E não é que o ensino escolar foi contrariado de novo, em 22 de Abril de 2008. Um terremoto de 5.2 Graus na escala Richter se abateu sobre SP, e residualmente estados vizinhos !

Os centros de suporte a catástrofes, como Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Centro de emergências dos mais diversos, colecionaram chamados de tôdas espécies por volta das 21:00h, daquele dia.

As redes sociais se entupiram de relatos, o sistema telefônico teve picos de ligações entre familiares, amigos, imprensa, etc, na busca de informações que traduzissem o que estava ocorrendo, tudo isto em poucos segundos, que somados a duração do evento, mostraram como é crucial um sistema de comunicação para uma sociedade.

Quase que instantaneamente as emissoras de TV, davam a notícia em caráter de plantão, com mostrado abaixo:

O tremor foi sentido intensamente também nas cidades de Santos, Guarujá, São Vicente, Praia Grande, Tietê, Botucatu, Piedade, Limeira, Sorocaba, Indaiatuba, Mogi das Cruzes, Ribeirão Pires, Diadema, Cotia, São Roque, entre outras.

terremoto em spComo sempre aqueles que se situavam em edifícios foram os que mais perceberam , e minutos depois, as organizações oficiais já davam como ocorreu e se propagou e evento, que teve um epicentro a pouco mais de 200km da Grande SP, próximo a cidade de São Vicente:

Sismo na tela

O sismo na tela da UNB

Segundo o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP), no século XX foram registradas mais de uma centena de terremotos no país, com magnitudes que atingiram até 6,2 graus na escala Richter. Contudo a maior parte desses abalos não passou 4 graus.

Em 1955, em Porto dos Gaúchos (MT)., foi detectado um terremoto de 6,2 graus na escala Richter, que é considerado o maior até hoje medido. Nesse mesmo ano, o Espírito Santo foi atingido por um abalo sísmico de 6,0 graus e no Ceará, foi registrado um terremoto de 5,2 graus na escala Richter, em 1980. Já no estado do Amazonas, sofreu com um terremoto de 5,5 graus em 1983.

Este tremor de São Paulo foi o quinto maior já registrado no País. No Estado de São Paulo, o maior abalo conhecido foi o que atingiu a cidade de Mogi-Guaçu em 27 de janeiro de 1922, que também atingiu a cidade de São Paulo e que alcançou 5,1 de magnitude (por tanto este de 5.2 passou a ser o maior ocorrido em São Paulo).

O de 1922, foi inclusive assunto da Semana de Arte moderna, conforme retrata o jornalista Marcos Augusto Gonçalves, em seu livro “1922: A Semana que não terminou”;

Passado os 5 anos, o episódio é mais um que contribui para desmistificar que não existem terremotos no Brasil, como foi ensinado durante anos nas escolas.

O Brasil está situado no centro da placa Sul-Americana, a qual atinge até 200 quilômetros de espessura, e os sismos nessa localidade, raramente possuem magnitude e intensidade elevadas. Porém, existe a ocorrência de terremotos no território brasileiro, causados por desgastes na placa tectônica, promovendo possíveis falhas geológicas. Essas falhas, causadoras de abalos sísmicos, estão presentes em todo o território nacional proporcionando terremotos de pequena magnitude, alguns considerados imperceptíveis na superfície terrestre.

A placa sul-americana alonga-se do oceano Pacífico ao Atlântico. A oeste, os pontos de atrito da placa sul-americana se dão contra a oceânica de Nazca, onde os sismos ocorrem a mais de 600 quilômetros de profundidade.

A leste, no meio do Atlântico, a placa sul-americana se atrita com a africana e os sismos são rasos, a 50 quilômetros de profundidade.


Bom passado o susto, não faltou criatividade para tratar o assunto com humor, por exemplo na propaganda:

burgerkingOu a curiosa descoberta que o epicentro do terremoto foi na Praça do Patriarca:

E até uma “Teoria de conspiração” não faltou:

A verdadeira causa do terremoto de 2008 no Brasil


ANATOMIA DE UMA POSSÍVEL TRAGÉDIA

Tomando como base as ocorrências de São Francisco, Cidade do México e Kobe além da tabela abaixo mostrando o comportamento da escala Richter, o que poderíamos simular com um terremoto de 7.0 graus ou mais em São Paulo ?

escalaDe imediato a análise teria que se iniciar com o comportamento das edificações:

Por exemplo na região central, um bom local para não estar durante o evento seria a Rua Líbero Badaró e a Praça do Patriarca. De imediato, toneladas de vidro seriam ejetadas dos maiores edifícios da Região (Conde Prates, Mercantil Finasa, Grande São Paulo e Barão de Iguape), todos com mais de 30 andares. Alem disto na esquina da Rua Libero Badaró com a Av. São João, muito provavelmente veria o desmoronamento do Edifício Martinelli, de 32 andares, por ser uma construção muito antiga.

Na Praça Antonio Prado, o Edifico do Banespa e do Banco do Brasil, resistiram melhor, jogando poucos entulhos ao solo, contudo o mirante do Banespa provavelmente ruiria, jogando sua pequena antena ao solo.

