Coreia do Norte e a simulação do horror…

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Um estudo divulgado por Dave Mosher do Business Insider, apresenta uma simulação de como seria o impacto de bombas termonucleares norte coreanas em algumas das maiores cidades dos Estados Unidos, então alvo predileto do maluco e rancoroso ditador norte-coreano.

O estudo usa as ferramentas do Google Earth Pro para 3D para ilustrar cada cenário da Nukemap, ferramenta esta já utilizada pelo blog em simulação semelhante para São Paulo (http://netleland.net/sao-paulo/simulacao-do-terror-bomba-nuclear-em-sao-paulo.html).

Não restam dúvidas que armas nucleares podem ser as criações mais aterradoras da humanidade, mas a maioria das pessoas teria dificuldade em dizer o que, exatamente, tal explosão poderia fazer para sua cidade, região. Como mencionado, para ajudar o público a lidar com ameaças nucleares, Alex Wellerstein, historiador da ciência no Stevens Institute of Technology, criou o Nukemap (http://nuclearsecrecy.com/nukemap/), um simulador interativo que permite que você simule as consequências da explosão de uma arma nuclear em qualquer lugar do mundo mapeado pelas ferramentas digitais. Uma atualização recente do simulador permite até que se preveja onde nuvens de precipitação radioativa podem derivar com base nas condições climáticas atuais.

Como afirma o historiador: “Uma compreensão realista do que as armas nucleares podem e não podem fazer é necessária para qualquer discussão que as envolva”, disse Wellerstein anteriormente ao Business Insider. “As pessoas tendem a ter opiniões errôneas das armas, de seu poder ou subestimar o seu real poder”.

Dado o crescente interesse público nos programas de testes de mísseis balísticos intercontinentais da Coréia do Norte e do artefato Wellington, Wellerstein adicionou recentemente a explosão subterrânea de 3 de setembro do país, ainda mais poderosa, a uma lista de opções predefinidas do Nukemap. O dispositivo incluído é uma bomba termonuclear, que produziu uma explosão de aproximadamente 150 kilotons de TNT. Isso é cerca de 10 vezes mais forte do que a explosão de bomba de Hiroshima de 1945, que infligiu cerca de 150 mil vítimas.

Embora um míssil nuclear não tenha atingido os EUA ainda, mas a retórica norte coreana continua, há que as baixas são notoriamente difíceis de precisar, mas as imagens abaixo mostram o que poderia acontecer se uma bomba de 150 kilotons (do tipo W-80 ou as testadas pela Coreia em 2017) atingisse grandes cidades americanas nestas simulações.

Escolheu-se as 10 cidades seguintes porque são as mais densamente povoadas e as classificamos com base em perda de vida estimada:

Aqui está o significado das cores do resultado da explosão dado pelo Nukemap:

  • Amarelo: bola de fogo (0,56 milhas de largura, 1,03 milhas de altura) – Na área mais próxima do local de detonação da bomba, as chamas incinerariam a maioria dos edifícios, objetos e pessoas.
  • Verde: radiação (1.24 milhas de largura) – A gama de bombas nucleares e outras radiações são tão intensas nesta zona que 50% ou mais morrem em “várias horas até várias semanas”, de acordo com Nukemap.
  • Azul-cinza: explosão de ar (4,64 milhas de largura) – Isso mostra uma área de explosão com 5 libras por polegada quadrada de pressão, que é poderosa o suficiente para colapsar a maioria dos edifícios residenciais e ferir os tímpanos. “As injúrias são universais, as fatalidades são generalizadas”, diz o Nukemap.
  • Laranja: radiação térmica (6,54 milhas de largura) – Esta região é inundada com luz ultravioleta abrasadora de pele, queimando qualquer pessoa exposta. “As queimaduras de terceiro grau se estendem por todas as camadas da pele e muitas vezes são indolores porque destroem os nervos da dor”, diz o Nukemap. “Eles podem causar cicatrizes severas ou incapacidade, e podem exigir amputação”.

