Depois de ganharem 2 hospitais públicos, os pets de São Paulo agora podem andar de ônibus, pois foi aprovada recentemente uma lei que garante aos patinhas andarem nos ônibus municipais.

Um dos pioneiros a usar o novo benefício foi o agitado Cisquinho, um simpático gato sem raça definida (SRD).O bichano começa a miar assim que sua dona, Patrícia Masiero, aproxima-se com a caixa de transporte. Ele é colocado no recipiente, sem água nem comida, e segue com Pa­trícia até o ponto de ônibus.

Cisquinho continua miando no fundo da caixa enquanto a dona sobe no veículo. A cena chama a atenção, causa olhares e sorrisos de aprovação, até do motorista e do co­brador. Poucos passageiros parecem não gostar de compartilhar o ônibus com o gato. Cisqui­nho se acalma e chega mais perto da porta da caixa para ver o que se passa do lado de fora. O percurso dura pouco, e logo ele e Patricia chegam ao destino.

A epopéia motorizada de Cisquinho.

A epopéia motorizada de Cisquinho.

O passeio de Cisquinho só foi possível porque, desde março, os animais domésticos têm permissão para andar de ônibus na cidade de São Paulo, desde que sejam segui­das algumas exigências.

Entre elas, a obrigação de que os pets sejam animais pequenos de até 10 kg, devem estar em gaiolas de transporte apropriadas, e o ônibus não pode levar mais que dois animais por vez, além de também não ser permitido o transporte de animais nos horários de pico, que são entre 6 e 10 horas da manhã e entre as 16 e 19 horas.

O proprietário deve ainda portar a carteirinha de vacinação em dia e pagar o preço cheio da passagem que atualmente é de R$ 3,50. (veja as regras). Além disto na gaiola não deve ter água, alimentos ou dejetos dentro da mesma.

O PL também estabelece que fica impedido o transporte de animal que, por sua espécie, ferocidade, peçonha ou saúde, comprometa o conforto e a segurança do veículo, de seus ocupantes ou de terceiros.

As regras para usar o transporte de ônibus pelos "patinhas"

As regras para usar o transporte de ônibus pelos “patinhas”

A iniciativa partiu do vereador David Soares (PSD), autor de proje­to de lei (PL) aprovado pela Câmara Municipal de São Paulo (CMSP), tor­nando-se a Lei 16.125/15, que disci­plina como os animais podem usar o serviço municipal de transporte coletivo na cidade.

Na justificativa do PL, David Soa­res explica que “essa iniciativa bene­ficia principalmente a população de baixa renda que, muitas vezes, não tem condições financeiras de custe­ar o transporte até o posto de vaci­nação ou mesmo ao veterinário”.

Patrícia faz elogios à nova lei, pois além de Cisquinho, ela tem ou­tros 20 gatos adotados, alguns com problemas de saúde como câncer, deficiência visual e de locomoção. Em sua opinião, a iniciativa facilita a vida de muitas pessoas que criam gatos e cachorros e não têm carro nem condição de pegar um táxi para levá-los ao posto de vacinação, por exemplo. Ela também acredita que a lei vai melhorar o convívio en­tre pessoas e animais, pois vão pas­sar mais tempo juntos nos ônibus.

A protetora ressalva que as saí­das dos bichos de estimação devem ser mínimas, basicamente apenas por razões de saúde. “O nome já diz, animal doméstico é para ficar em casa”, lembra Patrícia. Ela teme que, com as viagens, aumente o ris­co de seus gatos contraírem doença ou serem atropelados.

ACESSO FACILITADO

Dr. Daniel Jarrouge:. numero de pacientes aumentou com o serviço.

Dr. Daniel Jarrouge:. numero de pacientes aumentou com o serviço.

No Hospital Veterinário Público de Tatuapé, uma parceria da Se­cretaria Municipal de Saúde e da Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais (Anclivepa), muitos proprietários de animais de estimação aprovaram a nova lei.

“Vim de Itaquera, e sem o uso do ônibus ficaria muito difícil”, afirma Madalena Souza, ao lado de sua gata, Luana, que estava com uma ferida na boca e foi ser examinada. De acordo com um dos dire­tores do hospital, o veterinário Daniel Herreira Jarrouge, é per­ceptível o aumento na proporção de pacientes que chegam de ônibus ao local desde a liberação de transportes de gatos e cachorros nos coletivos, embora ainda não haja um levantamento oficial.

Atualmente, os hospitais operam no limite. Por dia, são atendidos cerca de 400 pacientes na unida­de do Tatuapé e 300 na unidade da Parada Inglesa (zona norte da capital), a maioria vítima de atro­pelamento. “Infelizmente, não conseguimos atender todos que nos procuram”, lamenta Jarrouge. Além de celebrar a aprovação da lei, os donos de pets pedem que os bichinhos possam ser transpor­tados também em trem e metrô, principalmente porque os dois hospitais veterinários públicos paulistanos ficam próximos a esta­ções de metrô (Tatuapé e Parada Inglesa). “Seria bem mais fácil se a gente pudesse usar”, afirma Maria de Fátima Damasceno, que foi de Cidade Tiradentes até o Tatuapé de ônibus com a cadela Sol, que está se tratando de um tumor.

A possibilidade solicitada só se­ria possível com uma lei estadual. Em nota, a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) afirmou que segue o De­creto Estadual 15.012, de 1978, que proíbe o transporte de ani­mais nos trens. O site da Com­panhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) cita o mesmo decre­to. Atualmente, somente cães-guia acompanhando deficientes visuais podem usar os vagões.

