Billings, Henry Borden e a despoluição do Rio Pinheiros – Parte 4

O projeto de despoluição, o Novo Rio Pinheiros:

Fica muito clara a importância que o Rio Pinheiros deu a São Paulo, com a genialidade de Billings, da Light, mas que foi prejudicado por completo, por incompetência da administração pública por décadas.

São vinte e cinco quilômetros de extensão, 85 metros de largura, 4,5 metros de

profundidade e um índice de qualidade de água “péssimo”, segundo medições da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo).

Esse é o cenário ruim de hoje do rio Pinheiros, que serpenteia por alguns dos bairros mais nobres das zonas sul e oeste da capital e onde se encontram três centros financeiros da mais relevância para o país (Itaim, Vila Olimpia e Brooklin) e que tinha quase a totalidade de seus trechos degradados e muitas áreas sem saneamento.

Considere o mesmo rio despoluído, limpo, aumentando a valorização imobiliária do seu entorno, gerando água e energia, servindo como modal de transporte, de turismo e lazer tornando-se uma realidade para benefício de todos.

É o que a atual gestão do governo estadual pretende com o projeto “O Novo Rio Pinheiros”.

Lançado em 2019, o Programa Novo Rio Pinheiros, uma ação que conta com uma somatória de agentes e atores que têm o mesmo foco. Tem-se hoje sob a tutela, a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente, a Cetesb, que é a grande orientadora, e empresas operacionais, Emae, o DAEE e a Sabesp. Estão as três sob a mesma gestão, e trabalhando juntas

Operacionalmente a Emae e a Sabesp são as grandes capitãs desse processo; A EMAE é quem toca o dia a dia do Pinheiros. É ela quem regula a Usina de Traição e o nível de vazão. Sem contar que ela tem outros ativos ao longo do Pinheiros até a usina de Cubatão na baixada santista. Nós temos da Sabesp, uma ação especial em reforço ao que vem sendo realizado pelo Projeto Tietê, que é a ampliação da infraestrutura necessária para esgotamento sanitário na Região Metropolitana de São Paulo. 

Pelo projeto, estão sendo executados 16 contratos na bacia do rio Pinheiros, para ampliar e otimizar a coleta de esgotos e transporte para a Estação de Tratamento de Esgotos Barueri, na extremo da Zona Oeste da capital

Tem-se o DAEE regulando as questões de água e energia elétrica em todo rio, ou seja, vai garantir a expertise e a regulação para desassorear o rio, como é feito no Tietê há alguns anos.

Todas as empresas ou players com o mesmo foco e objetivo.

E tem a Cetesb como orientadora, porque é ela que vai garantir que essas ações se deem de maneira sustentável.

Desta forma, coordenados pela Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente – SIMA, há o objetivo de devolver o Rio Pinheiros limpo à população até o final de 2022. 

Resumidamente, melhorar a qualidade das águas do rio Pinheiros, eliminando a chegada de esgoto, eliminando a entrada de resíduos sólidos urbanos, executando um plano de manutenção e limpeza permanente e garantindo aeração. Há ações ações preliminares como o desassoreamento do rio, desaterro de bota foras (coleta local de resíduos), melhoria das rotinas de manutenção e intensos programas de comunicação e educação ambiental.

O Novo Rio Pinheiros inclui várias ações para o engajamento da sociedade, desde as pessoas que moram nas áreas informais e que estão afetadas diretamente pelas obras e melhorias, até grandes empresas, passando por ONGs, universidades e outras instituições.

A conscientização a respeito do correto descarte do lixo e da importância de as pessoas ligarem seus imóveis na rede coletora de esgoto são pontos fundamentais para a despoluição, como informa a SABESP. 

A frente de tudo isto, Marcos Penido, relatou: “Quando cheguei à pasta de Infraestrutura e Meio Ambiente, assumi também o compromisso para revitalizar um dos símbolos da cidade, o nosso rio Pinheiros”. 

Todas essas ações estão em plena execução, já que o prazo para a conclusão do projeto é curto (2022).

Mas não só de ações públicas o projeto contará. A iniciativa privada também foi chamada.

A usina elevatória da traição está sendo colocada a iniciativa privada, já com novo nome “Usina São Paulo”, onde em seu entorno serão realizadas varias benfeitorias de uso misto, fazendo parte de um Parque linear, além da própria usina que será totalmente repaginada.

