RoutemasterlondonÍcone londrino tão famoso como o Big Ben, os ônibus de 2 andares (double-decker bus), são uma modalidade de transporte utilizada em vários países do mundo. Mesmo em Londres já correu o risco de ser desativada e até São Paulo se aventurou na modalidade, aliás aqui se gosta de experimentar tudo no tocante a transporte urbano.

Em Londres, na eleição municipal de 2008, um fato muito curioso ocorreu, pois o então candidato Boris Johnson teve uma apertada vitória de sobre seu opositor, Ken Livingstone, e esta disputa tão justa como muitos acreditam foi um ônibus de dois andares que ajudou a decidir o pleito em favor do candidato conservador.

Durante a campanha Boris Johnson atacou bravamente Ken Livingstone pela decisão de retirar de circulação das ruas da capital o famoso ícone londrino, o Routemaster, tradicional veículo vermelho tão famoso.

Eleito, BoJo não deu chance para o azar e assim que assumiu imediatamente encomendou um substituto para os já rodados double-deckers da cidade. E a determinação já produzira um ano depois um Routemaster 2.0 em testes na linha 38. Com o resultado positivo, nos anos seguintes começaram a ser implantados em outras linhas e com a denominação de “New Bus” para alegria da tradicional população e dos turistas. Para estes seria muito “esquisito” visitar Londres e não ver mais os Routemasters em circulação, comentavam alguns canais da imprensa.

O “New Bus”, na realidade traz a mesma plataforma aberta pela qual seu antepassado ficou tão famoso e amado, pois assegurava um embarque e desembarque mais simplificado dos passageiros. Ao mesmo tempo, tem um desenho com portas alternativas que permite sua operação por apenas os motoristas em horários fora do pico, já que a versão mais antiga obrigava a presença de um cobrador porque a plataforma não podia ser fechada. A tecnologia ainda trouxe para a nova versão um Routemaster mais ecológico de propulsão híbrida, que favorece o dobro de eficiência em consumo de combustível em comparação com os ônibus tradicionais e 50% a menos de emissões de monóxido de carbono.

Os passageiros mais curiosos podem conferir o novo ícone vermelho nas rotas disponíveis mais os saudosistas ainda podem matar as saudades do velho Routemaster, datado de 1954, nas rotas históricas 9 e 15, que partem de Trafalgar Square para High Street Kensington e Tower Hill, ao preço de 2,4 libras. Aliás em 2014 foi o jubileu dos 60 anos dos routemasters londrinos.


O Routemaster 2.0 – o símbolo londrino retorna às ruas


Numa primeira expansão para o mundo os vários modelos de ônibus double-deckers, se espalharam para os países da comunidade britânica e depois para outros países do mundo, como República da Irlanda, Dinamarca, Alemanha, Macedonia, Canada, México, EUA (California, NY), Austrália (até 1986), Nova Zelândia, Argentina, Bolívia, Equador, Chile, Perú, para citar alguns. Além disto os double-deckers saíram do meio urbano e invadiram fortemente o meio turístico, com veículos para viagens de longa distância e como City Tour em várias cidades do mundo.

No Brasil com grandes distancias e inúmeras cidades turistas, os double-deckers “turísticos” encontraram caminho fértil para sua expansão. Os double-deckers bus, também encontram oportunidades no meio publicitário.

Fora da comunidade britânica atual, uma cidade merece destaque, Hong Kong, que além dos “routemasters” tradicionais tem também versão de tramway, ou seja bondes double-deckers, que são o ponto nervoso de transporte urbano, conforme mostra o vídeo indicado abaixo.

Como mencionado, o Brasil entrou nesta onda em 8 de setembro de 1987 em São Paulo, pela falida CMTC e pelo folclórico prefeito Jânio Quadros. Nesta data foram postos em circulação 11 unidades de 4,3 metros de altura, pintados na côr vermelha e logos dourados. Eles faziam a linha 5111, no corredor de Santo Amaro. Eles foram fabricados nas próprias oficinas da CMTC (Cia. Municipal de Transportes Coletivos) e depois transferidas para uma tradicional encarroçadora de ônibus, a Thamco, da qual saíram mais 27 unidades para a mesma linha, em 1988. Eles tinham um capacidade de 112 passageiros, contra os 75 dos ônibus convencionais e 120 dos monos-articulados.

