A região do Brooklin tem sua história de transformação de um pântano para uma das ilhas de modernidade em São Paulo, executada por Carlos Bratke. A Av. Luiz Carlos Berrini e parte da Marginal Pinheiros e entornos são a sua melhor expressão e seu cartão de visitas.

A região do Brooklin tem sua história de transformação de um pântano para uma das ilhas de modernidade em São Paulo, executada por Carlos Bratke. A Av. Luiz Carlos Berrini e parte da Marginal Pinheiros e entornos são a sua melhor expressão e seu cartão de visitas.

No último dia 09 de Janeiro São Paulo foi surpreendida pela morte de mais um de seus grandes arquitetos, Carlos Brakte.

Ele junto com Roberto Bratke e Francisco Collet foram responsáveis pela transformação de um pântano da várzea do Rio Pinheiros conhecida como dreno do Brooklin, na Zona Sul iniciada em 1975.

Só na região da Av. Luiz Carlos Berrini, via central do Brooklin junto com a Marginal do Rio Pinheiros construiu mais de 60 projetos. Também expandiu suas obras para além da região da Berrini, como projetos do Parque do Povo, um dos 80 pulmões verdes e de lazer da cidade, no Itaim Bibi, o Cemitério Jardim da Colina e o Poupa Tempo em São Bernardo do Campo e mais projetos consolidados nos Estados Unidos, Israel, México e Uruguai.

Inventor dos contornos futuristas e reluzentes das torres de aço e vidro no Brooklin, era filho do também arquiteto e modernista Oswaldo Bratke. Brakte urbanista e arquiteto iniciou sua carreira na década de 1960, sob forte influência da chamada escola paulista de arquitetura, marcada pelo uso exagerado do concreto aparente e pela exaltação da estrutura dos edifícios como espetáculo de força e equilíbrio. Mas logo se rebelou e saiu desta cultura brutalista e se consagrou como um dos maiores nomes não alinhados ao estilo que dominava as faculdades tradicionais de arquitetura da cidade.

Suas obras, quase sempre de grande apelo comercial, acabou se consolidando como estruturas, que permitem enormes pavimentos livres de pilares, ao mesmo tempo em que exalta na superfície um impacto que ele mesmo considerava como cenário de ficção científica. Sua maior obra na região é o Plaza Centenário, popularmente conhecido como RoboCop, de desnuda 32 andares brilhantes no skyline da Marginal Pinheiros. Não era unanimidade no meio, sofrendo com a críticas de alguns e sendo reverenciado por outros, sendo os alvos da discórdia seus projetos implementados muitos dos quais consagrados.

Ele também presidiu a Fundação Bienal (1999 e 2002), o Instituto de Arquitetos do Brasil (1992 a 2002) sendo agraciado com a comenda maior do Colar de Ouro da Arquitetura. Graduado em Arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie aos 25 anos também assinou projetos de várias escolas públicas e particulares, centros culturais, indústrias, shopping centers, hotéis e residências.

Seu legado o credencia aos grandes que provocaram transformações em São Paulo, como Ramos de Azevedo, Rino Levi, Ricardo Severo, Artacho Jurado, Vilanova Artigas, Stockler das Neves, Júlio Neves, Ruy Ohtake, Isay Weinfeld, Adolpho Lindenberg, Niemeyer entre outros.

Mas sua principal história está marcada mesmo no Brooklyn, onde no período de transformações a imprensa chamava o local de “Bratkelandia” ou “Bairro do Bratke” que com seus projetos totalizando cerca de 650 000 metros quadrados na região nos fazem ter a certeza de que Bratke é Brooklin…



Bibliografia/Fontes:

bratke