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Monotrilhos: Eles estão chegando….

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Depois de muita expectativa, muitas polêmicas , muita ação dos palpiteiros e da imprensa “do contra”, 2013 deve entrar para história do transporte urbano com a entrada da primeira linha de monotrilho para transporte de massa.

Este novo meio de transporte é a aposta do transporte público em São Paulo, que consolida o conceito de que transporte de massa tem que trafegar pelo alto ou pelo subterrâneo, e não mais no plano normal de rolagem da cidade.

Corredores de ônibus, VLTs, BRTs, podem ser soluções para outras cidades que ainda podem usar suas vias rodoviárias ou construir novas. Até o BRT Expresso Tiradentes foi construído em via elevada, e é muito bem avaliado pelos usuários.

O Monotrilho da Linha 15 que deve ter seu trecho inicial inaugurado neste ano é praticamente a continuidade do Expresso Tiradentes. Ele é o primeiro de um plano ambicioso de construção de aproximadamente 100 Km de monorails, que tem duas linhas já em construção e um terceira em fase de licitação.

As primeiras linhas de SP

As 3 primeiras linhas (62Km) que se concluídas até 2016 quase será o equivalente as linhas de metrôs disponíveis atualmente e que demoraram décadas para chegar onde chegaram.

Por ser uma novidade, essencialmente o monotrilho é um trem que se locomove por uma viga-trilho aérea denominada carril. Limpo e silencioso pois utiliza energia elétrica e pneus para seu deslocamento. O sistema se estabiliza devido à acomodação que os vagões fazem na parte de cima e dos lados da viga, impossibilitando desta maneira uma descarrilagem.

como funciona

Pneus “abraçam” a viga trilho, e garantem estabilidade, segurança e conforto

 

Por transitar em via elevada e ser envidraçado, os veículos proporcionam uma viagem muito mais agradável, mais confortável e segura.

O primeiro trecho, que ligará a Vila Prudente à Cidade Tiradentes, na Zona Leste da Capital, terá capacidade para atender até meio milhão de passageiros por dia com uma frota será composta de 54 trens com 7 vagões cada um.

Os 378 carros do monotrilho desta linha 15 – Prata, virão, da cidade de Hortolândia, a 20 minutos de Campinas onde a empresa canadense Bombardier montou uma unidade de produção para atender São Paulo e as outras cidades brasileiras, que venham adotar o sistema (há estudos para Manaus, Vitória..) . O projeto estipula 2016 como o prazo completo para ligar o bairro Cidade Tiradentes à estação Vila Prudente, da linha 2 – Verde do Metrô, num total de 24 quilômetros e 17 estações. Mas já neste ano, o primeiro trecho inicial deve ser inaugurado, percorrendo os 2,9 quilômetros que separam a estação Vila Prudente da futura parada Oratório.

 

O sistema do monotrilho opera com tanta segurança ou mais que o metrô subterrâneo e raros são os casos de acidentes com monotrilhos. O sistema opera autônomo, sem necessidade de condutor, o que reduz risco de acidentes por falha humana, sistema já existente na linha amarela do Metrô de SP.

Cada vagão do monotrilho tem capacidade de 143 passageiros e a estimativa é que o serviço nesta linha receba 500 mil usuários diariamente.

Para transportar tal contingente, é preciso algumas inovações. A Bombardier, que também atua no ramo da aviação, trouxe tecnologia aeronáutica para reduzir o peso dos carros, e assim aumentar o número de usuários transportados.

São 15 toneladas de alumínio, estruturadas em forma de colmeia. “É um truque para reduzir espaço e ganhar performance”. O motor é de ímã permanente e fica dentro do cubo da roda de borracha, gerando um nível de ruído quase nulo.

A multinacional classifica o sistema como “de alta capacidade”, único no mundo com cara de metrô. Na China, um monotrilho carrega 30 mil pessoas por hora, e no Japão, 25 mil. No Brasil serão 40 mil pessoas por hora.

