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Nessie novamente no noticiário…

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O lendário monstro do lago Ness ou monstro de Loch Ness, carinhosamente conhecido por Nessie, que supostamente viveu ou vive nas Highlands escocesas acaba de ganhar notoriedade de novo.

Já se sabe ser improvável que o Monstro do Lago Ness exista, mas isso não impede os caçadores dedicados de continuar sua busca.

Um novo grupo está embarcando em uma nova missão para encontrar o animal lendário usando uma das mais recentes técnicas da ciência, a coleta de DNA ambiental.

Quando um peixe, ou um mamífero, ou um estranho monstro desconhecido nada através de um grande corpo de água, deixa vestígios de cabelo ou escamas, e esses fragmentos de detritos orgânicos contêm o DNA do animal que por lá navegou. Os pesquisadores podem coletar amostras de água, sequenciar o DNA que encontrem nelas e determinar quais espécies vivem nessas águas.

Usando esse método, um grupo de cientistas do Reino Unido, da Dinamarca, dos EUA, da Austrália e da França vão vasculhar o lago de Loch Ness, coletando amostras de DNA de tudo que puderem encontrar. Se eles encontrarem algo que não reconheçam, ou que se pareça com um antigo plesiossauro que vive milhões de anos após a suposta extinção da espécie, seria um bom sinal de que talvez Nessie não seja um mito afinal.

 
A História

O dito monstro é descrito como uma espécie de serpente ou réptil marinho, semelhante ao plesiossauro, um sauropterígeo pré-histórico.

O primeiro encontro testemunhado por várias pessoas aparece numa obra literária, onde um missionário irlandês que viveu entre 521 e 597 D.C e que se mudou para Escócia descreve como salvou antigos habitantes que nadavam no Rio Ness das garras do monstro em 565 DC.

Enquanto navegava e com o enorme poder se dua voz, ele repelia o monstro. Como relato literário, a credibilidade do fato seria uma fantasia ou não ?.

Mas o primeiro relato autenticado de avistamento oficial do monstro do Lago Ness, data de 1880 e foi debaixo d’água, testemunhado por um mergulhador profissional chamado Duncan MacDonald. Foi-lhe pedido que fosse ao Fort Augustus, perto do Canal Caledonian, procurar o local certo onde havia afundado um navio de carga, por questões necessárias a sua seguradora.

Duncan foi contratado por ela, para localizar o navio. Ao descer às profundezas escuras do lago, Duncan chegou onde se situava o navio afundado, iniciou as suas tarefas, mas enquanto examinava a quilha para ver os estragos e trabalhava debaixo do barco, viu de repente que também ali estava uma enorme e estranha criatura, deitada sobre uma grande rocha próxima ao barco.

O assustado Duncan fez um sinal brusco para ser içado e foi recolhido de imediato e ao chegar ao seu barco de apoio de sua equipe, seus colegas o acharam muito pálido e “branco” como cal. Duncan foi retirado da água tremendo, mas após acalmar-se, disse que enquanto analisava o navio, a certa altura viu um animal muito parecido com um réptil gigante marinho ou como um sapo enorme, que o surpreendeu e quis então voltar logo à superfície com muito medo. Mesmo sendo um mergulhador profissional, Duncan nunca mais mergulhou no famoso Lago Ness.

No século XX, há registro de um outro relato em 1923 e revela como Alfred Cruickshank avistou uma criatura com cerca de 3 metros de comprimento e dorso arqueado, mas o registo visual que iniciou a popularidade de Nessie data de 2 de Maio de 1933 e foi relatado pelo jornal local chamado “Inverness Courier”, numa reportagem muito sensacionalista. Na matéria relata-se que um casal viu um monstro aterrorizante entrando e saindo da água, como alguns golfinhos fazem. A notícia gerou sensação e um circo local a ofereceu 20.000 libras pela captura da criatura. Claro que com esta oferta uma onda de registos visuais ocorreram.

 

A farsa

Dentro desta neura para achar o monstro, em 19 de Abril de 1934 resultou na mais famosa fotografia do monstro, tirada pelo cirurgião R.K. Wilson. A fotografia circulou pela imprensa mundial como prova absoluta da existência real do monstro, por anos.

Mas décadas depois, em 1994, Marmaduke Wetherell confessou ter falsificado a fotografia quando era repórter free lancer do Daily Mail na busca por um furo jornalístico. Wetherell afirmou também que decidiu usar o nome do Dr. Wilson como autor para conferir mais credibilidade ao embuste.

