De longa data existiu muitas lamentações em várias cidades mostrando arrependimento pela extinção de bondes.

Grandes e médias cidades entraram nesta lamúria, mas antes da Copa do mundo de 2014, com a motivação de reaver um trem mais moderno, o VLT, despertou nos gestores a possibilidade de reaver os bondes só que numa versão moderna, com mais capacidade e com muita tecnologia, afinal eles já existem a muito tempo em cidades europeias, como comprovação que podem ser uma alternativa para integrar-se a outras modalidades para resolver ou minimizar os gargalos de transporte urbano.

Não é uma solução que substitui outra, mais sim vem somar-se as estruturas existentes integrando-se ao perfil das cidades na ajuda de transporte, de questões ambientais e conforto para os usuários.

Conhecido como “metrô de superfície” tem seu custo inferior a de um metrô tradicional, e se comparado a ônibus são mais ecológicos pois utilizam eletricidade ao invés do diesel. As obras de mobilidade da Copa de 2014 previam ao menos que três cidades teriam VLTs. Cuiabá, Fortaleza e Natal.

O de Cuiabá virou um mico bilionário não entrando em operação a tempo, e consumindo enormes recursos, estando travado por escândalos de licitação, compra de quantidades de trens além do que o trajeto pode suportar e que tem até  o governador envolvido, Silval Barbosa (PMDB-MS),  atualmente na cadeia, preso na esteira de uma série de investigações da Polícia Federal sobre fraudes em seu governo. O atual governo do MS teve que paralisar os trabalhos e contratar uma auditoria diante das evidências de irregularidades e superfaturamento existentes em seu contrato e na execução desta obra que segundo se estima só ficará pronta em 2020.

O de Natal, também não fluiu e seu projeto estava sendo revisto em 2015 com grande chance de se transformar num BRT, e o de Fortaleza acabou sendo abandonado. Ainda por conta dos Jogos Olímpicos há outro em construção no Rio, para ligação do Centro a Região Portuária onde pairam dúvidas se será inaugurado a tempo para o evento.

VLT Rio, em fase de testes na região portuária da cidade

VLT Rio, em fase de testes na região portuária da cidade

Apesar deste breve histórico há que se lembrar do polêmico VLT de Campinas, o primeiro a ser pensado e construído em 1990, que teve seu custo de implantação reduzido pois aproveitou trilhos da antiga FEPASA depois de exaustiva negociação com as esferas Estaduais e Federais.

Mapa ilustrativo das estações do VLT de Campinas em 1990

Mapa ilustrativo das estações do VLT de Campinas em 1990

O seu primeiro trecho foi construído e inaugurado em apenas 4 meses. Este trecho foi inaugurado pelo governador Quércia em 23 de novembro de 1990, cerca de dois dias antes do primeiro turno das eleições estaduais de 1990 o que gerou acusações de uso eleitoral da obra, pois no ato de inauguração estava coberta de propagandas de Luiz Antônio Fleury Filho, candidato de Quércia ao governo do estado.

Placa Informativa das Obras do VLT de Campinas em 1989

Placa Informativa das Obras do VLT de Campinas em 1989

A intenção era de que esse primeiro trecho fosse o embrião de uma rede de VLT’s que cruzariam a cidade de Campinas utilizando-se de vias férreas desativadas pela FEPASA há mais de 20 anos.


O polêmico e pioneiro VLT de Campinas


Mas este VLT foi desativado em 1995 e enquanto funcionou usou vagões do MetrôRio que estavam sem utilização no Rio de Janeiro que os usou por algum tempo em sua Linha 2. Sofreram modificações para operar como VLT em Campinas.

Ao que se sabe estes trens nômades estão abandonados e sucateados em Rio Claro. A ABPF – Rio Claro estava tentando preservar pelo menos um deles como valor histórico por que de um modo geral até então eles estavam em melhores condições mas sem possibilidades de uso em outro local.

Também por suspeitas de corrupção, fraude licitatória e da grande necessidade de subsídios acabaram por inviabilizar a ampliação do sistema que teve 8Km, 8 estações transportando quase 4.000 passageiros/dia. Durante anos subsequentes tentou-se reavivar o projeto mais sem sucesso. Nos dias atuais ainda se discute a implantação do VLT cobrindo uma extensão de 17 quilômetros ligando o Aeroporto de Viracopos com o Centro de Campinas (SP). O antigo VLT de Campinas se tornou polêmico por várias razões entre as quais não conseguia atrair mais passageiros, pois não havia um sistema de integração com os outros sistemas da cidade.

Mas apesar de tudo ele foi o primeiro a funcionar plenamente, e também inspirador de outros projetos junto com os modelos europeus.

Mas existe uma iniciativa semelhante com a de Campinas, no Ceará desde 2009 ligando os municípios de Crato a Juazeiro do Norte, outrora conhecido como Metrô de Cariri. Ele tem uma extensão de 14Km, e foi construído também entre trilhos desativados da falida RFFSA.

