É notório que o clima está mudando e de há muito tempo. Algumas transformações são bem visíveis, outras sentidas, como por exemplo, São Paulo que perdeu a neblina e a garôa e ganhou dilúvios épicos, as cidades litorâneas, perdendo suas orlas pelo avanço do mar, ou quando muito, seu solo litorâneo sendo encharcado pelo aumento do nível do mar e ressacas cada vez mais violentas invadindo o meio urbano.

Estações climáticas parecem não ter mais características definidas como de décadas atrás, e estudos geofísicos apontam mudança da natureza como uma evolução natural, mas pontualmente agravada pela ação do homem, sobretudo após o advento da revolução industrial.

Campos do Jordão, certamente sente também de forma abrangente estas mudanças, sobretudo naquilo que é sua estação mais importante, o Inverno.

Parece neve, mas foi uma intensa chuva de granizo que cobriu a cidade em 11 de Outubro de 2001

Vários estudos e análises consideram a situação do clima complexa na Serra da Mantiqueira do planalto de Campos de Jordão até Itatiaia, dada as considerações de altitude, vegetação, plano hidrográfico, e os efeitos do El Ninho e La Ninha, de modo que entender o que acontece, torna-se também um exercício complexo e muito pontual e característico da Região.

Tendo vivido em Campos do Jordão no final dos anos 50 e inicio dos anos 60, e tendo várias estadas pequenas mas frequentes, até vir a morar de novo a partir de 2005, pude ter um período de comparação, da evolução ou alteração do clima muito ampla.

Naqueles remotos anos, inverno, era inverno mesmo, com dias seguidos de temperaturas negativas, geadas constantes apresentando um cenário de Alpes por muito tempo, embora o fenômeno geada seja diferente de neve, presente naquele cenário europeu. Os meses de Junho, Julho e parte de Agosto, apresentavam um cenário bonito, que certamente ajudou a conquista da fama da cidade de estância de Inverno.

Sob a ótica de temperatura apenas, a maior variação de temperatura interanual ocorria no Outono-Inverno, onde a máxima registrada foi 32,6º e a mínima -7,3º, embora há relatos de -12º, -10º, e me recordo disto.

Com uma estação meteorológica oficial (no Horto Florestal), e outras tantas medições espalhadas pela área urbana da cidade, certamente estas diferenças de leitura ainda se apresentam. Dados de 40 anos de observações e medições (INEMET-MODENESI) de 1937 A 1976, mostram que 90% dos dias de geada ocorriam de Maio a Agosto, com maior incidência, pela ordem, Julho, Agosto e Junho, e representavam em média 46 dias/ano.

Hoje mal passa dos 15 dias/ano, com incidência nestes meses, o mesmo ocorrendo com temperaturas negativas.

Por exemplo ao olharmos os dados abaixo em 2010 nos meses de Junho, Julho e Agosto, observamos apenas 21 dias com temperaturas negativas, e nem todos com situação favorável a geadas:

Em Junho/2010, 11 dias com temperaturas negativas


Em Julho/2010 apenas 5 dias com temperatura negativa


Em Agosto/2010 apenas 5 dias com temperaturas negativas

Em 2011, nos meses considerados, apenas em 6 dias houveram geadas, algumas documentadas em fotos (http://netleland.net/Geadas%202011/).

Estes últimos anos podem fazer apenas parte de um ciclo, já que estamos observando o frio aumentando e “subindo” sistematicamente pela região Sul, nevando inclusive em cidades, e já atingindo Curitiba com temperaturas não sentidas nas ultimas décadas, por exemplo. Vale registrar que já nevou em São Paulo, em 25 de junho de 1918, portanto no século passado, e há relatos de neve em Campos do Jordão em 1892, 1897, 1928, 1947, 1948, 1933, 1964 e por pouco não ocorreu em 2000. A nevasca de 1928 é a melhor registrada em fotos (http://netleland.net/neveCJ/)

Outro dado interessante e bastante influenciador desta situação, diz respeito a umidade relativa que era de 85% e nos dias de hoje rondam os 70%.

O passado também relatado por historiadores da região revelaram existir temperaturas negativas fora do inverno conforme abaixo:

Seja como for, mantenho a esperança que estas transformações tragam meu inverno de volta !

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