O Governo de São Paulo deixará de gastar R$ 12 milhões por ano, que despende com a manutenção da chamada Usina da Traição, agora rebatizada de Usina São Paulo. Neste espaço serão construídos uma instalação moderna, de grande impacto urbano, com cafés, bares, restaurantes, lojas, academia, museu (automóvel) e o maior cinema ao ar livre da América Latina. A concessão da Usina São Paulo é mais uma etapa do programa de despoluição do Rio Pinheiros, conforme é mostrado abaixo:

 

 

 

Conclusões, Dúvidas, Inquietudes…

Como podemos concluir, o rio Pinheiros foi amplamente usado e contribuiu grandiosamente para o progresso de São Paulo, tendo passado pelas mais fantásticas obras de engenharia, desde o inicio do século passado. Foi provedor de energia, agua, lazer e agricultura.

Sua história também é marcada por fatos como a descaracterização de sua nascente com a formação da Billings, sua retificação, cujo um dos ganhos como dito foi a eliminação das enchentes desde então. É o maior rio urbano, afluente do Tietê, e ele recebe ainda vários canais e rios que formam a bacia do pinheiros sendo quase na totalidade canalizados para prover escoamento de esgoto de toda a zona Sul e Oeste da Capital.

Por conta da poluição, rio se tornou uma fossa gigantesca, que acabou por contaminar a Billings e comprometer a geração da Usina Henry Borden em Cubatão. Além disso a própria Billings e Guarapiranga, como provedores de aguas para o Pinheiros também foram e estão poluídas por ocupações irregulares que ocorreram durante décadas.

Esta poluição do rio Pinheiros, também contribuí para ao já densamente poluído Rio Tietê, que está em processo de despoluição a 4 décadas. No processo de reversão do Pinheiros para geração de energia elétrica, e aumento de volume da Billings, parte também da poluição do Tietê ia para a Billings e Cubatão.

O rio Tietê hoje não se encontra totalmente despoluído, é um processo que anda lentamente por conta dos vários municípios da grande São Paulo que ainda não têm programas de tratamento de esgoto e que escoam para o rio. Muito já se avançou mas a poluição ainda é persistente. Já a despoluição do rio Pinheiros que está em andamento neste atual projeto promete despoluir o canal.

Desde 1989, a Constituição do Estado de São Paulo, proíbe lançamento de esgotos na Billings e a partir de 1993, cessou o bombeamento regular para a represa, apenas ocorrendo em casos das enchentes que assolam SP algumas vezes. Portanto a reversão do rio pinheiros usando as aguas do rio Tietê, do Pinheiros e as usinas elevatórias de São Paulo e Pedreira, com a finalidade de geração elétrica em Cubatão praticamente foi tão reduzida que praticamente anulou toda a engenharia realizada por Billings e pela Light, no século 20.

Sabe-se que um rio só é rio, quando suas águas correm, portanto para manter o curso natural do Rio Pinheiros, este tem que receber água da Billings (também poluída) e de seus afluentes como o rio Guarapiranga quando aberta a comporta da represa Guaruapiranga (também poluída), já que a maioria dos córregos e rios que foram a bacia do Pinheiros estão canalizadas e desviados para Barueri, para tratamento de seus esgotos. Esta fluidez do rio Pinheiros também é necessária para garantir a aeração e oxigenação das águas.

É grandiosa a limpeza do rio, marco principal para a transformação projetada, que está sendo realizada, já são visíveis as melhorias, haverá sim a despoluição, mas a manutenção disto será um fio da navalha, já que os dois extremos do rio (Billings+Garapiranga) e na foz o rio Tietê, são águas poluídas. A menos que o rio seja isolado desses extremos e o Pinheiros se torne um imenso lago linear, o que sabemos não é real, a despoluição não será na pureza que ambientalistas mais radicais acreditam. O próprio Marcos Penido, da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente, deixa claro em suas entrevistas que a reversão do rio ocorrerá sempre que necessário para combater enchentes. Mas há outras situações que podem contribuir com o fio da navalha mencionado: Estiagens, necessidade do aproveitamento maior dos recursos energéticos do rio e de Cubatão, podem comprometer o projeto ora executado. Situação ideal seria além do rio Pinheiros ser limpo e despoluído, o mesmo teria que ocorrer com o Tietê, a Billlings, Guarapiranga simultaneamente.