Mas em notas, tanto o Metro como a CPTM afirmaram que o transporte de animais nos trens é expressamente proibido, de acordo com o De­creto Estadual 15.012, de 1978. A única exceção feita diz respeito ao acesso de pessoas portadoras de deficiência visual, conduzidas por cães-guias, devidamente autorizadas pela Lei nº 10.784/2001.

Com esta ação acredita-se que não mais serão visto (ou denunciados) muitos relatos de proprietários transportando seus pets em bolsas ou sacolas dentro de ônibus, principalmente nas linhas que atendem as regiões dos hospitais veterinários

MALHAÇÃO E CÃO TERAPIA

patinhas_agility01E os projetos com “os patinhas” não param por aí, pois outros temas de outros projetos são discutidos na Câmara Municipal de São Paulo. Entre eles, o 549/2014, apresentado pelo ve­reador Adilson Amadeu (PTB), determina a instalação de apare­lhos de exercícios para cachorros, chamados de agility, em parques e praças paulistanos. Segundo a justificativa do PL, os exercícios trazem inúmeros benefícios, além de recreação, para cães e donos.

Na série de exercícios, o animal enfrenta vários obstáculos, como túnel, gangorra, rampa e pneus. “Os cachorros estão sendo cria­dos em apartamento e precisam se exercitar para não apresenta­rem problemas de saúde”, afirma Amadeu

Já o PL 477/2013, do vereador Nelo Rodolfo (PMDB), propõe a criação de um Serviço de Atendi­mento Médico Móvel de Urgência Veterinária (Samuv) para os bi­chos de estimação. A proposta é que um veículo com veterinários percorra, prioritariamente, áreas carentes da cidade para oferecer o serviço de castração, vermifu-gação, primeiros-socorros e reali­zação de exames, além de dar pa­lestras de conscientização para os donos dos animais.

O vereador Aurélio Nomura (PSDB) também apresentou um projeto (318/2012) sobre criação de unidades móveis para atendimento médico-veterinário, com a realiza­ção gratuita de consultas, tratamen­to preventivo e até cirurgias.

O veterinário Daniel Jarrouge explica que a “castração e a vaci­nação dos bichos, assim como a educação dos donos, são as três melhores formas de se evitar doen­ças e acidentes”. Segundo o espe­cialista, grande parte das doenças, como alguns tipos de câncer, pode ser evitada com a castração dos animais quando são bem jovens.

Ele lembra, também, que os donos têm de ser instruídos para que não deixem os animais andarem nas ruas sem coleira ou guia.

Ainda na lista de propostas envol­vendo bichos, está em discussão na CMSR está o PL 535/2014, do mesmo vereador Adilson Amadeu (PTB), para promover a “cão terapia”, uma forma de facili­tar que cachorros (e também gatos) sejam levados a hos­pitais para auxiliar na recupe­ração de pessoas doentes, por meio da troca de carinho. Amadeu diz que essa prática, também conhecida como pet terapia, zooterapia ou Terapia Assistida por Animais (TAA), tem crescido do mundo todo graças a seu sucesso. “Ajuda na recuperação dos pacien­tes, desde os pequenos pro­blemas de saúde até os mais complexos”, ressalta.

O parlamentar explica que, entre outras vantagens, a cão terapia descontrai o clima pesa­do de um ambiente hospitalar e melhora as relações entre os pacientes e a equipe médica.

HERÓI HOMENAGEADO

E o tema não se encerra, pois o agente Bruno, um cão farejador da Polícia Civil, foi homenageado em Sessão Solene da Câmara Municipal de São Paulo (CMSP) por ter ajudado a desvendar o assassinato do execu­tivo norte-americano David Benjamin Sommer, em janeiro, ao descobrir vestígios de sangue da vítima em um quarto de hotel. O cachorro, da raça bloodhound, recebeu uma medalha e um diploma de reconhecimento. Além de peça-chave na resolução desse cri­me, durante sua carreira Bruno auxiliou a encontrar pessoas perdidas na Serra da Cantareira e na Serra do Mar.

Segundo o autor da idéia da condecoração, o vereador Nelo Rodolfo (PMDB), essa foi a primeira vez que um animal recebeu homenagem da Câmara Municipal. “Esse tipo de evento é habitual na Inglaterra e nos Estados Unidos”, conta o parlamentar.

heroi01Na mesma cerimônia em que a medalha foi entregue a Bruno, os adestradores de cães e cinotécnicos também foram homenageados. Nelo Rodolfo é autor do projeto de lei (PL) 191/2013, que regulamenta a pro­fissão de adestrador, e na cerimônia defendeu sua proposta: “Precisamos nos preocupar com quem cuida dos animais”. Sua intenção é dar impor­tância especial para passeadores, consultores comportamentais, pres­tadores do serviço de creches e ou­tros especialistas da área porque, como o vereador afirmou na justifica­tiva do PL, “não basta gostar de ani­mais, é necessário que os profissio­nais tenham habilidades específicas no trato com os cães”.

PARA ANOTAR:

Hospital Veterinário Público do Tatuapé.

R, Platina, 570 – Fone: 4323-8502

 

Hospital Veterinário Público da Parada Inglesa.

Av, General Ataliba Leonel, 3194 Fone: 2478-5305


Bibliografia/Fontes:

  • Garcia, Rodrigo – Passageiros de Estimação, Câmara Municipal de São Paulo, © Apartes # 14 Maio 2015
  • Download Lei 16.125/15

patinhas

 

Share and Enjoy

  • Facebook
  • Twitter
  • Delicious
  • LinkedIn
  • StumbleUpon
  • Add to favorites
  • Email
  • Google Plus