É notório que são nos momentos de crise, que a criatividade e esforços se concentram na busca de soluções, muitas vezes nada convencionais, para resolver determindas situações. É assim que se inicia a história do famoso “bubble car” chamado Isetta, que aqui no Brasil ficou conhecido como Romi-Isetta.

A história começa após a 2ª guerra mundial, onde uma grande parte da população Européia, encontrava-se com dificuldades financeiras, não podendo ostentar então o “luxo” de possuir um automóvel para suas necessidades e lazer.
Nesta situação difícil as pessoas se locomoviam com scooters (lambretas), bicicletas e motocicletas. Aproveitando o cenário o empresário Renzo Rivolta, proprietário da empresa Isotherm, fabricante de refrigeradores, em Milão, que já era fabricante de Scooters e motocicletas, decidiu entrar no ramo de automóveis, criando a empresa de nome Iso Automoveicoli-Spa e em meados de 1952, apresentou um veículo de criação de seu engenheiro aeronáutico Ermenegildo Preti e seu colaborador Pierluigi Raggi.

Tratava-se de um veículo de características peculiares, como porta frontal para facilitar o acesso ao interior, e pequenas dimensões, boa dirigibilidade e performance suficiente para a época (máxima de 80 km/h) com um consumo de até 25 km com apenas um litro de gasolina.

O Sr. Renzo, nomeou o projeto de Isetta, ou seja, pequeno Iso. Que para alguns, na época, era resultado de uma colisão entre um scooter, uma geladeira e um avião.
A primeira apresentação do veículo, foi no salão de automóveis de Turim, em 9 de abril de 1953.
Com estas peculariedades de racionalidade e economia, da entrada frontal, baixo consumo e tamanho reduzido, e certamente seu sucesso, o Isetta não teve uma vida longa na Itália e sua fabricação encerrou-se em 1956.

BMW Isetta 250-1955 no Museu da BMW

A Iso, que não exportava seus veículos, e limitou-se a licenciá-lo para outros fabricantes fora da Itália, que produziram também outras variações para transporte, que poderão ser visto em nossa galeria e links relacionados.

Houveram também alguns modelos da Iso para transporte, um micro caminhão, que foi fabricado na Bélgica e Espanha. A Iso não exportava o veículo Isetta.

As principais s características técnicas tomando como base o modelo brasileiro, Romi Isetta 300 de Luxe, que foi fabricado de 1959 a 1961, era:

Motor e transmissão,BMW, ciclo de quatro tempos, resfriado por turbo ventilador,um cilindro com 72mm de diâmetro e 73mm de curso,volume de 298 cm³ (300cc), taxa de compressão de 7:1,potência de 13HP a 5200rpm.

Seu bloco e cabeçote eram construídos em alumínio fundido. Cabeçote com câmara de combustão hemisférica, válvulas em “V” e fluxo cruzado entre admissão / escapamento (cross-flow).

O Chassis era rígido, construído com tubos de aço; sua suspensão dianteira era independente, sobre braços oscilantes, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos; suspensão traseira por meio de dois feixes de molas quarto elípticas e amortecedores hidráulicos telescópicos.

A direção era por meio de volante com caixa de redução; diâmetro de viragem de aproximadamente 8m: Rodas de disco de aço, com aros em duas peças para facilitar a montagem dos pneus; pneus 4,50 x 10″; pressões dos pneus dianteiros 16 psi, pressões dos pneus traseiros 14 psi.

A distância entre eixos 1,50m; bitola dianteira 1,20m; bitola traseira, 0,52m, e os freios eram hidráulicos nas quatro rodas, com superfície total de 325 cm².

Isetta Kabine 150-Heinkel

Uma das primeiras modificações que ocorreram foi quando o projetista de aviões Ernst Heinkel, viu o Iso Isetta, naquela feira de lançamento em Turim (1953) , e achou que poderia fazer um veículo melhor, usando seus conhecimentos de avição. Mais rápido e com um motor menor, 150 cm³. Iniciou com o modelo Kabine 150, com maiores vidros e mais comprido. Em outubro 1956, lançou o modelo Kabine 153 (três rodas) e 154 (quatro rodas) com o motor de quatro tempos e 203cc. Uma licença para a construção o Heinkel foi vendida para a Argentina, onde uns 2000 exemplares foram vendidos até 1961. Existiu um modelo conhecido como Heinkel-Trojan.

