A vareta da sabotagem…

2019 foi o centenário da marca francesa Citroën, e nada melhor época para resgatar um acontecimento que até se tornou um folclore.

Tal acontecimento foi relatado no livro Citroën 2CV de  John Reynolds, que descreve uma sutíl sabotagem contra os nazistas na segunda guerra mundial.

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O livro que divulgou a sensacional sabotagem de Pierre-Jules Boulanger

Quando a França foi ocupada pelos alemães em 1940, grandes fábricas francesas como a Citroën foram forçadas a produzir equipamentos para os nazistas. O então presidente da Citroën, Pierre-Jules Boulanger, sabia que não poderia simplesmente se recusar a produzir qualquer coisa, mas tinha em mente que de jeito nenhum ele iria simplesmente aceitar tudo e construir caminhões para o que ele considerava um bando de nazistas imundos.  E Pierre tinha um plano .

Ele instruiu os trabalhadores a estabelecer um rítmo agradável e tranquilo ao construir caminhões (provavelmente eram os caminhões Citroën T45) para o Wermacht, sendo esta uma instrução óbvia. Mas o que foi brilhante foi a idéia de Boulanger de alterar a marcação na vareta de medição de nível do óleo um pouco mais para baixo. Assim, quando os Nazistas fossem checar o óleo, o reservatório pareceria com bom nível de óleo, quando na verdade não estava.

Isso certamente provocaria problemas no motor de muitos dos caminhões, deixando os Nazistas encalhados nas estradas. Eventualmente, isso faria com que os caminhões parassem inesperadamente, deixando os alemães inativos em suas investidas. Todos já sabiam que se o nível de óleo do veículo não estiver entre o mínimo e o máximo o motor poderia sofrer avarias. Depois de algum tempo de uso dos caminhões, com as avarias provocadas, motores travados e outros problemas, sobravam alemães irritados.

Não a toa, quando a sede da Gestapo em Paris foi tomada por membros da Resistência Francesa, em 1944, Boulanger ocupava lugar de destaque na lista dos principais inimigos do Reich.

Mas foi um ato tão fantástico de sabotagem, pois foi extremamente barato de implementar, foi tremendamente sutil, difícil de se perceber enquanto os caminhões eram fabricados, e se tornava um golpe fatal que ocorreria longe da fábrica, mas nem por isso irritando os alemães com a qualidade dos caminhões franceses da marca.

Além desta engenhosidade na sabotagem, simultaneamente, Boulanger também ignorou as ordens nazistas com as quais a Citroën deveria parar de trabalhar em seus próprios projetos, e atuar apenas como fornecedor de equipamentos para os nazistas, o que foi muito significante para o futuro da empresa. Em segredo a marca trabalhou no desenvolvimento pelo menos dois projetos, que viriam a ser muito importantes para impulsionar a Citroën no pós guerra tão quanto contribuir também o reerguimento da França após o conflito.

Nos anos 30 a Citroën tinha a liderança de fabricação de veículos na Europa e era segunda maior do mundo, mas com sérias dificuldades financeiras foi assumida pelo maior credor, a Michelin, que com a morte de seu fundador em 1935, André Citroën, levou Pierre Boulanger ao comando da empresa.

A sabotagem foi um pequeno ato de vingança, já que durante a guerra, a produção de veículos que era de 100 mil unidades caiu para em torno de 9 mil unidades por ano, pois a fábrica da Citroën na localidade Quai de Javel foi bombardeada em 1940 e 1942. No segundo bombardeio as linhas de produção foram seriamente danificadas. Tempos depois, contudo, com mudanças inovadoras o primeiro caminhão saia da fábrica e viriam a se tornar uma das mais fantásticas sabotagens do período da guerra…

“O inocente personagem da sabotagem”

Pierre-Jules Boulanger viveu todas a mazelas da guerra pois foi presidente da Citroën de 1935 até sua morte em 1950

Seu plano muito inteligente fez dele um ícone para a evolução da marca. No episódio da sabotagem sabia-se que era quase impossível saber que havia algo errado com os caminhões até que eles revelassem defeitos e perceberiam já seria tarde demais.

Boulanger contribuiu muito para a evolução da Citroën. Foi persistente em complicar a vida dos nazistas, e era grande inovador e criador. É o criador de um carro pequeno, meio feioso, que conhecemos como o 2CV, construido em 1948, dois anos antes de sua morte em um acidente de carro. Sonhava em construir um carro que pudesse ser conduzido por qualquer pessoa e transportar qualquer coisa e ser barato para rodar. Curiosamente conceito parecido foi usado pelos nazistas em um outro carro também feioso, que vendeu milhões de unidades por várias décadas, mas aí já é outra história.

Salve Pierre-Jules Boulanger e sua Citroën