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O maior que não aparece…

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Sempre há em São Paulo discussões sobre seus edifícios. Faz parte da cultura paulistana, que acaba também envolvendo quem visita a cidade, afinal a cidade é a 3ª do mundo com mais edificações, sendo superada apenas por Hong Kong e Nova Iorque.

Uma das discussões sobre o tema é “qual o maior edifício da cidade”. Muitos apressadamente responderão que é o edifício Itália (Circolo Italiano), outros dirão que é o Banespão (edifício Altino Arantes), ou o CENU na Marginal Pinheiros e por aí vai…

Contudo, como mais uma dessas paulistices, o maior edifício se esconde no vale do Anhangabaú, mais precisamente no início da Av. Prestes Maia no centro da cidade. Trata-se do edifício Mirante do Vale (antigo palácio Zarzur Kogan). Seus 170 m e 51 pavimentos, não usufruem positivamente da topologia irregular da cidade.

Observem a figura abaixo num dos mais famosos skylines da cidade de São Paulo, tomada do Bairro do Brás e do Parque Dom Pedro II:

Ao olhar a imagem, a pergunta seria respondida como sendo o edifício do Banespa, ao centro da foto. Na extrema direita está o edifício Mirante do Vale, este sim o maior da cidade desde 1966.

Sua posição pouco privilegiada neste skyline o coloca na 4ª posição em altura, considerando todas as edificações altas da imagem.

Esta situação é justificada por duas ocorrências: um “morrinho” de 16 metros e o estilo de construção de cada um dos gigantes. Vejam abaixo:

Ou seja, o Banespão está situado a 16m acima do Piso Anhangabaú, que é a parte mais baixa de todo o centro de São Paulo. Localizado na Praça Antonio Prado de onde se origina a Av. São João. O estilo de construção também justifica estas diferenças ao se observar ambos, de uma certa distância:

Local do Mirante do Banespa

O edifício Altino Arantes, o famoso Banespão possui 40 pavimentos e 162 m de altura, portanto cada andar ou pavimento tem a altura de 4.0 metros. Já os 170 m e 51 pavimentos de seu vizinho mostram um estilo de engenharia mais moderna onde cada andar tem 3,3 metros de altura. Olhando apenas um pavimento a diferença pode ser até pequena, mas quando se faz a pilha percebe-se como este estilo de engenharia é relevante. Dezenove anos separam a inauguração destes edifícios: Banespa, 1947 e Mirante do Vale, 1966.

Ao brincarmos com estes dados, se o Mirante do Vale fosse erguido com a mesma altura por andar do seu vizinho, sua altura total seria de 204 metros, que superaria o Banespão mesmo ele estando 16 m acima (o famoso morrinho), pois ele teria um total de 178 m (162+16). E o skyline acima seria bem diferente.

Se trocássemos os dois de seus lugares, o Mirante do Vale na Praça Antonio Prado teria somado aos seus 170 metros mais 16 do morrinho, totalizando 186m contra os 162 m do Banespão então no Piso Anhangabaú, portanto também fazendo significativa mudança no Skyline acima.

Por outro lado, se adotarmos a engenharia do Mirante do Vale no tocante a altura por andar, no Edifício do Banespa, este teria uma altura máxima de 132m e portanto também mudaria o Skyline acima a favor do seu vizinho de 170 m.

Muitas outras combinações ainda podem ser realizadas, mas a brincadeira é só para justificar a infelicidade desta situação do maior edifício de São Paulo ser meramente um coadjuvante no imenso skyline das edificações de São Paulo.

O Mirante do Vale,popularmente de Edifício Mirante do Vale,cujo nome oficial é Condomínio Edifício Mirante do Vale, e nome fantasia Edifício W. Zarzur, foi projetado pelo engenheiro Waldomiro Zarzur juntamente com Aron Kogan. Em seus 170 metros de altura, 51 andares, de uso comercial, trabalham 10 mil funcionários e possui uma circulação diária de 30 mil visitantes em suas lojas e instalações comerciais. Construido em 6 anos de 1960 a 1966 tem 75.000 m² de área construida e é suportado por 12 elevadores e um heliponto no 51º andar.

O edifício Mirante do Vale, não é muito conhecido pelos paulistanos, já a fama do Banespão é muito referenciada. Ele tem um mirante que recebe milhares de visitantes e grupos. As visitas podem ser realizadas, com monitoramento onde são usados dois elevadores, o primeiro até o 26º e um segundo até o 32º. Daqui só com lances de escada para atingir o equivalente ao 36º pavimento, de onde tem-se uma vista de 360º de parte da cidade, é possível vislumbrar vários ícones da cidade, a “muralha” da Avenida Paulista, a Serra da Cantareira, etc. O acesso a cúpula que sustenta a bandeira paulista, não é permitida.

O Edifício Altino Arantes (Banespão) é capa de fundo da quilométrica avenida São João.

Já o Mirante do Vale, não tem acesso ao público, o que é uma pena, pois em seu topo poderia muito bem existir um restaurante e terraço panorâmico, pois possibilita também uma vislumbrante vista de toda área central da cidade. Outrora este local do edifício servia para grandes painéis publicitários, que aparecem em muitos postais antigos da cidade e hoje sua cobertura é utilizada para eventos comerciais e promocionais. Um vídeo institucional realizado em 2014 e um destes eventos mencionados, chamado “Dança sem fronteiras” mostram a grandeza deste edifício no centro de São Paulo. Veja abaixo:


 

Uma panorâmica do topo do edifício Mirante do Vale, contemplando seu vizinho famoso (Banespão) e o Vale do Anhangabaú.