Mas com relação a Isetta original, a fábrica Iso resolveu inscrever , quatro de seus modelos Isettas na corrida “Mille Miglia” (1.000 milhas) de 1954. Os Isettas terminaram 1, 2 e 3 no índice do desempenho.
Este resultado chamou a atenção de alguns ”olheiros” da alemã BMW, que produzia seus carros médios, modelos 502 e 507, mas eram carros médios a grandes e que poucos alemães poderiam comprar na economia da pós guerra. Em conseqüência disto, a companhia procurava alternativas de produção de um carro menor, barato e econômico, e o Isetta se encaixava perfeitamente nesta necessidade. A fabrica Iso, licenciou o carro para a BMW em 1955, tendo inicio da produção em 1956.

A empresa adotou um motor monocilíndrico de produção própria, de 243cc, para equipar o veículo, e em 1957, lança também um modelo derivado, o BMW 600, baseado no Isetta mas com maiores dimensões, motor traseiro de 2 cilindros e capacidade para quatro passageiros.

Em Maio de 1962, a BMW encerrou a produção do BMW Isetta. Foram construídas 161 728 unidades.

Além da Alemanha, Bélgica, Espanha e a França (VELAM) o veículo também foi licençiado ao Barsil.

Na Grã-Bretanha, a BMW criou Isetta de 3 rodas, pois havia alguns incentivos de impostos, tornando o veículo mais barato, porém como esperado o veículo apresentava problemas de estabilidade e o projeto durou pouco. Apenas 1750 unidades foram fabricadas.

Por aqui, o Romi-Isetta foi o primeiro automóvel produzido no Brasil, entre 1956 e 1961, pelas Indústrias Romi S.A., com sede em Santa Bárbara d’Oeste, interior de São Paulo.

Em 1955, a Iso concedeu os direitos de produção do Isetta para a empresa brasileira Indústrias Romi S.A., fabricante de máquinas industriais e agrícolas fundada em 1930 pelo comendador Américo Emílio Romi e seu enteado Carlos Chiti, com sede em Santa Bárbara d’Oeste (São Paulo).

Linha de produção da Romi-Isetta em Santa Bárbara do Oeste,SP

Logotipo adotado pela Romi em 1955

Ainda em 1955, foi publicada a notícia no jornal Diário de São Paulo (Diários Associados) em 28 de agosto de 1955, informando que as indústrias Romi produziriam do Romi-Isetta no país. Lançado em 5 de setembro de 1956, o Romi-Isetta se consistiu no primeiro automóvel de passeio de fato fabricado em território brasileiro.

A estratégia de publicidade adotada pelo fabricante visava expor o modelo a diferentes públicos: de segundo carro para a família ao estudante universitário. Algumas peças publicitárias foram criadas visando o público feminino, como por exemplo o anúncio que exibia uma mulher saindo de uma gaiola para entrar em um Romi-Isetta, com os dizeres “agora sou livre”. Anúncio da Romi-Isetta de 1961. Outras propagandas estão em nossa Galeria de imagens.

O projeto original foi mantido pelas Industrias Romi que usou os motores (198 cm³) da Iso até 1958, quando foram trocados pelos motores BMW de 300 cm³.

Mas nem a simpatia que Juscelino Kubitschek, dizem, nutria pelo Romi-Isetta salvou a carreira do carrinho que, lançado em setembro de 1956, é considerado o primeiro automóvel brasileiro, com 70% de nacionalização. Afinal, foi num Romi-Isetta, de chapéu e capa de chuva, bandeira do Brasil na mão, que JK entrou triunfalmente em Brasília, em 3 de fevereiro de 1960, à frente da Caravana de Integração Nacional.

