O Obelisco-Mausoléu aos Heróis de 32, conhecido como Obelisco do Ibirapuera, é um dos 2 obeliscos que existem em São Paulo, (o outro é o obelisco do largo da memória no centro). Ambos possuem uma história riquíssima, já que o do Largo da memória é o primeiro monumento de São Paulo e o do Ibirapuera é o maior monumento da cidade.

obelisco

Este monumento-mausoléu teve sua execução pelo engenheiro alemão radicado no Brasil, Ulrich Edler, e é um projeto do escultor ítalo-brasileiro Galileo Ugo Emendabili, que chegou ao Brasil em 1923. Tombado pelos conselhos estadual e municipal de preservação de patrimônio histórico, o mausoléu guarda os corpos dos estudantes heróis Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo (o MMDC), mortos durante a Revolução de 1932 e de mais 797 ex-combatentes, entre eles os poetas Guilherme de Almeida e Ibrahim de Almeida Nobre.

mmdc

Túmulo com restos mortais dos estudantes Miragaia, Martins, Drausio e Camargo, além de Paulo Virgínio.

Para homenageá-los e preservar a memória da rebelião, há dentro do monumento cenas bíblicas e passagens da história paulista feitas com pastilhas de mosaico veneziano. O obelisco, feito em puro mármore travertino, que por causa de uma série de complicações políticas e financeiras só teve sua construção iniciada em 1947. Ainda incompleto foi inaugurado em 1954, por ocasião do IV Centenário de São Paulo. Só em 1970 foi concluído se tornando então Patrimônio Histórico do Estado de São Paulo, que aguarda até nossos dias a complementação de sua restauração

O obelisco tem inscrições e esculturas em suas quatro faces, que iniciam-se pela face norte, indo para a face oeste, sul, e finalmente o lado leste. O texto escrito nestas faces é de Guilherme de Almeida, feito como homenagem aos revolucionários de 1932, cujo teor é, começando pela face norte:

“Aos épicos de julho de 32, que, fiéis cumpridores da sagrada promessa feita a seus maiores – os que moveram as terras e as gentes por sua força e fé – na lei puseram sua força e em São Paulo sua Fé.”

Na base do obelisco, junto à entrada da capela e da cripta, faceadas ao Parque do Ibirapuera, há outro texto de Guilherme de Almeida.

“Viveram pouco para morrer bem morreram jovens para viver sempre.”

A base plana do monumento representa um coração e o obelisco a espada, Assim, o Obelisco vem a ser, externamente, a “Espada do Martírio” do “Coração da mãe Terra Paulista” (a praça), ferido de morte pelos filhos da Terra caídos na trincheira.

Internamente, por sua vez, superadas as “Portas da vida e da Glória”, inseridas junto à base passa o Obelisco a ser um “Canhão Cívico”, sempre alerta e moralmente municiado para ser acionado, em caso de violação à ordem democrática e em defesa do “Estado Democrático de Direito”.

A Cripta, “Cruz do martírio”, é coberta por uma forte laje de concreto desta forma suportando a base do Obelisco, a qual é centralizada no entroncamento dos braços da cruz.

Bem no centro da cruz localiza-se a estátua em mármore do Soldado Desconhecido, que repousa sobre um bloco de mármore maciço, com os nomes inscritos dos quatro primeiros caídos pela Revolução. Esse bloco de mármore, por sua vez, está sobre uma Bandeira Paulista em preto e vermelho, que, obviamente, não se vê. E sob ela estão depositados os restos mortais de Miragaia, Martins, Drausio e Camargo, além de Paulo Virgínio, o herói combatente de Cunha no Vale do Paraíba, que preferiu morrer a dar as tropas fluminenses informação da localização das tropas paulistas.

A cripta é ainda sustentada por arcos que lembram as tradicionais arcadas da Faculdade de Direto do Largo São Francisco, berço do movimento de 32.

mausoleu

Foi por esta razão que o escultor concebeu a iluminação da cripta do Monumento, vinda do chão, como para lembrar a luz mortos que vem da terra. São três as portas de bronze que conduzem do exterior do Monumento para o interior da cripta e vale ressaltar que todas elas abrem-se para o exterior, para o mundo tal como os portais dos cemitérios da Velha Europa, terra natal do escultor.

