Em tôda a estrutura de poder, existe um elemento central, chamado de estrategista, muitas vezes recebendo até outras denominações, para o qual converge e erradiam ações que definem caminhos e a força deste poder frente à área de influência. Isto ocorre em estruturas políticas, empresariais, organizações civis de todos tipo, etc.

Os mais antigos, principalmente aqueles que puderam viver e presenciar os acontecimentos antes, durante e pós regime militar, se lembrarão da figura de Golbery do Couto e Silva. Nos tempos atuais, já houveram algumas análises e crônicas atribuindo a José Dirceu o trabalho de Golbery nos dias atuais; Será?

   

Golbery, gaúcho, de carreira militar impecável, tendo participado da segunda guerra mundial pela FEB, Força Expedicionária Brasileira, foi braço direito do primeiro presidente militar Castelo Branco e destaque como teórico do movimento político-militar (1964).

Golbery sempre este ligado a estudos e estratégias para fazer frente ao avanço do comunismo no cenário político brasileiro. Suas ideias foram inicialmente delineadas em sua obra Planejamento estratégico (1955). Era respeitado e apoiado pelo general Humberto de Alencar Castelo Branco. Em 1962, um ano depois de passar à reserva, criou e dirigiu o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES). Durante sua atuação frente ao instituto teve papel de destaque na preparação do movimento que depôs o presidente João Goulart.

O IPES, através de financiamento do governo e de empresas ligadas à direita, montou uma extensa rede de informações. Os arquivos, gravações telefônicas e documentos levantados nessa época formaram dossiês que foram transferidos para o Serviço Nacional de Informações (SNI), criado em 1964, foi idealizado e também dirigido pelo General Golbery. O SNI teve grande influência em todo o regime militar, tanto do lado estratégico quanto da manipulação da sociedade mediante instrumentos de controle da mídia, para evitar a comunização do país e de se tornar um satélite de Cuba.

O Anti-“Linha-Dura” na Ditadura

O General Golbery, por ser de formação acadêmica intelectual nunca concordou com os métodos de ação da “linha dura”, sendo por ela odiado, enfrentando diversos panfletos que circularam nos quartéis que lhe atacavam, tachando-o de “entreguista” e até mesmo comunista (durante a crise com o Ministro do Exército Sylvio Frota, esse expediente foi comum).

Em 1967, Golbery do Couto e Silva assumiu uma vaga de ministro do Tribunal de Contas da União e, em 1974, no governo Geisel, tornou-se chefe da Casa Civil da Presidência da República, cargo que manteve com a posse do novo presidente, João Figueiredo. Ali teve influência no nascimento dos novos partidos. Foi ele quem excogitou e conduziu a reforma partidária de 1979. Nasceram ali, além do PDS que sucedeu à ARENA, o PMDB liderado por Ulysses Guimarães, o PT por Lula, o PP por Tancredo Neves, a sigla PTB previamente entregue a Ivete Vargas pelo próprio chefe da Casa Civil de Geisel, e, à época, de Figueiredo e o PDT de Leonel Brizola. O propósito era dividir a oposição, unida debaixo da sigla do MDB. De saída, Golbery conseguiu seu propósito.

Mais do que dividir a oposição, Golberi tinha uma grande preocupação e missão de tirar a influência de partidos comunistas (clandestinos, PCB, PCdoB) sobre instituições civis, como Centrais Sindicais, Igreja Católica, Estudantes da UNE os quais, José Dirceu inflamava gerando tôda uma anarquia urbana (principalmente em São Paulo). Obteve quase um sucesso total em suas estratégias neste sentido e de dividir a oposição, pois tendo um controle brutal em Serviços de informações, poderia agir para manutenção dos valores da direita e da democracia pró-EUA, já que Golbery era o homem forte de influencia americana no poder do Brasil, para garantir a não sovietização do cone Sul da América, nos tempos da guerra fria.

