Boa parte das pessoas acreditam que o Rock no Brasil, se iniciou com aquele movimento chamado Jovem Guarda, em São Paulo, pela mãos da antiga TV Record de Paulo Machado de Carvalho, tradicional empresário do ramo, mas foi um pouco antes, em 1959 que surgiu Celly Campello e seu irmão Tony.

Antes de Tony e Celly Campello, existia alguma produção de rock´n´roll nacional, meramente rara e de produção para comerciais. Este cenário era dominado normalmente de artistas de várias vertentes quase sempre acima dos trinta anos. Os sons que ainda marcavam era das Big Bands estilo Glenn Miller. Foi assim até os irmãos Tony e Celly Campello entrarem na cena musical tornando o rock´n´roll uma expressão artística jovem no país. Com o impacto de Celly Campello, sua imagem de simpatia e carisma, além de sua voz perfeitamente clara e límpida, deu-se o inicio ao primeiro estilo de rock nacional que só mais tarde iria ganhar o nome de Jovem Guarda.

Tony Campello nasceu Sérgio Benelli Campello no dia 24 de fevereiro de 1936 na cidade de São Paulo. Nascia seis anos depois a irmã caçula Célia Benelli Campello, em 18 de junho de 1942. A família mudaria pouco depois para Taubaté, interior do Estado, o verdadeiro berço de suas carreiras. Os irmãos teriam uma boa instrução musical, ambos tendo aulas de piano e violão, Célia também tinha aprendizado de balé. Estreia, por assim dizer, em festas do Rotary Club, que seus pais frequentavam.

Celly começou sua carreira precocemente, sua estreia no radio foi no programa Silva Neto da Rádio Difusora, mas também participou de programas da Rádio Cacique de Taubaté aos 6 anos de idade, cidade onde passou toda sua infância. Tornou-se rapidamente um nome conhecido na cidade.

Tornou-se uma das participantes do Clube do Guri (Rádio Difusora de Taubaté).Aos doze anos já tinha o próprio programa de rádio, também na Rádio Cacique. Aos quinze anos de idade (1958) gravou o primeiro disco, em São Paulo no outro lado do primeiro 78 rotações do irmão Tony Campello que a acompanhou em boa parte da carreira como cantora e atriz.

Estreou na televisão no programa Campeões do Disco, da TV Tupi, em 1958. Em 1959 estreou um programa próprio ao lado do irmão Tony Campello, intitulado Celly e Tony em Hi-Fi, na Record, o qual apresentou por dois anos. A carreira explodiu em 1959 com a versão brasileira de Stupid Cupid, que no Brasil virou Estúpido Cupido. A música foi lançada e se tornou um sucesso em todo país no ano de 1959. Nesse mesmo ano participou do longa-metragem de Mazzaropi, Jeca Tatu.

Durante a vida gravou outros sucessos: Lacinhos Cor-de-Rosa, Billy, Banho de Lua, que lhe renderam inúmeros prêmios e troféus, inclusive no exterior, e lhe deram o título de Rainha do Rock Brasileiro. A maior parte das versões eram de Fred Jorge, novelista e compositor musical, de Tietê SP, que participaria anos depois do movimento da Jovem Guarda, fazendo versões de músicas norte americanas e inglesas, para vários cantores e conjuntos musicais brasileiros.

Estúpido Cupido foi certamente maior sucesso de Celly e o que influenciou gerações:

Lacinho cor de rosa, um outro grande sucesso, acabou por ajudar a aceitação o rock´n´roll pelas famílias mais tradicionais, e colaborar para a solidez da nova manifestação artística que chegava ao país, naquele início de década (60), já com conturbações políticas no país:

Banho de Lua, de compositores italianos, foi introduzida pela primeira vez no Brasil, pela Celly Campello. 6 anos depois foi regravada por Rita Lee e os Mutantes no auge do movimento da Tropicália.

Celly vinha sendo cogitada para apresentar o programa Jovem Guarda (TV Record), ao lado de Roberto e Erasmo Carlos. Como abandonou a carreira, Wanderléa tomou seu lugar. Durante os anos derradeiros fez apresentações e deu entrevistas a várias emissoras, com particular destaque ao ano de 1976, quando foi trazida de novo ao sucesso, graças a telenovela Estúpido Cupido (homônimo do grande sucesso, de 1959) a qual gravou uma participação especial. Incentivada pelo sucesso da novela, tentaria retomar a carreira, chegando a gravar um disco e fazendo alguns espetáculos. Mas com o término da novela, voltou ao ostracismo.

Para tristeza de toda uma geração que a idolatrou como fenômeno musical, Celly abandonou a carreira no auge, aos 20 anos, para se casar e morar em Campinas. Foi em 1962, com José Eduardo Gomes Chacon, o namorado desde a adolescência. Com José Eduardo, com quem permaneceu casada até morrer, Celly teve dois filhos, Cristiane e Eduardo, e dois netos.

Em 1996, Celly descobre que está com câncer na mama. Após cirurgia e tratamento à base de quimioterapia, os médicos a consideram curada. Mas pouco tempo depois o câncer foi identificado em uma de suas costelas, mal que acabou atingindo a pleura.

Nova operação e mais quimioterapia não abalaram a moral ou esperanças. Mas teve que ser internada novamente no dia 20 de Fevereiro 2003, no Hospital Samaritano em Campinas, onde acabou por falecer no dia 3 de março de 2003. Seu sepultamento ocorreu no dia seguinte no Cemitério Flamboyants na cidade de Campinas onde. Deixou o marido, filhos e netos.

Uma das entrevistas marcantes, em 2002, já fazendo tratamento de um câncer de Mana e suas consequências:

Recebeu além do título de rainha do rock nacional, o título de namoradinha do Brasil, posteriormente dado a Regina Duarte. Uma curiosidade, nasceu no mesmo dia, mês e ano de Paul McCartney !

Uma breve homenagem feita por Celso B. Duarte em 2007 resume merecidamente em forma de tributo algumas imagens da carreira meteórica e eterna da Rainha do Rock´n´Roll:

Discografia e vida artística podem ser vistas neste link:

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