Uma das curiosidades é a simbologia numerológica dada ao monumento-mausoléu, pelo próprio Emendabili, ao eleger e dimensionar o número 9, de 9 de Julho de 1932, data da Revolução Constitucionalista, como símbolo da construção:

Desta maneira são 9 os degraus que conduzem ao acesso à Cripta;

  • O Obelisco mede 72 metros de altura (7 + 2= 9);
  • Do piso da Cripta até o ponto mais alto do Obelisco há 81 metros (8 +1= 9);
  • A raiz quadrada da medida da altura total do Monumento, 81 metros = 9;
  • A diferença das alturas (máxima/mínima), ou seja, 81 – 72 metros= 9;
  • A base quadrangular maior do obelisco, situada junto ao solo, mede 9 metros de cada um dos lados;
  • A base quadrangular, menor, situada junto ao vértice do Obelisco trapezoidal mede 7 metros de cada um dos lados (mês de Julho).
  • A largura da Cripta em cruz, medindo-se o braço menor, mede 32 metros;
  • Observando-se pela entrada do Parque do Ibirapuera, o Obelisco apresenta 32 projéteis em mármore, ligados entre si por barras circulares de bronze, para simbolizar a coesão;
Os 32 projéteis em mármore, unidos por barras de bronze, para simbolizar a coesão

Os 32 projéteis em mármore, unidos por barras de bronze, para simbolizar a coesão

Tem-se assim, então todos os números da revolução constitucionalista representados nesta obra, cuja data é 09/07/1932.

Túnel misterioso?

Há relatos de que atrás da sacristia, existe um buraco no chão, fechado por uma tampa de madeira que dá acesso a entrada do túnel misterioso. Não há escadas para descer, só uma cadeira usada pelo responsável por guardar o local quando precisa ir até lá e é um dos poucos que conhecem o destino desse túnel. “Não posso dizer onde acaba”, adianta.

“Eu só soube onde ele terminava quando meu avô estava para morrer”, conta, misterioso, Paolo Emendabili, neto do escultor do Obelisco, Galileo Emendabili. O segredo só será repassado para o filho de Paolo quando ele estiver preparado. As outras pessoas que também sabiam do túnel estão sepultadas no mausoléu: Guilherme de Almeida e Ibrahim Nobre.

Dentro do buraco escuro, além da cadeira, há água. “Não dá para entrar sem botas e sem lanternas, é perigoso”, alerta o responsável pela guarda local. Ele não foi o único a entrar no túnel, mas, segundo o neto do escultor, entrar não é suficiente, a pessoa tem de estar preparada para conhecer os simbolos que estão lá. Mas o que realmente existe lá, é um mistério !

O descaso:

O monumento está fechado ao público há 11 anos por causa de infiltrações de água que compromete a estrutura do monumento. Em todos estes anos, ele está totalmente fechado aos turistas, com raríssimas exceções, normalmente para imprensa fazendo algum documentário.

É devastador efeito das infiltrações: a água invade salas por meio de pequenas frestas no teto da câmara. Assim, gota por gota, as paredes e o piso de mármore travertino, que deveriam ser brancas, estão manchadas com uma coloração avermelhada, semelhante a sangue.

Manchas de “sangue” como diz Paolo Emendabili

Manchas de “sangue” como diz Paolo Emendabili

‘Olhando a cor da mancha no mármore, ela lembra sangue. Mas é isso o que está acontecendo com o monumento. Ele está sangrando por causa do descaso”, disse Paolo Emendabili, neto do escultor do monumento, Galileo Emendabili, A água que escorre em vários ambientes da edificação é outro mistério. Curiosamente, elas não cessam nem mesmo nos dias ensolarados, o que levanta a hipótese de que o vazamento não ocorre apenas por causa da chuva, mas também em decorrência de fissuras na estrutura do espelho d´água que circunda o Obelisco, sobre a cripta. Não é difícil imaginar que há um grande risco que pode afetar o futuro do mausoléu.

Vários canais de imprensa já denunciaram o estado do monumento junto às autoridades, e parece agora existir uma possibilidade real anunciada pelo governador, no segundo semestre de 2012: Veja:

Recentemente o apresentador Geraldo Luiz e equipe, fizeram uma didática reportagem no local, que é reproduzida abaixo, que detalha a história do local além de compor mais um apelo pela restauração e conservação do local:


 

 


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