“Um dos relatos mais interessantes sobre este trabalho de Golbery é dado pelo empresário Mario Garnero que relata um dos grandes mistérios da história politica brasileira é compreender como e por que, afinal, o presidente Ernesto Geisel e o general Golbery do Couto e Silva deixaram um o jovem e desconhecido metalúrgico Luís Inácio da Silva, sem origem partidária e sem referência, de repente se transformar no maior líder sindical do país. Lula tem estrela, tem Sorte? Seria um predestinado? Ou teria sido construído, meticulosamente, nos arquivos secretos da ditadura? Entre os militares da repressão, há muito se comenta que Lula seria um dos seus, depois reinventado pelo general Golbery do Couto como parte de uma trama maior para tirar o poder do Partido Comunista, o PCB, nos sindicatos brasileiros e estudantes de escolas públicas.

Golbery se notabilizou-se como um dos teóricos da doutrina de segurança nacional, elaborada nos anos 50 pelos militares brasileiros da Escola Superior de Guerra (ESG). A doutrina se torna a justificativa ideológica das práticas autoritárias dos governos militares, para evitar os movimentos marxistas ditatoriais que andava em crescimento no mundo naqueles anos. Criador do Serviço Nacional de Informações (SNI), logo depois do golpe, é o principal indicador das cassações feitas pelo governo.

Como vivia uma relação de amor e ódio dentro da estrutura militar do poder, se pôs contrário à ascensão de Costa e Silva à Presidência (um dos mais linha-dura do regime), e retira-se do governo com a posse do novo mandatário. Entre 1968 e 1973 é presidente da filial brasileira da empresa norte-americana Dow Chemical e, posteriormente, seu presidente para a América do Sul.

Em 1981, Golberi, demitiu-se casa Casa Civil, depois das bombas do atentado no Riocentro, atentado este que fracassou mas pôs em risco a vida de milhares de civis além de representar retrocesso em relação à postura que defendeu e tentou implementar desde Geisel; por saber da participação de militares comandados pela linha dura. Não teve influência suficiente sobre Figueiredo para alijar de vez os membros da linha dura. No entanto permaneceu como condutor de conversas com a “oposição responsável”, principalmente Tancredo Neves e Thales Ramalho, para o complemento da transição para volta à Democracia.

Golbery recebeu vários apelidos: “Eminência parda, “O Bruxo” “O mágico” “O homem forte da ditadura” “O inventor do Lula” “gênio da Raça, por Glauber Rocha”, tudo isto por sua notável capacidade de articulação e inteligência, sendo denominado também pelo jornalista Elio Gaspari como “O Feiticeiro. Era também chamado por integrantes de grupos esquerdistas de Henry Kissinger brasileiro. Morreu em 1987 em São Paulo, e deixou também algumas frases célebres, por que não dizer proféticas:

  • O reconhecimento pelos países líderes do Ocidente, em particular pelos E.U.A., da justeza e solidez de nossos anseios dependerá, entretanto, grandemente de nós.
  • Ora, o Brasil, pelo prestígio que já goza no continente e no mundo, pelas suas variadas riquezas naturais, pelo seu elevado potencial humano e, além disso, pela sua inigualável posição geopolítica ao largo do Atlântico Sul, ocupa situação de importância singular quanto à satisfação de todas essas imperiosas necessidades da defesa do Ocidente.
  • Na verdade, é a insegurança generalizada e crescente em que se debate, agoniada, a humanidade de hoje, o ópio venenoso que cria e alimenta essas hórridas visões, capazes, entretanto, de se tornarem uma realidade monstruosa.
  • O Brasil vive um movimento de sístole e diástole, entre ciclos autoritários e democráticos.
  • Não interrompa uma pessoa que lhe conta algo que você já sabe. Uma história nunca é contada duas vezes da mesma maneira e é sempre bom ter mais uma versão.


José Dirceu de Oliveira e Silva, mineiro de Passa-Quatro é um político e advogado brasileiro, com base política em São Paulo.