“Um trem com esta capacidade será inédito”, e a Bombardier vê um futuro promissor para a exportação. A fábrica já tem encomendas de 12 carros para a Arábia Saudita, e várias cidades brasileiras já demonstraram interesse. A meta para o auge de produção é de um carro por dia.


A fábrica da Bombardier em Hortolandia, SP


Além da linha 15, também a linha 17 – Ouro esta sendo construída e também tem 2016 como data para ser finalizada a, que vai unir o Jabaquara ao Morumbi, passando pelo Aeroporto de Congonhas. As obras da primeira etapa desse ramal (antes de cruzar o Rio Pinheiros) estão sendo tocadas intensamente e deverão terminar em 2014.

A terceira linha, a 18-Bronze, entre a Zona Leste e São Bernardo do Campo em fase de finalização de processo licitatório também deve estar concluída em 2016 totalizando então 62 quilômetros de trilhos suspensos.

Duas são as principais vantagens do monotrilho: é custar menos que o metrô e ser mais rápido para construir. Cada quilômetro suspenso sai por cerca de R$ 150 milhões, ao passo que a mesma distância debaixo de terra custa em média R$ 400 milhões.

O preço somado das três linhas do monotrilho, com 62 quilômetros de extensão, será de R$ 12,2 bilhões. Apenas como comparação, as obras da Linha 5-Lilás, que vão dar a ela mais 11 quilômetros, estão orçadas em R$ 6,9 bilhões.

A construção dos monotrilhos que cortam o Morumbi e a Zona Leste está a cargo do governo estadual, e quando estiverem finalizados, os dois serão repassados à iniciativa privada. Para se tirar do papel o ramal do ABC, optou-se pela criação uma parceria público-privada (PPP), ora em fase de licitação, como mencionado.

Os números e as características do sistema não deixam dúvidas: a paisagem da cidade será alterada.

No aspecto de segurança em caso de emergência, o sistema conta com uma passarela entre as vigas que leva os passageiros até estação próxima em segurança e as próprias vigas dos monotrilhos criam um guarda-corpo de segurança nesta passarela.

Se o sistema elétrico falhar, os veículos contam com bateria que permite o veículo chegar até a estação mais próxima, e além disto, o sistema conta com geradores posicionados ao longo do percurso que são acionados automaticamente caso haja falta da energia.

Uma boa quantidade de sistemas de monotrilho pelo mundo são usados para ligações curtas (aeroportos, por ex.) ou para algum tipo de lazer (Disney), sendo que os países que a usam como transporte de massa são o Japão, China, Alemanha entre os principais. A razão não está em qualquer ineficiência do sistema, mas sim por que muitas das cidades acabam por possuir sistemas primários de transporte já bem dimensionados, como Metrô, VLTs e grandes corredores exclusivos (onde há grandes espaços para operação).

São Paulo se alinhará com cidades japonesas, chinesas, de Singapura, e aos projetos ora em curso em cidades como Los Angeles, Denver, Miami, São Francisco, Dallas, Paris, os novos projetos na Alemanha, San Petersburgo, Okinawa, Chiba, vários projetos na China, Qatar, além de algumas cidades brasileiras, que poderão adotar o sistema nos próximos anos. E que também consigamos recuperar e botar em operação o Monotrilho de Poços de Caldas, o primeiro do país (1992), afinal há mais tecnologia e processos de gestão hoje para suportar tal empreendimento.

Razões como segurança, custos, energia limpa, rapidez na construção e na operação fazem da alternativa deste transporte, superar as controvérsias, e eventuais desvantagens.

Em São Paulo existe ainda uma opção já semi-pronta de derrubar o famoso elevado “Minhocão”, tão prometido pelos últimos prefeitos, e aproveitar suas colunas para mais uma linha, de ligação Leste-Oeste, mas que os envolvidos em estrutura de mobilidade urbana, parecem fugir da oportunidade.

