O Brasil vivendo momentos difíceis, um povo sem memória, e o passado não construindo ações no futuro (hoje), são nossas aflições.

Mas graças a tecnologia a memória pode ser resgatada, e quem quiser pode atualmente vasculhar qualquer coisa que já ocorreu e tentar entender ou conflitar porque estamos passando por momentos tão difíceis como nação, povo, sociedade, e etc.

Uma dessas preciosidades restaurada e que em nossos tempos modernos são ressuscitadas, é uma entrevista do então Deputado Federal pelo PMDB, Ulysses Guimarães, no programa Jô Soares Onze e Meia em 21 de Setembro de 1992, portanto a menos de um mês antes de sua morte, que ocorreu em 12 de outubro de 1992. Era a ocasião em que se discutia o impeachment do então presidente Collor por um escândalo e denúncias de corrupção, feitas então pelo irmão do presidente, envolvendo Paulo César Farias que teve denominações de “esquema Paulo César ou “Esquena PC”.

Por trás do jeito Collor (o caçador de Marajás), existia um esquema de corrupção e tráfico de influência que explodiu em seu terceiro ano de mandato, cujo denunciante Pedro Collor de Melo à revista VEJA de 13 de Maio de 1992, acusava o tesoureiro da campanha presidencial de seu irmão, o empresário Paulo César Farias (PC), de articular um esquema de corrupção de tráfico de influência, loteamento de cargos públicos e cobrança de propina dentro do governo.

Sintetizando o esquema, arrecadou exclusivamente de empresários, o equivalente a US$ 8 milhões em dois anos e meio do governo Collor (1990-1992), e movimentou mais de US$ 1 bilhão dos cofres públicos.

Os beneficiários do esquema eram integrantes do alto escalão do governo e o próprio presidente. Então em Junho daquele ano o Congresso Nacional instalou uma daquelas famosas CPIs para investigar o caso. Uma das artimanhas usadas pelo PC Farias era abrir contas “fantasmas” para realizar operações de transferência de dinheiro arrecadado com o pagamento de propina e desviado dos cofres públicos para as contas de Ana Accioly, secretária de Collor, e Francisco Eriberto, seu ex-motorista. Além disso, gastos da residência oficial de Collor, a Casa da Dinda pagos com dinheiro de empresas de PC Farias.

Ulysses Guimarães foi um dos responsáveis por um dos principais golpes sofridos por Collor pois pedia abertamente que a votação do impeachment no Congresso não fosse secreta. Ele era deputado federal por São Paulo, e sempre teve a pretensão de ser presidente do país, embora todas as tentativas para tal não tiveram sucesso.

Nesta entrevista bem descontraída ao Jô, portanto aproximadamente 3 meses antes do impeachment, ele já se posicionava como um algoz de Collor, dentro do Congresso e deixava bem claro que só existia um caminho para o então presidente da república. Ulisses e seu PMDB aliaram-se a toda a estrutura de outros partidos de oposição, principalmente ao PT e a Lula, este que havia perdido a eleição para Collor em 1989, para então mediante a pressão nas ruas e na imprensa exercer toda a pressão possível para retirar Collor do poder, ao que este chamou anos mais tarde de um grande golpe de mãos, até por que ele renunciou, antes da votação do impedimento e foi absolvido meses depois de todas as acusações imputadas a ele que gerou o impeachment.

Este vídeo do Ulisses no Jô, também parece que tudo que é falado representa em síntese as mazelas dos dias atuais, não ?



O outro lado:

Assim como este vídeo do Ulisses representa um resgate da história, há também uma preciosa entrevista dada por Collor em 2009, revirando todo o cenário daqueles anos que viveu na Presidencia, onde anunciava o lançamento de um livro “bomba”. Surpreende sobre tudo o que ele fala de Ulisses, que separo aqui, da entrevista completa que ele deu.


