A Alemanha, como amplamente anunciado, decidiu renunciar no dia 27 de Maio último a energia nuclear e fechar os últimos reatores do país em 2022 após a catástrofe da central nuclear japonesa de Fukushima.

E meio às discussões sobre os riscos de contaminação por radioatividade, o governo da Alemanha aprovou em seguida (06/06/2011) os projetos de lei que determinam o fechamento das usinas nucleares no país até 2022.

Pelas sugestões e propostas, as autoridades concluíram e se dispuseram a buscar fontes renováveis de energia. A decisão foi tomada durante reunião extraordinária do conselho de ministros. O pacote com as medidas de política energética tem caráter de urgência.

O fim do uso de energia nuclear na Alemanha ocorrerá em etapas, encerrando em 2022, sem possibilidade de alterar essa data, segundo as autoridades alemãs Quatorze dos 17 reatores alemães não estarão mais em serviço no fim de 2021 e os três últimos – os mais novos – serão utilizados até 2022 no mais tardar, explicou o ministro, que chamou a decisão de “irreversível”.

Os sete reatores alemães mais antigos já haviam sido desconectados da rede de produção de energia elétrica, à espera de uma auditoria solicitada em março por Angela Merkel após a catástrofe da central nuclear de Fukushima.

O objetivo do governo da chanceler Angela Merkel é suspender o funcionamento de oito reatores num plano de encerramento das usinas, elas fecharão em sequência nos anos de 2015, 2017, 2019, 2021 e 2022.

A Alemanha terá que encontrar até 2022 uma forma de produzir 22% de sua energia elétrica, atualmente assegurados pelas centrais atômicas. “Nosso sistema de energia deve e pode ser fundamentalmente modificado”, afirmou Angela Merkel.

“Não se trata apenas de saber como sairemos da energia nuclear, mas também a que velocidade, e com que ambição, ingressarmos nas energias renováveis”, destacou Claudia Roth, uma das líderes dos Verdes.

Paralelamente, as autoridades discutem o reforço da eficiência energética nos edifícios públicos e privados no país.

Um dos objetivos é dar impulso à construção de linhas de transmissão destinadas a levar energia eólica do Norte para centros industriais do Sul da Alemanha, com uma das alternativas a serem buscadas.

Só para relembrar tentemos entender o que aconteceu em Fukushima:



O terremoto não causou danos diretos às usinas nucleares japonesas. Como elas estão em uma região suscetível a terremotos, já foram construídas de acordo com os parâmetros internacionais de segurança. O reator nuclear fica dentro de uma cápsula de aço, onde recebe água que, aquecida a altas temperaturas, gera vapor e produz a energia elétrica. O conjunto de equipamentos que alimentam o reator também fica dentro de um prédio com paredes de concreto de até um metro de espessura. Segundo especialistas, essas usinas são preparadas para suportar até mesmo quedas de avião.

Contudo, as redes de transmissão de energia elétrica do Japão não são à prova de desastres naturais. Com os tremores, algumas delas interromperam o fornecimento e diversas cidades ficaram sem energia elétrica. A maior parte das usinas já é antiga e utiliza um sistema de bombeamento elétrico à água para alimentar o reator, mas também para resfriá-lo. Com o blecaute de energia causado pelo terremoto, o sistema parou de funcionar, conforme mostra acima: o reator superaqueceu e liberou vapor, aumentando a pressão dentro da cápsula. Com isso, o reator começou a fundir, o que elevou os níveis de radiação em mil vezes. “O urânio começou a virar gás e uma parte dele vazou”, disse o físico José Goldemberg.

Usinas nucleares mais modernas utilizam um sistema de bombeamento de água diferente das usinas afetadas pela falta de energia elétrica (como Angra). Elas possuem um sistema redundante que, em caso de falta de energia, utiliza a força da gravidade para fazer a água circular pelo reator e pelo sistema de resfriamento. Sem esta alternativa, funcionários das operadoras das usinas nucleares japonesas afetadas pelo problema, injetam uma solução de água do mar, além de ácido bórico, dentro dos reatores, para tentar resfriar o sistema e parar o processo de fusão do reator. O processo levou dias para gerar os primeiros resultados.

Mesmo com várias ações tomadas, algumas inclusive beirando ao suicídio pela exposição dos que tentavam resfriar e desligar os reatores, as consequências danosas ao meio ambiente já se apresentam e certamente continuarão a aparecer pelos próximos anos, a exemplo do que aconteceu em Tchernobyl.

Por isto a atitude da Alemanha, sendo o primeiro grande país a renunciar gradativamente a energia nuclear, representa uma atitude de descrença em qualquer disciplina segurança que possam discutir, normatizar e aplicar nas próximas reuniões a respeito do assunto. É uma decisão firme e que deve servir de exemplo para outras nações, como tem ocorrido.

Já no Brasil, os políticos ufanistas e populistas na cadeia superior do poder, preferem ir em direção contrária, e até anunciando ampliar o sistema com mais usinas, como se estivéssemos numa situação muito crítica de falta de alternativas de geração de energia. Nosso tamanho territorial, com rios enormes e ventos cobrindo praticamente todo nosso território quase continental, abundante produção de bagaço de cana para eco-termoelétricas, entre outras, nos fazem ter o privilégio de poder “chutar para o barranco” qualquer besterol nuclear para gerar energia.

Esta abundancia, nenhum país do mundo tem. Os países que estão abandonando ou reduzindo suas pretenções e instalações nucleares, terão que investir e buscar alternativas que talvez não tenham, enquanto nós (nossos políticos), acham que é uma questão de orgulho e segurança nacional se encher de aparatos nucleares para geração de energia.

Mais curioso é que estes mesmos políticos fizeram a mais crítica oposição, quando o General Geisel fez o acordo Brasil-Alemanha em 1975, e durante sua implantação nos anos que se seguiram.

Nossos Físicos tem estabelecido muitas críticas a este “escudo nuclear” brasileiro. Uma das mais duras é a que eles criticam a falta de independência do programa nuclear:

O programa nuclear brasileiro sofre de uma “promiscuidade perigosa” porque o mesmo órgão que fiscaliza as atividades envolvendo energia atômica também financia as pesquisas nesse campo.

Esse é o diagnóstico de uma comissão da SBF (Sociedade Brasileira de Física), que avaliou o estado da área e apresentou suas conclusões durante o Encontro de Física 2011, em Foz do Iguaçu (PR). “A confluência de interesses prejudica a supervisão de segurança”, diz Luiz Carlos Menezes, físico da USP e presidente da comissão.

O alvo das críticas dos físicos é a CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear).

Menezes lembra que já há a iniciativa de criar uma agência independente de monitoramento, mas ela não avança. “Não duvido que os interesses corporativos da própria CNEN estejam emperrando essa consulta”, diz ele.

Quando acuadas, nossas autoridades dizem que a população de Angra esta bem treinada e há planos de evacuação realistas, como se um desastre nuclear dependesse apenas de evacuação local da população. As consequências são bem maiores do que isto, como mostram os acidentes que já ocorreram.

Por tanto a Alemanha dá o exemplo, principalmente ao Brasil, pois são os pais de nossos reatores e de nossa tecnologia nuclear para gerar energia!

Abaixo, sequências de vídeos das explosões em Fukushima para nossas reflexões!


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