No último dia 20 de junho, foi aprovado pelo Condephaat, o tombamento do emblemático Edifício Altino Arantes, cujo pedido foi feito em 1987, portanto a 24 anos atrás.

Se olharmos os processos de tombamento, muitos dos quais com menos relevância do que este edifício, a rapidez sempre se apresentou.

Quem solicitou o tombamento foram funcionários do banco, naquele ano de 1987 antes da crise em que o banco esteve sob intervenção Federal de 1994 a 2000, como consequência de ter sua carteira de créditos comprometidas pelas más gestões de Quércia e Fleury, principalmente. Em 2000 foi privatizado em leilão público, e arrematado por mais de 7 bilhões de reais pelo grupo espanhol Santander, que entre os ativos patrimoniais ficou o edifico símbolo.

Por alguma razão os estudos de tombamento começaram sòmente em Janeiro de 2010, segundo a Secretaria de Estado da Cultura, representando aqui um enredo de filme “esqueceram de mim….” dado aos prazos envolvidos, desde o pedido, o inicio dos estudos e o tombamento de fato.

Certamente neste período o edifício correu muitos riscos, embora tinha proteção de sua fachada pelo município de SP, proteção coletiva dada ao perfil urbanístico do Vale do Anhangabaú desde 1992.

Agora mesmo que tardiamente, todo o edifício passa a ser patrimônio do Estado. Segundo a resolução de tombamento estadual, externamente preservam-se “volumetria, fachadas e terraço de cobertura”. Internamente, foram incluídos os pavimentos do subsolo ao sexto, “excluindo-se o quarto e os demais pavimentos da torre até a cobertura”. Móveis “identificados com a prática e funcionamento da instituição financeira” também entraram no tombamento, como mesas e cadeiras.

O edifício inaugurado em 1947 demorou oito anos para ser construído. O prédio de 161,22 metros de altura foi erguido para abrigar a sede do Banco do Estado de São Paulo (Banespa), já que a diretoria do antigo banco, planejava estabelecer-se em um prédio maior.

Assinado por Plínio Botelho do Amaral, o projeto acabou executado pela empresa Camargo & Mesquita.

Na década de 60, o edifício ganhou o nome de Altino Arantes em homenagem ao primeiro presidente brasileiro do banco. Trinta anos depois, algumas áreas do prédio foram tombadas pelo patrimônio histórico, como o hall, as galerias, a caixa forte, 5º e 6º andares e a torre.


A caixa forte do edifício mantém as características originais, como porta circular de 16 toneladas e 2 mil cofres de aluguel de diversos tamanhos.

No 5º andar, existem lustres e lambris que foram restaurados, sendo que todo o andar é revestido em jacarandá paulista. O 6º andar foi restaurado em 1969 para acomodar a presidência do banco. Localizado na rua João Brícola, no centro de São Paulo, próximo às ruas que antes formavam o centro bancário do município, o edifício teve sua arquitetura inspirada no Empire State Building, um dos prédios mais famosos em Nova York, nos Estados Unidos.

Na torre, foi instalada, e funcionou por muitos anos, a antena da primeira emissora de televisão do País, a TV Tupi, Canal 3 de São Paulo. Hoje, ela ainda abriga antenas, mas nãos as de emissoras. Polícia Civil, Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e a própria segurança do banco é que utilizam o ponto privilegiado para suas comunicações por rádio.

                                             Vista da parte interna da torre/mirante
 
 Depois de ser mantido fechado durante a ditadura militar, por supostas “razões de segurança”, foi reaberto desde então à visitação, recebendo mais de 45.000 visitantes/ano.

Hoje o espaço é sede do Santander Cultural, e o mirante do prédio proporciona uma vista de 360º, até 40 km.

Os números do Edifício Altino Arantes:
  • – 17.951 metros quadrado de área construída
  • – altura do prédio: 161,22 m
  • – altura do farol: 11,7 m
  • – altura do mastro da bandeira: 9 m
  • – pé direito do saguão: 16 m
  • – raio de visibilidade da torre: 40.000 m
  • – velocidade dos elevadores por minuto: 210 m
  • – número de andares: 35
  • – número de degraus: 900
  • – número de elevadores: 14
  • – número de janelas: 1.119
  • – peso do edifício: 45.500.000 Kg
  • – reservatório de água: 500.000 litros

Como se diz no popular, antes tarde do que nunca. O velho e imponente Banespão agora é patrimônio preservado integralmente!

 

 

O serviço de visitação é gratuito (grupos precisam agendar):

Banespão (Edifício Altino Arantes)

Rua João Brícola, 24 – Centro – São Paulo (Metrô São Bento)
Tel.: (11) 3249-7180
E-mail: museusantander@santander.com.br

Horário: De segunda a sexta, das 10h às 15h

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Museu Santander-Banespa em 360º

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