Na verdade JK chegara de helicóptero, mas apareceu na TV e nas fotos dos jornais e revistas num Romi-Isetta da caravana que rodara 6,9 mil quilômetros do Rio a Brasília para conhecer a cidade que ele inauguraria em 21 de abril.
Apelidado de lambreta grávida pela irreverência brasileira dos anos 50, o Romi-Isetta acumulou três mil unidades produzidas e deu emprego a 1,2 mil pessoas em Santa Bárbara d’Oeste, SP, até ser tirada de linha em 1959 (e peças até 1961). Os saudosistas atribuem sua curta vida falta de incentivos fiscais, que fez o preço ser elevado e portanto tornando um veículo caro, a complôs variados e à falta de apoio do Geia (Grupo Executivo da Industria Automobilística), que aprovava apenas carros com pelo menos duas portas e dois bancos: o carrinho italiano só tinha um banco e porta frontal. Nem a substituição do anêmico e fumarento motor Iso, de 198 cm³ a dois tempos – óleo misturado à gasolina – por um BMW de 300 cm³ salvaram o exótico veículo, que tampouco fez sucesso na Itália, França, Bélgica e Espanha, saindo-se melhor na Alemanha, onde a BMW o produziu sob licença e vendeu mais de 161 mil unidades.

A BMW encerrou sua produção em 1962, Já que havia conseguido sair de sua crise. Analistas da época dizem que foi a Isetta responsável pela recuperação financeira da BMW e também já produzia os modelos: BMW 600, um veículo de 2 portas e lugar para 4 passageiros e BMW 700, versão esportiva da série 600.

Muitas unidades ainda existem nas mãos de colecionadores, restauradores, tunning e de replicadores, como é amplamente mostrado em nossa Galeria de imagens, e nos links relacionados.

Veja o video da comemoração de um dos aniversários da Isetta no Brasil:


O POSSÍVEL RETORNO:

Desde 2007/2008 primeira crise economica do século e a mais recente crise da Europa, tem-se apresentado novos projetos de carros economicos, algumas empresas inclusive já aderindo e produzindo o conceito de mini-carro, ou os famosos caros-de-cidade, e há rumores da volta do Isetta, claro pelas mãos da BMW, que foi a que aperfeiçoou o modelo e teve nele sua recuperação lá nos anos 50/60.

Em 2009 a BMW já anunciava uma divisão voltada a carros urbanos pequenos e sustentáveis. A idéia era fazer concorrencia, por exemplo, com a Smart, marca da Mercedes-Benz que oferece o Fortwo.

O presidente do conselho da BMW, Norbert Reithoper, disse que um dos produtos será o Megacity, veículo elétrico que faz parte do chamado ?Projeto i? (será “i” de Isetta?) e já se encontrava em desenvolvimento.

O objetivo era criar conceitos de mobilidade para cidades com mais de 10 milhões de habitantes. Reithoper afirmou que o programa conta participação da Bosch e da Samsung. As duas empresas seriam fornecedoras das baterias de íons de lítio para o veículo que, segundo informações da agência de notícias Reuters, é esperado para agora neste inicio de década.

Até então, o executivo chamava o futuro carro de «Megacity Vehicle». “Com o Megacity Vehicle pretendemos estabelecer uma cadeia de valores realmente sustentáveis, desde o desenvolvimento até à produção e vendas”, dissia Reithofer.

Segundo Greg Zyla, da GateHouse News Service há rumores de que a BMW reviva o conceito do Isetta e o torne um veículo de zero emissões(ZEV), claro com um design novo, mas imitando o antigo, conforme mostrado na foto, com a pretenção de chegar por exemplo no mercado dos Estados Unidos em 2015 em diante.

Não deve ser esquecido também a parceria entre a BMW e a Fiat em 2008, no sentido de desenvolvimento conjunto de unica plataforma de bubble cars modernos inspirando-se no design do BMW Isetta e no Fiat Topolino, e trazendo todas as exigências modernas de emissões, segurança e economia. (VEJA O ARTIGO).

Não há mais muitos detalhes revelados, mas é claro a intenção, por conta da crise e de regras mais duras contra a emissão de carbono, que há predisposição de se ter um automóvel orientado para o meio urbano, prevendo-se que seja este o anunciado regresso do Isetta.

Há portanto rumores de que o Megacity assinalará o retorno da Isetta. A BMW usou a marca de origem italiana entre 1955 e 1962 para fazer compactos.

As especulações surgiram de forma muito forte, há aproximadamente 2 anos, após a empresa alemã divulgar um vídeo de seu novo museu em Munique (veja abaixo) em que aparecem diversas miniaturas de Isetta. Segundo sites e blogs sobre automóveis, a versão moderna da marca se chamaria i-setta.

A conferir e saudar o grande retorno !


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