Tecnologia

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Getschko, da primeira conexão ao Hall da Fama da Internet…

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A Internet em sua concepção básica, é formada por pioneiros tantos nos Estados Unidos onde ela nasceu como em outros vários países.

O Brasil entre eles é claro, tem um desses pioneiros, Demi Getschko. Sem ele a Internet no Brasil com certeza teria uma história diferente.

Ele foi o primeiro brasileiro a ter o nome incluído no Hall da Fama da Internet, uma honraria concedida pela Internet Society (ISoc), organização não governamental formada por representantes de todo o mundo com o objetivo de promover a evolução da internet. O mérito de Getschko foi contribuir para que a rede mundial de computadores alcançasse êxito no Brasil durante os seus primórdios.

De nacionalidade italiana (Trieste) é um cientista de computação brasileiro e um dos pioneiros na Internet no Brasil, estando atualmente no cargo de diretor-presidente do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), e representante de notório saber quando o assunto é Internet.

Getschko no CGI em São Paulo

Num sumário de sua história, ele estava à frente do Centro de Processamento de Dados (CPD) da FAPESP em 1991 quando, ele mesmo diz, “pingaram os primeiros pacotinhos da internet” na sede da Fundação no bairro da Lapa, em São Paulo. Era o primeiro contato do país com a novidade que traria inovações em vários aspectos na vida das pessoas e das instituições. Foi ele então um dos responsáveis pela primeira conexão TCP/IP brasileira que ocorreu entre a FAPESP e a Energy Sciences Network (ESNet), nos EUA, por meio do Fermilab (Fermi National Accelerator Laboratory)

Por meio de acordos diretos com a administração das redes norte-americanas acadêmicas, Demi Getschko e a equipe do CPD da FAPESP conseguiram a delegação do domínio .br, que  identifica o código do país nos endereços da web, dos e-mails, etc.

Mas a internet aconteceu primeiro no meio acadêmico, onde Getschko coordenou, ainda como chefe do CPD da FAPESP, a área de operações da Rede Nacional de Pesquisa (RNP) que interligou as principais universidades do país. Ele também ajudou a implementar e a dirigir a famosa rede “Academic Network de São Paulo (ANSP)”, provedora das universidades paulistas. Por participar de todo esse processo, ele esteve na composição do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI) desde setembro de 1995 até hoje. Em 2005, foi convidado para montar e ser o diretor-presidente do NIC.br, entidade que é o braço executivo do CGI e coordena todos os serviços da rede no Brasil. Nos últimos anos, participou ativamente da elaboração do marco civil da internet, aprovado pelo nosso Congresso Nacional recentemente.

Nascido na cidade de Trieste, sua família veio para o Brasil em 1954, quando tinha um ano de idade e era apátrida até se naturalizar em 1976. Na ocasião de seu nascimento (1953) Trieste ainda era zona de ocupação  aliada depois da Segunda Guerra Mundial e por conta disto ele não tinha nenhuma nacionalidade anterior quando sua família decidiu vir para o Brasil. Como ele próprio diz não era italiano e virou brasileiro. Seus pais se naturalizaram antes e só quando ele estava na Poli resolveu acelerar o processo de sua naturalização, já que na época tirar um passaporte com apátrida era um inferno como ele sempre diz.

De carreira exemplar foi engenheiro eletricista formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo em 1975, com mestrado em 1980 e doutorado em 1989 em engenharia pela mesma instituição.

Ainda trabalhou no Centro de Computação Eletrônica (CCE) da USP (1971-1985) e no Centro de Processamento de Dados da FAPESP (1986-1996), na área de tecnologia da Agencia Estado, como professor da Escola Politécnica da USP, e professor Associado da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, onde leciona Arquitetura de Computadores.

Mas ainda dentro dos caminhos nobres que percorreu foi até maio de 2009, membro da diretoria da Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (ICANN) pela ccNSO (Country Code Names Support Organization), eleito para o período de 2005-2007 e reeleito para 2007-2009.

É Conselheiro do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) desde 1995 e Diretor-Presidente do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) desde 2006.

Engenheiro Demi Getschko (segundo da direita para a esquerda, na segunda fila) é o primeiro brasileiro a ser incluído no Hall da Fama da Internet. A partir deste momento, o brasileiro está na companhia a personagens centrais para o desenvolvimento da internet, como Tim Berners-Lee, criador da World Wide Web, Vinton Cerf, um dos pais da internet, Linus Torvalds, criador do Linux, Jimmy Wales, fundador da Wikipedia, além do vice-presidente dos EUA, Al Gore. 