Quando “R.K.Wilson” emigrou para a Austrália, ele escreveu uma carta ao Daily Mail para revelar que a sua foto era mesmo um embuste feito com uma prancha de brincar com um pescoço de plástico montado em cima para fazer uma foto do seu suposto “monstro real”.



Várias equipes de pesquisa já vasculharam o lago, como esta, que comprovou a farsa do médico R.K.Wilson. Aqui investigaram ainda todas as características e dificuldades encontradas na busca de evidencias de alguma criatura estranha.(Se necessário ativar legenda e tradução-veja como)


 

Novos avistamentos

Em 25 de maio de 2007, Gordon Holmes, um técnico de laboratório de 55 anos de idade, filmou um vídeo que ele diz ser de uma “criatura preta, com cerca de 45 pés de comprimento, movendo-se rapidamente na água”. O vídeo foi estudado por biólogos e sem dúvida tratava-se realmente de uma filmagem real de um animal não identificado, no qual as características físicas são mesmo parecidas com as de um plesiossauro, mas, ainda assim não é considerado uma prova de sua existência.

O vídeo está “entre as mais brilhantes aparições do monstro já feitas”. A BBC da Escócia transmitiu o vídeo em 29 de maio de 2007. Ocupando ainda espaço na mídia, o jornal escocês “The Scotsman” noticiou que o famoso “monstro do lago Ness” não foi avistado em 2013, pela primeira vez em 88 anos. “Nessie” não surgiu à superfície do lago, durante todo o ano de 2013, tal como aconteceu em 1925.

Durante décadas, várias expedições foram realizadas, com os melhores equipamentos, documentados por pesquisadores renomados, e o tal monstro nunca foi encontrado, apesar de outras revelações sobre o lago em sí que é cercado de características intrigantes, como a de águas muito escuras, sua profundidade atípica, elementos marinhos em seu fundo, enguias, e uma densidade comprometedora para as comunicações entre outros mistérios.

Nesta nova investida é talvez improvável que a descoberta do monstro de Loch Ness aconteça e que quase certamente ele não existe. Ainda assim, mesmo que a equipe de pesquisa não encontre vestígios de monstros, eles ainda aprenderão muito sobre o que realmente vive lá, ou até que tenham vivido em outras épocas. 

Os pesquisadores esperam que seu novo estudo ajude os cientistas a entender mais sobre o ecossistema do lago e a ameaça representada por espécies invasoras, que poderiam ser facilmente confundidas e comparadas com avistamentos do passado recente..

E, talvez, ao longo do caminho, eles realmente podem descobrir evidências de Nessie. Afinal, tudo é possível, certo?

O famoso monstro está incorporado a cultura popular na Escócia. Em 2016, um drone marinho de alta tecnologia que procurava nas profundezas do lago escocês por Nessie, encontrou uma réplica do monstro com quase nove metros de comprimento. Esta réplica havia sido usada em um filme de 1970, “The Private Life of Sherlock Holmes”, e tinha-se afundado e perdido quando foram removidas as suas boias.

Enquanto isto a região explora turisticamente o fato, arrecadando milhões no sustento da lenda ou da polêmica do Lago Ness, existindo até um centro de exposições a respeito num belo castelo escocês.(http://www.lochness.com/)

Estabelecido em 1980, o “Loch Ness Centre &”Exhibition tem sido um local preferido de visitantes de todo o mundo, tendo avaliação de 5 estrelas pela autoridade de turismo da Escócia, com o naturalista Adrian Shine, como líder de pesquisa por mais de 40 anos sobre Loch Ness. O Centro de exposição tem 7 áreas temáticas que contam a história de Loch Ness, seus mistérios e tudo sobre Loch Ness que se possa imaginar ou que tenha ocorrido nestes anos todos.

Até o Google tem seu Google Maps voltado exclusivamente para todos procurarem Nessie e ajuda a busca pelo ‘monstro’ com imagens do Lago Ness. Com isso, Internautas do mundo inteiro podem explorar o habitat de um dos “monstros” mais famosos do mundo, a criatura do Lago Ness. Veja:



(Se necessário ativar legenda e tradução-veja como)


Real ou imaginário, o monstro de Loch Ness faz parte do imaginário popular e da cultura da Escócia e do resto do mundo ocidental. É frequente o seu “uso” pelas indústrias de televisão, cinema e videogames. É ainda, um dos motores da indústria de turismo, atraindo ao Loch Ness inúmeros curiosos em busca da oportunidade de tirarem uma fotografia, registrarem um vídeo e certamente buscar da fama pelo fato.

