Há 18 anos caiu no colo do falecido Claudeir Covo , o maior ufólogo brasileiro, um mistério que sempre desafiou a ciência brasilei­ra. O caso das máscaras de chumbo que havia ocorrido a 31 anos antes, portanto há 49 anos dos dias atuais.

Como presidente do Instituto Nacional de Pes­quisa de Fenômenos Aeroespaci­ais (Infa), dirigido pelo engenhei­ro, ele tentou reabrir o passado de uma história que ficou conhecida como o Caso das Másca­ras de Chumbo. O episódio che­gou a ser considerado o mais fan­tástico da crônica policial do País em todos os tempos e atraiu o in­teresse até de especialistas estran­geiros, caso do astrônomo e con­sultor da Nasa Jacques Valée, inspirador do personagem inter­pretado por François Truffaut no filme Contatos Imediatos de Ter­ceiro Grau, de Steven Spielberg, que então estivera no país para in­vestigar pessoalmente a história, na década de 80.

Claudeir Covo numa de suas aparições, sempre dando análises criteriosas sobre o fenômeno UFO.

Claudeir Covo numa de suas aparições, sempre dando análises criteriosas sobre o fenômeno UFO.

O episódio das Máscaras de Chumbo ocorreu em 1966, no Morro do Vintém, Rio de Janei­ro, e ficou sem uma ex­plicação razoável.

As vítimas de um dos mais misteriosos casos da polícia brasileira.

As vítimas de um dos mais misteriosos casos da polícia brasileira.

Lá no dia 20 de agosto da­quele ano, por volta das 18h00, o garoto Jorge da Costa Alves estava procurando sua pipa junto com outros meninos no morro, quando sentiram um forte mau cheiro e localizaram os corpos, já em de­composição, dos técnicos em eletrônica Miguel José Viana, de 34 anos, e Manoel Pereira da Cruz, de 32, que soube-se depois, moravam em Cam­pos.

Sob o rosto de um e caída ao lado do outro, havia duas máscaras de chumbo recortadas para tampar os olhos. Causa mortis? Até hoje é ignorada.

“Durante décadas, esse caso foi mantido como caso único no mundo. Mas, a partir dos anos 80, com o cres­cimento dos casos de ufologia no mundo, com o aumento da disseminação de informações entre os diferentes países pela internet, muitos outros episódios que guardavam semelhança com o Caso das Máscaras de Chumbo passaram a ser conhecidos”, afirmava o en­genheiro e ufólogo.

Claudeir Covo não era o tipo de investigador que via ETs em cada esquina por onde passava ou OVNIS a toda hora. Ele se interessou pe­los Ovnis ainda menino, nos anos 60, quando avistou um objeto no interior paulista. Nos anos que se sucederam, acabou por criar várias inimi­zades entre aqueles que se dedi­cam à ufologia, pois ele se tornou um especialista em identificar fraudes, nos relatos de casos.

O motivo das inimizades eram sim­ples: segundo ele, 90% dos ca­sos divulgados não passavam de fraudes ou, então, tinham uma ex­plicação lógica ou quando muito coerente. O Caso das Más­caras de Chumbo acreditava Covo, estaria dentre os 10% restantes, ou seja, se tornou um mistério.

As máscaras de chumbo: para que ?

As máscaras de chumbo: para que ?

De fato, não faltaram dados in­trigantes na história dos dois cor­pos encontrados no Morro do Vintém. Ao lado dos defuntos, foram encontrados seis bilhetes escritos por uma das vítimas. Um deles dizia:Às 16h30, estar no local determinado. Às 18h30 in­gerir cápsulas com laranja. Após o efeito, proteger a metade do rosto com as máscaras de chum­bo. Aguardar o sinal marcado”.

Por conta desse bilhete, a equipe da Delegacia de Homi­cídios do Rio, comandada pelo então delegado Romeu José Vieira, suspeitou que as tais cápsulas contivessem alguma substância venenosa. Mas o exame necroscópico não tinha encontrado sinais de quaisquer substâncias tóxicas nas vísceras dos mortos. Os polici­ais passaram, então, a trabalhar com a hipótese de latrocínio.

A tese não era descabida. Os mortos eram sócios em uma ofi­cina eletrotécnica próspera e le­vavam uma vida razoavelmente confortável. Eles haviam sa­ído de casa cinco dias antes, onde numa manhã, retiraram 3 milhões de cruzeiros (o dinheiro da época) do banco e disseram para suas famílias que iriam até São Paulo com­prar um carro e material para sua oficina eletrotécnica. Este acabou se tornando um dos maiores mistérios do caso, pois esse dinheiro nunca foi encontrado.

localMiguel e Manuel foram vis­tos pela última vez em 17 de agosto, quando um fato estranho ocorreu no Rio. Naquela noite, foi avistada uma luz muito gran­de e forte sobre o Morro do Vintém. Várias pessoas relataram a presença, no local, de um obje­to luminoso, em formato de ovo, que emitia raios azuis.