Por toda esta trajetória, em abril de 2014, foi homenageado com a indicação ao prêmio Internet Hall of Fame, da Internet Society, na categoria “Global Connectors” e em abril de 2016, recebeu também uma homenagem especial no 1º Prêmio Profissional Digital da ABRADi-SP, pelos anos de contribuição com a internet brasileira. Estas honrarias o fazem ser um dos ilustres brasileiros que inseriram o país no mundo tecnológico e globalizado da Internet.



Links de referencia:


 

O silo do fim do mundo…

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MK6_TITAN_IIEm Janeiro de 1962 foi criado dentro da força aérea dos Estados Unidos o “390th Strategic Missile Wing“, que entraria em operação em Março de 1963 com a instalação de um míssil Titan 2 modelo LGM-25C, um avanço em relação aos Titan 1 na grande e vasta rede de mísseis balístiscos internacionais (ICBM).

Esta unidade estratégica era anexa ao também “390th Bombardment Group” uma unidade de bombardeiros criada em Janeiro de 1943, que teve atuação marcante na segunda guerra mundial e em outras operações. Tanto a unidade de bombardeiros como a unidade de mísseis estavam estacionadas na base da força aérea em Davis–Monthan, próximo a Tucson no Arizona.

Esta base de mísseis ganhou do Comando Estratégico da Força aérea várias honrarias como a melhor base de Titans 2 até ser desativada em 1984 como ICBM.

Na realidade histórica a Força Aérea anunciou a seleção da Davis-Monthan em Abril de 1960 para instalar o primeiro Titan 2 (modelo LGM-25C)

Pessoas que trabalharam nestas instalações são certamente as que podem revelar como era estar sob tensão quase sempre, pois de suas mãos após o comando central iniciaria-se uma devastação sem precedentes da civilização ou de parte dela.

Nos anos 70 e 80, as tripulações viviam em constante prontidão nos silos de mísseis nucleares enterradas no deserto do Arizona.

Titan_II_Missile_SitesMapa de silos de Titan II no entorno de Tucson, AZ

Por exemplo Yvonne Morris tinha três minutos para começar a trabalhar no início de seu turno. Era o tempo que tinha para telefonar através de seu código secreto de acesso no portão e após a liberação descer um lance de escada. Se isto não acontecesse dentro deste tempo ela seria presa, tal era o rigor entre tantos para se trabalhar num local que tinha o poder de destruir o mundo.

Morris foi um dos primeiros comandantes da equipe feminina de um silo de mísseis nucleares com Titan 2. Ela era responsável por três outros membros da tripulação e de uma arma nuclear de nove megatons.

Dizia ela “mesmo que a nossa missão principal era a paz através da dissuasão, impedindo a Terceira Guerra Mundial, nós tínhamos que estar prontos para lançar e responder a qualquer retaliação”

“Isso não quer dizer”, acrescenta ela, que as coisas não poderiam mudar num piscar de olhos, mas, para ser eficaz em seu trabalho, você tem que deixar a possibilidade do Armagedom se sentar na parte de trás do seu cérebro.” A função ali era não mostrar indecisão ou omissão.

O local do silo que fica a cerca de meia milha a partir da estrada principal ao sul que vai para o México, é um cenário meio apocalíptico pois fica num monte abaixo cercado pelo castigado deserto. As pistas empoeiradas são pontilhadas com cactos e há sinais de aviso do perigo de cascavéis. Na superfície há pouco a ver por trás da cerca de arame farpado, exceto algumas estruturas baixas de metal, as portas de lançamento, antenas e uma escadaria que desaparece no chão.

“Um míssil Titan 2 é muito parecido com um iceberg”, diz Morris. “Apenas cerca de 10% é visível na superfície, o resto é subterrâneo.”

ilustracaodosiloUma ilustração de como era o silo do fim do mundo em Davis-Monthan

A rotina de entrada é descer o primeiro lance de escadas, telefonar para o centro de controle.”Eles liberaram uma fechadura eletrônica na porta para se passar para a área de aprisionamento – na verdade, apenas mais um lance de escada com uma porta na parte superior e na parte inferior onde se telefona novamente com o código de entrada do dia.”