Foi líder estudantil entre 1965 e 1968, ano em que foi preso em Ibiúna, no interior de São Paulo, durante uma tentativa de realização do XXX Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Ainda em 1968 inflama as ruas de São Paulo, com o episódio conhecido como “A Batalha da Rua Maria Antonia

Em setembro de 1969, com mais quatorze presos políticos, deportados do país, em troca da libertação do embaixador americano Charles Burke Elbrick, foi deportado para o México. Posteriormente exilou-se em Cuba. Fez plásticas e mudou de nome para não ser reconhecido em suas tentativas de voltar ao Brasil após ser exilado, e voltou definitivamente ao país em 1971, vivendo um período clandestinamente em São Paulo e em algumas cidades do Nordeste e, quando teve novamente sua segurança ameaçada, retornou a Cuba. Em 1975 retornou ao Brasil, estabelecendo-se clandestinamente em Cruzeiro do Oeste, no interior do Paraná.

Com a redemocratização, em 1980, ajudou a fundar o Partido dos Trabalhadores, do qual foi presidente nacional durante a década de 1990.

Exerceu vários mandatos: entre 1987 a 1990 foi deputado estadual constituinte por São Paulo, e, em 1991, 1998 e 2002 elegeu-se deputado federal. Em janeiro de 2003, após tomar posse na Câmara dos Deputados, licenciou-se para assumir o cargo de Ministro-Chefe da Casa Civil da Presidência da República, onde permaneceu até junho de 2005, quando deixou o Governo Federal acusado, por Roberto Jefferson de ser o mentor do Escândalo do Mensalão.

Retornando à Câmara para se defender, Dirceu teve seu mandato de deputado federal cassado no dia 1º de dezembro de 2005, tornando-se inelegível até 2015.

Politiburo atual do PT com José Dirceu ao centro

(©Getty images/AE/AG Globo/Folha Press)

Apogeu e queda

José Dirceu foi Ministro-Chefe da Casa Civil no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de 1 de janeiro de 2003 até 16 de junho de 2005, quando pediu demissão do cargo de ministro, e voltou a seu antigo cargo de deputado federal por São Paulo (era até então deputado licenciado) do Partido dos Trabalhadores.

Ocupou o principal posto da coordenação política do governo, sendo tratado pela imprensa como o verdadeiro homem forte da administração federal, a quem caberiam efetivamente as decisões, como um super-ministro e “primeiro ministro”, como era “considerado” no passado Golbery do Couto e Silva.

Sua demissão ocorreu em meio à crise política que surgiu após denúncias de corrupção nos Correios e em outras empresas estatais, vindas à tona após acusações do deputado Roberto Jefferson. Reassumiu, então, seu mandato de deputado federal.

Embora a oposição tenha afirmado diversas vezes que o presidente tenha demitido o ministro por reconhecer a culpa do mesmo, Lula, como esperado, nunca assumiu publicamente isto.

No dia 1 de dezembro de 2005, José Dirceu teve seu mandato cassado por quebra de decoro parlamentar. O placar da votação foi de 293 votos a favor da cassação e 192 contra; com isso, José Dirceu ficou inelegível até 2015. O relator do processo de cassação de José Dirceu no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados foi Júlio Delgado.

No dia 30 de março de 2006, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, denunciou ao Supremo Tribunal Federal (STF), quarenta pessoas, entre políticos e empresários, participantes do esquema do mensalão. O procurador indiciou por crimes graves, como corrupção ativa, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e peculato os ex-ministros do governo Lula José Dirceu (Casa Civil), Anderson Adauto (ministro dos transportes) e o ex-ministro dos transportes Luiz Gushiken (Comunicação Estratégica). Dirceu saiu do governo federal por ser insustentável a sua permanência na Casa Civil, pressão esta exercida pelo escândalo em que estava envolvido. O relator do caso no Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa (nomeado por Lula), atribuiu a liderança no esquema do “mensalão” a José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares e Sílvio Pereira.

Após ser o principal alvo das investigações do mensalão do PT, José Dirceu tornou-se internamente para o PT, um símbolo de resistência por reproduzir a imagem de perseguido.