Coincidência ou não, três dias depois de os corpos terem sido encontrados, o então delegado Venâncio Bittencourt mexeu em uma das máscaras de chumbo, a pedido de jornalistas que queriam fotogra­fá-la. Minutos depois, seu corpo estava coberto por erupções alér­gicas. As máscaras foram cuida­dosamente analisadas, mas não se encontrou substância alguma que pudesse ter provocado aquilo.

A estranha reação levou o então secretário de Segurança do Estado do Rio, coronel Eduardo do Couto Pfeli, a assumir dire­tamente o caso. A Polícia Fede­ral e, como se soube anos de­pois, agentes da Interpol inicia­ram investigações paralelas.

A Polícia Civil só conseguiu che­gar a um único suspeito, o tam­bém técnico em eletrônica Élcio Correia Gomes. Élcio era amigo íntimo de Miguel e foi considerado suspeito por ter sido a última pessoa a encontrar-se com os dois, em Campos, antes de embarcarem para o Rio.

Ele era espírita e introduziu os dois eletrotécnicos técnicos em estranhas experiências. Numa delas, tempos antes do incidente, os três causaram uma enorme explosão na Praia de Atafona no interior do Estado do Rio. O estrondo foi tão grande e causou um clarão tão impressionante que a população pensou que estava ocorrendo um terremoto. Esse acidente foi objeto de investigação por parte da Marinha Brasileira.

Mas quanto a Élcio, como a polícia não encontrou provas de nada que o incriminasse, ele acabou sendo libertado.

Mas enquanto preso e incomunicável por vários dias revelou nos interrogatórios, que os dois amigos acreditavam que poderiam se comunicar, por via eletrônica, com forças do além. A partir daí a Polícia come­çou a levar a sério alguns tex­tos encontrados nas oficinas da dupla de eletrotécnicos. Eram páginas de livros com grandes trechos grifados e anotações.

Quase todos refe­rentes à uma doutrina chamada “espiritismo científico”, uma cultura “cult” na época, tal como é nos dias atuais a “Scientology”. Longos pa­rágrafos falavam do emprego de ondas eletromagnéticas para explicar fenômenos como a te­lepatia e a comunicação com espíritos do além. Ha­via, também, um grande material de artigos sobre discos voadores e seres extraterrestres.

A partir daí a história des­cambou para o insólito. Espíri­tas, ocultistas, magos e parapsicólogos, ufologistas da época tomaram a frente das investigações. Eles queriam sa­ber que tipo de experiência po­deria ter resultado na morte dos dois. Surgiram inúmeras teori­as e tentativas de explicação, e acabou prevalecendo a palavra de um sacerdote da Igreja Católica, o famoso padre Oscar Quevedo, profes­sor de parapsicologia.

O religioso dissera que na prá­tica do ocultismo e dos fenôme­nos chamados parapsíquicos não são incomuns situações que levam à morte experimentadores despreparados. O motivo seria que em am­bos os casos, existe, pelo menos teoricamente, a ne­cessidade de que o físico dos experimentadores estejam num esta­do de debilidade extrema.

A Polícia acabou aceitando as ponderações do padre Quevedo. Por absoluta falta de ou­tras hipóteses, o caso acabou arquivado seis meses depois. Chegou a ser reaberto, mas não se obteve qualquer avanço. O inquérito concluiu que os dois homens morreram em decorrên­cia de uma experiência malsucedida.

Numa desta reabertura em 1969, tudo levava a crer numa reviravolta nos fatos já que um bandido de nome Hamilton Bezani, que se encontrava confinado num presídio de alta segurança em São Paulo, disse que estaria envolvido na morte dos dois eletrotécnicos técnicos, junto de outras três pessoas. Bezani afirmara que ele e seus comparsas deram veneno para às vítimas e roubaram todo seu dinheiro.

Ante a essas novas informações, o bandido foi levado a Niterói para novos depoimentos, mas caiu em várias contradições na reconstituição dos fatos, a começar pela importância em dinheiro, a posição dos corpos e detalhes de como foram encontrados.

Muita coisa ainda ocorreria a respeito. O bilhete encontrado com as vítimas é ainda um mistério que persiste.

Segundo se apurou os corpos foram resgatados no dia 21 de agosto pelos bombeiros e levados para exame de necrópsia e toxicológico no Instituto Médico Legal de Niterói com laudo do médico legista doutor Astor Pereira de Melo. O laudo saiu quase dois meses depois indicando causa indeterminada para as mortes.