Nos daria de imediato mais 4Km de monotrilho, podendo facilmente ser estendido ligando a Lapa/Barra Funda ao Parque D.Pedro II, onde inicia-se o Expresso Tiradentes, totalizando uns 10 Km, de transporte de massa de alta qualidade e de rápida implantação.

Se não houver descontinuidade de gestões, e se os 100km se tornarem realidade São Paulo deve ser tornar num curto espaço a cidade com a maior rede de monorails do mundo.

Existentes

Mapa de linhas existentes no mundo em 2007

A mobilidade urbana agradece e já com estas três linhas em andamento, mais os investimentos pesados em Metrô (4 linhas sendo construídas simultaneamente), devem nos próximos 6 anos nos dar um bom respiro e ajudar a destravar a cidade.

E que venham os Monotrilhos e rapidamente!!

 

[Como ficará a linha 17] [Como estão as obras (Dezembro 2012)]
[Imagens de Monotrilhos pelo mundo]

 

Um passeio no Monotrilho de Moscou:


Um passeio no Monotrilho de Sidney:


 

Conheça o Monotrilho suspenso de Wuppertal:


Conheça os Monotrilhos de Toquio:


Links relacionados:

Definições:


monotrilhoschegando

 

C40, Sustentabilidades e Atitudes….

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Um magnífico megaevento ocorreu em São Paulo entre os dias 31 de Maio e 3 de Junho, que foi o C40 São Paulo Summit, que não ganhou o espaço adequado na mídia local, pois esta imprensa nanica, mais interessada em noticiário apocalíptico do que em coisa boas, estava mais direcionada nos escândalos do Palocci, da FIFA e da Copa 2014. Ainda bem que a mídia internacional cumpriu sua parte em dar a relevância ao fato.

O C40 iniciou em Outubro de 2005, com a reunião de 18 prefeitos de cidades do mundo, em Londres, no sentido de envolver as grandes aglomerações no combate ao aquecimento global e alterações climáticas, realizarem ações e trocarem experiências sobre práticas que visem a redução de emissões, para então combater mais de frente as ações penosas ao clima e ao conforto de milhões de habitantes, que vivem em gigantescas aglomerações do planeta.

Em Agosto de 2006, um parceiro de peso também entrou para o grupo que foi a Clinton Climate Initiative , trazendo mais metas no tocante a aproveitamento de energia e reduções de emissões de carbono.

Isto tudo fundamentou o hoje chamado C40 Cities Climate Leadership Group, denominado simplesmente C40, que já tem em seu histórico numerosa coleção de melhores práticas no trato destas questões de emissões e qualidade de vida nas Metrópoles.

Isto é uma breve descrição do C40, e nos links indicados poderá ter um aprofundamento na questão, e o importante que quero destacar aqui, é que São Paulo reunia todas as características para ser escolhida e então sediar o quarto encontro mundial do C40.

Batizado de C40 São Paulo Summit*, este é o primeiro encontro da iniciativa que foi sediado em uma cidade da América Latina. O município foi eleito para ser sede desta edição do evento por conta das ações que está realizando com foco no combate às mudanças climáticas. Entre elas: a Política Municipal de Mudanças Climáticas, a implantação da inspeção veicular e a criação do programa de substituição de combustíveis fósseis por renováveis na frota de ônibus municipais, entre outras.

Bloomberg, Clinton, Kassab e Zoellick abrem o C40 São Paulo Summit

Vários  prefeitos  de grandes metrópoles do mundo estiveram no evento para debater o assunto. Os governantes de Buenos Aires, Sidney, Amsterdã e Copenhagen – além do prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, que atualmente preside o grupo de cidades participantes da C40. O evento contou com a participação de 16 prefeitos e representantes de outras 31 cidades de todo o planeta.

A programação da C40 São Paulo Summit teve plenárias e inúmeras sessões com debates de temas como construção sustentável, transporte público com baixa emissão de poluentes e taxação de impostos verdes, entre outras atividades, que acabaram se realizado pela cidade.