Esta nova investida de pesquisadores de vários países, com novos parâmetros tecnológicos, vai no mínimo alimentar ainda mais esta polêmica, independente de seus resultados. Que Nessie apareça….

O lendário monstro também tem um site official, que tem uma webcam num dos pontos do lago para observação permanente, Veja aqui:


Biblioteca/Fontes:

  • Imagens – Getty Images MR1805,Pinterest,acervo pessoal
  • Videos – History Channel UK, Google Maps/Street View
  • Thompson, Avery – A New Hunt for the DNA of the Loch Ness Monster, Reuters – May 23, 2018
  • Wiki – Loch Ness

Roger Zmekhol chorando…

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Roger Zmekhol , foi mais um renomado arquiteto formado pela primeira turma da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (FAU) que pelo tempo que viveu deixou pelo quatro marcas em São Paulo, Edifício Augusta, Edifício Wilton Paes de Almeida, Residência Roger Zmekhol e a Residência Salomão Charach. Ele foi também o vencedor do Prêmio Oswald de Andrade Filho – IAB-SP (1955).

O arquiteto era filho de refugiados cristãos sírios que nasceu em Paris em 1928 e veio para São Paulo ainda quando criança aos 3 anos de idade e também se tornou docente na própria Faculdade de Arquitetura e foi primeiro vice-presidente do IAB no período 1968-1969.

Roger Zmekhol faleceu prematuramente aos 48 anos, em 16 de Dezembro de 1976, e se ainda vivo veria com frustração a destruição de sua maior obra, o Edifício Wilton Paes de Almeida.

Este edifício foi marco da arquitetura modernista e por assim ser foi tombado em 1992 por ser considerado “bem de interesse histórico, arquitetônico e paisagístico”, o que garantia” a preservação de suas características externas”.

Começou a ser construído na década de 1960 após a demolição do Hotel Victoria e inaugurado em 1968 para ser a sede do conglomerado de empresas do político e empresário Sebastião Paes de Almeida (foi batizado Wilton Paes de Almeida em homenagem ao irmão mais velho de Sebastião). Luxuoso, foi construído para ser sede da Cia. Comercial Vidros do Brasil (CVB).

O Hotel Victoria (prédio escuro ao fundo) antecedeu o Edifício Wilton Paes de Almeida. Ele foi demolido no final da mudança de construções de estilo europeu para estilo norte americano que aconteceu na cidade notadamente nos anos 50.

De estrutura metálica e lajes em concreto, tinha 26 pavimentos e se localizava na esquina da Rua Antonio de Godoy com a Av. Rio Branco tento o Largo do Paissandu à sua frente leste. A CVB era a principal empresa do grupo do empresário e no prédio além dela funcionou a Oleogazas, a Socomin e duas agencias bancarias, o Nacional do Comércio de São Paulo S.A. e o Banco Mineiro do Oeste S.A. nos quais Sebastião de Almeida era acionista majoritário.

Propaganda já mostrando as empresas do grupo Paes de Almeida ocupando o edifício em seu melhor momento.

O edifício Wilson Paes de Almeida foi marcante e bastante arrojado. Além de pertencer ao estilo modernista, foi um dos primeiros que usou fachada de vidro na cidade de São Paulo, tendo seus vitrais importados na época, aponto de receber o apelido de “pele de vídeo”. Foi também o primeiro edifício do Brasil a ter um sistema de ar condicionado central e ter um hall de mármore e aço inoxidável.

A construção era destaque, uma obra de vanguarda, cuja referência e influencias maiores eram o edifício Lever House de Nova York. Esse tipo de construção explodiu na cidade a partir das décadas de 1970 e 1980.

Mas com enormes dívidas com a receita federal e em razão disto o edifício passou para propriedade do governo federal.

Desde 2002, o Wilton Paes de Almeida pertencia à União. Como posse da União, abrigou a sede da Polícia Federal, que já estava lá desde 1980 (e permaneceu até 2003), e também uma agência do INSS. Mas a Polícia Federal acabou mudando sua sede do local e o prédio acabou sendo abandonado, sendo ilegalmente ocupado por “movimentos sociais”.

