rio Pinheiros.

Os estais da ponte entre os trilhos.

Até então nossa convivência com estais, se resumia a pontes suspensas (ou pênsil), que tem dois exemplos famosos, como a pioneira Ponte Pensil de São Vicente e a Ponte Hercílio luz em Florianópolis.

Catão: o criador e a criatura..

A outra ocorrência inspiradora, foi e ainda é a Ponte Otavio Frias de Oliveira, de desenho único no mundo, e que tem o engenheiro civil Catão Francisco Ribeiro (o pai do cartão postal), como referencia especializada no assunto. Ele junto com o arquiteto e urbanista João Valente Filho (falecido recentemente), mostraram uma engenhosidade relevante em resolver um problema urbano, sem abrir mão de uma sofisticada engenharia e beleza.

Catão, como disse a Revista do CREA-SP, na inauguração da ponte Otavio Frias de Oliveira – “OFO” em Maio de 2008, que ela se tornou mais uma atração turística em São Paulo. Como diz é praticamente impossível não vê-la na TV, em jornais , em cenas de novela, de corridas e outros esportes, em ensaios publicitários etc..

Alta com 138 metros e com 1,6km de comprimento, a estaiada chama a atenção de longe por seu porte e magnitude que derrete os corações dos profissionais da área tecnológica, e de quem não é do ramo.

Quando se fala em uma obra de engenharia desse porte, o fundamental mesmo é lembrar da tecnologia de ponta utilizada, seu grau de complexidade, as novas soluções apresentadas, a segurança e seu impacto na vida dos cidadãos, no caso a complexa situação de mobilidade urbana da cidade de São Paulo.

Como diz ainda Catão, a arquitetura de pontes no Brasil tem dado preferência para o modelo estaiado, (mostrado pelas galerias de imagens), e apresenta-se como uma tendência mundial.

Novo cartão postal de São Paulo, a ponte Otávio Frias de Oliveira é também o cartão de visita do engenheiro Catão Francisco Ribeiro.

Conclui Catão ainda que a técnica é que a opção por projetos de pontes estaiadas prevaleça quando existirem vãos acima de 120 metros. No entanto, há situações, principalmente em áreas urbanas densas em que a ponte estaiada pode ser a melhor opção mesmo com vãos menores.

“Ela permite trabalhar com tabuleiros finos. Então, às vezes, há pouco espaço entre o lugar onde vai passar o veículo em cima e o lugar onde vai passar o veículo embaixo. Isso obriga a lançar mão de estruturas mais esbeltas”, explica, completando que a questão estética também influencia. “Por vezes, o município busca uma referência arquitetônica. Neste caso, é o apelo estético que decide.”

A proposta inicial da ponte estaiada Otavio Frias, era para ser com dois mastros, conforme esta ilustração. O mastro em “X” nasceu da necessidade estrutural e não arquitetônica.

Autor de 20 projetos de pontes estaiadas, e com mais de 2000 projetos estruturais , Catão Francisco Ribeiro , conduz uma empresa de Engenharia e projetos do qual é sócio e diretor-técnico responsável.

Entre tantos projetos seus que merecem destaque além da OFO, está a ponte sobre o Rio Poti em Teresina-PI, com seus 160 metros de vão e torre de 115m, que liga os extremos da Capital do Piauí.

Também de sua autoria, o projeto executivo da Ponte Santos-Guarujá, com o maior vão livre do hemisfério sul, de 500m, caso fosse construída (o projeto parece ter sido abandonado por se preferir um túnel sob o estuário do Porto ????).

Falando ainda da ponte Otavio Frias, reúne além da tecnologia, beleza, algumas curiosidades que não aparecem com frequência nos canais de mídia, que são:

  1. É a 30ª ponte do complexo (Tietê-Pinheiros).
  2. Ela tem 144 estais, que saem de uma torre de 138 metros, o equivalente a um prédio de 46 andares. Os estais alinhados, teriam 378 quilômetros de extensão.
  3. O mastro da Ponte tem formato de um X, com largura transversal de 76 metros na base e 35,5 metros no topo e largura longitudinal de 12,9 metros.
  4. O projeto levou em consideração a velocidade média de 80 km/h e capacidade de 4000 veículos hora em cada pista
  5. O acesso para manutenção do mastro é realizado por escadas fixas de aço, com patamares de apoio a cada 6 metros
  6. Os dois vãos centrais estaiados são de 290 metros.
  7. A ponte é um marco na arquitetura e engenharia nacional, pois foi construída com um formato único no mundo: duas pontes (tabuleiros) sobrepostas, em curva formando um X e sustentadas por estais ligados a um único mastro.
  8. A obra contou com um “túnel de vento”, com estudos realizados por laboratório da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, sendo que hoje dada a proliferação deste tipo de obra e projetos há mais dois centros tecnológicos que permitem testes de ensaio em túnel de vento: o do ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica) em São Jose dos Campos-SP, o do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) em São Paulo .
  9. A ponte tem a mesma altura que o famoso edifício Copan, sendo apenas superada em altura pelas antenas do Jaraguá, Bandeirantes, Globo Digital, dos Edifícios Mirante do Vale, Edif. Itália, Edifício Banespa.
  10. É usada com frequência para uma das arvores de Natal da cidade com seus 138m de altura (Veja Galeria OFO).
  11. A exemplo de outras pontes que utilizam a mesma tecnologia, tem um projeto para durar mais de 100 anos.
  12. A tradição paulista de dar o “ão” em algumas obras da cidade (como minhocão, cebolão…) não “pegou” para a ponte estaiada, cujo apelido proposto foi “estilingão”.

Tudo isto, certamente influenciou a construção de várias pontes do Brasil, sejam do escritório do Engenheiro Catão seja de outros renomados engenheiros e arquitetos, com por exemplo a de Manaus sobre o Rio Negro considerada a segunda maior ponte estaiada fluvial do mundo perdendo apenas para a do Orinoco, na Venezuela. Ela liga Manaus a Iranduba, município na borda oposta no qual até então só se chega de balsa.

A belíssima e tradicional ponte JK em Brasília, e muitas outras são mostradas em nossas Galerias de imagens.

No destaque internacional, a Ponte de Millau na França, sobre o Rio Tarn, que já virou símbolo e documentários em várias mídias. Recentemente ela perdeu o título de mais alta do mundo para a Ponte Baluarte no México.

O Viaduto de Millau facilita a travessia do vale do Rio Tarn, no sudoeste da França. Projeto do arquiteto inglês Norman Foster e do engenheiro francês Michel Virlogeux, tem 343 metros de altura. Foi inaugurada em 14 de dezembro de 2004.

As pontes existentes nos países Asiáticos, conseguem reunir a preciosidade de engenharia e estética, como por exemplo a Rama VIII em Bangkok.

A ponte Rama VIII na cidade de Bangkok, na Tailândia, é um dos mais expressivos exemplos de construções estaiadas em todo o mundo.

Durante a navegação pelas Galerias de imagens, use como orientação da tecnologia de “Estais” a ilustração abaixo:

Tipos de estais e o arranjo dos cabos.


GALERIAS/SLIDE SHOWS


Algumas cenas da Ponte de Millau

 


A plenária da Ponte Otavio Frias de Oliveira – OFO:


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