As explosões que usadas para estimar mortes e lesões são de bombas de 150 kilotons detonadas a cerca de 1 milha acima do solo. As armas nucleares infligem o maior dano à medida que são detonadas a centenas ou milhares de pés acima de um alvo, pois espalha a energia de forma mais eficiente. Isso faz uma bomba mais mortal do que se fosse detonada no chão, já que o solo e as estruturas podem absorver ou bloquear parte dessa energia.

Veja como se comportariam nas cidades alvo:

Tampa, Flórida: 67 mil mortos, 161 mil feridos

A explosão de 150 kilotons sobre Tampa poderia destruir:

– 54 hospitais e instalações médicas
– Duas estações de bombeiros
– 46 escolas e instalações educacionais
– 74 igrejas, sinagogas, mesquitas e outros locais de culto.

No caso de uma detonação de superfície de 150 kilotons em Tampa, a cidade vizinha de São Petersburgo pode ter uma dose mortal de precipitação.

Os ataques aéreos criam pequenas consequências radioativas em comparação com as explosões de superfície, que sugam restos, irradiam e espalham por centenas de quilômetros. No entanto, isto não é uma garantia, então o estudo incluí também previsões de nuvens de precipitação a partir de detonações no solo para fornecer uma sensação de quão longe essa ameaça pode viajar.

Foi usado uma estimativa do Nukemap de onde as precipitações viajariam com base nos ventos prevalecentes em determinado dia. Nota-se no entanto, que as nuvens nascentes geralmente assumem uma forma mais complexa devido aos ventos de alta altitude.

New Haven, Connecticut: 85 mil mortos, 117 mil feridos
Esta explosão de 150 kilotons sobre New Haven poderia destruir:

– 93 hospitais e instalações médicas
– Sete estações de bombeiros
– 114 escolas e instalações educacionais
– 160 igrejas, sinagogas, mesquitas e outros locais de culto.

Partes de Long Island, Queens e Brooklyn não podem escapar dos efeitos mortais de um ataque terrestre em New Haven.
A queda mais forte seria para o centro (vermelho), emitindo cerca de 1.000 rads por hora. A queda mais fraca (amarelo), que emite cerca de 1 rad por hora, se espalharia mais distante.
As chuvas mais fracas se dissipam em 24 horas, embora os restos radioativos perto de um local explosivo possam permanecer perigosos por 48 horas.
Uma pessoa situada na zona de 100 rad-per-hour (laranja escuro) durante quatro horas obteria 400 rads de exposição à radiação – suficiente para matar 50% das pessoas pela radiação aguda.

Detroit, Michigan: 102.000 mortos, 220.000 feridos
Essa explosão de 150 kilotons sobre Detroit poderia destruir:

– 59 hospitais e instalações médicas
– Sete estações de bombeiros
– 62 escolas e instalações educacionais
– 56 igrejas, sinagogas, mesquitas e outros locais de culto.

Os ventos da noite soprariam os restos de precipitação a 100 milhas a sudoeste do centro da cidade.

Miami, Flórida: 125.000 mortos, 277.000 feridos
Esta explosão de 150 kilotons sobre Miami pode destruir:

– 50 hospitais e instalações médicas
– Cinco estações de bombeiros
– 116 escolas e instalações educacionais
– 97 igrejas, sinagogas, mesquitas e outros locais de culto.

As consequências radioativas de uma explosão de Miami podem viajar todo o caminho pela ponta da península da Flórida.

Honolulu, Havaí: 151 mil mortos, 165 mil feridos
Essa explosão de 150 kilotons sobre Honolulu poderia destruir:

– 34 hospitais e instalações médicas
– Seis estações de bombeiros
– 147 escolas e instalações educacionais
– 141 igrejas, sinagogas, mesquitas e outros locais de culto.

A maioria das consequências do espalhamento nuclear em Honolulu explodiria sobre o Oceano Pacífico.

Filadélfia, Pensilvânia: 301 mil mortos, 465 mil feridos

Esta explosão de 150 kilotons sobre a Filadélfia poderia destruir:

– 113 hospitais e instalações médicas
– 14 estações de bombeiros
– 181 escolas e instalações educacionais
– 183 igrejas, sinagogas, mesquitas e outros locais de culto.