Mesmo cassado, volta à direção do PT, ignora as decisões do partido, cria confusão com aliados, é repreendido por Lula e diz que isso não tem importância”.

Em 23 de fevereiro de 2010, a Folha de São Paulo cita que José Dirceu foi contratado por ao menos R$ 620 mil pela principal empresa do grupo empresarial privado beneficiado com reativação da estatal Telebrás. O dinheiro teria sido pago entre 2007 e 2009 pelo dono de uma companhia sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. A oposição defende que a reativação da estatal teria sido comandada por Dirceu para beneficiá-lo.

Em seu blog, José Dirceu comenta que “a Folha joga sujo para atacar plano de banda larga do governo e lhe atingir”.

Em palestra no dia 13 de setembro de 2010 para sindicalistas do setor petroleiro em Salvador, José Dirceu teria declarado que “o problema do Brasil é o monopólio das grandes mídias, o excesso de liberdade e do direito de expressão e da imprensa”. A fala, divulgada no site do diretório do PT da Bahia, foi posteriormente desmentida por Dirceu, que negou ser de sua autoria. O presidente do diretório baiano atribuiu sua divulgação a um “equívoco da assessoria de imprensa do partido”.

O fato é que, o “mensalão” oruindo do envolvimento ou suspeita de envolvimento de José Dirceu, se sacramentou de fato em toda a administração pública, e se aperfeiçoou ampliando sua penetração em todas as esferas e escalões, conforme tem sido exposto na administração de Dilma, com os escândalos revelados nos Ministérios dos Transportes (DNIT), Agricultura, Turismo, Cidades, ANP, Conab entre tantos outros. Na pratica na necessidade de manter a “governabilidade” e impor um falso cenário de sucesso na administração, “compra-se”, partidos, dando a eles e seus integrantes, cargos e posições de influência na máquina pública, e daí para os privilégios e interesses pessoais, como tem sido amplamente noticiado. Em resumo o mensalão, não é ficção, mas tem seu início com José Dirceu e Lula em seu 1º mandato.

Ao compararmos as presenças de governo nas épocas distintas, Golbery agiu sempre em causa ampla, da nação, de fato da governabilidade dos militares e para garantir a transição para a democracia, como de fato aconteceu. Já com José Dirceu, enraizado direta ou indiretamente pelo PT no governo, desde a era Lula até Dilma, tem sido marcado por jogos de influencia, escândalos de corrupção, à causa de interesses pessoais e nefastos, como a imprensa amplamente tem publicado.

Golbery, em sua eternidade, deve estar vendo com frustração, que embora conseguisse evitar que fôssemos satélite de Cuba com suporte ideológico da URSS, estamos a mercê de virar um satélite da China, com suporte ideológico de Chaves

Se ser estrategista, como entidade necessária, para o exercício do poder saudável, seja via Casa Civil ou não, representar articulação, inteligência e negociação em nome de causa maior (o País), certamente Golbery cumpriu seu papel muito mais do que José Dirceu. Portanto o autor considera que não existe este papel nos dias atuais, e tem-se como resultado o caos moral que se apresenta estampado em todas as mídias, brasileiras e internacionais. Talvez um nome que possa representar a função de estrategista, mais próxima a Golbery, seja FHC, que tem transito saudável e respeitável em toda a classe política e intelectual do país e assimila com inteligência as modernidades do século 21.

Leitura de apoio:

Golbery do Couto e Silva (1)

Golbery do Couto e Silva (2)

As Sementes do AI-5

Um líder sob encomenda

José Dirceu (1)

José Dirceu (2)

A cassação de José Dirceu

Julgamento de José Dirceu gera princípio de crise entre poderes Judiciário e Legislativo no Brasil

Idoso agride Jose Dirceu com bengala

Coleções Mensalão 

José Dirceu defende ‘reorganização da base de apoio’ e presidente do PT nega haver crise no governo

José Dirceu mostra que ainda manda em Brasilia

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