Em seu momento de glamour, ele fez parte em destaque do skyline do Largo do Paissandú.

Como já mencionado em 1992, o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (CONPRESP) fez o tombamento de diversos edifícios e outras construções da região do Anhangabaú, entre eles, o Wilton Paes de Almeida.

Ele foi classificado em nível de proteção 3, que “corresponde a bens de interesse histórico, arquitetônico, paisagístico ou ambiental, determinando a preservação de suas características externas”. A resolução do tombamento cita “o valor histórico, social e urbanístico”, “o significado paisagístico e ambiental” e “o valor histórico-arquitetônico, ambiental e afetivo de diversos imóveis localizados na área do Vale do Anhangabaú e arredores”.

Como prédio invadido ilegalmente, tornou-se uma verdadeira favela vertical, abrigando todo tipo de moradores, dos quais 35 % estrangeiros, imigrantes. Cerca de 146 famílias e 248 pessoas moravam no edifício e pagavam entre R$ 250,00 a R$ 500,00 de aluguel para o Movimento Luta por Moradia Digna (LMD), grupo ligado ao Movimento de Luta Social por Moradia (MLSM).

O governo federal tentou ainda, em fevereiro de 2015, vender o Wilton Paes de Almeida num amplo leilão , num valor estimado de acordo com o edital, de, R$ 21.595.779,08. O leilão fracassou, e o prédio já se apresentava em péssimo estado de conservação.

Além de ícone de arquitetura, pela carceragem da PF quando ali funcionava, passaram presos famosos, como o mafioso italiano Tomaso Buschetta , o ex-juiz Nicolau dos Santos Neto e até a ossada do oficial nazista alemão Josef Mengele ficou depositada no edifício.

Anos de degradação, pichações e lixo por todo lado, e, o tradicional “empurra-empurra” dos órgãos e esferas de governo responsáveis, fizeram o edifício ter um triste final na madrugada de 1º de Maio, quando tomado por um incêndio “Padrão Andraus“ desabou como as torres gêmeas de NY.

Em questão de segundos, isto foi o que sobrou da renomada construção.

Deixou mortos, feridos, desabrigados e como se diz folcloricamente fez Roger Zmekhol se revirar no túmulo” e chorar angustiosamente pela destruição de sua imponente obra.

O desastre se estendeu ao lado onde funcionava uma centenária igreja luterana, a Martin Luther, que também era tombada. Igreja fundada por imigrantes alemães, foi 80% destruída, sobrando apenas o altar e a torre, depois de uma reforma recente a um custo total de R$ 1,3 milhão. Os edifícios ao lado e em frente também foram afetados.

As imagens deste trágico cenário foram exaustivamente mostradas pela imprensa local e internacional, tal como de outras catástrofes que ocorreram na cidade no século passado (Andraus, Joelma, Grande Avenida), algumas mostradas aqui no blog e certamente devem compor um documentário que vai repercutir no cinema.

O edifício está no centro deste documentário, que já vinha sendo filmado antes da tragédia e agora incluirá sua transformação em ruínas.A diretora Denise Zmekhol, filha do arquiteto, (e do documentário “Children of the Amazon”), desenvolvia o projeto desde o ano passado, registrando os ângulos do edifício modernista de 24 anos como uma homenagem para seu pai, que projetou o prédio inaugurado em 1968.

Na sequencia, do glamour, passando pela degradação, o incêndio e finalmente os escombros…

“Foi como se meu pai morresse outra vez”, afirmara ela sobre o desabamento, para o jornal Folha de S. Paulo. Como esperado o título do filme será “Pele de Vidro”, nome pelo qual a construção era conhecida.

O Wilton Paes de Almeida era um dos ícones do Largo do Paissandú, que além da igreja central, tem a Galeria do Rock e o famoso restaurante Ponto Chic, onde foi criado o famoso lanche “Bauru”.

Agora jaz em ruínas desaparecendo de vez …


Bibliografia/Fontes:

  • Videos: BBC Brasil, Reuters, Globo TV, Globo News, EuroNews, NYT.
  • Imagens: archdaily, portais Msn, G1, Terra, wiki/Roger_Zmekhol, wiki/Wilton Paes de Almeida, gazeta do povo, Folha Press, acervo Estado, acervo pessoal.

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