O Cometa “Lovejoy” de 2011

Quem pode observar o Cometa Halley nos anos 80, frustrou-se com o pífio espetáculo, que nem de longe se apresentou como foi prometido ou divulgado pela mídia especializada.

O cometa Halley passou próximo a Terra em 1910, porém, e infelizmente, a aparição seguinte, em 1986, foi a pior em dois mil anos, pois nosso planeta e o cometa  estavam em lados opostos do sol.

Esta frustação poderá ser esquecida em 2013 e 2014 com a aproximação do Cometa ISON (designado  C/2012 S1 ISON).

O cometa C/2012 S1 ISON foi rastreado inicialmente através de imagens CCD registradas nos observatórios de Monte Lemmon e Panstarrs, nos EUA, entre 28 de dezembro de 2011 e 28 de janeiro de 2012, mas só teve sua órbita calculada a partir das observações e análises realizadas pelo astrônomo russo Artyom Novichonok e pelo seu colega Vitali Nevski, da Bielorússia, que utilizaram imagens feitas pelo telescópio robótico de 400 milímetros pertencente à rede ISON (International Scientific Optical Network), próximo à cidade de Kislovodsk, na Rússia.

Atualmente ele está localizado na órbita entre Júpiter e Saturno, e está se dirigindo para um encontro com o sol no próximo ano. Em novembro de 2013, ele vai passar a menos de 0.012 UA (1,8 milhões de km) a partir da superfície solar.

Posição do cometa em Setembro 2012

No começo de Outubro de 2013, ele passará perto de Marte e possivelmente será visível pelos rovers e pelas sondas que lá estão, e em 26 de dezembro atingirá seu menor ponto de aproximação com a Terra, a 60 milhões de quilômetros de distância. A órbita do C/2012 S1 ISON é hiperbólica, portanto não é considerado como parte do Sistema Solar.

Ao que tudo indica, o cometa teve origem na chamada nuvem de Oort, uma hipotética região do espaço localizada a 7.5 trilhões de quilômetros (50 mil UA – unidades astronômicas), onde supostamente os cometas e alguns asteroides se formam, e que existe uma pequena possibilidade de ele já ter passado por aqui antes. Um grande cometa em 1680 foi observado com uma órbita muito similar a este.

De acordo com alguns modelos matemáticos, a nuvem de Oort poderia abrigar entre um e cem bilhões de cometas, tendo este massa estimada em aproximadamente cinco vezes a da Terra. O cometa, pelos primeiros cálculos feitos após a descoberta está aparentemente em curso de passagem rasante em torno do Sol, quando atingirá o periélio (menor distância do Sol) em 28 de Novembro de 2013, quando chegará a uma distância de apenas 1.8 milhões de quilômetros do centro da estrela, ou 1.1 milhão de km da sua superfície.

Caso ele sobreviva a sua passagem pelo Sol ele irá passar perto da Terra no final de Dezembro de 2013, e poderá ser um dos cometas mais brilhantes já observados, com a possibilidade de ser mil vezes mais brilhante que Vênus e quase tanto quando a Lua Cheia. Os astrônomos em todo o mundo certamente irão rastrear este grande evento com grande atenção para melhor entender sua natureza e prever como ela pode se desenvolver nos próximos 15 meses.

Bom, para frustrar os apocalípticos e conspiradores e apesar que esses valores calculados podem sofrer pequenas alterações, não há qualquer chance de C/2012 S1 ISON se chocar contra a Terra, Marte, ou qualquer outro planeta, podendo apenas o Sol ser seu único algoz dada a grande aproximação que fará dele. Se o encontro com o Sol não for fatal, o cometa poderá levar milhares – ou até mesmo milhões – de anos antes de passar novamente pelo sistema solar.