Cidades tão distantes como Baltimore poderiam ser pulverizadas com precipitação nuclear de 1 rad-por-hora de uma explosão em solo na Filadélfia.

São Francisco, Califórnia: 305 mil mortos, 361 mil feridos

Essa explosão de 150 Kilotons sobre São Francisco poderia destruir:

– 295 hospitais e instalações médicas
– 10 estações de bombeiros
– 94 escolas e instalações educacionais
– 47 igrejas, sinagogas, mesquitas e outros locais de culto.

A região ao leste da baia poderia ser atingida com intensas consequências.

Boston, Massachusetts: 311 mil mortos, 491 mil feridos,

Esta explosão de 150 kilotons sobre Boston pode destruir:

– 79 hospitais e instalações médicas

– 14 estações de bombeiros

– 190 escolas e instalações educacionais

– 146 igrejas, sinagogas, mesquitas e outros locais de culto.

A chuva radioativa de uma explosão nuclear de solo baseada em Boston penetraria profundamente em Massachusetts.

Chicago, Illinois: 351,000 mortos, 492 mil feridos

Essa explosão de 150 Kilotons sobre Chicago poderia destruir:

– 98 hospitais e instalações médicas
– 15 estações de bombeiros
– 263 escolas e instalações educacionais
– 117 igrejas, sinagogas, mesquitas e outros locais de culto.

As precipitações radioativas de uma explosão no solo em Chicago podem se espalhar pelas margens ocidentais do Lago Michigan. Milwaukee poderia até estar dentro do alcance.

Nova York: 959 mil mortos, 1,5 milhões feridos

Essa explosão de 150 kilotons sobre Manhattan poderia destruir:

– 226 hospitais e instalações médicas
– 20 estações de bombeiros
– 432 escolas e instalações educacionais
– 389 igrejas, sinagogas, mesquitas e outros locais de culto.

Uma grande região do centro de Nova Jersey e talvez cidades tão distantes como Filadélfia, poderiam ser atingidas com precipitação perigosa.

Como observado nestas simulações, além dos milhares e mortos e feridos, centenas senão milhares de organizações civis de apoio seriam também pulverizadas, o que agravaria o quadro de horror.

O estudo divulgado não contempla em mesma análise a retaliação dos Estados Unidos frente a Coreia do Norte caso ela ocorra.


Animais e eclipses…

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Eclipses são ocorrências rotineiras, fazendo com que populações inteiras sejam influenciadas por eles. Mas as pessoas não são as únicas que são afetadas pelo evento astronômico, pois boa parte de plantas e animais apresentam hábitos há muito documentado, de reagir estranhamente ao show celestial.

Os relatos de animais ficando malucos durante o fenômeno não é recente. Durante o eclipse de 3 de junho de 1239, o monge italiano Ristoro d’Arezzo escreveu que quando o Sol sumiu “os animais e as aves ficaram aterrorizados, e até as mais selvagens criaturas podiam ser facilmente capturadas”.

Existem muitos relatos de eclipses solares que incluem contos de animais que se comportam estranhamente, existindo ainda uma série de evidências cômicas de como os animais e plantas respondem ao fenômeno, quando a lua bloqueia completamente o Sol, afirmaria Elise Ricard, porta-voz de um projeto sobre eclipses chamado Life Responds, na Academia de Ciências da Califórnia, em São Francisco, EUA.

Certamente um dos primeiros registros tem origem no eclipse total que ocorreu em 1544, quando observadores do evento perceberam que alguns pássaros pararam de cantar, ou mesmo caíram do céu num outro eclipse de 1560. No século 20, houve um grande número de registros de cientistas relatando uma variedade de criaturas que reagiram aos eclipses.

Em Portugal, durante o eclipse de 1569, o astrônomo Christoph Clavius também notou estranho comportamento das aves: “Quando as estrelas apareceram no céu, os pássaros caíram ao chão com medo das sombras”, relatou.