A situação ficou ainda mais complicada quando a polícia descobriu uma morte semelhante a dos radiotécnicos, quatro anos antes. Em 1962, outro profissional da área, desta vez um técnico de televisão foi encontrado morto no Morro do Cruzeiro, na localidade de Neves, sem qualquer tipo de violência e com todos os seus pertences. Tal como no caso do Morro do Vintém, também havia junto do corpo uma máscara de chumbo. A vítima desse caso se chamava Hermes e ela teria ido ao alto do morro para tentar captar sinais de televisão sem o auxílio de um aparelho eletrônico, apenas mentalmente. Ele também engoliu um comprimido redondo e morreu porque não estava fisicamente preparado para a empreitada, que oferecia possibilidade de morte. A polícia também investigou o caso, mas nada foi descoberto.

A polícia acabou por descobrir que uma dona de casa, Gracinda Barbosa Coutinho de Souza dirigia seu carro no alto da Avenida Vinte e dois de novembro, em Niterói, no mesmo dia em que os técnicos subiram o Morro do Vintém, e viu um estranho objeto, com luzes azul e laranja, no local.

Em Campos, a polícia descobriu que Miguel e Manuel haviam feito diversas experiências espirituais na cidade e estavam lendo livros sobre contatos extraterrestres.

Em 2005, portanto 38 anos depois autoridades revelam que, na verdade, o exame toxicológico nunca foi feito porque as vísceras apodreceram no IML de Niterói.

Uma grande parte da imprensa intensamente envolvida em casos assim divulgou que os dois teriam sido mortos durante contato com extraterrestres e além disso, várias hipóteses foram levantadas, desde suicídio involuntário, roubo seguido de assassinato, entre outras suposições.

Mas a polícia nunca esclareceu o caso, que foi arquivado e pelo passar do tempo, prescrito, ficando conhecido como “O Mistério das Máscaras de Chumbo”. As famílias das vítimas nunca conseguiram saber o motivo das mortes e apontavam falhas na investigação do caso.

Até hoje várias perguntas ficaram sem respostas:

  • O que Manuel e Miguel foram fazer no Morro do Vintém?
  • Que tipo de cápsula teriam ingerido?
  • Onde foi parar o dinheiro que levavam?
  • O que teria sido o objeto luminoso visto pela dona de casa e outras pessoas sobrevoando o local?
  • O que teria causado a morte dos técnicos?
  • O que significavam aqueles bilhetes com orientações?

Em 1990 uma simulação do caso foi feita pelo programa “Linha Direta”, revelando ainda mais curiosidades e trapalhadas de investigação.


Na análise realizada por Claudeir Covo, no cruzamento de ocorrências haviam vários relatos sobre violências cometidas por supostos extraterrestres contra seres humanos. E mui­tos desses episódios, acrescen­tara, guardavam semelhança em um aspecto com o Caso das Máscaras de Chumbo”. “A vio­lência teria sido cometida jus­tamente quando indivíduos buscavam deliberadamente o contato com extraterrestres.

E no mar de hipóteses que ficaram ele ainda afirmara que os dois humildes eletrotécnicos/radiotécnicos se envolveram numa misteriosa e fatal experiência com indícios da presença de UFOs no lamentável e trágico episódio. Realmente fazem parte dos 10% dos casos relatados que se tornaram mistérios.


Quem foi Claudeir Covo:

  • Nasceu em São Paulo, SP, em 09.06.1950 e faleceu também em São Paulo em 5 de Maio de 2012.
  • Era Engenheiro Eletricista, Engenheiro de Operação Eletrônica e Engenheiro de Segurança do Trabalho. Profissionalmente, especializado em ótica, fotometria, colorimetría e foto-elasticidade e na área de dispositivos de iluminação e sinalização veicular.
  • Foi presidente do Comitê de Iluminação Veicular da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), por 27 anos. Desde os sete anos de idade adorava ir ao Planetário do Ibirapuera em companhia do pai. Em 1966, com 16 anos se interessou por Ufologia e nunca mais parou.
  • Em 1975 fundou o CEPU (Centro de Estudos e Pesquisas Ufológicas.
  • Realizou várias palestras e cursos em vários estados brasileiros e no exterior.
  • Participou de vários Congressos Ufológicos nacionais e internacionais.
  • Muito assediado esteve sempre presente nos canais de mídia.
  • Tinha em seu histórico inúmeras reuniões com autoridades sobre o tema
  • Se tornou a partir de 1984 um especialista em pesquisa e análises fotográficas e de vídeos com ocorrências de OVNIs e fenômenos associados.
  • Foi o representante estadual da MUFON (Mutual UFO Network), em São Paulo.
  • Foi fundador do INFA (Instituto Nacional de Investigação de Fenômenos Aeroespaciais)
  • Foi co-editor da Revista UFO

Bibligrafia/Fontes:

  • Martin, Paulo San – “Mascaras de Chumbo”, Já-Diário Popular #49 – 1997
  • Covo, Claudeir – “O caso mascaras de chumbo-revisado” – © Revista UFO #87 – 2003 (In Memoriam)
  • Direta, Linha – “Mascaras de Chumbo”, © Globo Comunicação e Participações S.A. – 1990

ccovo

 

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