 

Altino Arantes: Esqueceram de mim ?

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No último dia 20 de junho, foi aprovado pelo Condephaat, o tombamento do emblemático Edifício Altino Arantes, cujo pedido foi feito em 1987, portanto a 24 anos atrás.

Se olharmos os processos de tombamento, muitos dos quais com menos relevância do que este edifício, a rapidez sempre se apresentou.

Quem solicitou o tombamento foram funcionários do banco, naquele ano de 1987 antes da crise em que o banco esteve sob intervenção Federal de 1994 a 2000, como consequência de ter sua carteira de créditos comprometidas pelas más gestões de Quércia e Fleury, principalmente. Em 2000 foi privatizado em leilão público, e arrematado por mais de 7 bilhões de reais pelo grupo espanhol Santander, que entre os ativos patrimoniais ficou o edifico símbolo.

Por alguma razão os estudos de tombamento começaram sòmente em Janeiro de 2010, segundo a Secretaria de Estado da Cultura, representando aqui um enredo de filme “esqueceram de mim….” dado aos prazos envolvidos, desde o pedido, o inicio dos estudos e o tombamento de fato.

Certamente neste período o edifício correu muitos riscos, embora tinha proteção de sua fachada pelo município de SP, proteção coletiva dada ao perfil urbanístico do Vale do Anhangabaú desde 1992.

Agora mesmo que tardiamente, todo o edifício passa a ser patrimônio do Estado. Segundo a resolução de tombamento estadual, externamente preservam-se “volumetria, fachadas e terraço de cobertura”. Internamente, foram incluídos os pavimentos do subsolo ao sexto, “excluindo-se o quarto e os demais pavimentos da torre até a cobertura”. Móveis “identificados com a prática e funcionamento da instituição financeira” também entraram no tombamento, como mesas e cadeiras.

O edifício inaugurado em 1947 demorou oito anos para ser construído. O prédio de 161,22 metros de altura foi erguido para abrigar a sede do Banco do Estado de São Paulo (Banespa), já que a diretoria do antigo banco, planejava estabelecer-se em um prédio maior.

Assinado por Plínio Botelho do Amaral, o projeto acabou executado pela empresa Camargo & Mesquita.

Na década de 60, o edifício ganhou o nome de Altino Arantes em homenagem ao primeiro presidente brasileiro do banco. Trinta anos depois, algumas áreas do prédio foram tombadas pelo patrimônio histórico, como o hall, as galerias, a caixa forte, 5º e 6º andares e a torre.


A caixa forte do edifício mantém as características originais, como porta circular de 16 toneladas e 2 mil cofres de aluguel de diversos tamanhos.

No 5º andar, existem lustres e lambris que foram restaurados, sendo que todo o andar é revestido em jacarandá paulista. O 6º andar foi restaurado em 1969 para acomodar a presidência do banco. Localizado na rua João Brícola, no centro de São Paulo, próximo às ruas que antes formavam o centro bancário do município, o edifício teve sua arquitetura inspirada no Empire State Building, um dos prédios mais famosos em Nova York, nos Estados Unidos.

Na torre, foi instalada, e funcionou por muitos anos, a antena da primeira emissora de televisão do País, a TV Tupi, Canal 3 de São Paulo. Hoje, ela ainda abriga antenas, mas nãos as de emissoras. Polícia Civil, Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e a própria segurança do banco é que utilizam o ponto privilegiado para suas comunicações por rádio.

                                             Vista da parte interna da torre/mirante
 
 Depois de ser mantido fechado durante a ditadura militar, por supostas “razões de segurança”, foi reaberto desde então à visitação, recebendo mais de 45.000 visitantes/ano.

Hoje o espaço é sede do Santander Cultural, e o mirante do prédio proporciona uma vista de 360º, até 40 km.

Os números do Edifício Altino Arantes:
  • – 17.951 metros quadrado de área construída
  • – altura do prédio: 161,22 m
  • – altura do farol: 11,7 m
  • – altura do mastro da bandeira: 9 m
  • – pé direito do saguão: 16 m
  • – raio de visibilidade da torre: 40.000 m
  • – velocidade dos elevadores por minuto: 210 m
  • – número de andares: 35
  • – número de degraus: 900
  • – número de elevadores: 14
  • – número de janelas: 1.119
  • – peso do edifício: 45.500.000 Kg
  • – reservatório de água: 500.000 litros

Como se diz no popular, antes tarde do que nunca. O velho e imponente Banespão agora é patrimônio preservado integralmente!

 

 

O serviço de visitação é gratuito (grupos precisam agendar):

Banespão (Edifício Altino Arantes)

Rua João Brícola, 24 – Centro – São Paulo (Metrô São Bento)
Tel.: (11) 3249-7180
E-mail: museusantander@santander.com.br

Horário: De segunda a sexta, das 10h às 15h

Links relacionados:

A história de um Símbolo

Museu Santander-Banespa em 360º

Prédio do Banespa é tombado

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