As ocupações irregulares as margens das represas Billings e Guarapiranga, constribuiram densamente para poluição nas últimas décadas. Acima as ocupações as margens da Billings e abaixo as ocupações nas margens da represa Guarapiranga.

Como registro do passado e distante dos problemas atuais, o engenheiro Asa White Kenney Billings  faleceu em sua residência na cidade californiana de La Jolla , em 3 de Novembro de 1949, poucos meses depois de ter se aposentado, deixando aquela que foi sua verdadeira pátria, por quem trabalhou incansavelmente. Contratado pela Light, na década de 20, o engenheiro foi um dos pioneiros no desenvolvimento de energia no Brasil e arquitetou o projeto de reversão dos rios, essencial para geração de energia e nos presenteou com a construção de duas represas, essenciais ao abastecimento de agua de São Paulo e sua região metropolitana.

Da próxima vez que estiver dirigindo pela Marginal Pinheiros, apreciando as margens agora um pouco mais limpas ou, fazendo compras nos Shoppings paulistas na região do Brooklin ou melhor, ao acender uma lâmpada ou beber um copo de água, ou ainda transistando pela baixada santista e vendo aquelas tubulações, lembre-se que foi um perseverante e criativo engenheiro americano o responsável por algumas das mais importantes intervenções já realizadas na grande metrópole.


Bibliografia/Fontes:

  • Origuela, Daniela – A história dos tubos gigantes fincados na Serra do Mar, Diário do Litoral – Julho 2017 – Santos,SP
  • Garcia, Maiza – A Usina Henry Borden e o Projeto da Serra, Fique Ligado Newsletter – Setembro 2009 – São Paulo,SP
  • O Novo Rio Pinheiros – Usinas e o Projeto Serra, EMAE EMPRESA METROPOLITANA DE ÁGUAS E ENERGIA S.A., arq_18732 – Abril 2019 – São Paulo, SP
  • Gonçalves Newton, Santos ,Alexandre dos e Aguirre,José – Identificação da nascente que dá origem aos rios Grande e Pinheiros, Vitruvius – Janeiro 2016 – São Paulo,SP
  • MANCUSO,PROF. DR. PEDRO – O COMPLEXO TIETÊ/PINHEIROS/BILLINGS/GUARAPIRANGA, Instituto de Emgenharia/USP – Agosto 2018 – São Paulo,SP
  • EBAL – O Engenheiro Billings, Biografia em quadrinhos – série os Pioneiros – 1962, São Paulo,SP
  • Fachini , Olavo – Usina de Memórias, Fundação Energia e Saneamento e Ministério da Cultura – 2013 – São Paulo,SP
  • Lignelli, Karina – UNIÃO QUE FAZ A DIFERENÇA NA DESPOLUIÇÃO DO RIO PINHEIROS, Instituto de Engenharia nº 641 – Agosto 2019 – São Paulo,SP
  • CAMARGO ROALDO – O novo rio Pinheiros, EMAE EMPRESA METROPOLITANA DE ÁGUAS E ENERGIA S.A – Novembro de 2019 – São Paulo, SP
  • Pinheiro – Billings a inversão dos Rios na cidade de São Paulo, billingsrepresahistoria.blogspot – 2011 – São Paulo, SP
  • Billings, Asa White Kenney – Academia Nacional de Engenharia, Rio de Janeiro, RJ
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  • Wiki – Henry Borden
  • Wiki – Usina Hidrelétrica Edgar de Souza
  • Santos, Ana Lucia F. dos – Hidrografia da cidade de São Paulo, CidadeeCultura – Fevereiro 2021, São Paulo,SP
  • Santo André, Prefeitura de – A represa Billings e o município de Santo André, PMSA – Julho 2014 – Santo André,SP
  • Wiki – Rio Jurubatuba
  • SP City, Redação – Uma Usina Elevatória no meio de São Paulo, tem história da cidade aqui! – SP City CULTURACURIOSIDADES, Setembro 2017 – São Paulo,SP
  • BILLINGS, A W K – SPECIAL LECTURE ON WATER-POWER IN BRAZIL, WITH SPECIAL REFERENCE TO THE SAO PAULO DEVELOPMENT – Journal of the Institution of Civil Engineers – Thomas Telford Ltd, OCTOBER 1936 – Scotland
  • SABESP – Novo Rio Pinheiros, Abril 2021 – São Paulo, SP

 

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Updated: 02/06/2021 — 12:28 pm

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