Resistiram também as igrejas da Sé, Mosteiro de São Bento, Sta Efigênia e Igreja da Consolação, perdendo quando muito seus vitrais, contudo as igrejas antigas de construção seculares que existem em todo o centro, ruiriam por completo, causando a perda de um inestimável patrimônio.

Num outro ponto da cidade, com uma ilha de edifícios altos, seria a Av. Ipiranga com a Av. São Luiz. O edifício Itália “vomitaria” suas persianas externas” tanto para a Av. Ipiranga, quanto para Av. São Luiz, se não sobrarem algumas ainda para a Praça da Republica.

O Edifício Copan, veria seus parapeitos de concreto que revestem toda sua face frontal, se despedaçarem e caírem sobre a Av. Ipiranga, vindo junto quase que simultaneamente uma enorme quantidade de vidro das centenas de esquadrias que o Edifício contêm.

A Av. São Luiz com grande edificação alta também, com construções antigas e modernas, viraria uma avenida de entulhos rapidamente.

A Av. Paulista, devido a sua concentração de pessoas, seria com certeza o pior local para se estar durante a ocorrência de um grande terremoto. De cara, centenas de toneladas de vidraças viram ao solo. Com grande probabilidade antenas inteiras ou partes delas também ruiriam, já que há poucos edifícios na avenida, que não possuem alguma antena em seu topo. Alguns edifícios mais antigos, como o Baronesa de Arary, Conjunto Nacional, poderiam ruir parcialmente, aumentando a tragédia.

A Av. Faria Lima teria um comportamento semelhante. O skyline composto pelos bairros dos Jardins, Vila Olímpia e Brooklin, também veriam suas edificações “vomitando” vidraças” e pedaços de ferro e alumínio de suas estruturas.

A Ponte Estaiada Otavio Frias, mais moderna, construída com uma tecnologia de ponta, resistira, tendo poucos danos. Mas não seria experiência agradável estar parado sobre ela com seu automóvel.

De um modo geral todos os edifícios com “pele de vidro” seriam os que provocariam enormes estragos sobre a população em circulação. Mas não ficariam só nestes casos, pois considerando que a cidade tem mais de 900.000 edificações, o caos gerado por um terremoto de grande envergadura seria um desastre de grande proporções inimaginável.

As dezenas de favelas da cidade, por conta de suas frágeis construções, sem normas e parâmetros de construção civil aplicados, seria o outro lado do desastre com muitos desabamentos e vítimas. Já os bairros situados em pontos altos, fora da bacia Tietê , Tamanduateí e Pinheiros, não sofreriam deslizamentos significativos, por conta de sua geologia, além de não terem grandes rochas dentro de suas encostas e estruturas, cujo escorregão abaixo poderia levar muitas edificações e provocar muitas vitimas.

Estar acima ou abaixo das pontes que se situam nas marginais Tietê e Pinheiros, não seria nenhum exercício recomendado, se pudesse haver alguma previsibilidade de um terremoto. O mesmo não se aplicaria a tuneis por exemplo, conforme observações em cidades que já passaram por catástrofes deste nível. Contudo o túnel Airton Senna e Jânio Quadros, não seriam bons lugares, já que o primeiro passa embaixo do lago do Ibirapuera, e o segundo sobre o Rio Pinheiros, e uma pequena rachadura poderia causar uma boa e desastrosa inundação .

E por aí vai….e estariam agregados à catástrofe os municípios da grande SP, com um perfil urbano idêntico ao da capital.

Uma hora depois do evento, numa visão aérea a cidade apresentaria um cenário de muitos escombros, incêndios, causados por tubulações de gás danificadas, e instalações elétricas em completo curto-circuito, postos de gasolina explodindo a todo momento, um agonizante e elevado número de pedidos de socorro pelas avenidas e ruas, um caos em mobilidades, enfim um cenário de inferno, que algumas cidades de menor tamanho já passaram..

Se o evento ocorrer em um momento de plena atividade da cidade, uma previsão otimista de 500.000 a 1 milhão de mortos de imediato, pouco mais de 1 milhão de feridos. Os danos materiais seriam de centenas de bilhões de dólares, podendo chegar a casa dos Trilhões, e a cidade voltaria a ser tornar funcional num prazo mínimo de 5 anos, com total recuperação em pouco mais de 10 anos, se não se perder o foco nas questões essênciais de recuperação. A única coisa não reparável seriam os milhões de vitimados, aliás como foram em outras tragédias mundo afora, e um rico patrimônio imobiliário (antigos).

Se por um lado São Paulo é uma das poucas megalópoles bem acima do nível do mar (800m), por tanto não atingível por anomalias marítimas como tsunamis por ex, não dá para nem pensar num grande terremoto, e portanto vamos torcer, já que não é possível evitar, que os abalos sempre se situem até os 5.0 graus “apenas”. Uma situação mais confortável seria apenas a Av. Paulista continuar como uma espécie de sismógrafo do que acontece na região dos Andes, pois quando a Avenida “treme” é sinal que um grande terremoto ocorreu naquela região bem distante banhada pelo Pacífico.


Link de interesse:

Painel Global de monitoração de Terremotos


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