O resultado deste evento, foi extremamente positivo, pois ao contrário de outros eventos de tem o Meio ambiente como tema, não ficou só nos inúmeros discursos, no aparecimento na mídia dos “papas” do assunto, e na conjugação de ações na terceira pessoa, ou no futuro do pretérito.

A presença de Bill Clinton, dividiu com Michael Bloomberg – Prefeito de Nova Iorque e Gilberto Kassab, os holofotes do evento, por razões óbvias, que teve alguns momentos de ação e atitudes tremendamente positivas para a cidade, e para o meio ambiente como um todo.

De cara, na abertura da plenária no dia 1° de junho, o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, anunciou a criação de linhas de financiamento para projetos ambientais. A ideia de Zoellick é facilitar o acesso das cidades aos recursos disponibilizados para investir em ações sustentáveis. Para firmar o compromisso, ele assinou um protocolo de intenções com Michael Bloomberg, atual presidente do C40 Large Cities Climate Summit, e certamente São Paulo vai se beneficiar disto também, dada a cruzada que Kassab assumiu nestas questões , enfrentando todo tipo de embate, que os “críticos” de plantão alicerçam.

Um dos pontos cruciais do encontro foi o fortalecimento da parceria realizada em 2004 entre a cidade de São Paulo e a capital da França. Kassab e a vice-prefeita de Paris, Anne Hidalgo, assinaram um termo de cooperação para ampliar o intercâmbio de experiências nos setores de Desenvolvimento Urbano, Cultura, Tratamento de Resíduos e Saneamento.

E também Michael Bloomberg e Gilberto Kassab, assinaram um acordo de cooperação bilateral com o compromisso de continuar com os esforços para fortalecer os laços entre as duas cidades, que têm muitas semelhanças em sua conjuntura urbana, e muitas ações praticadas em uma das cidades tem valido para a outra, como estamos vendo acontecer nestes últimos anos.

Michael Bloomberg, ainda, comparou São Paulo com Nova York, duas megacidades que “nunca dormem”. O prefeito americano também reforçou a parceria com a Fundação Clinton e afirmou que hoje, a instituição e a C40 são integradas. Bloomberg ainda fez uma provocação na abertura do evento a todos os presentes. “A pergunta é: o que estamos fazendo agora? Mas o mais importante é o que temos o poder de fazer”

Kassab, como anfitrião, certamente expôs todas suas ações, isoladas ou em parcerias, seja com o Governo Estadual, Federal, com a iniciativa privada, o que deve ter sido impactante na escolha da cidade para sediar tal megaevento.

De fato, os últimos governantes enfrentam de peito aberto os problemas ambientais, principalmente os causados por emissão de carbono, qualidade da energia, e reciclagens de todos tipo, mas as ultimas ações de Kassab, Serra e Alckimin, são mais intensas, senão vejamos:

A alternativa VLP já em operação chamada Expresso Tiradentes, onde na foto acima um dos terminais e na foto abaixo a pista elevada.


Como se pode perceber, há muitas ações, para diminuir a emissão de carbono, e há muitas ações ainda que podem ser realizadas, mas dependendo de atitudes, que certamente o C40 São Paulo Summit, irá contribuir.

Se livrar deste diesel porcaria, fornecido pela Petrobrás, já vai significar um enorme ganho, já que a adoção de outras matrizes pode reduzir em até 90% a emissão de carbono (caso do etanol).

Só nos resta torcer para nossos administradores não perderem o foco, e enfrentarem o que for necessário para que as ações e atitudes continuem, e os eventos sobre o Meio Ambiente, não sejam apenas um grande congraçamento de ideias que não saem do papel, como tantos que já aconteceram.

O C40 parece ser diferente, e tem contribuído muito no compartilhamento de soluções em todas as grandes metrópoles do mundo.

Mais detalhes do C40 podem ser vistos em:

http://www.c40cities.org/

http://www.c40saopaulosummit.com/site/conteudo/index.php

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