Archive for março, 2018

Eduardo Longo e sua casa bola…

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Desenho da Casa Bola feito por Neco Stickel

Nestas experiências e consolidações arquitetônicas que São Paulo coleciona, misturando estilos e tendências de várias épocas e locais, pode-se encontrar de tudo, desde construções sóbrias até bizarras, bastando para vê-las um passeio por seus bairros.

Há todo tipo de destaque, alguns que se tornaram ícones, e outros que se tornaram famosos por quebrar o skyline da retitude ou a camada perfeitamente geométrica que margeiam ruas e avenidas. Uma dessas construções está localizada no Itaim Bibi, a “casa bola” do arquiteto Eduardo Longo.

Lá pelo final da década de 1970, quando começou a montar a estrutura esférica em cima da casa onde vivia, despertou muitas curiosidades e boatos por aqueles que circulavam pelo local. Como ele próprio dizia: “achavam que eu era médico e estava construindo uma antena para me comunicar com minha mulher morta”.

Num cenário interno que lembra obras de Stanley Kubrick (2001-Uma odisseia no espaço) passadas quatro décadas ele continua a enfatizar do porquê, das vantagens, das características do imóvel e o que pretendia com um projeto tão audacioso, que continua a causar espanto e admiração.

Em todas as oportunidades que pode ele reforça que, no fundo, tem a ver com uma ideia original: “A função dessa casa, a princípio, era funcionar como uma experiência arquitetônica, que mais tarde pudesse se popularizar e ser vendida em escala”, explica o arquiteto. O formato esférico, de acordo com ele, reúne o máximo de racionalidade e de leveza.

Este paulistano tem uma trajetória destacada pela busca de soluções inovadoras na arquitetura por mais de cinco décadas que retratam a ousadia em romper com o convencional na produção de projetos residenciais.

Como sempre afirma, “Meu sonho era fazer prédios em que cada apartamento seria uma esfera, feita na fábrica e plugada numa estrutura. Teríamos grandes edifícios, altos e longos e o grande diferencial seria o espaço vazio entre as unidades. Cada apartamento (bola) seria absolutamente independente da outra unidade, a ponto de você poder tirar um e colocar outro”.





Hoje sua residência bola, foi engolida pela alta verticalização da cidade e para vê-la é preciso “garimpar” as edificações do bairro e encontrá-la na rua Peruíbe/Rua Amauri) bem próximo à Avenida Faria Lima.

Possui oito metros de diâmetro e totalizam 100 metros quadrados, e o renomado arquiteto projetou tudo que existe dentro da casa: vasos sanitários, pias, fogão, geladeira cujo motor fica na lavanderia e serve também para ajudar a secar as roupas.

A residência foi originalmente projetada para ser uma maquete de um experimento e não moradia, mas ele resolveu mudar para lá no início dos anos 80 e como ele sempre diz: “Acabou sendo uma coisa interessante, que me forçou mais ainda ao conceito de menor consumo, de ordem de não ter coisas, de não colecionar”.

A idéia de escala industrial, contudo, não foi à frente, que segundo diz não chegou momento ainda, mas as experiências prosseguem, já que o formato circular do projeto se mostrou muito eficaz e econômico e diminuiu o uso de materiais conseguindo-se aproveitar melhor o espaço. Se no início a distribuição dos três ambientes foi um problema, uma solução criativa encontrada foi o uso de portas e janelas similares à de um submarino, o que permitiu ainda mais otimizar o espaço.

O arquiteto morou por anos com sua esposa e filhos em sua casa bola, que já foi retratada até pela imprensa internacional e eternizada como um dos casos mais emblemáticos e admirados da arquitetura brasileira. Ele ainda é o autor de outra casa bola na cidade localizada na Rua Gália no bairro do Morumbi.

É certamente mais um notório destaque nesta diversidade arquitetônica de São Paulo.


A outra casa bola, no Morumbi


Veja mais:

Site Oficial do arquiteto
Na Folha de São Paulo
World´s Most Extreme Homes


Santos e Imigração na Belle Époque….

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Este é o tema e título do terceiro livro de Marília Dalva Klaumann Cánovas, abordando mais uma vez os cenários dos imigrantes espanhóis em São Paulo.

A cerimônia de lançamento ocorreu no último sábado (03/03/2018) na Livraria da Vila no Shopping Pátio Higienópolis, onde este blogueiro, convidado, pode trocar algumas palavras e conquistar mais uma obra para seu acervo,  obra esta, fruto de grande pesquisa e conhecimento sobre imigrantes em São Paulo.

Esta obra se dedica a mais uma etapa dos espanhóis em nossa terra, que já teve edições anteriores: Hambre de Tierra – Imigrantes espanhóis na cafeicultura paulista (1880-1930), Imigrantes Espanhóis na Paulicéia, Trabalho e sociabilidade urbana (1890-1922) e agora com Santos e Imigração da Belle Époque – Os Espanhóis no cotidiano urbano, práticas associativas e militância política (1880-1922).

Três obras que detalham a vida, o cotidiano e a própria história dos imigrantes espanhóis em São Paulo na virada do século 19 para o século 20

Marília Cánovas , Mestre e doutora em História Social pela USP, pós-doutora  em História Econômica pelo Cedhal – Centro de Estudos de Demografia Histórica da América Latina, da FFLCH-USP, entre outras qualificações reúne em suas obras extensa pesquisa sobre a vivencia de imigrantes espanhóis no final do século 19 e início do século 20.

Como considera, a presença dos imigrantes espanhóis em São Paulo é um fenômeno numericamente importante, suplantado apenas pelos portugueses e italianos mas que não tem a mesma visibilidade que outros contingentes populacionais que para cá vieram.

Por isto o trabalhado de Marília Cánovas com suas obras se propõe a elucidar e dar a respectiva visibilidade  de importância, tal como ocorre em outros grupos que para cá vieram para compor a grandeza que São Paulo se tornou. Ela acredita que a inexistência, a fragmentação e a dispersão das fontes e da documentação são alguns dos fatores responsáveis pela ausência de trabalhos sobre o espanhol, especialmente no período considerado, de fins do século XIX e início do XX.

Este blogueiro esteve no lançamento a convite da escritora e historiadora, Marília Cánovas

Prefaciando, Juan Andrés Blanco, da Universidad de Salamanca, “Santos e Imigração na Belle Époque” é uma publicação imprescindível para conhecer a multiplicidade de papéis desempenhados pelos imigrantes espanhóis em Santos num período crucial da cidade mostrando no período considerado um expressivo crescimento econômico com um significativo aumento da população, graças em parte a imigrantes estrangeiros.

A obra analisa de forma perspicaz a presença espanhola em Santos como um fato social global, caracterizado por múltiplos desdobramentos. O imigrante espanhol, majoritariamente “jornalero” desempenhou um diversa, complexa e muitas vezes precária e informal atividade laboral. Mas não faltam exemplos aqueles que, baseados no comércio promissor, melhoraram sua situação, o que os leva a abraçar novos valores e estilos de vida e sociabilidade.

Nesta esplêndida obra, que não diferente das anteriores o leitor pode comprovar a qualidade e solidez do trabalho de Marilia Cánovas como historiadora e pesquisadora numa temática tão diversa e complexa.

Vale a leitura de quase suas 500 páginas ….

Veja também no Jornal da USP


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