A  descoberta recente do cometa C/2012 S1 ISON ganhou muito destaque na mídia especializada, principalmente por estar previsto que o objeto brilhará muito no final de 2013, podendo atingir magnitudes negativas quanto mais se aproximar do Sol.(Apenas para lembrar, quanto menor um valor de magnitude, mais brilhante é o objeto). No momento de sua descoberta a magnitude aparente era 18,8, escuro demais para ser visto a olho nu mas com brilho suficiente para ser fotografado por amadores com grandes telescópios. O brilho aumentará gradualmente a medida que se aproximar do Sol.

Por volta de agosto de 2013 deve estar visível para pequenos telescópios e binóculos, tornando-se visível a olho nu no final de outubro ou no início de novembro e permanecendo assim até o meio de janeiro de 2014. quando o cometa atingir o periélio no dia 28.

Veja a Tabela de magnitudes:

Magnitudes aparentes de alguns objetos visíveis em nosso céu.

Quando foi mapeado pelo observatório Remanazacco (Itália), em setembro de 2012, o  ISON estava a cerca de 6.547 UA, ou seja, 975 milhões de quilômetros da Terra. Na ocasião, os registros mostravam que a coma do cometa ocupava cerca de 5 segundos de arco na abóbada celeste, o equivalente a 23 mil km de diâmetro. Mas com a aproximação ao Sol, esta coma deverá crescer muitas vezes e se tornar cada vez mais brilhante.

De acordo com alguns modelos de magnitude, o brilho de C/2012 S1 ISON poderá atingir até 19 magnitudes negativas. Para se ter uma idéia da grandeza disto, isso é cerca de 2 vezes o brilho que o cometa C/1965 S1 Ikeya-Seki mostrou em 1965, ou seja equivalente a quase 2 vezes o brilho da Lua cheia.

No entanto, usando um outro modelo, o SSD (Solar System Dynamics), da Nasa, o maior brilho a ser alcançado foi de -11.64 magnitudes, que poderá ser observado no dia 29 de dezembro de 2013. Apesar da diferença muito grande em relação a outros modelos, ainda assim o brilho do ISON será maior que o do cometa Ikeya-Seki, ou quase 4 vezes mais intenso que o do cometa C/2006 P1 McNaught, que foi um destaque  e  chamou bastante a atenção em 2007, podendo ser visto até mesmo durante nos períodos diurnos.

Mas de acordo com a revista Astronomy Now  C/2012 S1 ISON pode até se tornar mais brilhante que a lua cheia, contudo sabe-se que a previsão do brilho de um cometa é difícil, especialmente este, que passará muito perto do Sol e pode ser afetado pelo fenômeno  “dispersão frontal” da luz.

Os cometas Kohoutek e C/1999 S4 não cumpriram a expectativa, mas se o C/2012 S1  ISON sobreviver pode se tornar semelhante ao Cometa McNaught(com magnitude -5,5), ao Grande Cometa de 1680 e ao cometa C/2011 W3 (Lovejoy). O mais brilhante desde 1935 foi o Cometa Ikeya–Seki em 1965, com já mencionado,  com magnitude -10.

Apesar de muitos modelos, muitos cálculos e previsões, parece existir uma linha tênue entre estar diante de um grande espetáculo, ou seja, cometa poderá ser de fato o mais brilhante dos últimos tempos, mais deslumbrante ou então mais um grande fiasco e frustação, como alguns do passado.

Seja como for a comunidade astronômica está muito mais otimista, o que pode nos deixar positivamente diante de um grande espetáculo.

Embora o Hemisfério Norte será melhor privilegiado para a observação, haverá ainda sim boas visualizações abaixo do Equador, portanto…

Vamos aguardar, e preparem seus telescópios, lunetas……

Veja aqui os detalhamentos e acompanhando do C/2012 S1 ISON pela NASA. (Necessário JAVA Runtime)


Notas:

  • UA (unidade astronômica): é definida como a distância do Sol à Terra (150 milhões de km)
  • Nuvem de Oort: é uma nuvem esférica de cometas e asteroides hipotética (ou seja, não observada diretamente) que possivelmente se localize nos limites do Sistema Solar, a cerca de 50 000 UA, ou quase um ano-luz, do Sol

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