Nestes tempos em que a revanche, a frustação da derrota, fez com que se instalasse uma tal Comissão da Verdade, que de verdade mesmo só mais uma grande mentira que está sendo implantada pelas esquerdas derrotadas no passado, e com o silêncio dos que viveram à época dos fatos, uma juventude omissa e acreditando em super-heróis, e as Armadas que simplesmente calam-se frente a mais acusações de culpa do que realmente poderiam ter, vai se formando uma concepção historicamente distorcida, sobre um fato global e certo, de que nos livramos de se tornar uma Cuba gigante, ditatorial, perseguidora mais nefasta de dissidentes, do que foi a ditadura dos militares, que adotaram recursos de resistência como uma reação a luta armada e a anarquia que as esquerdas resolveram adotar, como busca de atender suas frustações de não terem migrado o pais para a esfera comunista no inicio dos anos 60.

Vários fatos são esmagados pela propaganda das esquerdas, iludindo o espectador despreparado, de que só os que tombaram de um lado da guerra são a verdade absoluta. Mas graças a liberdade de expressão e da impressa, ainda podemos ter acesso aos fatos entendendo também o outro lado a história, sendo narrada pelos que sofreram ou morreram por atos praticados pela luta armada vermelha. Mas vale um alerta de termos que aproveitar esta liberdade de expressão e de imprensa (não alienada), pois têm sido constante as tentativas de calar estes nobres recursos da democracia.

Um destes fatos históricos de grande relevância a ser considerado é o do caso Boilesen, e da OBAN (Organização Bandeirante), que nos remete aos tempos difíceis em que os defensores de valores nobres eram tombados sem escrúpulos por uma ideologia brutal.

A Operação Bandeirante (OBAN) foi um centro de informações e investigações montado pelo Exército do Brasil em 1969, que a coordenava e integrava as ações dos órgãos de combate às organizações armadas de esquerda durante o regime militar.

A entidade foi financiada em 1971 por alguns empresários, como Henning Albert Boilesen, da Ultragás, que foi assassinado em São Paulo sob a acusação de ter sido um dos financiadores da OBAN.

Seu membro mais famoso foi o major Carlos Alberto Brilhante Ustra.

A OBAN foi lançada oficialmente em junho de 1969. Teriam participado do ato de lançamento da OBAN, no dia 1º de julho de 1969, em São Paulo, o governador da época, Roberto Costa de Abreu Sodré, o secretário de Segurança Pública, Hely Lopes Meireles, o general José Canavarro Pereira, comandante do II Exército, e os comandantes do VI Distrito Naval e da 4ª Zona Aérea.

No entanto, o ex-governador Abreu Sodré negou qualquer envolvimento com a OBAN. O prefeito da capital paulista à época, Paulo Maluf, também refutou as versões de que teria dado apoio à iniciativa. Nada foi apurado oficialmente contra esse dois políticos. É sabido, porém, que tanto o governo de Sodré quanto a prefeitura de Maluf forneceram apoio, inclusive material e financeiro, para o adequado funcionamento da Oban. Segundo Élio Gaspari, “o prefeito da cidade, Paulo Maluf, asfaltou a área do quartel, trocou-lhe a rede elétrica e iluminou-o com lâmpadas de mercúrio. O governador Roberto de Abreu Sodré cedeu-lhe espaço numa delegacia na esquina das ruas Tomás Carvalhal e Tutóia, a cinco minutos do QG do Ibirapuera, para que nela fosse instalada a Oban.” Tal apoio era necessário porque o Major Waldyer Coelho, que organizou a Operação Bandeirante, precisava de mais estrutura do que a cúpula do Exército estava disposta a lhe dar àquela altura.

As ordens para a montagem de um organismo que reunisse elementos das Forças Armadas, da Polícia Estadual – civil e militar – e da Polícia Federal para o trabalho específico de combate à subversão, foram dadas ao final de 1968 pelo Ministro da Justiça, professor Luís Antônio da Gama e Silva, numa reunião dos secretários de Segurança em Brasília, e pelo general Carlos de Meira Matos, que estava na chefia da Inspetoria Geral das Polícias Militares. A reunião, chamada “Seminário de Segurança Interna”, discutiu toda uma estratégia de combate aos opositores do regime.

Sua sede foi instalada no número 1030 da rua Tomás Carvalhal, nos fundos do 36° distrito policial, na capital paulista.

Seu primeiro comandante foi o tenente-coronel do Exército Waldyr Coelho Pode-se dizer que a partir daí o Exército entrou de corpo inteiro no combate às forças de esquerda e principalmente, naquele momento, às que se dispunham a desenvolver a luta armada para a implantação de um governo comunista no Brasil. Mas não apenas estas: professores universitários eram vigiados e frequentemente abordados por agentes da organização.

Sem vínculos formais, ou legais,a OBAN era em essência uma formação paramilitar de ação direta e violenta à margem da lei, o que lhe dava agilidade e brutal eficácia.

Era financiada por doadores privados como o Grupo Ultragás, Ford, GM, Grupo Camargo Corrêa, Grupo Objetivo, Amador Aguiar (Bradesco) e muitos outros e pelos bens tomados de suas vítimas. Entre os doadores, havia os que apoiavam com entusiasmo a repressão e outros que contribuíam a contragosto, sob pressão. Havia contudo grande tensão no meio empresarial, de que se os subversivos tomassem o poder e converte-se o pais num regime socialista/comunista, seus negócios, suas estruturas empresarias de bilhões de dólares, seriam pulverizadas e tomadas por um estado comunista e portanto mais ditatorial, do que aquele presente com os militares.