A mídia na época e alguns partidos “do contra”, fizeram a história do double-decker paulistano um inferno, além claro de alguns problemas técnicos. Uma campanha de ridicularização ficou em curso dizendo que o prefeito escolheu as cores por causa do ônibus londrino, que estava copiando “o estrangeiro”, quando na verdade as cores eram as do município (o vermelho e o dourado, são as corres do brasão e da bandeira do município, além do branco). E eram as cores também da CMTC, que era a estatal do município. Os problemas técnicos se concentravam na suspensão, e o conflito com a fiação de trólebus, que na época tinha uma extensa malha na cidade.

Ele recebeu carinhosamente da população o nome de “Fofão”, mas tinha outro apelido também, “Dose dupla”, talvez em homenagem as aventuras etílicas do folclórico prefeito. Em 1993 eles foram descontinuados face aos problemas e da marcante pressão midiática e política, tornando-se assim mais uma daquelas experiências no transporte público de SP, como foi o Papa-fila, os ônibus de carroceria dupla.


O “Fofão” da fábrica ao museu – a história foi injusta com ele ?


As 38 unidades do fofão foram leiloadas, exceto uma, que se encontra no Museu do Transporte de São PauloGaetano Ferolla “ da SPTrans na zona Norte de São Paulo. O povo gostava do Fofão, mas as correntes de urbanistas, políticos e a mídia do contra, sempre presentes intensamente em projetos novos, retirou da ruas um veículo que poderia estar nos ajudando nos dias hoje, junto com os monos e bi-articulados. Poderíamos ter evoluído até a ponto de ter a fábrica Routermaster por aqui.

O espólio deste projeto ainda foi visto em algumas cidades brasileiras como Campinas, Goiânia, Recife, Uberlândia, Osasco…

O conceito double-decker existe em Londres desde os anos 1850. As charretes puxadas a cavalo já eram assim. E os ônibus começaram a aparecer em 1910, inicialmente abertos no andar de cima (como são os City Tours atuais). Em 1954, apareceram os Routemasters, que é o nome do fabricante mais conhecido (The AEC Routemaster), que acabaram por se tornar o ícone londrino.

A partir de 1981 eles foram sendo substituídos por veículos mais modernos e tecnológicos (articulados), e aqueles mais antigos sumiram em 2005, mantendo apenas uma linha mencionada acima. A pressão popular e a jogada política de Boris Johnson os trouxeram de volta.

A volta da fabricação deles trouxe um aquecimento da economia e sendo entrevistado pelo “The Daily Telegraph”, Bob Johnson disse: “É a concretização de que fazer investimento em Londres aumenta o resto da economia do Reino Unido, direta e indiretamente. Temos estimulado o melhor da tecnologia britânica, a criação de postos de trabalho no país, e sim, nós estamos olhando agora para os potenciais mercados de exportação “.

E São Paulo poderia estar na mira disto, caso tivesse levado à frente seu projeto. Mas por aqui, em 2009 pudemos ver um autêntico Routemaster londrino e dos antigos circulando pelas nossas ruas. Comprado por um fabricante de produtos de beleza, a GA.MA Italy, para suas ações de marketing, o “double-decker” foi transformado num salão de beleza ambulante para fazer tratamento estético gratuito.

O letreiro deste exemplar ainda mostrava “Park Lane e marca o número da linha 73”, mas, em vez do Hyde Park londrino, o ônibus circulava mesmo por nossas ruas centrais e no Ibirapuera e vizinhança.


Um autêntico routemaster em São Paulo em 2009, numa campanha publicitária


Veja também:


routemaster

 

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