A Sociedade de História Natural de Boston reuniu observações durante um eclipse de 1932 que cruzou partes das regiões do Maine, New Hampshire e Vermont (nos EUA), marcando o que eles acreditavam ser “o primeiro estudo abrangente e cientificamente conduzido do comportamento da vida animal durante um eclipse total. Entre algumas dessas observações, grilos cantando freneticamente, sapos coaxando, galinhas voltando aos seus poleiros, enfim muitos comportamentos atípicos enquanto ocorria o eclipse.

Durante um eclipse solar, naqueles poucos minutos onde o sol está completamente coberto, os níveis de luminosidade em locais da Terra diminuem tanto mostrando uma condição noturna temporária. Se o fenômeno acontecer no meio do dia, os animais diurnos se vêm confrontados com duas informações: O súbito anoitecer diz a eles que está na hora de se retirar, já seus relógios biológicos os mandam continuar com seus afazeres, pois nada mudou. É fato que, observando o comportamento dos animais se eles obedecem a uma das duas situações ou tentam por ambas, gerando confusão e inquietudes.

É certo que pássaros apresentam comportamento diferenciado, se aglomerando e silenciado estranhamente. Alguns pássaros já foram avistados voando de volta para seus ninhos, rotina que só é feita ao final do dia, ao mesmo tempo em que corujas e sapos e outros animais noturnos, começaram a cantar e coaxar como que se fosse o início da noite.

Até os peixes reagem durante a situação, por exemplo os de água doce começam a realizar suas atividades noturnas, enquanto os de água salgada se dividem em dois grupos, os que vivem perto dos corais, que voltam aos seus ninhos, e os que vivem em mar aberto que ficam extremamente nervosos e perdidos, nadando aleatoriamente em grandes cardumes. É comprovado pela ciência que em peixes, o relógio lunar influencia a reprodução e envolve o eixo hipotálamo-hipófise-gonadal. Já nos pássaros, as variações diárias na melatonina e na corticosterona desaparecem durante os dias de lua cheia.

Répteis e insetos também adotam comportamento noturno, durante os poucos momentos da escuridão do eclipse. Como mencionado e observado durante eclipses solares, pássaros e alguns insetos adotam um silêncio assustador. Aqueles que geralmente dormem à noite começam a se preparar para tal, enquanto animais de hábitos noturnos começam a acordar e se mover.

No eclipse de 21 de agosto deste ano pode se observar quando ainda era o começo de tarde e a escuridão começou, imediatamente as aves pararam de voar e animais de hábitos noturnos como caranguejos e tartarugas deixaram a água para irem à superfície.

A própria Nasa reconhece que existe mudança no comportamento de animais. “Foi relatado durante muitos eclipses que diversos animais diferentes são surpreendidos e mudam seu comportamento pensando que o crepúsculo chegou”, reconhece a agência. Até os animais domésticos ou em criadouros, zoológicos, etc podem apresentar reações. Cães podem uivar, se esconder sob a cama ou se recolher em seu lugar de dormir…

Aqui estão alguns dos exemplos mais estranhos:

No eclipse de 21 de agosto nos Estados Unidos, aproveitando-se da tecnologia (smartphones), houve grande empenho pela Academia de Ciências da Califórnia, em incentivar registros de comportamentos de animais com o uso de um aplicativo da própria Academia, chamado iNaturalist.

Em NY onde a Lua cobriu 72% do Sol, foi suficiente para registrar comportamentos diferenciados dos animais que habitam o refúgio de vida selvagem Jamaica Bay, mostrados pela FOX (veja abaixo). Outros tantos relatos e registros foram obtidos, o que deve melhorar os estudos a respeito dos efeitos dos eclipses, que vêm sendo relatados há muito tempo.


Bibliografia/Fontes:

  • Grossman, Lisa – What do plants and animals do during an eclipse?, ScienceNews – August 2017
  • Vergano Dan – 7 Animals That Freak Out During Eclipses, BuzzFeed/Flipboard – August 2017
  • Sciences, California Academy of – Solar Eclipse 2017: Life Responds, August 2017
  • Harrington, Rebecca – Animals reacted strangely during the solar eclipse, Business Insider – August 2017
  • Zimecki, M – The lunar cycle: effects on human and animal behavior and physiology, NCBI – 2006

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