“Eles monitoram câmeras de segurança para se certificar de que sou a única pessoa lá, que ninguém está lá comigo segurando uma arma na minha cabeça, por exemplo”, afirma Morris.

A rigidez do silo propriamente dita começa a 10 metros de profundidade por trás de uma porta de aço sólido e de uma porta de segurança concreto. Pendurado em duas dobradiças gigantes, esta porta de 2,7 toneladas e 30 cm de espessura é tão bem projetada que depois de liberada pode-se empurrá-la com um dedo.

O andar inteiro é montado sobre amortecedores gigantes e as luminárias penduradas em molas para amortecer os efeitos de um ataque.

“Todo o local é projetado para suportar os efeitos de um ataque nuclear nas proximidades”, diz Morris. “Mas nós não fomos concebidos para um ataque direto no silo”, comenta.

Os túneis/acessos são forrados com vigas de metal, penduradas com vários trilhos de cabos, e se assemelha o interior de um navio de guerra ou submarino. Estes acessos levam para o centro de controle de lançamento – uma sala circular com racks de equipamentos, terminais de computador antigos, mostradores e switches. No meio, um console de controle com uma fileira de luzes e com uma cadeira aparafusada no chão bem frente a ela.

Na parte de trás da sala há um cofre vermelho: “senha para a guerra”. Ele contém os cartões de autenticador, com os códigos necessários para validar ordens de lançamento do presidente dos Estados Unidos. O cofre é garantido por dois cadeados de combinação pertencentes aos oficiais de plantão. A tripulação quando sai deve trocar seus cadeados com a nova tripulação. Apenas os indivíduos conhecem as combinações de quatro dígitos.

Não se deve dar a uma única pessoa seu acesso à sala de controle, para não dar a esta única pessoa a oportunidade para lançar o míssil, comenta Yvonne Morris

“É um número PIN que você tem que ser capaz de se lembrar sob estresse extremo”, diz Morris. “Quantas vezes você já esteve na fila do supermercado e não se lembrou seu PIN? Temos de ser capazes de lembrar este código em uma situação de guerra. “

O andar de cima sala de controle tem uma área de descanso com beliches, cozinha e banheiro. Este é o único lugar no complexo, onde os membros da tripulação são autorizados a viver por conta própria. Em outros lugares eles sempre tem que estar à vista de um outro membro da tripulação.

Em todo o turno normal, o dever primário da tripulação era verificar e manter todo o equipamento no silo e o próprio míssil. Os dois estágios do Titan 2 possuem uma altura de sete andares com as inscrições “US Air Force” pintada em seu lado. A caixa preta na parte superior inclui a ogiva, ou o veículo de reentrada. Hoje, ela é vazia, mas Morris se lembra quando, como tenente na tripulação, ela o viu pela primeira vez. “O comandante sempre que tinha a oportunidade levava um novo membro da tripulação para efetuar uma inspeção em seu primeiro alerta, para que pudessem ficar cara a cara com o míssil apocalíptico”

Todas estas e mais outras rotinas faziam com que o Titan 2 pudesse ser lançado em 58 segundos. A lógica de MAD (Destruição Mútua Assegurada) dependia de se ser capaz de responder a uma ameaça do inimigo. “Nós tínhamos mísseis suficientes para destruir um ao outro várias vezes e tinha-se a capacidade de detectar um primeiro ataque e retaliar antes que a primeira ogiva nos atingisse”, afirma Morris.

“Os mísseis iriam passar uns aos outros no ar como navios na noite, explodir em ambos os países, de modo a não ter sobreviventes suficientes para comemorar a vitória.” É fácil entender que isto é uma coisa de loucos.


Yvonne Morris e outros funcionários mostrando como era a rotina do silo


Se o pior acontecesse, o mais alto da tripulação acionaria uma buzina em torno do silo. Ao ouvirem isto, todos executariam os procedimentos necessários no centro de controle para entender uma mensagem codificada transmitida do comando estratégico em Nebraska. Poderia haver muitas razões para que o alarme soasse, uma mudança de alvo, um aumento nos procedimentos de segurança (DEFCON) ou o comando do Presidente para lançar o míssil.

A mensagem era transmitida como uma série de letras e números, que o comandante e seu vice checavam num livro de código. Se os códigos indicassem lançamento, eles autenticariam com seus cartões de lançamento no famoso cofre mencionado protegido pelos dois cadeados de combinação.

