Para aqueles que viveram e acompanharam aqueles criativos anos 60 e 70, certamente se lembrarão das baladas dos Beatles como banda e depois com as carreiras solos de seus integrantes. Mas ao término dos anos 60 era muito explorado pela mídia da época os conflitos internos principalmente entre John Lennon e Paul McCartney, que também contribuiriam pelo fim da banda.

Mesmo separados e cada um seguindo seu caminho o conflito ainda perdurou e até nas músicas individuais era possível identificar “recados” de um para o outro para êxtase das mídias sensacionalistas.

Mas o tempo foi passando, a maturidade e concentração nas carreiras e envolvimento com outras situações, acabaram por esfriar os ânimos até a então fatídica morte de John Lennon em NY.

O meio musical desabou, trazendo ao mundo da arte uma frustração sem precedentes. Seguiram-se mensagens, homenagens em shows, entrevistas etc., pelos grandes astros do pop e rock, sempre tendo o enredo pela lamúria da perda e do que isto representaria para o meio musical e artístico durante os anos que viriam. De fato hoje é mais fácil perceber o marco que foi aquele triste episódio e o que ele significou.

Certamente este episódio triste desabou no colo dos outros Beatles, cuja marca no final da banda foi de revelação de conflitos entre seus integrantes, principalmente entre Paul e John.

Cada um teve que se posicionar a respeito e enterrar as mágoas publicamente do passado turbulento entre John e eles. Claro que a cobrança maior cairia sobre Paul McCartney.

Ele acabou revelando muitos sentimentos nobres ao finado parceiro no decorrer dos anos e acabou até se aproximando de Yoko Ono, que segundo os tabloides sensacionalistas teria sido o estopim do fim da banda.

Paul revelaria que ele e John competiam sempre, musicalmente claro e para quem era espectador, o mundo musical ganhou muito com isto. Ele ainda confessaria que as memórias de John ainda o fazem chorar muito.

Numa declaração a revista Rolling Stone ele afirmaria:Eu sei que minha memória tem chips que ainda podem me levar de volta a dois caras sentados numa sala tentando escrever ‘I Saw Her Standing There’ ou ‘One After 909’. Eu ainda posso ver aquilo claramente, e eu ainda posso ver cada minuto de John e eu escrevendo juntos, tocando juntos, gravando juntos. Eu ainda tenho uma memória muito vívida sobre tudo aquilo. Não é como em contos de fadas. Devido à morte trágica de John, existe muito revisionismo, e é muito difícil de ir contra isso”.

Muitas outras demonstrações de afeto ocorreriam, mas a homenagem maior acabou vindo mesmo numa canção: “Here Today”.

Lançada no album Tug of War, que foi primeiro disco lançado por McCartney após a morte de seu antigo parceiro e amigo em 1982, “Here Todayé uma delicada balada acústica que ficou meio escondida no final do lado A do album.

Ela nunca foi lançada como single e também não ficou muito conhecida a não ser pelos fãs mais fanáticos Mas McCartney passou a incluí-la em seus shows, nas turnês, para homenagear seu amigo tragicamente morto.



here-today

Esta canção composta para seu amigo e parceiro musical, não seria a única homenagem. Outros artistas fariam o mesmo após a iniciativa de Paul, cujas principais seguem listadas:

  • Peace Dream – Ringo Starr
  • Empty Garden – Elton John
  • Roll On John – Bob Dylan
  • Life is Real – Queen
  • The late great Johnny Ace – Paul Simon
  • Murder – David Gilmour
  • I just shot John Lennon – The Cranberries
  • Too late for goodbye – Julian Lennon (filho)
  • All those years ago – George Harrison


Sempre vale o registro e a lembrança !

paulparajohn