Collor em entrevista de 2009, fazendo comentários sobre Ulisses Guimarães

A versão completa que segue ele discorre sobre os fatos daqueles tempos e que fazem parte do tal livro bomba. Aqueles que viveram naqueles momentos ao ver por completo estas apresentações terão um grande embasamento para interpretar os acontecimentos atuais.

Entrevista completa de Collor onde o destaque é o lançamento do livro bomba, por onde ele discorre por suas ações, erros e acertos antes da votação do impeachment.


A lição disto tudo é que Ulisses e seu PMDB se tornaram ambíguos se considerarmos os momentos atuais e o tempo passado desde que ocorreu o 1º impeachment de uma nação latino-americana.

Se ainda vivo, como se comportaria Ulisses vendo o que seu partido construiu nestas últimas 2 décadas e meia?

Ele toleraria que ele, seu partido,  foi peça fundamental para o Petismo consolidar seu projeto de poder ideológico ?

O PT sem o PMDB como fiador jamais conseguiria fazer o que fez principalmente nestes últimos 13 anos.

Pois é Dr. Ulisses, talvez você esteja revirando em algum lugar do mar fluminense (afinal não acharam nada de seus restos mortais, depois daquele misterioso acidente em alto mar, nunca bem explicado e que gerou algumas suposições de conspiração), por ver tudo que seu partido fez após sua morte e sustentar todo tipo de maleficências patrocinado pelo partido associado, o PT.

Provavelmente alguns analistas diriam que se o Sr. ainda estivesse por aqui, o PMDB não se comportaria assim. Será ?

Em seus programas partidários o PMDB adota o mesmo discurso que adotava quando vc. era uma das lideranças, cujo o enredo é sempre algo assim: “O PMDB é o partido que faz o melhor pelo Brasil, que as conquistas do pais só foram possíveis com o PMDB”, e etc. Só para lembrar, as grandes conquistas tendo o PMDB como maior patrocinador do PT, que nos afligem são um país sem rumo, quase falido, atolado em cenários de corrupção que já constam do Guinness, incompetência administrativa de toda ordem,  um projeto político que nos remeteu ao final dos anos 50 e anos 60 do qual demoraremos décadas para sair, uma crise ética e moral sem precedentes em qualquer fase histórica do país, para citar alguns.

É Ulisses você deve se sentir muito constrangido ao ver o que seu partido fala nos palanques e nos deleites eleitorais, mas que por outro lado age como um chupim dos poderes. Alguns daqueles mesmos analistas poderão culpa-lo por não enraizar bons fundamentos no seu partido, outrora MDB.

Mas há coisas interessantes que vc. se  surpreenderia, Dr. Ulisses:

Tal o estado de coisas ruins que enfrentamos, que a população está indo às ruas aos milhões em todo o país, e sem qualquer condução ou liderança política, pedindo uma total mudança, um “FORA TUDO”. Estas manifestações fazem as da Diretas Já e das do Impeachmet de Collor, mero “protestinho” de bairro.

Se surpreenderia com a quantidade de bandeiras verde-amarelo, com famílias inteiras participando, com a aclamação  frequente do hino nacional, desfiles cívicos nunca antes visto na história do país.

Ficaria intrigado, com manifestantes fazendo acampamentos em frente aos quarteis-comando implorando por uma nova intervenção militar, cuja a de 1964 você apoiou.

E veja só que incoerência, Dr. Ulisses, na era Collor o escândalo da corrupção teve apenas um denunciante e um réu direto, compondo o lamaçal do poder central do país. Hoje há pelo menos uma dezena de delatores e inúmeros réus diretos envolvendo toda a estrutura político-administrativa do país, e seu PMDB blinda e faz “vistas-grossas”.

E como diz um comentarista perseguido que você conheceu bem “A verdade não se impõe”.

E sobre aquelas almas chicharros que tanto vendeu na entrevista ao Jô, saiba que elas proliferaram, e assombram todos os brasileiros de bem…

ulisseschicharro

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