Um código para desbloquear o míssil tinha que ser marcado em seis chaves de orelhas de 16 números cada sobre os racks de equipamentos. O míssil só seria lançado por duas chaves separadas (também mantidos no cofre), viradas simultaneamente por cinco segundos pelo comandante e seu vice. Localizados em consoles separados, não havia nenhuma maneira de ser operado por uma única pessoa .

Teria sido impossível começar a Terceira Guerra Mundial por acidente.

“Uma vez que a sequência de lançamento era iniciada, o comandante seguia um conjunto de luzes em seu console”, explica Morris. “Desde a permissão do lançamento a porta do silo já se coloca aberta e o míssil parte”. “Estou com 99,999% de certeza que eu teria feito isso se necessário” afirma Yvonne Morris

É assim que era. Dentro de sua sala de controle, a tripulação sequer ouviria o lançamento.

“Toda a minha família vive no sul da Virgínia, a cerca de 100 milhas ao sul de Washington DC, por isso, no tempo que eu recebo a ordem de lançamento, eles já estariam mortos ou a caminho disto muito brevemente”

“A vida como eu conheço é assim até quando chegar a ordem de lançamento e cada coisa horrível que você pensou sobre o Armagedom está prestes a acontecer e neste momento uma parte de mim está muito motivada pelo desejo de vingança.”

Quando no momento do lançamento, a tripulação por si só teria a probabilidade de sobreviver por mais alguns minutos. O silo não foi projetado para um ataque direto e preciso, ou seja, uma vez que a então União Soviética soubesse exatamente onde o silo estava, um míssil estaria certamente a caminho.

“O tempo de vôo entre a União Soviética e os EUA era de 30 minutos”, diz Morris. “Dependendo de  quando recebemos a nossa ordem de lançamento, era o que determinava quanto tempo teríamos de vida ainda.”

Hoje, o silo é exatamente como ele foi deixado em 1984. O Missile Museum Titan organiza passeios monitorados através do complexo e você pode ficar no topo do silo e olhar para baixo através do duto de aproximadamente sete andares.


Uma visita monitorada no silo de Davis-Monthan


Para aqueles de nós que cresceram durante a Guerra Fria, com a ameaça de um conflito nuclear que pairava sobre nós, o silo continua a ser um memorial para mostrar a capacidade humana de levar a civilização a um fim. Tão relevante hoje como sempre.

O Missile Museum Titan não defende uma posição sobre armas nucleares, mas fornece informações de uma estrutura que existiu para que as pessoas façam seu próprio julgamento”, diz Morris. Este único míssil está exposto apenas como um papel importante de jogo de poder e continua a ser a demonstração mais clara, mais acessível da tecnologia e da devastação que pode causar com seus 9 megatons.

Outros que viveram neste ambiente como Mike Pierce, Sam Morgan(63) tem suas histórias contadas e melhor reveladas hoje após 4 décadas de vivência num clima constante de pressão pelo fim do mundo.

“Para mim, eu ainda me sinto como o jovem que trabalhava com um míssil nuclear”, disse Pierce.

“Parece que eu nunca realmente deixei Titan II.”

O Titan II continuou como uma arma nuclear ativa até 1987 e para cada homem e mulher que conviveram com ele, os silos do Titan eram sua própria casa.

Apesar dos perigos, todos os membros que trabalharam com o Titan II disseram a mesma coisa quando perguntado se eles fariam novamente: “Num piscar de olhos.”

Hoje apesar de vários tratados de desarmamentos feitos nestas últimas décadas, não há garantias que não possamos enfrentar os megatons do amargedom e certamente algumas milhares de pessoas estão vivendo com outras tecnologias, mas impedidas de revelar suas atribuições, oportunidade que esses relatos acima nos revelam, de como sempre estivemos na proximidade de uma catástrofe sem precedentes.


Bibliografia/Fontes:

  • Stumpf, David K – Titan II A History of a Cold War Missile Program – The University of Arkansas – Fayetteville 2000
  • Lamcaster Max – Titan II “family” reunites at missile silo near Tucson – The Star – Tucson, AZ (04/26/2015)
  • Hollingham, Richard & Hinkle, Chris (Images) – The hidden base that could have ended the world, BBCFuture – London (01/08/2016)
  • The National Atomic Museum Titan II
  • 390smw Memorial Association

Titan2

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