Entre esses doadores, destaca-se a figura de Henning Albert Boilesen, dinamarquês naturalizado brasileiro, diretor do Grupo Ultra. Segundo versões, contestadas por sua família e nunca apuradas oficialmente, chegou a participar de sessões de tortura e teria inventado uma ferramenta de tortura que levou seu nome: a Pianola de Boilesen, uma espécie de teclado que emitia choques elétricos em quem o premesse. Também há a suposição de o empresário era colaborador da CIA, mas nenhum dos fatos fora devidamente comprovado até hoje.

Em 15 de abril de 1971 ele foi morto na capital paulista por militantes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), comandada por Carlos Lamarca e pela e ALN (Veja Nota)..

Investigações posteriores revelaram que Lamarca planejava executar ainda os empresários Pery Igel e Sebastião Camargo, que também supostamente davam suporte financeiro à repressão aos grupos armados de esquerda.

Em 1970, a OBAN, embora ainda conhecida como tal, já está mais legalizada. Está enquadrada pelo Destacamento de Operações Internas/Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI). Funciona ainda como OBAN, mas ao colocá-la sob a jurisdição do DOI-CODI, pretendia-se diminuir a sua autonomia, o que na prática não aconteceu.

Em 1970, quem comanda a OBAN – oficialmente o DOI-CODI – é Carlos Alberto Brilhante Ustra, major de artilharia do Exército, conhecido também, nas rodas de interrogatórios, pelos codinomes de Major, Doutor Silva e Doutor Tibiriçá. Carlos Brilhante Ustra contudo se defende das acusações de tortura em seu livro “Rompendo o Silêncio” disponível em “A Verdade Sufocada”.

Veja todas as partes do documentário “Cidadão Boilesen”

A ação da OBAN, como dos demais órgãos de repressão aos grupos de esquerda armada, só começou a arrefecer para enfim cessar a partir da abertura lenta e gradual promovida pelo presidente Ernesto Geisel e seu articulista Golbery do Couto e Silva, já que a resistência também perdia suas forças.

É evidente que houvera excessos, afinal era uma guerra, mas tenta-se nos dias atuais, tornar heróis somente aqueles que tentaram sucessivamente, derrubar os governos militares, simplesmente para, no poder, implantar outra ditadura, o socialismo-comunismo. A reação de quem estava no poder foi tentar evitar isto, e nestas condições muitos civis, policiais, militares, empresários, religiosos, também tombaram por atos violentos praticados pelos revoltosos. Estes (ou seus familiares) aguardam desesperadamente todos estes anos reparações, que se atolam na justiça, e não fazem parte das discussões da atual “Comissão da Verdade”.

O tempo também mostrou que a ideologia marxista, que sustentava regimes comunistas ruiu como um castelo de cartas, e o socialismo está derretendo (Europa) como gelo sobre o fogo, e as poucas ditaduras de esquerda que existem agonizam a espera de um ”grand finale”, para desespero de seus defensores, que tentam tornar heróis os anarquistas do passado.

O mais interessante é que se reprimem tanto a ditadura ocorrida no Brasil, no século passado e são defensores de ditadores brutais da atualidade em todos os foruns, como os presidentes de Cuba, Irã, Síria, o Iraque de Sadam, Coreia do Norte, China, entre outros, que simplesmente exterminam seus dissidentes. Este paradoxo contribui ainda mais para considerarmos esta Comissão da Verdade numa fraude, ou farsa como já atestam várias organizalções militares.


Notas:

(*) A Ação Libertadora Nacional (ALN) foi uma organização guerrilheira, revolucionária brasileira de tendência comunista que empreendeu luta contra o regime militar no Brasil (1964-1985). O grupo surgiu no fim de 1967, com a saída de Carlos Marighella do Partido Comunista do Brasil (ex-PCB), após sua participação na conferência da Organização Latino-Americana de Solidariedade (OLAS) em Havana (Cuba).

Em seu programa de ação a Ação Libertadora Nacional audodefinia-se da seguinte forma: Todos nós somos guerrilheiros, terroristas e assaltantes e não homens que dependem de votos de outros revolucionários ou de quem quer que seja para se desempenharem do dever de fazer a revolução. O centralismo democrático não se aplica a Organizações revolucionárias como a nossa.

Segundo pesquisadores e militantes de esquerda, como Nilmário Miranda e Carlos Tibúrcio (ambos ex-guerrilheiros), a ALN tinha a proposta de uma ação objetiva e imediata contra a ditadura militar, defendendo a luta armada e a guerrilha como instrumento de ação política.

Em declaração ao jornalista Elio Gaspari, Daniel Aarão Reis, ex-militante do MR-8, professor de história contemporânea da Universidade Federal Fluminense e autor de Ditadura Militar, Esquerda e Sociedade, disse: Ao longo do processo de radicalização iniciado em 1961, o projeto das organizações de esquerda que defendiam a luta armada era revolucionário, ofensivo e ditatorial. Pretendia-se implantar uma ditadura revolucionária. Não existe um só documento dessas organizações em que elas se apresentassem como instrumento da resistência democrática.


Veja também:

A verdade sufocada

Terrorismo nunca mais

Mídia sem máscara

Comissão da Verdade é ‘moeda falsa’, diz general

Libertatum

Percival Puggina

Bolsonaro

A Comissão da meia-verdade

Lista dos mortos pelo terrorismo


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