O também pioneiro VLT da região do Cariri

O também pioneiro VLT da região do Cariri

Os moradores da região sonham com a ampliação do sistema, prometido algumas vezes. Embora possam existir interpretações conceituais se este é um “Metro-leve”, “Pré-metrô”, etc., na prática ele é um VLT, que precisa de fato de uma melhor manutenção e modernização de seus maquinários e corredores. É considerado o mais antigo VLT em operação no Brasil, e chegam até a afirmar ser o primeiro, esquecendo-se do que existiu em Campinas.


O VLT de Cariri inaugurado de 2009 também com uma grande promessa.


Existem mais iniciativas, projetos e até obras de VLTs em outras cidades, como Maceió, João Pessoa, Recife, Ceará, Brasilia, Vitória, Macaé, São Luiz, Nova Friburgo, ABC Paulista, Jundiaí, Sorocaba, Curitiba, Piracicaba, etc. Até uma multinacional especializada em trens montou uma fábrica em Taubaté,SP para ajudar na demanda. Tal indústria forneceu mais de 1700 vagões de VLTs no mundo e que tem o VLT do Rio como primeiro cliente potencial.

Em São Paulo depende unicamente da Prefeitura abraçar projetos, já que o estado mantem junto com a iniciativa privada investimentos em Metrô e Monotrilhos para dar conta ao gargalo de mais de 7 milhões/dia de passageiros.

Existem VLTs trafegando em cidades como Porto, em Portugal, Barcelona, Madri e Tenerife, na Espanha, Angers, Bordeaux, Grenoble, La Rochelle. Lê Mans, Lyon, Montpellier, Mulhouse, Nice, Orléans, Paris, Strasbourg, Toulouse e Valencienes, na França, e outras europeias e asiáticas.

Nos Estados Unidos são: Salt Lake City, South Jersey, San Francisco, San Jose, San Diego, Tacoma, Oceanside, Seattle, Saint Louis, Saint Paul, Sacramento, River Line, Philadelphia, Pittsburg, Pasadena, Portland, Phoenix, Newark, Minneapolis, Baltimore, Los Angeles, Houston, Denver, Dallas, Charlotte, Bufallo, Boston, Austin entre as mais conhecidas.

Com todo este histórico sobre os VLTs,  Santos/São Vicente saíram na frente para implantação de um moderno sistema conduzido pelo Governo Estadual através da EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos). Aliás é a primeira incursão da EMTU em transporte ferroviário, já que até então seus sistemas eram rodoviários.

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O modelo implantado é semelhante aos que estão em operação há alguns anos em cidades europeias com excelentes resultados, pois tem emissão zero de poluentes. Interage com o meio urbano de maneira amigável, circulando sempre ao nível das ruas, preservando o patrimônio histórico e colaborando para a revitalização urbanística das vias por onde seu trajeto passa.

Como vem acontecendo as estações estão impulsionando a modernização de seus entornos, trazendo mais conforto e qualidade de vida. A redistribuição do tráfego transforma o ambiente de todas as cidades onde o sistema está implantado, melhorando a mobilidade da população. A população dos nove municípios da Região Metropolitana da Baixada Santista vai usufruir dos benefícios do VLT, já que haverá menos ônibus em circulação, menos poluição sonora, além da redução do tempo gasto nas viagens entre os municípios.

O sistema opera desde 2015 primeiro com os mais variados testes e a partir Janeiro último vem operando comercialmente com tarifa de R$ 3,80 por 9 estações desta primeira linha. Atualmente se encontra em construção a extensão da atual linha em operação, além de uma nova linha e a expectativa é transportar 220 mil passageiros, sendo que nesta primeira etapa atenderá 70 mil usuários/dia nas 15 estações do trecho Barreiros-Porto.


Moderno e já operando com tarifação este primeiro trecho tem sido um sucesso para a população.


Se algumas cidades tiveram a motivação da Copa para a instalação do VLT, na baixada Santista a motivação foi única e exclusivamente melhorar o transporte público da população que há anos enfrenta como outras cidades um gargalo, favorecendo uma infraestrutura moderna principalmente para as cidades de São Vicente, Santos, Praia Grande e Guarujá.

Como mencionado, no Brasil outras cidades tentam adotar o sistema, dada sua rapidez e custos, contudo a atual crise econômica e os escândalos envolvendo a maiores empreiteiras do pais, cartel de players do setor ferroviário acabaram por adiar projetos ou promover atrasos nas obras em andamento. É esperar para ver o que ocorrerá nos próximos anos. O legado de acertos e erros devem ser considerados na adoção deste modal no Brasil sob pena de fracasso.

Que tenhamos em breve todos estes projetos concluídos e servindo a população e ajudando a resolver um dos mais graves problemas de nossas cidades…


Bibliografia/Fontes: 

  • VLT de Cariri: Videos e imagens (p/o) de: Paulo Leonardo Celestino, Canal de TVCHD, Franklin Almino, Andrew Comings, Laamaral(sonorização)
  • VLT de Campinas: Videos (p/o): Vanderlei A. Zago, EPTV//Imagens: Allen Morrison, Kelso Medici, Steve Morgan, Jorge Cialowisk, Laamaral(sonorização)
  • VLT de Santos: Vídeos p/o de: Alberto Pardinho, Lucas Sousa, Emilio Pechin, Jornal Boqnews, tvdaobra, Laamaral (sonorização),EMTU, Marcio Martines, Paparazzi Ferroviário. 

vltsantos

 

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